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Data de lançamento
8 Out. 2017Duração
Em um dia de domingo, os atores Maria Ribeiro, Fernanda Torres, Wagner Moura, Carolina Dieckmann, Sophie Charlotte, Mateus Solano, Alexandre Nero e Du Moscovis almoçam na casa de um deles. O evento dá início a uma discussão espantosamente sincera sobre a arte de representar, a profissão e, sobretudo, às dúvidas sobre o amor e a vida.
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O zoológico de vidro de Domingos de Oliveira ou “toda alma de artista quer partir”
“Palmas pro artista confundir
Pernas pro artista tropeçar”
(Edu Lobo & Chico Buarque, 'Na Carreira')
É possível que intuir a proximidade do fim acione no subconsciente de um criador a necessidade de reagrupar seus feitos, reunir muita gente (sua gente) ao mesmo tempo, enfim deixar um testamento de que cresceu e multiplicou-se.
Ou no caso específico do último trabalho de Domingos de Oliveira, ‘Os 8 Magníficos’, e por pairar sobre o ofício do ator, talvez tenha sido um velho fetiche irresistível para um diretor-domador: o desejo de observar bem de perto esta espécie estranha, capaz de assumir o frequente risco de extinção de si mesmo — e aqui, aparentemente domesticada, esquece-se o risco — , reunida numa espécie de zoológico onde cada fera poderia ser feita de vidro; como os bichinhos de cristal colecionados por ‘Laura’, da peça de Tennessee Williams, ‘O Zoológico de Vidro’, que a faziam fugir de sua realidade limitada pelo seu problema físico. E um diretor, qualquer diretor, não deixa de ser também essa espécie de colecionador ; Domingos, ele próprio, já então arcava com o peso das limitações de sua fala e locomoção.
Sujeitos ao fascínio e a zombaria do olhar externo, num esconde esconde entre a vitrine que os vende e a verdade que os desorganiza, seus bibelôs camaradas estariam sempre a ponto de se partir e revelarem-se. A ideia, se não é ruim, peca pela ambição. Tivesse ‘Os 8 Magníficos’, título quase homônimo — um trocadilho com o Western ‘The Magnificent Seven’ — sido condensado em modestos 4 ou 5 e teríamos um material provavelmente mais fecundo em interação e resultado final.
Autor das séries de entrevistas ‘Todos os homens do mundo’ e ‘Todas as Mulheres do Mundo’, apesar de nelas não ter focado exatamente no ofício que guia esse documental, em ambas sim Domingos foi mais hábil em trazer à tona o que há de palpitante nos atores, impostores por natureza — e se era sempre Oliveira quem, fora do enquadramento, sacudia a capa na cara do entrevistado; nos depoimentos colhidos, ele soube também ser toureado. O material que obteve de Pedro Cardoso, por ex., é uma prova de como entrevistar ou documentar um ator não é abrir a portinhola e enfiá-lo na jaula direto para feira de exposição, trata-se de acender o halo com fogo e esperar que ele venha correndo em direção à luz.
‘Os 8 Magníficos’ não mantém o formato de ‘Todos os homens do mundo’, aquele tête-à-tête com a câmera ante perguntas quase que apenas sugeridas porém feitas por Priscilla Rozenbaum — que com seu tom, não asfixiante, exercia sobre o convidado efeito semelhante ao do ‘Flautista de Hamelin’ hipnotizando os ratos que o seguiam sem relutar.
Filmados num único dia, numa sala confortável, amontoados e distribuídos no espaço do lar doce lar da participante e idealizadora do projeto, Maria Ribeiro, Oliveira tem a ilusão de ter permitido que seus peixinhos ornamentais se exponham — e o olhar fascinado de quem os imagina fluindo à vontade. Mas a proposta, como o aquário, é restrita ao espaço. E supor que seres, acostumados a nadar sob a arquitetura da inverdade, se desarmem só porque estão contidos num recipiente, nos diverte como ver um hamster numa roda.
E se o resultado foi bastante expositivo, é sobre nos revelar as escolhas felizes e infelizes do diretor.
Entre as infelizes decisões: pegando carona num ridículo inerente à arte de representar, o filme manteve cenas desnecessariamente constrangedoras — Sophie Charlotte desajeitada contando a “piada” é um exemplo disso; as atrizes cantando o tema dum musical que fizeram, com letra de acento erótico, apenas entediando o restante do grupo, é outro. Uns cortes na ilha de edição e o diretor teria poupado a elas e a nós desse, ehr, excesso de verossimilhança.
Recordo-me de uma entrevista, no programa 'Tarja Preta', onde Marco Nanini se referiu a uma espécie de "bolsão de realidade" — que o fazia, por instantes, furar a magia da bolha do intérprete e se sentir um homem insuportavelmente ridículo durante a representação de um personagem. Sophie e Carolina Dieckmann, falemos aqui sobre o movimento contrário: o de sentir-se insuportavelmente estranha no ninho da realidade (ou do filme).
