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Data de lançamento
30 Julho 1998Duração
Policial corrupto (Nicolas Cage) presencia assassinato de político famoso em arena de boxe. Ele ajuda um velho amigo (Gary Sinise), que fazia a segurança do político, a tentar encontrar o responsável pelo crime. E acaba tendo que bancar o herói para desvendar a trama.
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Snake Eyes se destaca pela condução estilosa de Brian De Palma, que estrutura a narrativa com inteligência ao revisitar diferentes pontos de vista. Mesmo que o desfecho não tenha grande impacto, Nicolas Cage carrega o filme com carisma e presença, entregando um protagonista marcante que mantém tudo envolvente até o fim.
O De Palma cansa um pouco de usar os mesmos elementos sempre. Não sei nem se são elementos do cinema noir, mas é sempre uma investigação que envolve alguém meio que por acaso. Não vejo, porém, uma tendência dele usar não policiais na investigação, ao contrário dos filmes noir. Outro elemento do qual ele não enjoa são as loiras, mas isso é outro assunto.
E a forma como tudo escala de algo muito pequeno pra uma conspiração gigantesca é uma delícia, sempre. Esse filme começa com um plano-sequência um pouco frenético em que temos que tentar prestar atenção a tudo, algo que é muito explorado depois, já que o protagonista tenta o tempo todo se lembrar do que aconteceu em meio ao caos de alguns instantes.
Em relação a relembrar o que passou e utilizar as imagens das câmeras - sejam de segurança ou da TV - para chegar a alguma conclusão, vejo que há uma tentativa de se estabelecer um diálogo com Blow-up, e aqui vale destacar como penso que, quando tenta referenciar muito diretamente e literalmente outras obras, o De Palma acaba dando uma pecada.
Explicando de outro modo: tem um texto da Linda Hutcheon sobre adaptações em que ela fala "a adaptação pode ser descrita do seguinte modo: Uma transposição declarada de uma ou mais obras reconhecíveis; um ato criativo e interpretativo de apropriação ou recuperação; ou um
engajamento intertextual extensivo com a obra adaptada. Assim, a adaptação é uma derivação que não é derivativa, uma segunda obra que não é secundária".
Eu vejo que, em filmes como Dublê de corpo e Blow-out, o De Palma acaba criando adaptações que são secundárias frente às obras originais. São obras que praticamente não fazem sentido sem Janela Indiscreta/Um corpo que cai e Blow-up, respectivamente. A meu ver, Olhos de serpente consegue fugir disso.
A busca por uma imagem que possa trazer luz ao mistério é claramente um engajamento intertextual extensivo com Blow-up, porém sem perder seu próprio caminho.
Além dos novos fatos trazidos pelas tais imagens, há também novas verdades trazidas por cada pessoa. Cada um que fala sua versão é embasado pelo que é mostrado em tela, sem contradições com suas falas, sempre levantando mais dúvidas do que certezas sobre qual imagem é real, nos levando a repensar também o que vimos desde o início.
Há um abuso de certas coincidências, mas vejo que há permissão para isso em um filme que tem Nicolas Cage todo arrebentado falando "snake eyes". Que delícia.
Pra quem gostou, recomendo o tal do Blow-up.
"Oh, what the hell. At least I got to be on TV."
Com todas as falhas, ainda assim eu curti muito esse filme. De Palma é um mestre, à seu modo.
O filme é interessante, até tem um bom roteiro, mas tive a impressão de não segurar muito a atenção.
Odiei o final. Nada a ver os dois juntos