Anne Goupil é uma jovem parisiense estudante de literatura. Encontra-se por acaso com um grupo de teatro que ensaia arduamente Péricles, de Shakespeare, mesmo sem nenhum recurso financeiro. Ao mesmo tempo em que aceita o desafio de atuar na peça, Anne se descobre completamente envolvida numa misteriosa conspiração política cujos adeptos suicidam-se inesperadamente. O apocalipse iminente desestabiliza todas as suas convicções.
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Eu gosto de assistir as primeiras produções dos diretores da Nouvelle Vague, por que todas elas tem em comum o frescor, exalam novidade em cada tomada, cada cena e este filme não é diferente. Os planos abertos de Paris, os movimentos de câmera, a fotografia. Tem muita qualidade técnica neste filme. Pra mim, ele peca no tempo muito longo e o ritmo, muito lento, que tornou difícil chegar até o final.
17/06/2023
Fraco e chato
A cada filme que assisto do Rivette chego mais perto da conclusão de que ele é o diretor mais monótono e vazio da história do cinema. Indiscutivelmente é um dos mais chatos e verborrágicos, mas diferente de um godard com texto lamentavelmente ruim.
Primeiramente acredito ser melhor encarar esse filme não como uma obra francesa, mas europeia no geral. A Europa foi palco pra 2 guerras mundiais, e naquela época, em que a guerra fria pegava fogo, acredito que fosse iminente a ideia de uma 3a guerra, mais cedo ou mais tarde. Isso é refletido no burburinho de guerras e conspiração que há entre os personagens, o medo constante do próximo, do Estado, de regimes fascistas, inclusive da bomba atômica. Todos citados no longa aqui e ali. No meio disso há uma personagem ignorante até então, que parece sempre perdida nas discussões políticas, artísticas e filosóficas que todos estão debruçados. Anne, a protagonista, apesar de alheia a esses temas, não é burra, ela é uma jovem normal vivendo sua vida, tentando ser feliz. Característica essa estranha aos outros personagens. Outra característica única de Anne é o zelo e preocupação pela vida, sentimento aparentemente ausente nos amigos, outra marca do infeliz costume com a guerra. Enfim, Paris Belongs to Us é uma obra claramente experimental em sua forma, trilha e linda movimentação de câmera. O longa critica os valores da juventude da época, sem deixar de entende-la.
O momento de destaque, que exemplifica a normatização de algumas coisas e o estranhamento de outras, é a cena em que Phillip lista seus vizinhos e características. Com destaque para o idoso que perdeu o filho "em 45", e a menina que "sonha em ser feliz".
Como obra de arte em análise, ótimo. Como filme, horrível.
O filme é interessante porque dá a sensação de que a narrativa estava sendo tratada como uma metalinguagem. Ao mesmo tempo em que vemos a peça de Shakespeare ser bastante ensaiada, acompanhamos a investigação privada de Anne, em que também tive a sensação de estar assistindo a uma peça de teatro. Logo, achei muito interessante esse paralelo que o filme faz. Outro destaque, Betty Schneider, que me lembrou muito de passagens na trilogia da incomunicabilidade, é perfeita para papel, com uma linda voz que combina com a inocência inicial que ela apresenta. O único e grave problema é com o ritmo, na verdade chega a ser bem chato e por isso foi fácil bocejar por seguidas vezes.