O documentário examina e narra os anos que se seguiram ao assassinato de Garrett Phillips, de 12 anos, e o subsequente julgamento do técnico de futebol da Universidade Clarkson, Oral "Nick" Hillary.
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Esse não é apenas um crime brutal. É um estudo quase clínico – e doloroso – sobre como uma comunidade envenenada por medo e preconceito escolhe um culpado antes mesmo de escolher a verdade. Nick Hillary, treinador promissor, negro, bem-sucedido, encaixava-se no perfil perfeito para curar as feridas de uma cidade que clamava por justiça. Convenientemente suspeito. Circunstancialmente acusado. Brutalmente humilhado.
O documentário funciona quase como uma extensão da defesa de Hillary, expondo as falhas e rachaduras de um sistema que tenta, desesperadamente, transformar coincidências em provas. O maior “crime” dele? Estar no mesmo estacionamento que a criança. Estar próximo. Estar visível. Em outras palavras: ser o corpo errado, na cor errada, no lugar errado. A promotoria repete como um mantra: “não é um caso de racismo, é um caso de justiça.” Mas como acreditar nisso quando só ele foi despido – literalmente – numa delegacia? Quando só ele precisou ser desumanizado para caber numa narrativa que nunca encaixou?
Há algo profundamente revoltante na cena em que Hillary é levado para “ajudar a analisar uma lista” e, sem perceber, é empurrado para a armadilha das perguntas capciosas. E então, o ápice simbólico da violência: ele é obrigado a ficar nu. Nenhum outro suspeito, nenhum outro homem, teve de se despir. Mas ele, sim. Como se a verdade estivesse costurada na pele. Como se fosse preciso despi-lo para enquadrá-lo.
E, no entanto, mesmo com toda essa exposição, o documentário deixa lacunas. Ele se inclina para um lado – e talvez precise se inclinar, porque quem foi mais violentado, afinal? Mas há uma ausência que me inquieta: não ouvimos a mãe da vítima de forma plena. Tandy Cyrus, que conviveu meses com Hillary, que trocou mensagens carinhosas com ele, que nunca relatou brigas ou violências… de repente, depois da morte do filho, passa a acreditar firmemente que ele é o assassino. Não há grande evento que justifique essa ruptura, não há trauma registrado que nos ajude a entender. Só há a dor – e o contágio coletivo de uma cidade inteira. Que lógica íntima, que dor silenciosa transforma convivência em acusação? Talvez seja impossível saber. Talvez o documentário tenha evitado esse território por medo de soar difamatório. Mas ainda assim, eu sinto falta de vê-la, de ouvi-la, de entender como essa certeza se formou. Não para confrontá-la, nem para inocentar Nick ainda mais, mas para decifrar esse comportamento humano tão frágil e, ao mesmo tempo, tão brutal.
No fim, o que mais me marca é essa sensação de injustiça. Não só pela criança que morreu sem resposta, mas por um homem que, mesmo absolvido, jamais voltou a ser quem era. É impossível não sair com a pergunta engasgada: se eu morasse nessa cidade, teria sido contaminada também? Teria me deixado levar pelo murmúrio coletivo, pela necessidade de encontrar um culpado? Who Killed Garrett Phillips? é sobre tudo o que é destruído quando uma cidade decide que precisa de um culpado, e não de respostas.
Engraçado que nem o Modus Operanti do crime foi mencionado, ou se foi, apareceu muito pouco, eu realmente nao me lembro e nao quiseram solucionar o caso, nao quiseram descobrir quem realmente foi o assassino do garoto, eles só queriam mesmo era incriminar o Hillary, porque roubou a mulher do racista lá xerife da cidade
Terminei de ver dia 19/08/20.
Cidadezinha conservadora do interior, assassinato, racismo, polícia tentando arrumar um culpado e fazendo papel bosta. É o caso clássico, infelizmente.
Esses casos sem solução, são muito tristes !