A historia se passa em uma pequena cidade provinciana e segue a vida de Andras Szabo (András Szabó), um jovem violinista alcoólatra que não possui controle algum de sua própria vida. O filme retrata o casamento de Andras no qual sua esposa procura por segurança e uma vida estável, coisas que o marido é incapaz de fornecer.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
Tem um ar de desabafo no peso de cada close-up. O protagonista é um ouvinte otimista, mas que sempre escuta calado. Talvez seja um retrato das crises que passam muitos artistas que vivem lutando por seu espaço ou até mesmo pelo pão de cada dia.
Particularmente, não sou muito fã do Tarr, acho que os filmes dele rodeiam e vagueiam demais, portam uma incerteza e abstração no olhar que atribuem uma característica fantasmagórica, intangível ao filme. Muitas vezes não dou importância a alguns atos e logo são esquecidos, porque sinto como se não deveriam estar lá, como se fossem banais ou descartáveis. Às vezes penso que isso é uma coisa muito boa, mas acontece que pra mim as sensações durante e depois da experiência não correspondem bem a essa característica.
Neste filme valem os diálogos em tom boêmio que incitam reflexões interessantes contando com a presença de um personagem que fala sobre Beethoven, Mozart e Haydn. Algumas outras tomadas contribuem com algum humor, com personagens inusitados como um velhinho bêbado ou uma banda dos anos 70/80 com um estilo bem engraçado.
Fecha-se com chave de ouro: a pequena orquestra erudita e a frase "Dinheiro não paga música, só um quadro seria capaz de pagar."