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A partir de depoimentos em áudio do cineasta e de vasto material audiovisual, o longa-metragem "Ozualdo Candeias e o Cinema" remonta a trajetória do caminhoneiro que se tornou um dos mais importantes cineastas do Brasil. Quem narra a história é o próprio Candeias, que, aos poucos, vai revelando seu estilo e genialidade, tendo como pano de fundo as diversas fases do cinema nacional e a Boca do Lixo, principal polo de produção cinematográfica durante os anos 1970 e 1980.
O filme foi estruturado inicialmente em uma timeline de som, a partir de cerca de 60 horas de depoimentos do cineasta, além de vasto material audiovisual e fotográfico, caracterizando-se como um filme de montagem, que percorre quase 50 anos de carreira do diretor e da história do cinema nacional.
O filme é resultado de mais de dez anos de pesquisa coordenada pela Heco Produções, que realizou em 2002, a Retrospectiva Ozualdo Candeias em São Paulo e em 2008 no Rio de Janeiro, publicou um livro com a biografia, textos críticos e informações sobre o diretor, e que atualmente é responsável pela conservação do Acervo Ozualdo Candeias. O projeto coordenado por Eugenio Puppo, diretor e montador do filme, apresenta diversos materiais inéditos como seus primeiros filmes amadores dos anos 1950, entre outros.
Falecido em 2007, aos 89 anos, Candeias deixou uma obra de 35 filmes e 12 telefilmes, além de importante acervo fotográfico. O documentário pretende ampliar o acesso a esta obra ímpar, transitando por diferentes linguagens, suportes e momentos históricos: o cinejornal, o cinema marginal, a pornochanchada e o cinema de sexo explícito.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
eu amei muito o final. muito irado ver ele dirigindo. era mesmo um sujeito de visão. não à toa o filme, como a margem, termina com a luz do sol, este que é o grande doador de visão, não apenas social e política, mas também sensorial, metafísica. é o grande pai que por vezes parece voltar sua cara. é forte e necessário de se ouvir ele dizer que ninguém se importou com as fitas dele à época. não repitamos o mesmo erro. porque este exercício de cinema é também uma forma de trucagem com a linguagem. não é o experimentalismo excessivo exagerado expositivo, mas de sobrevivência. é um cinema com fome, voraz. é como se cada filme quisesse tapar um buraco, preencher um vazio, mas falhasse miseravelmente porque só faz revelar mais e mais o buraco. caimos num abismo. e é phoda demais como em meio a isso tudo existe a arte e a criatividade. é nítido como pro CANDEIAS a cor não é mero utensílio, consequência desenvolvimentista, ode ao realismo tecnológico, teleologia da imagem, mas sim mais uma porta para a multiplicidade, pro rearranjo da forma. por isso é tão bom ver esses filmes um atrás do outro, porque é grande a diferença não só de estilo, mas de gênero. o cara trabalhou em filme de sexo explícito, e isso só reforça nosso desinteresse por esse período do cinema. é verdade que muitos são trabalhos vergonhosos, mas eles existiram. e por que esse cinema ganhou força enquanto os trabalhos autorais que candeias fazia não recebiam atenção? encarar esse período de frente talvez seja reconhecer nossas próprias questões enquanto público. e a entrevista com as pessoas na rua sobre o que acham do cinema brasileiro permanece contemporânea. pra reconhecermos nosso cinema hoje é preciso também reaver a memória de nosso passado. PAULO EMILIO SALES GOMES já nos aponta nessa direção: onde estão os interesses dos exibidores? é preciso entender essa história pra nos educarmos novamente, por um plano de cinema nacional que não deixe os próprios filmes à míngua, ficando no máximo uma semana em cartaz, isso quando são exibidos. não deveria ser tão difícil, hoje, para um brasileiro conseguir assistir a um filme feito no brasil (que não tenha sido produzido pela globo filmes). o brasil é violento. virar o rosto e olhá-lo de frente. andar de costas para o progresso.
Admito que o filme é emocionante em sua subserviência plena ao depoimento longo do diretor. Porém, justapor cenas e mais cenas de filme, apenas, não me pareceu a melhor estratégia laudatório: começa beatífico, mas termina pleonástico. E possui incoerências discursivas, em razão de atropelos cronológicos, principalmente quando aborda a fase pornográfica da Boca do Lixo. Começa bem, tem um desenvolvimento capenga, termina muito mal! (WPC>)