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Duração
No filme, um bem-sucedido operador de mercado financeiro, casado com uma mulher estonteante (Beyoncé), tem toda a sua vida pela frente e uma carreira em ascenção. Tudo desmorona quando ele começa a ser perseguido por uma estagiária do seu escritório (Larter).
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Fraco
Não entendi a nota baixa. Acho que pelo que o filme se propõe é bom, ainda mais por ter me prendido do começo ao fim, de ranço e raiva da vilã. Beyoncé não atua tão mal assim não, acho que é implicando kkkk Enfim, recomendo! Bem estilo Super Cine.
Nas minhas lembranças era melhor.
Idris Elba sempre bem, e a Ali Larter bem também como a louca destruidora de lares hahaha
04-05-2026 - Revisto
Adorei o filme, a nota ta meio baixa, mas acho que foi um bom suspense.
Há filmes que acreditam que o amor move montanhas. Obsessed prefere acreditar que ele invade escritórios, sabota casamentos e termina, inevitavelmente, em vidro quebrado e queda livre. Eu me diverti bastante — e digo isso sem constrangimento. Trata-se de um thriller assumidamente novelesco, exagerado, um pouco cafona — e exatamente por isso charmoso. Há algo nesse subgênero específico, o da pessoa completamente lunática e paranoica disposta a destruir a vida de alguém inocente, que sempre me pega. É quase uma zona de conforto cinéfila: personagens que surgem como um tumor narrativo, crescendo lentamente até tomar conta de tudo.
Aqui, o ponto de partida é simples e eficiente. Derek (Idris Elba) é um homem de negócios impecável, casado com Sharon (Beyoncé), uma mulher que já foi secretária, virou mãe, voltou a estudar e tenta equilibrar todas as versões de si mesma. Tudo segue nos trilhos até a chegada de Lisa, a secretária temporária: linda, insinuante e, sobretudo, decidida. Não existe meio-termo. Ela vê Derek e conclui, instantaneamente: esse homem é meu. Não há casamento nesse mundo que uma obsessão bem-feita não possa destruir.
Há algo particularmente curioso — e até irônico — na inversão que o filme propõe. Em vez do assédio masculino habitual, temos uma mulher que persegue, provoca, invade, testa limites. Derek resiste. O filme brinca com essa dinâmica de forma quase cínica, colocando o personagem masculino como alvo de uma provação moral constante, enquanto Lisa encarna a fantasia do perigo irresistível. O problema é que Lisa é pouco mais do que isso: uma fantasia. Diferente de vilões clássicos do mesmo subgênero, como a babá Peyton de A Mão que Balança o Berço ou o Max Cady de Cabo do Medo, ela não carrega uma história de vingança, um trauma fundador, uma cruzada pessoal. Eles são monstros com método. Lisa é apenas obcecada. Psicótica, paranoica, sem passado, sem revelação, sem uma ferida claramente exposta. Ela não quer justiça, nem revanche — ela quer o garanhão do escritório. Isso não torna o filme ruim, mas revela uma oportunidade perdida. Um pouco mais de profundidade teria elevado o jogo. Entender o porquê da obsessão — e não apenas testemunhá-la — poderia transformar a vilã em algo mais memorável. Ainda assim, mesmo genérica, ela funciona. Há prazer em vê-la infernizar a vida do casal, surgir em festas, invadir espaços, quase nua no carro, sempre empurrando a narrativa para o exagero.
Talvez a única frustração real do filme esteja na forma como essa obsessão se desenvolve. Obsessed não trabalha o crescimento lento e parasitário da ameaça — aquele modelo em que a vilã se infiltra aos poucos, planta dúvidas, ocupa espaços e só então implode tudo por dentro. Lisa até invade a casa, tenta sequestrar o filho do casal, cruza limites claros, mas nunca se estabelece ali como presença contínua. Não há a sensação de tumor que cresce silenciosamente; o que existe é uma sucessão de maldades pontuais, cada uma mais ousada que a outra, porém sem a progressão corrosiva que torna esse subgênero tão delicioso. Derek e Sharon não são ingênuos o bastante para permitir essa infiltração total — eles percebem o perigo cedo demais — e isso muda a dinâmica do conflito. O inferno existe, o casamento quase desmorona, a obsessão causa estragos, mas falta aquele prazer específico de ver o caos se instalar por dentro, de forma mais lenta, mais venenosa, mais irreversível. Ainda assim, há muito o que gostar. Há um prazer quase metalinguístico em acompanhar Beyoncé nesse papel. Aqui, ela interpreta uma mulher traída que não apenas resiste, mas reage — e reage com fúria contra a amante, num registro que, visto em retrospecto, ganha uma ironia involuntária quando contrastado com sua própria vida pessoal.
E então chegamos ao final — um encerramento que abraça, sem pudor, o melodrama. O filme planta desde o início o elemento que será crucial na última sequência, e eu adoro quando essas engrenagens se encaixam. A cena derradeira é pura catarse: a vilã pisa na tábua errada, quase cai, é puxada num último gesto de humanidade e, claro, tenta levar a heroína junto. O resto é destino, roteiro, cosmos. Lustre, vidro, estilhaços, queda, impacto. Um golpe final para garantir que não haja retorno.
Obsessed está longe de ser um grande filme. Poderia ser mais ousado, mais profundo, mais cruel. Mas é exatamente o tipo de thriller que a gente quase não vê mais: direto, exagerado, consciente do próprio absurdo. Um filme que só pede entrega. E eu entreguei. Porque, às vezes, tudo o que a gente quer é ver alguém enlouquecer com estilo — e cair do teto no final.