Sem-no-Rikyu, aclamado mestre da cerimônia do chá, no séc. XVI, redefiniu esta arte ritualística permitindo que o preparo das bebidas passasse a ocorrer na presença dos visitantes. O filme, centrado na biografia deste personagem histórico, acompanha o período de transição do Japão feudal, com a invasão cultural e comercial dos europeus e os primeiros conflitos trazidos pelo cristianismo. O preparo de chá, nesse cenário, torna-se um importante instrumento político, presente em diversas negociações militares dos senhores feudais.
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caraca, que filme maravilhótimo!! 17 anos sem lançar longas, Teshigahara vem com essa pedrada mítica sobre a tradição do Quinhentos japonês. É verdade o que disse o Daniel, é um filme político. É lindo demais ver como toda a delicadeza filmada reúne ética e estética, e a gente acompanha, pelo chá, uma série de desdobramentos políticos, envolvendo a presença de portugueses (se pensarmos nas Navegações lusitanas como "um" início do que chamamos de "modernidade") e um plano de invasão a China e Coreia, veementemente criticada pelo mestre do chá e cabeça do filme, Rikyu (tradição). Dai cê já vê o embate delicioso tradição x modernidade que o filme centraliza. Agora, achei muito phoda as cenas em que
um membro do concelho de Hideyoshi (que usurpou o poder) começa a tossir, tossir, e passa a tossir sangue, o que sugere a contaminação de pestes devido ao contato com o comércio europeu (a cena dos padres católicos diante do ouro que Hideyoshi os mostra é emblemática!!). O sangue também me fez pensar em ser um prenúncio imagético do sangue derramado na guerra que viria e que Rikyu tanto tentou evitar...pode ser... Vi por ai em alguns sites americanos que esse filme de Teshigahara é uma adaptação, e que também há outro filme por ai, também japonês, sobre o homem histórico Rikyu, mas não aprofundei a pesquisa. Outra cena que me marcou muito foi a do picaresco Hideyoshi brincando com um Globo que ele adquiriu com os comerciantes europeus.... linda cena!!! inevitável não lembrar do Chaplin!! Incrível essas cenas que sintetizam, pelo humor, a visão de mundo que esses ditadores têm, de ver o mundo como miniatura, que você... brincar... genial.
Rikyu é um ótimo filme do Hiroshi Teshigahara.
Que os japoneses tradicionais faziam uma cerimônia de tudo, eu já sabia. Mas não imaginava que a tradição do chá era levada tão a sério, como uma arte nobre, como a técnica do domínio da espada, enfim, como algo extremamente importante. Teshigahara consegue transpor bem a seriedade dessa tradição, aliás, vai além disso, Rikyu é um filme extremamente político.
Esse filme foi a indicação japonesa para a Academia naquele ano, mas não foi indicado ao Oscar. Trabalho também digno de elogios do Rentaro Mikuni, aliás, todo o elenco atua bem, sem restrições. Pena que é tão desconhecido, apesar do prestígio de outras obras do mesmo diretor.