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Duração
Cássio é um jovem trans com seu processo de hormonização em curso e tem a missão de ter uma conversa com seu pai idoso sobre o assunto, mas é surpreendido pela pandemia da covid-19. Em meio ao isolamento social onde ambos estão enclausurados em um pequeno apartamento, uma vida social virtual e uma crise política aguda em seu país, ele tenta criar coragem para seguir com seu plano. Viver e registrar esse contexto torna-se uma tentativa de aproximação entre os dois.
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Gravado de uma perspectiva bem amadora, o que deu mais ainda proximidade com o telespectador. É totalmente compreensível os sentimentos e receios do Cássio. Inclusive isso explica muito do final ter sido assim.
Linda imersão nessa conexão forçada que a pandemia proporcionou/empurrou as pessoas. Lembrei de "100 Dias com Tata" do Miguel Ángel Muñoz. Aqui, pelo contrário, temos tanto o processo de autodescoberta como as tentativas de entender esse pai e buscar conexão. E o processo é tocante, humano, sensível, suspirante.
Quis muito que demorasse mais e mais! Fiquei fascinado pela relação bonita que é estabelecida entre pai e filha/filho. Ficamos o tempo todo torcendo para que ele conte logo sobre o seu processo de hormonização e nova identidade transexual, mas sempre acontece algo que desvia os nossos afetos para outro tipo de situação (muito peculiar e encatadora a obsessão do pai do diretor pelas mortes dos artistas). Tinha gostado muito do filme anterior do realizador e seu talento e sensibilidade foi confirmado mais uma vez aqui: o instante em que o título do filme é pronunciado é sublime. O diálogo com o ótimo LIMIAR é mais que bem-vindo. Muito corajoso e bonito o Cássio, parabéns! (WPC>)