Galera...assisti a esse filme em Seul numa sessão com legendas em inglês. Gostaria de assistir com meus pais mas não acho legenda em português. Alguém sabe onde posso achar?
Produção sul-coreana de grande sucesso em seu país de origem quando foi lançada em 2014, “Ode ao Meu Pai” é um estudo da história do país no último século, travestido de delicado e singelo drama familiar. Traumatizada por uma guerra que dividiu não só a nação, mas também famílias inteiras (muitas, inclusive, de forma definitiva), a Coréia do Sul retirou dos sacrifícios feitos por seus cidadãos comuns a força necessária para se erguer e se impor como uma das maiores economias atuais. E é nos sacrifícios praticados por um determinado personagem durante toda a sua vida, bem como na promessa feita por ele ao seu pai quando ainda criança, que a produção concentra a sua emocionante história.
Durante a fuga do Norte, quando sua cidade está prestes a ser invadida pelas tropas da China Comunista, o garoto Deok-Soo (Eom Ji-Seong) acaba perdendo a sua irmã caçula, a qual estava incumbido de protege-la. Desesperado, seu pai (Jeong Jin-Yeong) retorna para procura-la em meio a balbúrdia, incumbindo a Deok-Soo o dever de cuidar de sua mãe e de seus outros irmãos enquanto ele não retornasse. Anos depois, e já estabelecido na Coréia do Sul, o agora crescido Deok-Soo (Hwang Jung-Min) precisa sustentar o restante de sua família, lidar com a falta de dinheiro, com o rancor da mãe, com os sonhos e egoísmos dos irmãos que lhe restaram, com o profundo amor que sente pela doce Youngja (Yunjin Kim), e com as peraltices do melhor amigo Dal-Gu (Dal-su Oh). Mas, entrementes a tudo isso, Deok-Soo nunca perdeu a esperança de reencontrar os membros perdidos de sua família.
Dirigido por JK Youn com maestria e uma segurança admirável, “Ode ao Meu Pai” é um drama familiar que se equilibra perfeitamente bem entre o trágico, o romance inocente e a comédia. O cineasta consegue conduzir com perfeição a alternância entre os diversos tons necessários à narrativa e, assim, é impossível não rir alto ao ver o resultado da briga de um jovem Dal-Gu, de torcer timidamente pelas investidas cautelosas românticas de Deok-Soo em uma Youngja extremamente virtuosa, e de sentir o pânico, a frustração e uma bola na garganta em momentos próximos ao terceiro ato da projeção. “Ode ao Meu Pai” é uma narrativa que ataca em várias frentes, se valendo de vários gêneros, e se saindo plenamente satisfatório em todos eles.
Com um roteiro bem resolvido, o estudo de personagem do protagonista é realizado com esmero e, assim, o ator Hwang Jung-Min se sai particularmente feliz ao encarnar todo o amor e o carinho, e a natural devoção absoluta que este sente pela família – e que é sempre acompanhada, naturalmente, por uma pontada aguda de desconforto e culpa pela irmã perdida (e, nesse sentido, é natural ver a sua frustração quando outros personagens não demonstram o mesmo culto à família e às tradições que ele, – e que também resulta em uma tocante e divertido momento em que, confuso, não entende a real natureza das perguntas de uma criança). De se destacar, também, a performance de Jang Young Nam, que faz a mãe do protagonista, dividida diante da complexa tarefa de amar um filho responsável pela perda do outro. Por sua vez, Yunjin Kim está apaixonante e nos convence a todo momento dos sentimentos que nutre pelo protagonista. E, é claro, muitos elogios devem ser conferidos ao trabalho de cena dos atores mirins que, afinal, são os que cativam e fomentam o nosso interesse por aqueles personagens.
Com um trabalho técnico excelente, a película esbanja talento na forma rica com que utiliza a sua fotografia para comentar as várias passagens de vida de Deok-Soo. O uso de efeitos especiais ganha seu destaque principalmente na complementação de cenários por CGI (o primeiro ato do filme que cobre o êxodo das famílias da Coréia do Norte é de uma beleza estonteante), e o design de produção consegue, ao elaborar o cenário engenhoso de um determinado programa de TV, passar toda a sensação de opressão e pesar que foi a vida das milhares de pessoas que se perderam de seus familiares no conturbado processo de divisão nacional. Por fim, apenas para ressaltar que o filme não é perfeito, não posso deixar de dizer que a maquiagem feita para envelhecer Deok-Soo não funciona tão bem, dando uma certa sensação de artificialidade – por outro lado, o mesmo não acontece com a envelhecida Youngja, o que é curioso.
Seja como for, “Ode ao Meu Pai” é um filme tocante, bonito, emocionante e engraçado que faz valer mais do que a pena a conferida. Mais um ponto para o Cinema asiático que vem, nos últimos anos, nos brindando com pérolas belíssimas, contemplativas e que conseguem ser ao mesmo tempo delicadas e profundas. “Ode ao Meu Pai” é um poema da vida cotidiana oriental e o quanto ela consegue ser ao mesmo tempo terna, trágica, e, sim, feliz.
Galera...assisti a esse filme em Seul numa sessão com legendas em inglês. Gostaria de assistir com meus pais mas não acho legenda em português. Alguém sabe onde posso achar?
Difícil não pensar na minha mãe...
