Existe algo de deliciosamente errado em Snatchers — criaturas feitas de horrores adolescentes, clichês pop e uma pitada generosa de gore escrachado. O filme não se dá ao trabalho de esconder que é um trash film, mas também não se contenta em ser só mais um ruído de sangue e cabeças voando. Ele sabe exatamente onde pisa: no território incômodo da gravidez adolescente, aquela mistura pegajosa de pânico, culpa e amizade que se desintegra e se recompõe com a mesma velocidade com que, aqui, um alien sai do útero para arrancar a cabeça do ginecologista.
Não existe gravidez mais rápida que a de Sarah: uma noite de sexo sem camisinha, um dia depois e pronto — barrigão de nove meses, um monstro pronto pra carnificina. E esse é justamente o charme: Snatchers nem tenta fazer sentido. Por isso mesmo, faz todo sentido. Começa com aquele clichê escolar que dá preguiça: a menina popular cercada de amigas tão rasas quanto uma poça d’água, a ex-amiga nerd, uma tensão passivo-agressiva mal disfarçada sobre quem cresceu, quem ficou pra trás, quem tem o maior peito agora. Por alguns minutos, parece que vai ser só mais um desses desfiles previsíveis. E então, felizmente, a decapitação acontece cedo.
É nesse momento que o filme se assume: joga fora o dramalhão colegial e mergulha de cabeça no trash escancarado, no gore cômico, no monstro esguio que salta de crânio em crânio, espalhando sua metáfora mal disfarçada sobre sexo e consequências com a mesma velocidade com que espalha tripas pelo cenário. O namorado? Um idiota, possuído mais pelos próprios hormônios do que pelo alien, graças a uma escultura maia que ejaculou feromônio na cara dele durante uma viagem escolar. Snatchers floresce nesse espaço ambíguo entre o humor de sitcom adolescente e o horror grotesco — e entrega uma ótima metáfora sobre gravidez. Afinal, o que é a gravidez senão um parasita crescendo dentro de você? O filme abraça essa ideia até o fim, não com delicadeza, mas com armas de choque, cenas de desmembramento e aquele momento glorioso em que as garotas testam polegares decepados pra abrir uma porta na delegacia, enquanto o monstro transforma a força policial em carne moída.
É criativo? Muito. Sofisticado? Nem um pouco. Mas quem precisa de sofisticação quando pode ter uma luta final numa festa adolescente, com monstros tentando copular, enquanto a dupla de ex-amigas — agora unidas — tenta impedir o apocalipse reprodutivo? Mesmo tropeçando em clichês, o filme se sustenta pela personalidade e pelo carisma das duas protagonistas, que transformam a jornada de “inimigas a aliadas” numa sequência afiada de piadas ácidas, improvisos táticos e cenas que só poderiam existir num filme onde o segundo parto é induzido com um remédio veterinário e muita força de vontade.
No fim das contas, Snatchers é como aquele monstro que salta da cabeça de uma vítima pra outra: rápido, grotesco e impossível de capturar sem sujar as mãos. Ele termina do mesmo jeito que começa — num banho de sangue e sarcasmo — e, quando a última cena escurece, fica a sensação incômoda (e deliciosa) de que, talvez, esse tenha sido o parto mais divertido que o cinema já mostrou.
Gravidez na adolescência sempre é traumática, principalmente se da noite para o dia a barriga cresce ao tamanho de 9 meses. ... Snatchers conta a história de uma adolescente que ao transar pela primeira vez fica grávida de uma mistura de Alien com Invasores de Corpos e precisa se livrar do parasita. ... A história foca na noite em que Sara tenta descobrir o que está gestando enquanto foge da primeira criatura que saiu da sua barriga e vem dominando e matando pessoas. ... Comédia bizarra com cenário adolescente que une o Gore com animatrônicos que dão todo um charme trash. Os poucos momentos de efeitos especiais não atrapalham, pois quando eles chegam já abraçamos o caos. ... Perceptível também as influências de diretores como Edgar Wright e Sam Raimi, como o ritmo de cenas imposto pelos cortes rápidos e as explosões de sangue a todo momento. ... Como curiosidade, o filme foi baseado num curta metragem que virou websérie em 25 microepisódios e depois foram reunidos e com algumas cenas novas virou o filme que conquistou alguns festivais alternativos como o SXSW de 2019.
