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Como o sushi se tornou item de uma culinária global? O que começou como um alimento simples mas elegante comercializado por vendedores de rua em Tóquio tornou-se um fenômeno mundial nos últimos 30 anos. Sushi: A Caçada Global é um documentário de longa-metragem filmado em cinco países que explora a tradição, o crescimento e o futuro dessa culinária popular. Belos pedaços de peixe cru e arroz aparecem agora de Varsóvia e Nova York a jogos de futebol em cidades do Texas. Esse crescimento pode continuar sem consequências?
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O documentário Sushi: A Caçada Global tenta ser duas coisas ao mesmo tempo: uma pesquisa internacional sobre a forma como o sushi é comercializado, preparado e consumido, e um argumento de sustentabilidade, particularmente no que diz respeito à população de atum rabilho (o mais caro, o mais difícil de obter e o mais gostoso!). Essas vertentes estão relacionadas, mas uma, no entanto, retira a outra do jogo, à semelhança entre a escolha entre o bem e o mal, ou o caminho entre o certo e o errado; ainda que por vias transversas. Há uma diferença, por exemplo, entre espreitar nos bastidores de vários restaurantes de sushi ou fabricantes de facas, e mergulhar no desequilíbrio entre o aumento da demanda dos consumidores por atum e sua oferta cada vez menor. O diretor Mark Hall é evidentemente apaixonado por essa última questão, mas ele se desentende oferecendo uma ampla visão geral, como se precisasse explicar todo o fenômeno do sushi antes de poder entrar nos problemas que ele levanta. O resultado é um excesso de esclarecimentos, da garganta para fora, antes que a verdadeira canção comece a ser ouvida. O primeiro terço é uma bagunça sem graça, uma colcha de retalhos de entrevistas secas com chefs de sushi de Tóquio a São Francisco e Austin, e vislumbra o maior mercado de peixe do mundo. Algumas informações estão abrindo os olhos, como os sete anos que um aspirante a chefe de sushi leva para finalmente chegar atrás do bar - dois dos quais são gastos aprendendo como fazer arroz corretamente! - mas os mistérios da arte do sushi não podem ser penetrados em algumas cenas rápidas. O filme melhora quando Hall muda para o tênue mercado de atum azul, que está ameaçado por uma queda de 80% na população de peixes nos últimos 20 ou 30 anos, uma vez que o consumo mundial de sushi tem metástase. Uma das melhores cena de Sushi: A Caçada Global apresenta uma discussão entre o proprietário do Tataki, um restaurante de sushi sustentável em São Francisco, Estados Unidos, que oferece alternativas ao atum, e um australiano que cultiva atum como forma de atender a demanda sem contribuir para a extinção da espécie. Os dois homens estão muito interessados em descobrir um futuro para o atum azul - que se tornou tão precioso que um único peixe custou US$ 400.000 em leilão - mas argumentam com veemência sobre a eficácia de uma proibição geral versus uma forma alternativa de dar aos consumidores o que eles querem. É a única vez que o filme rompe com seu modo de conscientização sonolenta e entra nos debates atualmente em jogo entre pescadores, conservacionistas e restauradores. Apenas fornecer informações, como uma lista de sites e aplicativos úteis nos créditos finais, não é suficiente. Veja que a assim chamada classe média chinesa está olhando para isso, e basta uma leve guinada em direção ao saboroso prato e...como resultado, o fornecimento mundial de peixe está se esgotando, especialmente o atum rabilho. Com o consumo de sushi prestes a explodir na Índia e na China, as chances de sobrevivência do atum rabilho se tornaram improváveis. Considerando que um único atum rabilho foi vendido por 1,7 milhões de dólares, você tem uma ideia do que está em jogo aqui. Não, e nem poderia haver solução no capitalismo que hoje se pratica; e parece, cada vez mais, que tanta gente no mundo, com muita fome, planejar uma forma de socorrê-las não parece ser preocupação de muita gente; ou melhor dizer, de pouquíssima gente; mas, na calada da noite ou no clarão do dia, produzir armas aí temos incentivos, de "baciada"; até porque a possível solução da fome, pasmem, na voz e no planejamento de alguns, para por uma nova guerra; onde morre tanta gente; obviamente não vamos esperar guerras ditas tradicionais... Em termos simples, a mensagem do filme não é que a pesca é ruim ou que todos nós devemos tornarmo-nos veganos, mas para pensarmos nas consequências sobre o planeta, dado o modo que até aqui estamos a utilizar; esgotar os recursos até seu desaparecimento. Pelo contrário, se nos tornarmos mais inteligentes na pesca, seremos capazes de manter os peixes no mar para que possam ser saboreados pelas gerações posteriores. O grande lance do filme é o de provocar ideias, discutir possibilidades, enquanto o delicioso atum não suma...eu, particularmente, adoro sushi...