Dirigido por
Duração
Lena está grávida de sete meses e está pronta para vender o bebê. Ermanno concorda em fingir ser o pai. Fabio, o tio de Ermanno, vai pagá-los para comprar a criança que ele e sua esposa Bianca não podem ter. Uma falsa adoção entre parentes, uma brecha para burlar a lei. Um mundo em que o dinheiro é o único padrão de valor, a única coisa que importa. Ermanno e Lena são dois estranhos que devem fingir em público ser um casal e viver juntos até a entrega. Mas vivendo lado a lado, eles começam a se tornar o que apenas fingiam ser.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Filme com desenvolvimento melancólico, personagens realistas, atores bem equilibrados.
O longa-metragem "Sole" acompanha a história de Lena, jovem polaca grávida de 7 meses e Ermanno, seu parceiro na missão de facilitar o processo de adoção de seu bebê. Este processo, todavia, não é o de uma simples adoção, e sim de um esquema que consiste em vender o bebê para o tio de Ermanno, Fábio, e sua esposa, Bianca, uma vez ambos não conseguem ter filhos. Lena e Ermanno precisam viver juntos até que o neném nasça e tenha condições de viver com a família adotiva. Neste cenário, ambos passam a compartilhar a vida e a rotina durante dois ou três meses.
Com direção do italiano Carlos Sironi, o drama nos convida a pôr em questão nosso próprio julgamento moral sobre as ações dos personagens, deixando evidente a complexidade não-verbalizada que envolve cada ato.
Ao longo do filme, temos alguns poucos vestígios da vida dos personagens. Sabemos que Lena, que sai da Polônia para Itália visando a venda de seu bebê, possui sonhos e planos. Almeja recomeçar sua vida na Alemanha com o dinheiro que receberá por abrir mão de sua filha. Já Ermanno, desde o início da obra temos notícias incontestáveis da profunda tristeza que o perpassa, bem como de seu vício por jogo. A atuação de Claudio Segaluscio é digna de uma nota a parte. Seus olhares transmitem, sem necessitar do acessório da palavra, toda melancolia que o atravessa. Sabemos, em um dos poucos diálogos mais profundos que teve com seu tio, do (provável) suicídio cometido por seu pai e da forma como se sente "feito para nada".
É um obra interessante, cujo final me apeteceu, apesar de não me ser surpreendente. Enfim, mais uma vez reitero a impecável atuação de Segaluscio, que para mim foi o ponto alto do filme.
seria melhor se a história fosse contada a partir de Lena... relativizou-se muita coisa