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Data de lançamento
24 Junho 2022Duração
Em uma comunidade remota do Ártico, um grupo de garotas Inuit luta contra uma invasão alienígena, enquanto tenta chegar à festa mais legal da cidade.
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Dizem que o frio conserva — mas nem o gelo ártico conseguiu manter fresco esse mashup gelado entre Stranger Things e filme de festival que quer muito ser “representativo”. Slash/Back parte de uma ideia rara e promissora: adolescentes inuits enfrentando uma invasão alienígena numa vila remota canadense. O tipo de sinopse que dá vontade de ver — porque é algo que a gente nunca viu. E, vamos admitir, a ideia de garotas indígenas virando heroínas contra criaturas cósmicas tem todo um charme selvagem. Mas o filme tropeça já no primeiro passo: ele quer ser diferente, mas se comporta como qualquer outro produto genérico, formatado para o algoritmo.
Em vez de capturar a força cultural e simbólica dessa juventude, ele se contenta em reproduzir um modelo americano pasteurizado: garotas que passam mais tempo se alfinetando do que enfrentando qualquer ameaça, diálogos mecânicos, humor forçado e um desfile de celulares e crises de ego. É como se a cultura inuit fosse só um figurino — e ainda por cima mal vestido. A protagonista rejeita o pai, rejeita a tradição, rejeita tudo que o filme finge que quer valorizar. Mas claro, no fim, vem o “abraço às raízes” — sem nunca ter plantado nada antes. Tudo soa ensaiado, inclusive as atuações congeladas: as meninas não passam emoção, especialmente, quando estão lutando por suas vidas.
O visual até tenta — a criatura remete a The Thing versão teen, com tentáculos estalando de dentro de rostos humanos, deformações físicas criativas, um certo uso inteligente do low budget. Mas tensão mesmo? Zero. A coisa toda se arrasta entre uma piscadela no espelho e uma foto para o Instagram. E olha que nem é um filme feio: a ambientação da vila de pescadores poderia render atmosferas melhores, se o roteiro e a direção soubessem o que fazer com o cenário. Mas parece que a neve era só pano de fundo pro drama juvenil mais clichê possível.
Talvez Slash/Back funcionasse melhor se se passasse décadas antes, num tempo menos saturado de telas e gírias digitais, onde essas personagens pudessem existir sem a chatice habitual de parecer descolado. Ou talvez se fosse escrito com menos pressa e mais empatia — por elas, por sua cultura, por nós. Do jeito que está, o filme é apenas uma cápsula fria de potencial desperdiçado. Não é trash o suficiente pra divertir, nem profundo o suficiente pra comover. É só mais um produto que chegou até nós por vias tortas e, infelizmente, bateu na atmosfera da expectativa e caiu de cara no gelo.
Um grupo de garotas + altas confusões + alienigenas "perigosos" e uma protagonista com vergonha de ser indígena.
100% Sessão da Tarde, com zero desenvolvimento/aprofundamento de personagens, trama e temas levantados. E tudo feito de maneira leve e divertida.
E isso não é uma critica, o filme é feito para o público jovem.
Ponto positivo por usarem adolescentes de verdade ao invés de adultos de 30 anos fingindo ter 16. Continuam sendo aborrescentes, mas a chatice soa mais natural e incomoda menos.
Passa o tempo, mesmo não contendo um dos melhores finais.
Acho que é importante para a sociedade (por ter o lance de ser um filme de garotas "fortes"), mas não encare como um lacrador, ele não perde tempo com isso.