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Japão, século XVI. Hidetora (Tatsuya Nakadai), o poderoso chefe do clã dos Ichimonjis, decide dividir em vida seus bens entre seus três filhos: Taro Takatora (Akira Terao), Jiro Masatora (Jinpachi Nezu) e Saburu Naotora (Daisuke Ryu). Com o primeiro fica a chefia do feudo, as terras e a cavalaria. Os outros dois ficam com alguns castelos, terras e o dever de ajudar e obedecer Taro. No entanto, Hidetora exige viver no castelo de alguns deles, manter seus trinta homens, seu título e a condição de grão-senhor, mas Saburu, o predileto, prevendo as desgraças que viriam com tal decisão, se mostra contrário à decisão paterna. Assim é expulso do feudo e acaba sendo acolhido por Nobuhiro Fujimaki (Hitoshi Ueki), que se mostra impressionado com sua decisão de contrariar o pai e casa-o com sua filha. Hidetora vai ao seu castelo, que agora é de Taro, e não é bem recebido, pois seu primogênito é encorajado por Kaede (Mieko Harada), sua mulher, para ter liberdade para tomar decisões e chefiar o feudo. Kaede quer vingar a morte dos pais, que foram mortos por Hidetora em um incêndio, e guarda muito rancor e igual rejeição. Hidetora sente isso quando vai ao castelo de Jiro e assim se vê isolado em seu ex-império e bem próximo da insanidade.
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O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder (3ª Temporada)
Que filmaço! Aula de cinema. Após o Senhor Feudal decidir entregar tudo aos 3 filhos, cada um mostra quem realmente é quando se tem poder nas mãos. Manipulação, traição, ingratidão, inveja, ego, todas as emoções ruins vem a tona quando se trata de controlar tudo. Uma história incrível da dor de viver com culpa e arrependimento, transformando a própria vida na Terra em um inferno, e não adianta culpar os deuses. As cenas de ação são impressionantes pela dimensão de tudo em tela. As atuações podem soar estranho, meio teatral, mas acho que é um estilo japonês. Na parte técnica a fotografia entrega fortes composições de cores, a trilha sonora entra apenas em momentos chave e a direção não tem medo de prolongar nenhuma cena. A única coisa que não gostei foi o final abrupto, gostaria muito de um encerramento mais conclusivo.
O visual é impressionante, principalmente nas cenas de guerra. As cores de cada estandarte contrastam com o fundo escuro do castelo e da terra, criando uma cena bonita que enaltece cada cor: amarelo, vermelho e o azul. As cenas de batalha impressionam também pelo número de figurantes, são muitos homens a pé e a cavalo. A fotografia é belíssima, épica.
Pude assistir ontem no Belas Artes, em uma sessão de relançamento, e fiquei impressionado com o uso das cores nos figurinos.
Há pouco tempo vi uma montagem de Rei Lear, então a história estava relativamente fresca na minha cabeça e pude acompanhar bem a trama.
O grande filme épico japonês que somente o mestre Kurosawa poderia ter feito. O filme fica ainda melhor se você leva em consideração toda simbologia por trás dele, e o quanto pessoal ele foi pro diretor.
Ran possui como tema central do roteiro, algo bem simples, mas que ao mesmo tempo trabalha ideias tão do cotidiano, sendo facilmente comparadas para qualquer época que seja projetada. Vingança, compaixão, amor, arrependimento e por aí vai, esses são os sentimentos que regam o roteiro que também teve participação do diretor, se inspirando em grande parte nas obras do Shakespeare. Sobre os aspectos técnicos, é o visual Kurosawa, totalmente único em seus longas, com destaque total para a fotografia e a utilização de cores.
**** (Ótimo)