Sinegaglia é um professor desempregado que é obrigado a visitar um amigo na cidade de Turim. Chegando lá, ele ajuda na criação de um sindicato para os empregados de uma fábrica local.
- nenhum direito trabalhista é conquistado sem luta - monicelli consegue equilibrar muito bem as doses de humor e drama pesado nessa excelente obra sobre a força sindical - o final é uma pedrada, o menino tomando o lugar do irmão, a fábrica continua, sem sentir as perdas - mais de 60 anos depois e muitos trabalhadores ainda precisam acordar, perceber que a união e a luta são a única saída contra e exploração da burguesia, o fim da escala 6x1 tá ai pra provar
Quando eu penso que já vi suficientes obras-primas monicellianas, deparo-me com este filme atordoante e genial... e muitíssimo engraçado nalguns momentos. É interessante e muito peculiar como o diretor consegue extrair comicidade de situações extremamente trágicas, a fim de demonstrar que a sobrevivência sob o capitalismo implica em saber lidar com as próprias dores, o que é extremamente coerente com a trajetória do realizador, sobretudo no modo como ele faleceu... Marcello Mastroianni está desglamourizado neste filmaço: não precisa ser o protagonista, a fim de não trair o título da obra. É um líder, um professor tão sensato quanto perseguido pelas instituições mantenedoras do 'status quo' explorador do homem, de modo que o desfecho do filme impressiona pelo realismo, que é também poético, motivador, exortativo... E sumamente consciente das dores inevitáveis do processo vital. Reconstituição de época primorosa, elenco impecável (todo ele, é incrível), situações dramáticas conduzidas com uma leveza impressionante. E muito carinho. Um dos filmes políticos mais geniais que já vi: humanista e terno em medidas sobressalentes. Belíssimo! (WPC>)
Co-produção ítalo-franco-iugoslava em preto e branco indicada ao Oscar de melhor roteiro original. Foi dirigido e co-escrito por um dos mestres italianos, Mario Monicelli (1915-2010). As locações foram rodadas em Turim e Roma, na Itália, e Zagreb, na Croácia. O filme faz uma abordagem corajosa e quase documental de seu assunto: a exploração dos trabalhadores italianos no século XIX.
É estranhamente engraçado às vezes, embora esse humor negro seja esperado de um dos mestres do gênero da comédia italiana. O mais importante, porém, é que a mensagem direta e pró-trabalho do filme não é prejudicada pelo didatismo. É tão expressivo quanto informativo, e sua relutante modernidade é desafiada apenas por seu arcaísmo inteligente.
Este simples drama social acaba sendo interessante, humano, compassivo e bem-humorado. Muito do crédito pelo humor e pela sinceridade deveria ir para Marcello Mastroianni (1924-1996). Pode ser considerado um dos melhores filmes sobre disputas trabalhistas já feito. Além disso, é lindamente filmado. O estilo geralmente apresenta amplas performances cômicas contra um pano de fundo de desespero e derrotismo.
A obra é de 63 mas retrata o fim do século XIX. O que mudou? A estética, talvez. Na essência, nada. Qualquer coisa que ameace de longe algum privilégio burguês será peremptoriamente destruído pelas instituições comandadas pela própria burguesia. O capitalismo deu muito certo para 5% da população.
No filme uma passagem que chama atenção é quando o professor pede aos alunos que doem alguma quantia em dinheiro para família do trabalhador morto no protesto. Imediatamente, chega o chefe da instituição e o repreende e o tacha de Qlqr coisa ligada ao comunismo, socialismo. No centro dessa passagem está toda aquela lorota de “ meritocracia “ originada nas revoluções burguesas (industrial e iluminista).
- nenhum direito trabalhista é conquistado sem luta
- monicelli consegue equilibrar muito bem as doses de humor e drama pesado nessa excelente obra sobre a força sindical
- o final é uma pedrada, o menino tomando o lugar do irmão, a fábrica continua, sem sentir as perdas
- mais de 60 anos depois e muitos trabalhadores ainda precisam acordar, perceber que a união e a luta são a única saída contra e exploração da burguesia, o fim da escala 6x1 tá ai pra provar
Quando eu penso que já vi suficientes obras-primas monicellianas, deparo-me com este filme atordoante e genial... e muitíssimo engraçado nalguns momentos. É interessante e muito peculiar como o diretor consegue extrair comicidade de situações extremamente trágicas, a fim de demonstrar que a sobrevivência sob o capitalismo implica em saber lidar com as próprias dores, o que é extremamente coerente com a trajetória do realizador, sobretudo no modo como ele faleceu... Marcello Mastroianni está desglamourizado neste filmaço: não precisa ser o protagonista, a fim de não trair o título da obra. É um líder, um professor tão sensato quanto perseguido pelas instituições mantenedoras do 'status quo' explorador do homem, de modo que o desfecho do filme impressiona pelo realismo, que é também poético, motivador, exortativo... E sumamente consciente das dores inevitáveis do processo vital. Reconstituição de época primorosa, elenco impecável (todo ele, é incrível), situações dramáticas conduzidas com uma leveza impressionante. E muito carinho. Um dos filmes políticos mais geniais que já vi: humanista e terno em medidas sobressalentes. Belíssimo! (WPC>)
Co-produção ítalo-franco-iugoslava em preto e branco indicada ao Oscar de melhor roteiro original. Foi dirigido e co-escrito por um dos mestres italianos, Mario Monicelli (1915-2010). As locações foram rodadas em Turim e Roma, na Itália, e Zagreb, na Croácia. O filme faz uma abordagem corajosa e quase documental de seu assunto: a exploração dos trabalhadores italianos no século XIX.
É estranhamente engraçado às vezes, embora esse humor negro seja esperado de um dos mestres do gênero da comédia italiana. O mais importante, porém, é que a mensagem direta e pró-trabalho do filme não é prejudicada pelo didatismo. É tão expressivo quanto informativo, e sua relutante modernidade é desafiada apenas por seu arcaísmo inteligente.
Este simples drama social acaba sendo interessante, humano, compassivo e bem-humorado. Muito do crédito pelo humor e pela sinceridade deveria ir para Marcello Mastroianni (1924-1996). Pode ser considerado um dos melhores filmes sobre disputas trabalhistas já feito. Além disso, é lindamente filmado. O estilo geralmente apresenta amplas performances cômicas contra um pano de fundo de desespero e derrotismo.
Excepcional.
A obra é de 63 mas retrata o fim do século XIX. O que mudou? A estética, talvez. Na essência, nada. Qualquer coisa que ameace de longe algum privilégio burguês será peremptoriamente destruído pelas instituições comandadas pela própria burguesia. O capitalismo deu muito certo para 5% da população.
No filme uma passagem que chama atenção é quando o professor pede aos alunos que doem alguma quantia em dinheiro para família do trabalhador morto no protesto. Imediatamente, chega o chefe da instituição e o repreende e o tacha de Qlqr coisa ligada ao comunismo, socialismo. No centro dessa passagem está toda aquela lorota de “ meritocracia “ originada nas revoluções burguesas (industrial e iluminista).