Longa-metragem de ficção e terceira parte da Trilogia dos anos 70. É a primeira tentativa e Emigholz de explorar, através do cinema, espaços arquitetônicos como indícios de histórias humanas. A ação acontece na cidade de Clonetown, entre 1974 e 1979. Charon, um terrorista desiludido e pouco confiável, narra, às margens do esquecimento, sua decadência eminente a um negociante de carros sequestrado. Em suas memórias ele traz à tona seu segundo e terceiro ego – um artista megalomaníaco e um perverso vendedor de tapetes.
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Conheci este cineasta alemão recentemente, justamente a propósito de um convite de amigos cineclubistas, com base neste filme e o famoso 'Teddy Bear' que recebeu. Ao deparar-me com os primeiros curtas-metragens do diretor, constatei que seu viés estilístico associa-se ao cinema estrutural. Nas pesquisas, ele é lembrado por suas obsessões arquitetônicas. Neste longa-metragem de ficção, há uma transição visível entre um e outro aspecto: assisti ao filme sem legendas e consegui compreender quase tudo, surpreendentemente, de tão explícitas que são as intenções autorais do realizador. No começo, sabemos que a maioria do material apresentado foi filmado na década de 1970, o que explica as sinopses que definem o filme como um semidocumentário sobre o terrorismo: trata-se de uma amostragem crepuscular sobre a geração baader-meinhofista, com flertes homossexuais e uma reflexão quase jornalística sobre alguns prédios que serviram de cenário. O Muro de Berlim ainda existia, mas estamos numa região fictícia (pois é, Clonetown não existe, mas dá para entender claramente o que o diretor quis com esse título), onde a segregação não é mencionada. Ao invés disso, ela é sentida: no desconforto dos personagens antiburgueses (mas comportamentalmente aburguesados); na orgia sexual quase necrofílica do desfecho; na narração telefônica e onipresente; nas intervenções televisivas cada vez mais prolongadas; nas cotações nietzscheanas, vividas na prática. Um filme extremamente melancólico, que registra magistralmente as transições de uma época, sob o prisma da degenerescência etária, além das próprias mudanças de interesses do realizador. Identifiquei-me bastante, de maneira temporã: sou fã do diretor agora. Falto aventurar-me por seus longas-metragens contemporâneos, mais ostensivamente concretos (risos) - WPC>