No final de sua carreira, o lendário diretor Orson Welles já não era mais o queridinho de Hollywood que fez sucesso com "Cidadão Kane". Um artista em processo de envelhecimento e aparentemente sem sorte, ele passou seis anos batalhando para tentar concluir "The Other Side of the Wind", o filme que ele acreditava que seria seu grande retorno. Com sua morte em 1985, o projeto acabou, permanecendo em um cofre sem ser terminado por quatro décadas. Imagens inéditas de Welles se unem a entrevistas com o elenco e a equipe do filme para contar a história do fim de sua carreira.
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Não consegui assistir o outro lado do vento pois muito caótico. Mas esse doc aqui é excelente
O documentário da Netflix, de 2018, é um estudo sobre a dificuldade dos cineastas em produzirem seus filmes, os atritos nos bastidores, o confronto com estúdios etc. O filme segue os últimos 15 anos da carreira de um dos maiores nomes do cinema, o diretor, roteirista, ator e produtor Orson Welles, quando tentou realizar seu último grande filme incentivado pelos amigos. Ele estava doente, fora de forma, já sem vigor, mas foi adiante com o projeto de “O outro lado do vento”, rodado entre 1970 e 1976, e que tentou conclui-lo anos depois, sem sucesso. Ele morreu em 1985 sem ver o filme pronto. Somente em 2018 “O outro lado do vento” foi lançado (pela Netflix e disponível lá), a partir de um financiamento coletivo dos diretores Wes Anderson e Noah Baumbach, que assinam como produtores. Infelizmente o filme é muito ruim. Desengonçado, longo, feito às pressas, mal editado; percebe-se um Welles perdido, sem interesse, numa obra autobiográfica frágil, e para mim, um desastre decepcionante vindo dele. Os problemas técnicos estão evidentes: fora de foco, com iluminação estourada e planos e enquadramentos distorcidos. Uma pena, pois se esperava muito de sua obra derradeira. O roteiro do filme se confunde com a vida real, há ali um tom autobiográfico: trata de um diretor de cinema, velho e cansado, que procura concluir sua última produção com auxílio de amigos e deixar um legado na história.
O doc acompanha todos esses bastidores de “O outro lado do vento”, cujo elenco foi escalado por Welles a partir de colegas próximos do cinema, que aparecem em pontas diversas, como Peter Bogdanovich, Henry Jaglom, Susan Strasberg, Oja Kodar (na época esposa de Welles e produtora também), e os veteranos John Huston, Cameron Mitchell, Edmond O´Brien e a oscarizada Mercedes McCambridge. O doc resume bem o que foi essa produção que se tornou o maior tormento do cineasta criador de “Cidadão Kane”.
Assina a direção Morgan Neville, que em 2014 ganhou o Oscar pelo documentário “A um passo do estrelado” (2013), sobre cantores de apoio e seus trabalhos no completo anonimato.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Te amo orson welles
Bom documentário sobre o filme inacabado de Orson Welles. Embora por vezes repetitivo, conta tanto sobre os bastidores quanto sobre o diretor e os acontecimentos pessoais, locais e mundiais que influenciavam tudo. Bem bacana. O doc acabou sendo bem melhor e bem mais inteligível que a tentativa recente de finalizarem o longa via Netflix.
Documentário sobre os bastidores conturbados de "O Outro Lado do Vento", o último projeto de Orson Welles que restou inacabado (mas que acabou sendo, enfim, montado e lançado mais de quarenta anos depois da interrupção das filmagens). Ironicamente, o documentário consegue não só ser melhor que o filme sobre o qual está falando, como também consegue cumprir todos os deveres deste com mais eficiência (qual seja, servir como um retrato de um diretor decepcionado com a indústria, suas dores, suas frustrações, e seus anseios mais profundos... se Orson Welles pretendia que "O Outro Lado do Vento" acabasse sendo o seu "8½", a verdade é que "Serei Amado Quando Morrer" desempenha bem melhor esse papel, apesar de não ser, óbvio, dirigido por ele). As associações de metalinguagem do drama ficam mais compreensíveis após assistir o documentário (como o abandono do protagonista do filme dentro do filme) e as próprias intenções de Orson Welles ficam mais claras (qual seja, a intenção artística de ir 'criando' o roteiro a medida que o filme avançaria... algo meio que na linha do cinema do 'Antonioni'). O documentário merece elogios pela sua edição inteligente e sarcástica, que comenta bem-humorada através de imagens de arquivo o que é apresentado pela narração e pelas entrevistas (e que acaba remetendo, também, a brilhante montagem do "Verdades e Mentiras", o último filme realmente finalizado pelo Orson Welles). Mas não deixa de trazer também um lamentável gosto agridoce ao mostrar esse Mestre em seus últimos anos de vida, amargurado, pobre, esquecido, ridicularizado, e, o pior de tudo, traído pelos produtores da mesma arte que um dia ele tanto amou.