O primeiro terço é ótimo: estava adorando o clima orgiático daquelas festas (que sagaz a versão em 'slow motion' de "Be My Lover"!) e, ainda que houvesse um entrave pessoal quanto às condições de classe da protagonista, simpatizei com a sua indefinição relacional, com a sua solidão um tanto desengonçada...
No segundo terço do filme, ele torna-se auto-reflexivo: começamos a entender melhor quem está efetivamente ao lado da protagonista, conhecemos os seus pais. As citações escritas que antes pareceram impositivas e clicherosas (ainda que necessárias, a cargo de Virginia Woolf e Simone de Beauvoir) agora passam a tergiversar acerca das próprias categorizações adotadas pelo filme - que é dirigido por um homem, apesar de demonstrar-se apoiador e conhecedor da liberdade (sexual) feminina...
E é nesse ponto que a coisa degringola: o terceiro terço é horroroso! Não contente em expor as contradições de representação supracitadas, o diretor interpreta um estuprador e insere um grupo de cinéfilas feministas, que disparam chavões sobre o que ainda está acontecendo. O filme é julgado durante a própria sessão, de modo que a provocação torna-se amplificada, ofensiva. O desfecho é uma piada de mau gosto, em detrimento da leveza (e erotismo) do restante da obra. Mas o saldo é positivo: curti! (WPC>)
O primeiro terço é ótimo: estava adorando o clima orgiático daquelas festas (que sagaz a versão em 'slow motion' de "Be My Lover"!) e, ainda que houvesse um entrave pessoal quanto às condições de classe da protagonista, simpatizei com a sua indefinição relacional, com a sua solidão um tanto desengonçada...
No segundo terço do filme, ele torna-se auto-reflexivo: começamos a entender melhor quem está efetivamente ao lado da protagonista, conhecemos os seus pais. As citações escritas que antes pareceram impositivas e clicherosas (ainda que necessárias, a cargo de Virginia Woolf e Simone de Beauvoir) agora passam a tergiversar acerca das próprias categorizações adotadas pelo filme - que é dirigido por um homem, apesar de demonstrar-se apoiador e conhecedor da liberdade (sexual) feminina...
E é nesse ponto que a coisa degringola: o terceiro terço é horroroso! Não contente em expor as contradições de representação supracitadas, o diretor interpreta um estuprador e insere um grupo de cinéfilas feministas, que disparam chavões sobre o que ainda está acontecendo. O filme é julgado durante a própria sessão, de modo que a provocação torna-se amplificada, ofensiva. O desfecho é uma piada de mau gosto, em detrimento da leveza (e erotismo) do restante da obra. Mas o saldo é positivo: curti! (WPC>)