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Data de lançamento
15 Ago. 2008Duração
Duas jovens americanas - a conservadora Vicky (Rebecca Hall) e a aventureira Cristina (Scarlett Johansson) - viajam para Barcelona a fim de passar as férias de verão e acabam se envolvendo em confusões amorosas com um artista extravagante e sua insana ex-esposa.
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A cena do tiro na mão da Vicky, seguida imediatamente pelo marido dizendo que ainda não entendia o que o professor de línguas dela estava fazendo com uma arma, foi impagável, ri alto madrugada adentro KKKKKKKKKKKKKKK
¡Spoiler Alert! A maior parte do conteúdo abaixo contém spoilers.
Que filme delicioso! É um mergulho na natureza plural e mutante do amor, nas suas contradições e ímpetos, possibilidades e impossibilidades. O amor é irracional, maluco, absurdo. É fome, desejo, vertigem, transformação. Não tem fundo, forma definida ou manual de instruções. Agora, o que o amor não é? Aquela coisa colorida onde tudo se encaixa. O nome disso é Lego!
Diferentemente de muitos comentários que criticam a narração, acho que a leveza e a sutileza desta, leia-se o contraste entre essa voz aparentemente segura e aquilo que permanece irresolvido nos personagens, dão grande espaço para toda a subjetividade que se esconde nas entrelinhas. Alguns diálogos, inteligentíssimos e pontuais, funcionam como sorrateiras críticas ao choque de culturas apresentado pelo filme: de um lado, a liberalidade e a sofisticação intelectual e artística atribuídas ao velho continente, defendidas, através de suas atitudes, por Juan e María; do outro, o pragmatismo, o conservadorismo e a busca por segurança estadunidenses representados por Vicky e Doug. Mas o curioso é que o próprio filme parece desconfiar dessa oposição fácil. A liberdade de Juan e María não os torna mais felizes ou emocionalmente resolvidos. Ao contrário, também os condena a ciúmes, instabilidade e sofrimento. Talvez a crítica esteja menos em escolher um lado do que em expor os limites de qualquer modelo de vida que pretenda transformar desejo em fórmula.
No fundo, o filme está cheio de personagens incapazes de compreender completamente a si mesmos. Parece que cada indivíduo carrega em si algum tipo de ausência, não encontrando no outro uma peça que os complete, mas uma possibilidade de si mesmos que não conseguiam acessar sozinhos. Vicky descobre desejos que sua vida planejada não contemplava; Cristina continua procurando porque ainda não encontrou aquilo que deseja, embora saiba muito bem o que não quer; Juan e María, apesar de toda a aparente liberdade, também permanecem presos às próprias contradições. Por fim, creio que todos queiram encontrar uma narrativa coerente para suas vidas, mas o filme insiste em mostrar que as pessoas são muito menos coerentes do que as histórias que contam sobre si mesmas.
E Barcelona não poderia ser apenas o cenário disso tudo. O próprio título parece colocá-la como um terceiro vértice dessa equação. A cidade é apresentada quase como uma personagem: exuberante, sensual, artística, pulsante. Não tem desejos próprios, obviamente, mas possui uma presença, uma personalidade visual e uma capacidade de transformar quem entra em seu espaço. Seus pontos turísticos, a arquitetura de Gaudí e Miró, as ruas, restaurantes, galerias, praias e paisagens não funcionam somente como cartões-postais, mas ajudam a construir uma atmosfera em que os personagens parecem temporariamente suspensos de suas vidas habituais. Dessa maneira, vejo Barcelona como uma espécie de parêntese existencial, um espaço de possibilidades onde Vicky e Cristina podem experimentar versões de si mesmas que talvez não encontrassem em casa. É significativo, portanto, que o retorno delas para Nova York encerre esse parêntese: Vicky volta para a vida que havia planejado, Cristina continua procurando. Barcelona fica para trás, mas aquilo que aconteceu nela não.
06.08.2009
Bom entretenimento, e para por aí.
Eu lutaria uma guerra pela Penélope Cruz. Duas, talvez.
Bem legalzinho