Existe algo de deliciosamente errado em Snatchers — criaturas feitas de horrores adolescentes, clichês pop e uma pitada generosa de gore escrachado. O filme não se dá ao trabalho de esconder que é um trash film, mas também não se contenta em ser só mais um ruído de sangue e cabeças voando. Ele sabe exatamente onde pisa: no território incômodo da gravidez adolescente, aquela mistura pegajosa de pânico, culpa e amizade que se desintegra e se recompõe com a mesma velocidade com que, aqui, um alien sai do útero para arrancar a cabeça do ginecologista.
Não existe gravidez mais rápida que a de Sarah: uma noite de sexo sem camisinha, um dia depois e pronto — barrigão de nove meses, um monstro pronto pra carnificina. E esse é justamente o charme: Snatchers nem tenta fazer sentido. Por isso mesmo, faz todo sentido. Começa com aquele clichê escolar que dá preguiça: a menina popular cercada de amigas tão rasas quanto uma poça d’água, a ex-amiga nerd, uma tensão passivo-agressiva mal disfarçada sobre quem cresceu, quem ficou pra trás, quem tem o maior peito agora. Por alguns minutos, parece que vai ser só mais um desses desfiles previsíveis. E então, felizmente, a decapitação acontece cedo.
É nesse momento que o filme se assume: joga fora o dramalhão colegial e mergulha de cabeça no trash escancarado, no gore cômico, no monstro esguio que salta de crânio em crânio, espalhando sua metáfora mal disfarçada sobre sexo e consequências com a mesma velocidade com que espalha tripas pelo cenário. O namorado? Um idiota, possuído mais pelos próprios hormônios do que pelo alien, graças a uma escultura maia que ejaculou feromônio na cara dele durante uma viagem escolar. Snatchers floresce nesse espaço ambíguo entre o humor de sitcom adolescente e o horror grotesco — e entrega uma ótima metáfora sobre gravidez. Afinal, o que é a gravidez senão um parasita crescendo dentro de você? O filme abraça essa ideia até o fim, não com delicadeza, mas com armas de choque, cenas de desmembramento e aquele momento glorioso em que as garotas testam polegares decepados pra abrir uma porta na delegacia, enquanto o monstro transforma a força policial em carne moída.
É criativo? Muito. Sofisticado? Nem um pouco. Mas quem precisa de sofisticação quando pode ter uma luta final numa festa adolescente, com monstros tentando copular, enquanto a dupla de ex-amigas — agora unidas — tenta impedir o apocalipse reprodutivo? Mesmo tropeçando em clichês, o filme se sustenta pela personalidade e pelo carisma das duas protagonistas, que transformam a jornada de “inimigas a aliadas” numa sequência afiada de piadas ácidas, improvisos táticos e cenas que só poderiam existir num filme onde o segundo parto é induzido com um remédio veterinário e muita força de vontade.
No fim das contas, Snatchers é como aquele monstro que salta da cabeça de uma vítima pra outra: rápido, grotesco e impossível de capturar sem sujar as mãos. Ele termina do mesmo jeito que começa — num banho de sangue e sarcasmo — e, quando a última cena escurece, fica a sensação incômoda (e deliciosa) de que, talvez, esse tenha sido o parto mais divertido que o cinema já mostrou.
Rapaz...
Achei muito engraçado hauahuhah adorei
Filme engraçadinho da pra rir
Gravidez na adolescência sempre é traumática, principalmente se da noite para o dia a barriga cresce ao tamanho de 9 meses.
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Snatchers conta a história de uma adolescente que ao transar pela primeira vez fica grávida de uma mistura de Alien com Invasores de Corpos e precisa se livrar do parasita.
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A história foca na noite em que Sara tenta descobrir o que está gestando enquanto foge da primeira criatura que saiu da sua barriga e vem dominando e matando pessoas.
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Comédia bizarra com cenário adolescente que une o Gore com animatrônicos que dão todo um charme trash. Os poucos momentos de efeitos especiais não atrapalham, pois quando eles chegam já abraçamos o caos.
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Perceptível também as influências de diretores como Edgar Wright e Sam Raimi, como o ritmo de cenas imposto pelos cortes rápidos e as explosões de sangue a todo momento.
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Como curiosidade, o filme foi baseado num curta metragem que virou websérie em 25 microepisódios e depois foram reunidos e com algumas cenas novas virou o filme que conquistou alguns festivais alternativos como o SXSW de 2019.