Os peixes agonizam à beira-mar à medida que a água invade a cidade e forma espelhos que distorcem sua imagem. Na noite densa, quando a lua sobe a maré, esses seres, que vivem em uma vida diária monótona sem água, são hipnotizados pelos poderes de Iemanjá, a deusa do mar.
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Poucas pessoas imaginam, mas eu tenho uma obsessão por peixes. Já escrevi vários contos sobre e sempre tive aquários, portanto não teve como ignorar de assistir este curta ao me deparar com este pôster magnífico. Confesso que me senti completamente perdido, imagens lindas e imagens esquisitas permeiam o curta. Ao mesmo tempo que ele agrada e desagrada. É uma experiência esquisita e creio que seja única para cada um. Mas a arte é assim, né? Considerando que a nota é a mesma que dei para um dos curtas do Kiarostami, acho que está valendo. Gostaria de acompanhar próximos trabalhos dessa diretora, que é brasileira (sergipana para ser mais preciso), mas que deve ter feito este trabalho em Cuba, já que pelas pesquisas que fiz aparece como um curta cubano. O Curta foi indicado no Festival de Sundance.
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De uma beleza e uma poética sem precedentes
De acordo com os créditos finais, o roteiro foi baseado num poema. Quis ler o original, compreender melhor aqueles signos ictiológicos. Da maneira como o vi, destacam-se as obsessões autorais da diretora: a negritude radicular e a potência do silêncio, das vozes que manifestam-se através de olhares e desejos incontidos. Não compreendi tudo, repito, mas apreciei muito o que vi: direção de arte sublime, fotografia esplêndida, direção audaciosa, firme. Um talento sergipano que enche-me de orgulho a cada nova exibição: por mais que eu não tenha gostado tanto desse filme em relação às demais produções da diretora (e amiga), quanto talento, que insigne beleza! (WPC>)