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Data de lançamento
22 Nov. 1968Duração
Um dos filmes mais característicos de Imamura, que explora e analisa a «animalidade» do ser humano, no que quase se pode ver como um documentário (ou antes, uma ficção documental) sobre uma comunidade primitiva japonesa, as suas crenças, mitos e superstições, os tabus e o castigo da sua quebra imposto pelos deuses.
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Minha pergunta principal ao longo dessa produção é como esse diretor conseguiu manter a ordem da obra mesmo com tanta desorganização e caos do ponto de vista humano. De certa forma me lembrou um pouco Funeral Parade of Roses e Rally your books, além de Roma de Fellini.
Dos filmes da vida <3
É a clássica história da novidade chegando em um local remoto, com seus habitantes, cada um mais peculiar que o outro, reagindo às mudanças. Ilustrada por duas analogias que correm em paralelo: como a criação de mitos espelha as características das sociedades que os criam, e como nós, por nossa vez, somos resultados diretos da terra de que viemos.
Curioso como ele reforça a todo instante a imagem dos animais vivendo suas vidas em paralelo à dos habitantes. A familiaridade entre eles, o peso de igualdade. A aranha, a cobra, a lagartixa - todos coexistem como se fossem iguais aos humanos. Mas os humanos criam mitos e são tentados pelos desejos, e isto produz a quebra.
Tudo isso com uma fotografia espetacular.
Apesar de enxergar muito valor nas propostas filosóficas de Imamura, e aqui não é diferente neste paralelo entre animalidade do homem e seus misticismos de cunho religiosos, não consigo me adaptar com seu estilo de fílmico quanto menos me apego a seus personagens.
Um filme fascinante e, devo admitir, extremamente desafiador, que muitos espectadores ocidentais provavelmente terão dificuldade em desconstruir completamente. Por um lado, Desejo Profundo dos Deuses é sobre a transformação do Japão em um juggernaut industrial visto e experimentado por uma comunidade isolada com costumes, tradições, crenças e práticas únicas. Por outro lado, o filme é um exame notavelmente ousado da relação do homem com a natureza, que evolui gradualmente para uma espécie de sátira fascinante, onde as verdades são contrariadas por vários mitos japoneses como o mencionado no início do filme sobre os dois deuses, um irmão e uma irmã, que, depois de fazer amor, supostamente criaram as Ilhas Okinawa. Obviamente, a falta de familiaridade com esses mitos dificulta muitas das referências únicas nos Desejos Profundos dos Deuses.