A diretora revela extrema sensibilidade, ao utilizar referências experimentais feministas (Maya Deren, Shirley Clarke) nesta nova versão do Éden, em que o fruto proibido assume a forma de um refrigerante. Na sessão coletiva desta obra, num festival sergipano, muitos espectadores reclamaram do hermetismo do roteiro, de não terem compreendido a "mensagem". Talvez este não seja o percurso devível: ao invés disso, o ideal seria dançar ao lado da protagonista, perambular por aquele paraíso demarcado pelas amarras da contemporaneidade. Gosto muitíssimo do uso da trilha cancional (a versão para "Ave, Lúcifer" é contagiante) e do desfecho na banheira, confirmando que a atriz Moira Barão aceitou o desafio da entrega, permitiu-se ser investigada pela câmera, tanto quanto os insetos que caminham pelas árvores. Porém, faltou um pouco de direcionamento em seus olhares, que parecem depender de orientações da diretora, quiçá não compreendidas. Nalguns instantes, sobretudo no início, a impressão que temos é que assistimos ao ensaio, não à obra concluída, justamente por conta da dificuldade em percebermos que estamos diante de uma personagem, não necessariamente de uma atriz. Mas, do meio para o final, isso se resolve muito bem: a duração confunde-se com a música, de modo que despertamos juntos, quando a "viagem" acaba. Os acordes ficam na cabeça, entretanto! (WPC>)
A diretora revela extrema sensibilidade, ao utilizar referências experimentais feministas (Maya Deren, Shirley Clarke) nesta nova versão do Éden, em que o fruto proibido assume a forma de um refrigerante. Na sessão coletiva desta obra, num festival sergipano, muitos espectadores reclamaram do hermetismo do roteiro, de não terem compreendido a "mensagem". Talvez este não seja o percurso devível: ao invés disso, o ideal seria dançar ao lado da protagonista, perambular por aquele paraíso demarcado pelas amarras da contemporaneidade. Gosto muitíssimo do uso da trilha cancional (a versão para "Ave, Lúcifer" é contagiante) e do desfecho na banheira, confirmando que a atriz Moira Barão aceitou o desafio da entrega, permitiu-se ser investigada pela câmera, tanto quanto os insetos que caminham pelas árvores. Porém, faltou um pouco de direcionamento em seus olhares, que parecem depender de orientações da diretora, quiçá não compreendidas. Nalguns instantes, sobretudo no início, a impressão que temos é que assistimos ao ensaio, não à obra concluída, justamente por conta da dificuldade em percebermos que estamos diante de uma personagem, não necessariamente de uma atriz. Mas, do meio para o final, isso se resolve muito bem: a duração confunde-se com a música, de modo que despertamos juntos, quando a "viagem" acaba. Os acordes ficam na cabeça, entretanto! (WPC>)