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Data de lançamento
16 Set. 2019Duração
Nas Filipinas, mulheres são enviadas para trabalhar como empregadas domésticas ou babás no exterior. Num dos muitos centros de formação dedicados ao trabalho doméstico, um grupo de estagiárias se prepara para enfrentar a saudade de casa e os possíveis abusos que se avizinham.
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Incrível a linguagem explorada por este documentário, além de tocante!
Com um estilo mais agradável de documentário (com uma cadência de ficção, que te deixa envolvido na história e "ansioso" pelos próximos acontecimentos), mostra uma realidade bizarra que eu até então não conhecia: das mulheres filipinas treinadas para servir como empregadas domésticas no exterior (principalmente Oriente Médio e Ásia).
Uma realidade em que não é possível tirar o seu sustento e de sua família, de maneira honesta, dentro de seu próprio país. Assim, essas filipinas heroínas (como se diz no próprio filme) deixam família e pátria para conseguir sustentar a ambas, enviando seus salários nas moedas internacionais de volta para as Filipinas, se sujeitando a condições de trabalho, por vezes, desumanas e monstruosas.
O filme mostra o treinamento dessas mulheres para desempenhar esse trabalho.
Treinamento duro por, além de ensinar as questões práticas do trabalho, procura também prepara-las para possíveis abusos e até para pensamentos suicidas.
Expõe, com primor e delicadeza, a fragilidade das mulheres que se dedicam ao trabalho doméstico no exterior. O que, inicialmente, parece ser a documentação de um treinamento comum de trabalho transforma-se em filme-denúncia dos abusos e violências a que as mulheres são submetidas enquanto posições subalternas na divisão do trabalho. Entre aprender a como pôr corretamente a mesa e como lavar as peças sujas, estão também lições de defesa pessoal em caso de assédios sexuais do patronado, por exemplo.
Através de depoimentos das mulheres que dividem suas experiências com as outras, é possível termos ideia da dimensão destas violências, e refletirmos tanto sobre a fronteira tênue que separa o trabalho despido de direitos e a escravidão, quanto as questões identitárias, como a condição de mulher e de imigrante, que atravessam a existências destes corpos e os relegam à vulnerabilidade.