A frontalidade como profissão de fé: o cineasta argentino Perel estaciona seu carro frente à porta de edifícios que serviram de sede para indústrias ou empresas argentinas e, sobre um plano fixo, lê detalhadamente um relatório de 2015 do governo que elenca as maneiras como cada empresa sacrificou seus empregados politicamente ativos em prol da ditadura local. Sua voz projeta um passado sujo que permitiu a manutenção de um Estado autocrático pela conivência (e participação ativa) da elite econômica local. Revelador e doloroso, urgente e atemporal, o filme é devastador ao recordar nossa história latina partilhada.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Uma denúncia à repressão e brutalidade perpetrada pela ditadura militar na Argentina. Estacionados como observadores onipresentes, nos é revelado os crimes cometidos naquele período e os locais onde cada um daqueles crimes se deu. Fábricas que ainda hoje funcionam e que escondem um passado sombrio. Não gosto do formato e acho pouco eficiente apesar de impor um peso maior ao relato. Vale muito mais pelo lado histórico e informativo do que como exercício narrativo, que não me apetece muito.
Em homenagem às vítimas. 19/11/21.