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Certa urgência contemporânea em articular o discurso de modos não convencionais fica evidente nas obras que, para emprestar as palavras de Gorin, não utilizam a imagem para fornecer uma ilustração do que está sendo dito, e tampouco utilizam o som como explicação para o que está sendo visto. É impossível fazer uma leitura do som e da imagem em conjunção, e o ceticismo sobre a possibilidade de encontrar alguma 'verdade' na imagem se traduz no ataque feroz ao dogma do 'ver para crer' e as ideologias da visão.
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Que belezura de filme. Dentre todos os que vi do Godard, um dos mais acessíveis e divertidos. Trata-se de um conjunto de esquetes com citações marxianas gerais e as exortações maoístas da época. Há paródias diante de músicas da fase mais revolucionária de The Beatles, há apotegmas sobre mais-valia, há 'travellings' intra-industriais que antecipam TUDO VAI BEM, há comentários sobre o potencial político do erotismo (acompanhados da focalização demorada de uma mulher nua, obviamente), há as marcas registradas da genialidade do Godard (inclusive, no que tange aos cartazes que invadem a tela, com a sua letra característica, além da montagem intencionalmente abrupta nalgumas seqüências)... Extraordinário e gozoso. Talvez não mude muita coisa, na prática, só conscientize quem já é conscientizado, mas, oh, como importa - e, em termos cinematográficos, é uma delícia! (WPC>)
Muito errado...