Uma das primeiras animações abstrata da história do cinema. Eggeling, que viveu e trabalhou muitos anos em Berlim, criou aqui um paralelismo entre um filme e uma composição musical. Ele tentou criar uma linguagem universal que pudesse fazer a ligação do artista ao seu público, criando uma engenhosa, mas sobretudo complexa, teia de fotogramas que se reportam diretamente a uma pauta musical.
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o abstrato é um diabo atormentador, perturba visceralmente a ânsia humana por figuração, por rostos e por traços de familiaridade; essa geometria dançante, sinfônica e enfadonha que nunca se resolve é uma profunda cólica para os olhos que caçam identidades visuais mais concretas e significativas; um ponto positivo a ser notado: elencar uma variedade de músicas distintas para acompanhamento permite inventar mais significados e experiências devaneantes e contemplativas; até mesmo essa minha tentativa de personalização pode ser sinal do cisma da qual faço parte, do horror pelo "não-identificado" das formas e a busca ontológica de sentido e logismos; bem, ainda posso contar com o vanguardismo inaugural que eggeling pioneiramente protagoniza nesse curta experimental, assim como inventar de perceber a musicalidade dos "diagonismos"
Tenho problemas com estes filmes de abstração geométrica: padeço de TOC crônico e, quando não há concatenação entre os objetos durante a dança, a sensação é de falha espetactorial gravíssima. Foi o que aconteceu aqui. É tudo muito disperso, por mais "narrativador" que eu seja, não consegui traçar um ponto de coerência entre os elementos brancos que desfilam em fundo negro neste curta-metragem musicado a posteriori, o que prejudicou ainda mais a minha má apreciação. Detestei, infelizmente! (WPC>)
provavelmente um dos primeiros estudos da teoria dos videoclipes, sensacional!
Geometria intrínseca...