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Duração
Bola sempre foi conhecido por sua risada peculiar, e seu amigo, César, frequentemente a compartilhava nas redes sociais. Quando um trauma causado pela pandemia faz com que Bola perca a capacidade de rir, cabe a César fazê-lo rir novamente.
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A despeito da alegação de despretensão (ouvi diversos comentários acerca do tom corriqueiro desta obra), para mim, ele soou quase como uma versão nortista de um suspense hitchcockiano, em que, ao invés do "crime perfeito", temos a torcida pela recuperação de uma risada, ameaçado várias vezes, mas ainda não concretizado, até que o filme acaba. Tive o privilégio de conferir uma obra prévia do realizador, antes de conferir este trabalho mais recente e tive a honra de conversar brevemente consigo em Tiradentes. E fui bastante tocado por este filme, seja pelas questões concernentes ao "teto de vidro" (sim, sou quase da mesma idade que a Pitty, de modo que posso afirmar que cresci com ela também), seja pela ótima reflexão sobre os "cancelamentos" de Twitter. Os personagens reais são simpáticos e tridimensionais, repletos de virtudes e defeitos, humanos e cativantes. Apreciei particularmente o modo como inúmeros debates ocorrem em meio aos diálogos entre amigos, como a contundente (ainda que breve) menção à apropriação cultural 'pop' evangélica, a partir da tragicômica aparição do Deadpool que entrega panfletos da Igreja Universal. Fiquei muito tempo após a sessão pensando em tudo o que o filme me causou. Só não é mais incisivo porque os trechos que mostram os exercícios teatrais dos atores reais "aliviam" a tensão provocada pelo problema inicial, atrelado ao que está contido no título. Gostei muitíssimo, em âmbito sumamente pessoal. Uau! (WPC>)