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Os irmãos Leo e Argel encaram juntos a pobreza e o autismo do segundo. Quando um maníaco começa a assustar a pequena cidade em que vivem, os problemas com drogas de Argel se intensificam e a realidade de Leo se modifica, construindo um estilizado e atormentado conto de vingança, luto e irmandade.
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Tendo como premissa relacionamento entre dois irmãos já seria gancho suficiente pra me interessar, um deles ser neurodivergente apenas agregaria no meu foco - visto pensar ser raro termos relacionamento de amor familiar entre homens trabalhado em tela de forma pertinente.
Fora que isto aqui seria um exemplo de família pobre, com gente fudida da America Latina e as tensões familiares que ter um adulto neurodivergente na dinâmica poderia trazer - e não um boyzinho cheio da grana tipo Tom Cruise, se é que dá pra entender.
Nessas todas o filme começa extremamente interessante com os detalhes de *visões* que o personagem Leo associaria com a realidade, inclusive a obsessão do mesmo em assistir em loop o mesmo comercial de uisque escocês, trazendo um tinnitus perpetuo pros ouvidos daqueles que são obrigados a escutar a trilha de gaita de foles no ultimo volume de forma contínua...
Isto ajuda a trazer essa distorção de realidade do ponto de vista do personagem neurodivergente, bem como ajuda a criar empatia tanto pro seu irmão *cuidador* mais velho Argel, quanto pra mãe deles.
Toda a primeira parte do filme eu curti aliás, desde delimitar com flashbacks os traumas causados pelo pai abusador e preconceituoso que destratava Leo e apenas reconhecia Argel como filho, bem como demonstrar a maneira que este trauma afetou a própria dinâmica entre Argel e sua mãe, já que teriam eterno atrito.
Ou seja, aquela coisa de *filho preferido* que teria afetado o núcleo familiar, em que a mãe também jogaria na cara de Argel as mesmas comparações entre este e seu pai, que além de abusar da família ainda tinha envolvimento com drogas...
No mais também tem o *local de trabalho* de ambos os irmãos, um consultório médico de bairro em que Leo prestaria serviço e Argel trabalharia como faxineiro. Ali o médico escroto vivido por Giancarlo Ruiz (que está excelente como caricatura execrável) passa os dias destratando os dois irmãos, além de objetificar a única funcionária feminina.
Agora aqui entrariam spoilers:
A cena da overdose do Argel me pegou completamente despreparada - e realmente achei belo numa especie unica de apoteose o contraste das duas visitas de Argel na biqueira - a primeira repleta das *ilusões* e a segunda já trazendo a realidade do lugar.
O abraço final entre Argel e *seu pai*, a representação do mesmo que o teria assombrado a vida inteira nas comparações feitas por sua mãe foi bastante contundente - e a atuação do Jorge A. Jimenez ali foi bastante tocante pra mim.
A cuseta de agulha é como o filme desemboca dali pro final - em primeiro lugar o que me irritou foi como filme vilanizou a minazinha do consultório, como se essa tivesse alguma obrigação de servir de consultório de recuperação de macho pra *salvar o Argel dele mesmo*. Não parando por aí o filme obviamente sacrifica a mesma em tela pra fazer esta pagar por seu *crime*.
Daí o filme tenta fazer um pretenso Halloween da versão do Rob Zombie que eu fiquei nos ????? PQ MIGUE?
Tudo o que eu menos queria era esse filme dar continuidade nesse tropo com pessoas neurodivergentes serem violentas, e aqui talvez inocentemente estava esperando uma reversão do mesmo - o que simplesmente não aconteceu haha.
Pra se ter uma ideia o filme nunca coloca em texto qual a neurodivergência do Leo - ele é apenas destratado, vários personagens se referindo a ele com tratamento preconceituoso, etc.
Toda a parte de finalização foi bem broxante, de ao invés de dar voz a quem sempre é usado neste lugar comum incorreto não só tira esta voz do Leo, mas deixa a ideia do irmão perdedor do caralho Argel meio que usar Leo pra causar nas vingança (que ódio) - Leo não tem mais agência pq estaria *possuido* ou assombrado pelo espirito do irmão morto.........................................
No mais: Mesmo a personagem da mãe que achei que tinha sido construída de uma forma interessante, andando bem equilibrado numa corda não maniqueista ali na vivência dela, teve aquele final? Que seja cara.
Exemplo de como gastou potencial foi a reutilização da ideia do Leo ver as pessoas mortas dentro do comercial de uisque - que deixassem pra uma cena só no final do filme tipo reunindo com o irmão?
Também: Essa cena entre o corpo da minazinha com o Leo me lembrou pra caramba Corcunda de Notre Dame? Não sei se foi intencional, se sim pior ainda pq daria chão fazer um melhor paralelo com esta história aqui.
Resumindo: Tinha um potencial do caralho e curti várias coisas, porém toda parte final achei bem decepcionante.
Assisti na etapa online do Fantaspoa 2022, no último 25 de abril. Tenho aquele problema das pernas inquietas. Quando fico impaciente então... é um bateção de pé frenética. E assistindo PROTEGIDO, IRMÃO bati tanta perda que terminei com uma panturrilha de botar inveja em atleta. E olha que tinha pouco mais de 1 hora, com mais uns 30 minutos eu saia do computador pra disputar uma maratona. Isso ou morreria de tédio... Que filme chato! E que filme ruim! Que choruminho de trama, hein? Não tem um único personagem que se salva ali. É tudo uma droga nesse filme. No início, tinha um aviso de que os créditos do filme não estavam finalizadas. Faz favor, poupa quem teve a sorte de ainda não ser creditado por isso e nem coloca. Nota 1 de 10.
Apresentado no Fantaspoa 2022. O visual do filme é fantástico e a trama prende bem. Amei