A inspiração para a realização desse filme vem de um conto popular português do século XIX. É a história de uma jovem aristocrata que se apaixona por uma versão local de Don Juan, sedutor e sinistro ao mesmo tempo. O resultado da exploração desse tema é um exercício de imaginação e um jogo de paciência, no melhor estilo do genial diretor Manoel de Oliveira.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
7.5 - Um filme-ópera, realizado por Manoel de Oliveira, onde a trama é "cantada"! Uma película surpreendente, onde da desconfiança inicial, acabamos com um delicioso final trágico-cómico e satírico, e passando de uma história de amor trágica a uma espécie de crítica social cómica! Protagonizado por Luís Miguel Cintra, Leonor Silveira, Diogo Dória e Rogério Samora.
Recentemente li muitos artigos sobre o Manoel de Oliveira, e fiquei surpreendido ao saber tamanha produção cinematográfica relacionada com a literatura, e Os Canibais é derivado de uma opereta com base num conto de Álvaro do Carvalhal (bem desconhecido) de mesmo nome - Os Canibais- de fácil encontro na internet. Um conto um tanto quanto diferente, para quem quiser lê-lo, e nisto creio que o filme seja mais entendível, fiz isto, vi o filme e procurei o conto que não me desagradou em nada, e vi que o filme é bem fidedigno.
Uma obra do genial Manoel de Oliveira de uma qualidade ímpar como esta me entristece de não ser tão conhecida, e para poder vê-la há a necessidade de um exercício hercúleo para poder encontrá-la nalgum canto escondido da internet.
Mas está feito! Mal sabia do que se tratava o filme, e a ousadia da utilização de ser uma ópera dá um toque mais artístico e eleva o nível à uma arte sublime, e o desfecho, por demais bizarro, é o que impacta e se contrapõe com toda essa arte de início. Como se trata de um filme num formato peculiar de ópera, é necessário legendas, que não foram difíceis de se encontrar.
Um filme que me surpreendeu, o segundo desse diretor que pude ver, e sem dúvida, não será o último.
Mais uma vez, um filme cuja má qualidade da cópia disponível prejudica a sua imersão: a ausência de legendas dificultou sobremaneira o entendimento, não obstante ser compreensível o dilema da interdição amorosa aqui deslindada. Porém, nada preparou-me adequadamente para a extrema surpresa que acontece no final do segundo terço: uau! A meia-hora final é pura genialidade, muito característico do estilo zombeteiro, mordaz e inteligentíssimo deste brilhante realizador lusitano! (WPC>)
Um drama em forma de opereta. A tragédia aqui é superlativa. Tudo é tão exagerado que as vilezas, virtudes e atitudes das personagens se tornam caricaturas. E isso acaba desaguando na extrema galhofa do desfecho e da cena final. Um belo filme do Manoel de Oliveira.