Bela produção coreana, com roteiro muito bom.
A maquiagem, em algumas cenas, ficaram meio estranhas...
Várias das cenas cômicas, são bem exageradas e desnecessárias, atrapalhando um pouco, a dramaticidade da história.
As cenas da fuga para os navios, são excelentes!
O reencontro com a irmã, pela tv... muito emocionante!
Muito bom.
Produção sul-coreana de grande sucesso em seu país de origem quando foi lançada em 2014, “Ode ao Meu Pai” é um estudo da história do país no último século, travestido de delicado e singelo drama familiar. Traumatizada por uma guerra que dividiu não só a nação, mas também famílias inteiras (muitas, inclusive, de forma definitiva), a Coréia do Sul retirou dos sacrifícios feitos por seus cidadãos comuns a força necessária para se erguer e se impor como uma das maiores economias atuais. E é nos sacrifícios praticados por um determinado personagem durante toda a sua vida, bem como na promessa feita por ele ao seu pai quando ainda criança, que a produção concentra a sua emocionante história.
Durante a fuga do Norte, quando sua cidade está prestes a ser invadida pelas tropas da China Comunista, o garoto Deok-Soo (Eom Ji-Seong) acaba perdendo a sua irmã caçula, a qual estava incumbido de protege-la. Desesperado, seu pai (Jeong Jin-Yeong) retorna para procura-la em meio a balbúrdia, incumbindo a Deok-Soo o dever de cuidar de sua mãe e de seus outros irmãos enquanto ele não retornasse. Anos depois, e já estabelecido na Coréia do Sul, o agora crescido Deok-Soo (Hwang Jung-Min) precisa sustentar o restante de sua família, lidar com a falta de dinheiro, com o rancor da mãe, com os sonhos e egoísmos dos irmãos que lhe restaram, com o profundo amor que sente pela doce Youngja (Yunjin Kim), e com as peraltices do melhor amigo Dal-Gu (Dal-su Oh). Mas, entrementes a tudo isso, Deok-Soo nunca perdeu a esperança de reencontrar os membros perdidos de sua família.
Dirigido por JK Youn com maestria e uma segurança admirável, “Ode ao Meu Pai” é um drama familiar que se equilibra perfeitamente bem entre o trágico, o romance inocente e a comédia. O cineasta consegue conduzir com perfeição a alternância entre os diversos tons necessários à narrativa e, assim, é impossível não rir alto ao ver o resultado da briga de um jovem Dal-Gu, de torcer timidamente pelas investidas cautelosas românticas de Deok-Soo em uma Youngja extremamente virtuosa, e de sentir o pânico, a frustração e uma bola na garganta em momentos próximos ao terceiro ato da projeção. “Ode ao Meu Pai” é uma narrativa que ataca em várias frentes, se valendo de vários gêneros, e se saindo plenamente satisfatório em todos eles.
Com um roteiro bem resolvido, o estudo de personagem do protagonista é realizado com esmero e, assim, o ator Hwang Jung-Min se sai particularmente feliz ao encarnar todo o amor e o carinho, e a natural devoção absoluta que este sente pela família – e que é sempre acompanhada, naturalmente, por uma pontada aguda de desconforto e culpa pela irmã perdida (e, nesse sentido, é natural ver a sua frustração quando outros personagens não demonstram o mesmo culto à família e às tradições que ele, – e que também resulta em uma tocante e divertido momento em que, confuso, não entende a real natureza das perguntas de uma criança). De se destacar, também, a performance de Jang Young Nam, que faz a mãe do protagonista, dividida diante da complexa tarefa de amar um filho responsável pela perda do outro. Por sua vez, Yunjin Kim está apaixonante e nos convence a todo momento dos sentimentos que nutre pelo protagonista. E, é claro, muitos elogios devem ser conferidos ao trabalho de cena dos atores mirins que, afinal, são os que cativam e fomentam o nosso interesse por aqueles personagens.
Com um trabalho técnico excelente, a película esbanja talento na forma rica com que utiliza a sua fotografia para comentar as várias passagens de vida de Deok-Soo. O uso de efeitos especiais ganha seu destaque principalmente na complementação de cenários por CGI (o primeiro ato do filme que cobre o êxodo das famílias da Coréia do Norte é de uma beleza estonteante), e o design de produção consegue, ao elaborar o cenário engenhoso de um determinado programa de TV, passar toda a sensação de opressão e pesar que foi a vida das milhares de pessoas que se perderam de seus familiares no conturbado processo de divisão nacional. Por fim, apenas para ressaltar que o filme não é perfeito, não posso deixar de dizer que a maquiagem feita para envelhecer Deok-Soo não funciona tão bem, dando uma certa sensação de artificialidade – por outro lado, o mesmo não acontece com a envelhecida Youngja, o que é curioso.
Seja como for, “Ode ao Meu Pai” é um filme tocante, bonito, emocionante e engraçado que faz valer mais do que a pena a conferida. Mais um ponto para o Cinema asiático que vem, nos últimos anos, nos brindando com pérolas belíssimas, contemplativas e que conseguem ser ao mesmo tempo delicadas e profundas. “Ode ao Meu Pai” é um poema da vida cotidiana oriental e o quanto ela consegue ser ao mesmo tempo terna, trágica, e, sim, feliz.
Fantástico