Aqueles que desfrutaram plenamente de seus corpos não podem ser submissos. E aqueles que nunca tiveram? Eles podem sobreviver à escravidão da solidão e à aceitação impotente do que não podem mudar ou abraçar? Esta é a história todos os dias de duas mulheres cuidando de seu parente doente.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Em meio à Mostra de Cinema Egípcio Contemporâneo com títulos tão irregulares e surpreendentemente definidos em suas convenções de gênero, uma obra-prima dramática como esta impressiona não apenas por suas qualidades intrínsecas (relacionadas ao modo adulto com que a diretora adota estratagemas neo-neo-realista) como também por sua pujança poética desoladora num cotidiano em transformação... Fiquei arrasado desde a abertura, que estende ao máximo os trabalhos cotidianos. A fotografia é quase bicromática, visto que as mulheres praticamente desaparecem no cenário de extremo confinamento patologizante. Interpretações supremas e um posicionamento cada vez mais centrípeto por parte dos enquadramentos. Até que uma das personagens decide sair de casa. E, após muita luta e (auto)sabotagem, o que parecia uma versão de AS FILHAS DE MARVIN realizada pelo Tsai Ming-Liang converte-se numa versão egípcia das peregrinações reflexivas do Jafar Panahi. Eu e minha mãe ficamos apavorados nas situações opressivas que se passam em veículos públicos de transporte. E, aquele desfecho, Deus meu. Alá é grande! (WPC>)