Naquele jogo espelhado entre o que é emoção de fato e o que é dramatização, mote que um dia Eduardo Coutinho imortalizou no seu também documental ‘Jogo de Cena’— aliás: o beijo de Alexandre Nero na Maria Ribeiro, ao se despedir dos ‘7 magníficos’, ‘é ou não é’? — aqui os reis estão ‘nus com a mão no bolso’. E aquilo que saboreamos como espontaneidade, montinho de gente amiga esmagando-se ao som de ‘Puro Teatro’ (na voz overacting de La Lupe), não passa de pressão da atmosfera.
Mas se Coutinho, a pulso firme, soube navegar sobre essa fronteira entre verdade e mentira confundindo-nos e tirando proveito dos opostos que se atraem, Domingos se trai ao manter a mão do titereiro mal escondida acima dos seus ventríloquos. Um clima de performance, de espontaneidade induzida reina na maior parte do tempo. Embora, aparentemente, ele deixe o barco correr frouxo, ‘8 magníficos’ está mais pra uma dinâmica de grupo de trabalho do que para uma quebra de quarta parede.
Falemos das escolhas felizes: a (oni)presença de Wagner Moura e Fernanda Torres. Eles se esparramam de tal forma, fazendo o restante do elenco parecer “frágil e inconsistente”, que fica difícil não deduzir que Domingos tenha lhes designado os papéis de protagonistas. Será o carisma arrasador de ambos? Que, naturalmente, se sobressairia em qualquer rodinha de amigos fora da moldura de uma tela. Ou ainda o jogo de cena? Efêmero, capturado por dois atores bem posicionados. “To be or not to be that is the question”.
Fernanda, com sua inteligência móvel que a mantém cômoda em qualquer espaço, sabe aterrissar suavemente na fração de segundo duma frase irresistível. Talvez por isso tenha feito sua colega, Maria Ribeiro, confessar sentir-se burra na presença dela (Um elogio incontrolável? Ou parte do nítido papel de alguém que é autossabotador? Papel que Maria, a anfitriã, tomou para si nesse documentário).
Já o completo domínio cênico de Wagner, por exemplo contando a história da dinâmica do jequitibá, com os braços exageradamente abertos espalhando suas ramas na sala de estar (fisicalidade aliás típica no povo baiano), não o impede de se desarmar durante a confissão do colega — Du Moscovis, num arroubo de temperatura controlada, confessa algo como um crush hétero por Wagner.
“Apaga-te, chama breve” dizia um tal de William Shakespeare ao dar um nó entre a natureza perecível da arte do ator sobre um palco e a própria finitude da natureza humana. Oliveira, neste que viria a ser seu próprio grand finale, se propôs a inflamar essas tais labaredas vaidosas no espírito dos artistas; mas o máximo que obteve deles foi um teatrinho de sombras sob a luz do fogo.
Larissa Gouveia
Aí, amei passar uma horinha na presença desses gênios.. Principalmente Wagner e Fernanda
a fernanda torres é a atriz mais divertida da tv brasileira
Os 8 Magníficos - 2017 - Brasil - visto no dia 29.05.20
A ideia do documentário é muito interessante, mas penso que foi mal executado e superficial em algumas partes e nem todas as participações são aproveitáveis no longa. Vamos lá: a ideia é legal pois traz certas reflexões sobre o árduo trabalho de ator e suas dificuldades e as vezes a falta de reconhecimento pelo seu trabalho. Algumas pessoas entendem as suas dificuldades profissionais e quais são os empecilhos dos seus trabalhos mas o problema é que todos os assuntos discutidos no longa nada são aprofundados, sim como falei são citados meramente bem por cima. Com participações de grande gabarito (maioria) e perderam a oportunidade de falar, abordar, ensinar e aprofundar um tema que é pouco conhecido pela maioria do público: artes cênicas na televisão, cinema, teatro e seu funcionamento. Nem todas as participações são boas: entre as mulheres a que articulava melhor as ideias era Fernanda Torres com sua experiência, falas, consegue conduzir bem o diálogo ao longo do tempo, além tbm de Maria Ribeiro (simpática, e que traz uma reflexão da profissão de atriz
como algo mais profundo, emocional e comportamental e de como a profissão influência a sua vida pessoal
Uma das maiores faltas do ser humano é não saber ser feliz quando ele é. Não sofram! Vocês são bonitos, inteligentes e jovens. Não sofram. Sejamos felizes agora. Está é a única novidade que vocês podem trazer para o mundo de hoje
Nota: 6,5
Quero ver, mas bem que a Carolina poderia ir fazer uma café , e ficar fora de cena até o final rs...