A vida de Camille desmorona com a morte de seu filho num acidente de carro. Incapaz de lidar com a perda, ela se apega a Franck, o melhor amigo do filho e também responsável pela tragédia. Os amigos de Camille não entendem seu comportamento e se distanciam. Apesar do escândalo, Franck torna-se o objeto consensual de suas afeições. Mas ele aos poucos percebe que a obsessão de Camille lhe representa uma ameaça.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Mai um ótimo drama com a ícone Francesa Catherine Deneuve, gostei muito.
Categoria = Catherine Deneuve de luto e obcecada.
Este pequeno drama íntimo e pessoal é uma espécie de pequena joia do Cinema. A produção francesa conta, em ritmo elegante, como o sofrimento da perda de alguém muito querido é transferido para algo (ou alguém) que ajude a suportar a dor.
Catherine Deneuve é Camille, uma elegante senhora que cria o filho de 20 e poucos anos, com total liberdade. Separada e dona de seu próprio negócio, ela compactua com as amizades do rapaz e dá todo suporte necessário a sua felicidade.
Camille literalmente desaba quando recebe a notícia mais trágica de sua vida: A morte do garoto por um acidente de carro. Após um tempo, Camille tenta, em vão, reorganizar sua vida que perdeu todo o sentido. No entanto, sua tristeza vai-se transformando numa espécie de confusão de extrema carência quando transfere para o melhor amigo do seu filho, Frank, (e que estava dirigindo o veículo na hora do acidente), a ausência de seu filho querido.
Ela contrata o rapaz, convida-o para sair e cobra atitudes com uma autoridade materna impressionante. A família estranha e resolve, através de uma medida judicial, afastar Camille de Frank.
Usando de uma trilha sonora muito interessante o diretor realça as cenas com a comoção exata, como na cena em que Camille escuta um CD com a canção Mysteries de Beth Gibbons.
Com movimentos delicados de câmera Gael Morel apenas testemunha a dor da personagem e deixa que o espectador tire suas próprias conclusões. Afinal: como tranquilizar o coração dilacerado de uma mãe?
Sabendo deste dilema o diretor não coloca nenhuma outra questão e foca, basicamente, suas lentes na emoção da perda, vivida com uma comovente interpretação de Catherine Deneuve, que é a alma do filme.
A atriz consegue transmitir a emoção real da morte de um filho sem ser muito dramática nem extremamente contida. O filme termina com um primeiríssimo plano no olhar de Denuve/Camille observando Frank dormindo. Seus olhos vigiam o rapaz com uma necessidade quase fisiológica de estar com alguma figura que sustente a fantasia de algum vínculo com seu filho.
É de arrepiar.
onde tem online?
Elodie Bouchez e Deneuve suportam o filme nas costas com maestria.
O desfecho é aberto e interpretativo, não poderia ser melhor. Bem legal.