Compartilhe "O Prazer de Ser Roubado" com seus amigos:
Link copiado para a área de transferência!
Sinopse
Filme independente, que conta uma parte da vida de Eleonore, cleptomaníaca, rouba pequenas coisas de lojas de DVDs e de pessoas que passam ao seu lado na rua, até conhecer um amigo e iniciar uma grande amizade.
Bem indie, mas não tão bom. A personagem não me despertou empatia e nem amores, ela não trouxe carga de nenhum tipo de emoção ao filme e tudo ficou cru de modo sem sal - sendo que era para ter sido um cru excelentíssimo.
Muito mais um mumblecore de Alex Ross Perry, Noah Baumbach ou outro desse cinema indie americano recente do que se imagina quando pensamos no cinema dos Safdie hoje em dia. Os filmes dos irmãos tem duas óticas principais que eles abordam quando estudam essa Nova York que cresceram: a correria e agressividade urbana contemporânea e a ingenuidade apaixonada de quem cresceu lá e admira muito essa cidade que pulsa por estímulos criativos e pessoas das mais diversas formações. Recentemente eles parecem ter encontrado mais inspiração e potencial em discutir esse frenesi moderno, a velocidade como as coisas acontecem e o modo como captar isso através das câmeras, por vezes montando freneticamente seu filme(Uncut Gems), por vezes recusando o corte, mas compilando muitas informações em pouco tempo para reproduzir a mesma ideia de ritmo acelerado(Good Time). Entretanto, nesse começo de carreira, seja nesse longa, seja em alguns de seus curtas disponíveis, os Safdie evidenciam esse outro prisma de NY deixado um pouco de lado na filmografia recente.
Essa estética(?) mumblecore condiz com uma perspectiva "vazia" de se viver, de buscar o interesse nas situações sem motivos evidentes, em acompanhar personagens que se sujeitam a seus estímulos e não pensam muito antes de agir. Personagens que preferem experimentar e até burlar leis para atingir vontades que surgem em seus interiores. O mumblecore, que aproveita de uma autenticidade, do improviso, da sensação de naturalidade e ausência de formalismo, se encaixa muito bem nessa visão que "The Pleasure of Being Robbed" quer chegar ao captar Nova York. Eleonore é crível em suas atitudes, pois consegue passar - pelo seu modo de olhar o mundo e se comportar e interagir com as outras pessoas - a vulnerabilidade que a faz ceder a impulsos cleptomaníacos de seu interior. Essa impulsividade é totalmente exposta em tela pelo modo como a unidade que o mumblecore e seus efeitos já citados ajudam a criar. É muito comum assistir a um desses filmes indies americanos com essa pegada e sair em dúvida se o diretor realmente concretiza algo em tela, ou se ele somente utiliza dessa estética em alta para propor algo que soe como sugestivo, mas que não possui muito a dizer. É uma linha tênue entre trazer ao mundo uma visão leve e despretensiosa do que se filma e buscar tanto essa falta de pretensão e acabar vazio de sensações. E é isso que mais me chama atenção no filme dos Safdie, é dos usos dessa estética que mais fazem sentido dentro do que é proposto. Eleonore parece verdadeiramente interessante e convincente, sua relação com o espaço e com o que vale a pena ser vivido é preenchido pela forma como os Safdie filmam - a distância do que é filmado e o zoom como meios de simular quase que uma câmera escondida que propõe uma observação distante e verdadeira da personagem, o uso de não atores etc.
A perspectiva de facinação pela cidade está em todos seus filmes; impossível ver isso aqui e imaginar o que eles se tornariam, mas já dá pra sacar interesses que caminham com eles até hoje e provavelmente por mais muito tempo. Dos cinemas que mais entendem a atualidade e entregam isso em forma de filme.
filme favorito das pickpockets
pp pé no saco né
Literalmente, uma roubada!
Bem indie, mas não tão bom. A personagem não me despertou empatia e nem amores, ela não trouxe carga de nenhum tipo de emoção ao filme e tudo ficou cru de modo sem sal - sendo que era para ter sido um cru excelentíssimo.
Muito mais um mumblecore de Alex Ross Perry, Noah Baumbach ou outro desse cinema indie americano recente do que se imagina quando pensamos no cinema dos Safdie hoje em dia. Os filmes dos irmãos tem duas óticas principais que eles abordam quando estudam essa Nova York que cresceram: a correria e agressividade urbana contemporânea e a ingenuidade apaixonada de quem cresceu lá e admira muito essa cidade que pulsa por estímulos criativos e pessoas das mais diversas formações. Recentemente eles parecem ter encontrado mais inspiração e potencial em discutir esse frenesi moderno, a velocidade como as coisas acontecem e o modo como captar isso através das câmeras, por vezes montando freneticamente seu filme(Uncut Gems), por vezes recusando o corte, mas compilando muitas informações em pouco tempo para reproduzir a mesma ideia de ritmo acelerado(Good Time). Entretanto, nesse começo de carreira, seja nesse longa, seja em alguns de seus curtas disponíveis, os Safdie evidenciam esse outro prisma de NY deixado um pouco de lado na filmografia recente.
Essa estética(?) mumblecore condiz com uma perspectiva "vazia" de se viver, de buscar o interesse nas situações sem motivos evidentes, em acompanhar personagens que se sujeitam a seus estímulos e não pensam muito antes de agir. Personagens que preferem experimentar e até burlar leis para atingir vontades que surgem em seus interiores. O mumblecore, que aproveita de uma autenticidade, do improviso, da sensação de naturalidade e ausência de formalismo, se encaixa muito bem nessa visão que "The Pleasure of Being Robbed" quer chegar ao captar Nova York. Eleonore é crível em suas atitudes, pois consegue passar - pelo seu modo de olhar o mundo e se comportar e interagir com as outras pessoas - a vulnerabilidade que a faz ceder a impulsos cleptomaníacos de seu interior. Essa impulsividade é totalmente exposta em tela pelo modo como a unidade que o mumblecore e seus efeitos já citados ajudam a criar. É muito comum assistir a um desses filmes indies americanos com essa pegada e sair em dúvida se o diretor realmente concretiza algo em tela, ou se ele somente utiliza dessa estética em alta para propor algo que soe como sugestivo, mas que não possui muito a dizer. É uma linha tênue entre trazer ao mundo uma visão leve e despretensiosa do que se filma e buscar tanto essa falta de pretensão e acabar vazio de sensações. E é isso que mais me chama atenção no filme dos Safdie, é dos usos dessa estética que mais fazem sentido dentro do que é proposto. Eleonore parece verdadeiramente interessante e convincente, sua relação com o espaço e com o que vale a pena ser vivido é preenchido pela forma como os Safdie filmam - a distância do que é filmado e o zoom como meios de simular quase que uma câmera escondida que propõe uma observação distante e verdadeira da personagem, o uso de não atores etc.
A perspectiva de facinação pela cidade está em todos seus filmes; impossível ver isso aqui e imaginar o que eles se tornariam, mas já dá pra sacar interesses que caminham com eles até hoje e provavelmente por mais muito tempo. Dos cinemas que mais entendem a atualidade e entregam isso em forma de filme.