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Um ótimo e complexo western, que subverte o gênero por questionar um perfil de masculinidade ao invés de glorificá-lo, e por retratar a violência não como um recurso que enaltece o caráter do homem, mas que o apequena. Nos cenários empoeirados, nas pias cheias de pratos, e na cachaça ingerida pura, o que se observa é a crueza de uma masculinidade tóxica que gira em torno das mulheres, mas que, por subalternizá-las, acaba por afastá-las (é muito notável como o tema do feminino está bem presente nos diálogos, mas as mulheres estão ausentes das cenas). "Oeste outra vez" é, antes de tudo, a história de homens vazios, que não sabem como evoluir e como se comunicar; que, por hipocrisia ou por medo de se esgotarem enquanto homens, preferem se aliar aos outros por meio da violência e da toxicidade à se regenerarem no amor que tanto idealizam (talvez nem o saibam fazer).
Destaque para a fotografia, com planos naturais que contrastam a vastidão do cerrado com a miudez (mais espiritual que física) dos personagens; para a direção de arte (realmente, tudo ali é muito sujo e pálido, como as personalidades nas quais se desejavam retratar); e para a montagem (que opta por um final sutil, aberto, e ao mesmo tempo angustiante).
#Visto no Cine Glauber Rocha, em Salvador, em 19/09/24 (antes da estreia comercial, mas após o filme levar o kikito de melhor filme no Festival de Gramado). Na ocasião, estavam presentes o diretor, o editor, e a diretora de arte, que realizaram um debate que possibilitou uma melhor compreensão das inúmeras camadas presentes na obra.
Se eu sempre fico em dúvida se gostei mais de "Hereditário" ou de "Midsommar", este aqui certamente não vai entrar para a briga. Talvez tenha interferido eu ir para o cinema sem saber que a sessão levaria 3h, mas a minha surpresa com a duração só chegou quando eu já estava enfadado demais com a história para querer que a experiência durasse mais.
A primeira hora do filme se sustenta bem em uma atmosfera bizarra à la "Mother", do Aronofsky, com pitadas de humor que nos deixa intrigados para saber o que é realidade e o que é divagação do protagonista. Infelizmente, o filme perde o ritmo nas horas seguintes, causado por varias sequências sem a devida coesão, o que, aliado à longa duração, nos cansa. O final, momento que possibilita a redenção e que foi executado de forma magistral nos filmes anteriores do Aster, aqui é a cereja no topo do bolo - da decepção.
Últimos recados
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
Boa surpresa! Trata-se de um coming-of-age com elementos de comédia e terror, que faz uso de uma metáfora para abordar questões de aceitação e bullying. A trilha sonora contribui para uma atmosfera gradualmente caótica. Me senti bem entretido durante a sessão, e, ao final, fiquei reflexivo sobre os tempos de escola. Conclui que uma das melhores coisas sobre o processo de amadurecimento é aprender a reconhecer pessoas tóxicas e perceber que não precisamos gastar nossa energia buscando a afeição destas.
Assistido em 7 de janeiro de 2026, no IFC Center, NYC