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Nora (Emanuelle Devos) é a diretora de uma galeria de arte que está prestes a se casar pela 3ª vez, acreditando que desta vez enfim encontrou o homem certo. Ismaël (Mathieu Amaric) é um talentoso músico, que foi amante de Nora e está prestes a ser internado em um hospital psiquiátrico. Ao descobrir que seu pai está doente Nora pede ajuda a Ismaël, que concorda em ajudar por estar interessado em fugir da internação.
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Emmanuelle Devos e Mathieu Amalric brilham.
"Minha filhinha querida, você foi de um egoísmo monstruoso. Acho que foi, em parte, pro culpa minha que você se tornou o que é. Gostaria de não amá-la, mas das duas filhas que eu e sua mãe tivemos, você era a mais linda. E você precisava me seduzir, e eu precisava ser seduzido. Eu estava só, sua mãe vivia no hospital, e isso facilitou as coisas pra você. Amei você como um louco por todos esses anos. Sua irmã se fechou e você desabrochou, cada dia mais agressiva, mais insolente, áspera, fria, superficial. E não pude evitar meu amor por você. Agora, sinto por você um ódio, que não some nem estando com o corpo em frangalhos. Eu fervo de ódio diante da sua rebelião cruel. Sou culpado pois tornei minha filha arrogante. Amava tanto o seu orgulho. Igual à coalhada, sua arrogância virou uma vaidade azeda e seu orgulho virou uma afetação estúpida. Hoje, você é uma pessoa amarga como eu. É mesmo minha filha. Por trás do seu riso seco, acha que não vejo como se diverte? Diverte-se porque, apesar do orgulho enfraquecê-la, sua amargura lhe dá uma força terrível. Você era tão submissa. Até que descobri: por trás de sua submissão, uma vontade e inveja que me encheram de terror. Tenho medo de você. Odeio você, minha filhinha. Estou morrendo e acho injusto que eu morra e você viva. Queria que você tivesse o meu câncer, que sofresse. Queria ter tempo de perdoar você após a sua morte. Então, morro cheio de ódio. Não suporto que você sobreviva a mim. Eu queria que você morresse no meu lugar, e isso não é possível."
"O passado não é o que desapareceu. É, ao contrário, o que nos pertence." Ismaël (Mathieu Amalric)
valeu pelo final!
A delicadeza da loucura e o egoísmo da conveniência em contraste perfeito.
"Alma: uma forma de negociar diariamente com o fato de existir"