Vencedora do Oscar pelo documentário "Citizenfour" - sobre outra figura polêmica contemporânea, Edward Snowden -, Laura Poitras aprecia a liberdade de informação a ponto de arriscar o pescoço e se tornar persona non grata em seu país. Eu a admiro muito por isso, não somente em defender aquilo em que acredita, mas também por expressá-lo através de sua arte. E este documentário mantém a mesma abordagem intimista e intrusiva na vida de seus entrevistados, com diferenças causadas muito mais por suas personalidades distintas.
Enquanto Edward Snowden é trágico por natureza e vítima de sua própria integridade, Julian Assange é um rebelde, talvez até um ciberterrorista com uma agenda pro-nações de transparência, lançando luz nos segredos que os Estados escondem de seus governados. Ainda mais paranoico do que Snowden, Assange age até como um espião, disfarçando seus passos, ofuscando sua agenda (vide a participação na eleição de Donald Trump, quando o WikiLeaks divulgou os e-mails comprometedores de Hillary Swank); ele é tão imprevisível, inconstante e dado a compartimentalização que a própria diretora confessa, em narração in off, as dificuldades do documentário, cujas filmagens duraram cerca de 6 anos (desde 2010 até a eleição norte-americana).
O grande barato do documentário, afora acompanhar a trajetória que resultou no asilo político de Assange, está em ver como o biografado é incapaz de honrar o próprio princípio norteador do WikiLeaks (a transparência), permanecendo esquivo, talvez porque se julgue menos importante do que de fato é (como confessa a Lady Gaga) ou, do contrário, por acreditar ser um Deus (algo que também revela). Pode-se até questionar a ética da diretora (o envolvimento romântico com um biografado, Jacob Appelbaum, a cumplicidade com um procurado internacional etc), mas não seu talento em capturar, como pode, um sujeito tão enigmático e fascinante.
Para críticas e sugestões de filmes e séries, visite o @cinemacomcritica (instagram). Acesse: www.goo.gl/YpQdyV ;)
Este filme é muito bom, sem duvida deve ser assistido, estamos falando de quase uma década de grandes mudanças nas comunicações e a sofisticação da coleta de dados pelos orgãos governamentais. É também um retrato mais próximo do que ocorreu com Assange.
Quer um retrato íntimo da polêmica figura que balançou as estruturas dos EUA e mundo? Laura Poitres, q acompanhou-o de perto, lhe dá neste interessante doc, surgido a partir do ressentimento da diretora com Assange. Dito isto, não espere sensacionalismos baratos de intriga. Ao contrário, ao nos aproximar da emblemática figura, dar ao seres comuns (nós - rs) uma noção do funcionamento das orquestras de poderes. Embora os caprichos e polêmicas que envolvem Assange, acho-o, junto ao Snowden, dois caras necessários para desnudar a lambança, corrupção, falcatruas, crimes e controles de poder aos quais os EUA cometem no mundo para manter-se no poder. Sou grato.
O documentário é interessante, mas achei inconclusivo. Na verdade, a conclusão que tirei é que o acesso à informação vem com custos, como no caso da Hillary que nos Estados Unidos teve sua candidatura prejudicada por causa de e-mails vazados ou do Trump que agora começa a declinar por causa de whistle-blowers dentro da casa branca revelando seus contatos com a Rússia.
Vencedora do Oscar pelo documentário "Citizenfour" - sobre outra figura polêmica contemporânea, Edward Snowden -, Laura Poitras aprecia a liberdade de informação a ponto de arriscar o pescoço e se tornar persona non grata em seu país. Eu a admiro muito por isso, não somente em defender aquilo em que acredita, mas também por expressá-lo através de sua arte. E este documentário mantém a mesma abordagem intimista e intrusiva na vida de seus entrevistados, com diferenças causadas muito mais por suas personalidades distintas.
Enquanto Edward Snowden é trágico por natureza e vítima de sua própria integridade, Julian Assange é um rebelde, talvez até um ciberterrorista com uma agenda pro-nações de transparência, lançando luz nos segredos que os Estados escondem de seus governados. Ainda mais paranoico do que Snowden, Assange age até como um espião, disfarçando seus passos, ofuscando sua agenda (vide a participação na eleição de Donald Trump, quando o WikiLeaks divulgou os e-mails comprometedores de Hillary Swank); ele é tão imprevisível, inconstante e dado a compartimentalização que a própria diretora confessa, em narração in off, as dificuldades do documentário, cujas filmagens duraram cerca de 6 anos (desde 2010 até a eleição norte-americana).
O grande barato do documentário, afora acompanhar a trajetória que resultou no asilo político de Assange, está em ver como o biografado é incapaz de honrar o próprio princípio norteador do WikiLeaks (a transparência), permanecendo esquivo, talvez porque se julgue menos importante do que de fato é (como confessa a Lady Gaga) ou, do contrário, por acreditar ser um Deus (algo que também revela). Pode-se até questionar a ética da diretora (o envolvimento romântico com um biografado, Jacob Appelbaum, a cumplicidade com um procurado internacional etc), mas não seu talento em capturar, como pode, um sujeito tão enigmático e fascinante.
Para críticas e sugestões de filmes e séries, visite o @cinemacomcritica (instagram). Acesse: www.goo.gl/YpQdyV ;)
Este filme é muito bom, sem duvida deve ser assistido, estamos falando de quase uma década de grandes mudanças nas comunicações e a sofisticação da coleta de dados pelos orgãos governamentais. É também um retrato mais próximo do que ocorreu com Assange.
Quer um retrato íntimo da polêmica figura que balançou as estruturas dos EUA e mundo? Laura Poitres, q acompanhou-o de perto, lhe dá neste interessante doc, surgido a partir do ressentimento da diretora com Assange. Dito isto, não espere sensacionalismos baratos de intriga. Ao contrário, ao nos aproximar da emblemática figura, dar ao seres comuns (nós - rs) uma noção do funcionamento das orquestras de poderes. Embora os caprichos e polêmicas que envolvem Assange, acho-o, junto ao Snowden, dois caras necessários para desnudar a lambança, corrupção, falcatruas, crimes e controles de poder aos quais os EUA cometem no mundo para manter-se no poder. Sou grato.
O documentário é interessante, mas achei inconclusivo. Na verdade, a conclusão que tirei é que o acesso à informação vem com custos, como no caso da Hillary que nos Estados Unidos teve sua candidatura prejudicada por causa de e-mails vazados ou do Trump que agora começa a declinar por causa de whistle-blowers dentro da casa branca revelando seus contatos com a Rússia.