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Em 1976, durante uma caçada na região norte da Grécia, um grupo de burgueses descobre na neve o cadáver de um soldado da resistência, da época da guerra civil (1947-1949). Através de seus testemunhos à polícia, traça-se um painel das memórias dessa guerra, dos métodos do governo direitista vigente até 1964, do curto primeiro governo democrático de Papandreou (1964-1967) e do golpe militar dos coronéis de 1967.
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Tive imensa dificuldade com o contexto histórico e com as elipses temporais tão típicas de ANgelopoulos mas o que importa a compreensão quando a cinematografia é tão bem trabalhada e quando os conceitos do cinema do Angelopoulos já estão compreendidos. A coletividade grega resistindo , através da arte, da música à todos seus entraves políticos;
Os Caçadores é o filme mais onírico das obras de Angelopoulos. Ao mesmo tempo é um sonho ou pesadelo fincado na realidade dos golpes e governos autoritários gregos entre 49 e 67. Mas o corpo do guerrilheiro é uma metáfora de um terror que assombra as elites e estimula os militares em sua gana de poder. O julgamento do corpo com seus depoimentos alude a essa situação de um poder alucinatório que perturba a sanidade desses sujeitos.
Apesar de ser um filme dificílimo por conta do modo tão pormenorizado com que ele se refere constitutivamente a datas históricas da Grécia (não apenas o ano é importante, mas o dia e o mês também!), não há como não se deslumbrar pela genialidade angeleopoulosiana, pelos 'travellings' que perpetuam geniais e inesperadas elipses temporais num mesmo plano-seqüência, pelo magnificente trecho final, por todo o estímulo destilado desde a primeira imagem para que revejamos o filme o quanto antes, bem-acompanhado e devidamente precedido por leituras cuidadosas sobre as variações políticas européias. Absolutamente genial em sua ordenação de eventos e críticas generalizadas às mais diferentes facções de classe, uau! (WPC>)