Após um terrível acidente aéreo, um grupo de crianças vê-se perdido numa ilha deserta. Ao perceberem as dificuldes de socorro, os meninos unem-se para fazer frente ao medo e ao desespero. Mas a medida que se apossam da ilha, cresce um sentimento de competição e de luta pelo poder, que os divide em dois grupos.
Ralph lidera um dos grupos e defende a pureza civilizada e a união, mas Jack não acredita em nada disso e cria uma facção de caçadores bárbaros, que acabam por entrar em guerra com Ralph. Estas mudanças transformam crianças normais em meninos cruéis, fazendo com que entrem numa guerra na qual o bem combate o mal, oferecendo uma cruel metáfora do selvagem que existe em todos nós.
Esta assustadora aventura explora os recantos mais profundos e sombrios da alma humana.
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19.07.2004
A ideia de fazer uma parábola sobre a evolução da civilização humana usando crianças em uma ilha deserta é muito boa mas o resultado é decepcionante. A começar pelos desempenhos do elenco infantil que são muito frios. Ninguém sente medo ou saudade de casa e da família. Parece que o diretor acreditava tanto na fleuma britânica que acabou ficando caricatural. Aliás o filme já começa de forma inverossímil já que as crianças não apresentam nenhum ferimento depois de um acidente de avião! Para completar o final é anticlimático e insatisfatório.
"Eu estou com a concha!"
Estou impressionado como essa versão é muito mais fiel ao livro do que a de 1990. Isso negativa a versão mais recente consideravelmente em vários aspectos, pois mesmo com mais recursos tecnológicos e financeiros, obteve um resultado bem aquém do esperado
Claramente, é um filme que foi feito com poucos recursos, dada a situação de que a sequência inicial não mostra um vestígio sequer do avião do qual as crianças estavam viajando, porém a obra tem seus prós e contras, e se for comparado com a versão americana de 1990, dá pra fazer uma contraposição entre elas.
Para o lado negativo, o filme tem problemas com relação as interpretações, é compreensível que, pelo fato de ter seu elenco formado por crianças, algumas atuações fiquem um pouco aquém do esperado, mas algumas acabam ficando robóticas demais, mesmo para os padrões da época, a sorte é que, pelo menos, entre o trio de protagonistas a escolha dos atores mirins foi acertada, eles conseguem segurar bem a trama que precisam desenrolar. Outro ponto que desagrada é a concepção do personagem Ralph, ele deveria ser um elemento justo que transparece a ideia de proteção e harmonia, mas em alguns momentos ele parece fazer o processo contrário, como o seu tratamento com Piggy, onde ele faz coisas que o próprio Piggy não gosta e sua ação de ver ele sendo hostilizado por Ralph e não fazendo nada para defendê-lo, algo que na versão dos anos 90 é melhor concebido. A questão do monstro também não é bem resolvida e o final também desaponta, não por sua conclusão, mas por conta das atuações que surgem na tela.
Os adultos tranquilos ao ver os meninos perdidos, sozinhos, sujos e maltrapilhos, saindo do meio de uma queimada da mata, como se fosse a coisa mais natural possível. Soou falso.
Para o lado positivo, nessa adaptação fica mais perceptível o significado da figura de Piggy na história: ele é a sensatez, a lucidez. E assim como na sociedade, aqueles que possuem elas muitas vezes são ignorados e menosprezados por aqueles que estão absorvidos quase que por completo por suas doutrinações, sejam elas políticas, religiosas, etc, pois preferem acreditar nas suas próprias verdades, aquelas que mais lhe agradam, em vez de compreenderem e atuarem com clareza em meio aos seus semelhantes, algo que na versão noventista não fica tão intenso. Outra questão que chama a atenção é a maneira como a selvageria que passa a dominar as crianças fica explícita, seja na parte como a obra mostra as crianças comendo um porco do mato de forma quase animalesca, seja na parte em que elas perdem a inocência e passam a se comportar com maldade, destempero e até alegria diante de situações cruéis, onde algumas sequências chegam a impactar.
As cenas das mortes de Simon e Piggy são chocantes, algo que a versão de 90 é mais moderada.
Colocando as duas adaptações cinematográficas na balança, a versão de 1990 acaba ganhando uma ligeira vantagem, seja na parte técnica, quando no desenvolvimento de certos quesitos do enredo, mas a versão de 1963 tem bons méritos, principalmente por ser uma história intensa sendo feita num período onde não era tão comum ver esse tipo de trama nos cinemas, afinal, crianças são sinônimo de bondade, e vê-las incorporando a ruindade em seu comportamento sempre vai nos incomodar.