As pessoas são muito amargas e seletivas em relação à recepção desse filme. Dão uma nota muito baixa e, por mais que seja clichê dizer isso, a fama seria outra se fossem dois homens tirando um fim de semana de folga, e se não fosse uma mulher dirigindo. Hoje seria mais aceito, mas, naquela época, não era.
Os relacionamentos são cíclicos, mas não são fechados em si. Entre o começo e o fim, existem inúmeras paradas para reajustes no meio e variações de posições e condições. Saber que o sentido de uma relação não é calculável, não tem precisão matemática, ajuda a amenizar muita frustração, e te faz entender (e aceitar) incongruências espalhadas por aí como clichês. Afinal, querer ficar sozinho não é o único fator que irá afastar ou aproximar pessoas de você. É tudo sobre o quanto você se convence disso. Na área amorosa, um achismo, uma tentação, só vira afirmação se você confia na sua intuição e age com base nela. Pensar muito vai nos levando a rótulos ("estou só", "sou só", "estou com alguém", "estou ficando com alguém"), que às vezes querem dizer a mesma coisa. Dentro dessa lógica infinita, a personalidade vai e vem, se dissolve entre as ambições, entre as fases. O legal dessas comédias é que tem muita nuance em jogo: o cara mais aparentemente imaturo é sempre o que mais aprende (e surpreende).
Tudo isso para dizer que "Sexo Casual?", comédia americana dirigida e protagonizada por mulheres disponível na Netflix (uma surpresa e tanto para o horário das 2h da manhã) repete tudo isso que eu falei, mas de forma mais simples, didática e criativa, sendo, inclusive, responsável socialmente em relação à disseminação de doenças sexualmente transmissíveis (o filme foi lançado na época da AIDS). Além de divertido, é consciente.
P.S.: Bruna, esse texto é para você, pela dica de filme para você ver e pela conversa que tivemos ontem.
P.S. 2: Andrew Dice Clay é o brutamontes que todos queriam ter ao lado. Sua personagem pode não ser muito esperta, mas é sensível e esforçada em mudar. Me lembra o Nicolas Cage nos filmes românticos.
26.08.1992
Não é um filme memorável, mas torna-se interessante por trazer a ótica feminina tanto nas personagens, quanto na direção, sobre o sexo nos anos 80.
As pessoas são muito amargas e seletivas em relação à recepção desse filme. Dão uma nota muito baixa e, por mais que seja clichê dizer isso, a fama seria outra se fossem dois homens tirando um fim de semana de folga, e se não fosse uma mulher dirigindo. Hoje seria mais aceito, mas, naquela época, não era.
Os relacionamentos são cíclicos, mas não são fechados em si. Entre o começo e o fim, existem inúmeras paradas para reajustes no meio e variações de posições e condições. Saber que o sentido de uma relação não é calculável, não tem precisão matemática, ajuda a amenizar muita frustração, e te faz entender (e aceitar) incongruências espalhadas por aí como clichês. Afinal, querer ficar sozinho não é o único fator que irá afastar ou aproximar pessoas de você. É tudo sobre o quanto você se convence disso. Na área amorosa, um achismo, uma tentação, só vira afirmação se você confia na sua intuição e age com base nela. Pensar muito vai nos levando a rótulos ("estou só", "sou só", "estou com alguém", "estou ficando com alguém"), que às vezes querem dizer a mesma coisa. Dentro dessa lógica infinita, a personalidade vai e vem, se dissolve entre as ambições, entre as fases. O legal dessas comédias é que tem muita nuance em jogo: o cara mais aparentemente imaturo é sempre o que mais aprende (e surpreende).
Tudo isso para dizer que "Sexo Casual?", comédia americana dirigida e protagonizada por mulheres disponível na Netflix (uma surpresa e tanto para o horário das 2h da manhã) repete tudo isso que eu falei, mas de forma mais simples, didática e criativa, sendo, inclusive, responsável socialmente em relação à disseminação de doenças sexualmente transmissíveis (o filme foi lançado na época da AIDS). Além de divertido, é consciente.
P.S.: Bruna, esse texto é para você, pela dica de filme para você ver e pela conversa que tivemos ontem.
P.S. 2: Andrew Dice Clay é o brutamontes que todos queriam ter ao lado. Sua personagem pode não ser muito esperta, mas é sensível e esforçada em mudar. Me lembra o Nicolas Cage nos filmes românticos.
Assisti ontem na Netflix, passatempo anos 80 mesmo....
Mas é o que dizem: De onde menos se espera é que sai surpresas...rs
Filme antigo leve, despretensioso e gostosinho de assistir