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Roslyn Taber (Marilyn Monroe) é uma mulher sensível, que está se divorciando. Gay Langland (Clark Gable) e um cowboy frio, que passou a vida pegando cavalos e mulheres divorciadas. Ela não aceita a captura de cavalos selvagens para virarem comida de cachorro, enquanto que ele não vê nada demais. No meio de tudo isto nasce uma paixão entre os dois.
Ultimo filme por completo de Marilyn Monroe e Clark Gable.
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Minha nota é apenas por causa de Marilyn
John Houston entrega um de seus melhores e mais impressionantes filmes, tanto pelo elenco, com performances extraordinárias que chegam muito próximo ao realismo, aliás todas reações da Marilyn são muito genuínas, quanto ao ótimo roteiro, velocidade impressa na tela, fotografia e trilha sonora. O filme traz pessoas reais, todos com seus próprios sofrimentos, se aproximando do expectador com intimidade.
Com um final eletrizante e poético, John Houston deixa a sua assinatura como um dos Maiores do Cinema.
Huston apresenta o ambiente de caubóis decadentes como um mundo extremamente masculino e em certa medida auto destrutivo , com homens indo a extremos por acharem que tem muito a provar... E nesse ambiente a delicada Marilyn , cobiçada por todos , vai ficando cada vez mais sufocada , ao mesmo tempo em que estende a mão a eles e age de forma até maternal quando precisam . Excelentes interpretações principalmente de Gable , Monty Clift e Wallach , este último como o mais "beta" do trio. Até Marilyn consegue emergir , por alguns momentos , de sua persona e apresenta uma boa performance. Grande filme.
Nunca imaginei ver a Marilyn num faroeste. É um filme bem diferente do que estou acostumada a ver, e do que se espera pro gênero, tem bastante comédia e também certa melancolia. Gostei muito.
"Os Desajustados" é um filme que carrega consigo uma imensa fama de - imaginem só - desajustado. É uma película de faroeste que se passa na contemporaneidade, e não cem anos antes, no auge do Velho Oeste. Passa longe de ser centrado apenas em viris cowboys (embora eles estejam aqui, é claro), e tem, por sua vez, uma personagem feminina vigorosa e independente. Por fim, é um drama, claro, mas bebe demais na fonte da comédia (assim como a vida). Mais que tudo, é um filme que confronta ficção com a realidade.
Porque todos aqueles personagens desajustados eram igualmente interpretados por pessoas desajustadas, e o próprio público sabia disto. Marilyn Monroe era mundialmente conhecida como sex symbol, mas desejava ser mais que isto, e aqui teve uma oportunidade de mostrar ser mais, embora talvez já fosse tarde demais... Montgomery Clift, num papel menor que o habitual na sua carreira, também misturou ficção e realidade ao falar sobre "já estar melhor depois do acidente", mostrando determinação para seguir em frente, mesmo sabendo que algumas cicatrizes sempre ficam marcadas, ainda que nem sempre aparentes. Clark Gable, então, se despede em grande estilo numa carreira que tem clássicos imortais como "E o Vento Levou..." e "Aconteceu Naquela Noite".
O mundo em que os personagens vivem simplesmente não existia mais. São inúmeras as dificuldades que eles precisam enfrentar: Como eles mesmos observam, os milhares e milhares de animais que eles costumavam caçar, agora são apenas alguns poucos que resistem. É preciso ir para longe para arranjar um novo trabalho. Ou suas famílias não os amam mais; ou, quando os ama, está muito distante. Da mesma maneira, seus maridos agora não são mais seus e estão com outras. Do outro lado da telona, o mundo real também estava em profunda mudança. Saía de cena a Era de Ouro dos Estados Unidos do pós-guerra nos anos 50 (e da indústria cinematográfica também) e entrava em jogo uma nova época de preocupações socioeconômicas sem paralelo.
O filme também é reflexo disto. Tentando fugir às fórmulas tradicionais de então, "Os Desajustados" acaba por ser pioneiro nas novas formas de cinema que iriam surgir mais pro fim da década, adiantando tendências que os grandes estúdios preferiam não entender e mesmo ignorar, levando a imprensa e o público a, infelizmente, seguirem o mesmo rumo. Mas apenas num primeiro momento, pois, com o tempo, passou a ser lido como um clássico como merecia.
Raramente há um filme surgido numa era que ainda era tão dourada que seja tão melancólico e depressivo. Mesmo quando há imagens bonitas na tela, a sensação é de desalento. Como seguir em frente sabendo que o mundo (n)os deixou para trás? É a pergunta que muitos aqui fizeram, tanto em frente quanto por trás das câmeras.
Alguns conseguiram, de fato, seguir adiante. Outros, ficaram por aqui (este foi o último trabalho tanto de Clark Gable quanto de Marilyn Monroe, ambos vitimados ainda cedo demais). Mas a maior vantagem de qualquer filme é que ele é para sempre eterno. E, como tal, para sempre eterniza aqueles que dele participam. Seja(m) ele(s) ajustado(s) ou não.