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Recém-chegados a Nova York, John Lennon e Yoko Ono iniciaram uma fase marcada por ativismo, arte e enfrentamento político. Entre telefonemas gravados, vídeos caseiros, jornais, revistas e a televisão sempre ligada, o filme refaz o cotidiano do casal nos meses que antecederam a apresentação beneficente "One to One," realizada no Madison Square Garden em 1972 — único show solo completo de Lennon após a separação dos Beatles. Um dos grandes documentários do ano!
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Documentário britânico original e com trechos inéditos e reveladores, exibido nos festivais de Veneza, Telluride e BFI London, e no Brasil no In-edit e Festival do Rio desse ano. A obra tem sentido pela assinatura do diretor, o britânico Kevin Macdonald, que dedicou a maior parte da vida em filmes ficcionais inspirados em fatos reais, como ‘O último rei da Escócia’ e ‘O mauritano’, e ultimamente se volta ao cinema que o lançou no início dos anos 90, o documentário – ele já biografou para o cinema e a TV uma dezena de personalidades, dentre eles os músicos Bob Marley, Whitney Houston e Mick Jagger e os diretores de cinema Howard Hawks e Errol Morris. Agora ele explora a relação pessoal e profissional de John Lennon e Yoko Ono, recortando um período específico, entre 1971 e 1972, após o fim dos Beatles e a mudança do casal de Londres para Nova York. É uma época de agitação popular, uma quase convulsão nas ruas com a contracultura e as manifestações pedindo o fim da Guerra do Vietnã, momento histórico que influenciar várias músicas de Lennon e Yoko. Foi em Nova York que o casal lançou um novo tipo de música, que marcaria a carreira de ambos e seria influência para outros. As canções falavam do amor dos dois, do ativismo social focado na paz do mundo, na liberdade sexual e na emancipação da mulher, além das mensagens contra a Guerra do Vietnã. Eles produziram um show memorável, ‘One to One Concert’, único realizado por Lennon após os Beatles com duas apresentações – uma diurna outra noturna, em que trajando jaqueta verde do exército cantou ‘Instant karma’, ‘Power to the people’ – que viraria símbolo da luta nas ruas, ‘Mother’, ‘Come together’ – que era dos Beatles, e as emblemáticas ‘Give peace a chance’ e ‘Imagine’. Ele e Yoko cantaram ao lado de amigos, como Stevie Wonder, no Madison Square Garden, para 40 mil pessoas, em 30 de agosto de 1972. O show se tornou beneficente com o montante de dinheiro doado para crianças com deficiência da instituição Willowbrook State School. No filme as imagens do show foram restauradas, e o doc é todo em cima de entrevistas e reportagens da época, sem nada de gravação atual. Dois antes do show Lennon e Yoko lançaram um álbum histórico juntos, que utilizaram como base para o concerto ‘One to One’, ‘Some time in New York City’. Ao longo do filme imagens históricas raras compõe a crítica embutida no documentário - dos protestos contra a Guerra do Vietnã pelas ruas de Nova York, a prisão de Lennon e Yoko por porte de maconha, a luta racial, a repressão policial e a polarização política. Um ótimo documentário para ser visto e revisitado. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom