Dirigido por
Duração
Um homem busca o princípio do som. As palavras estão mortas.
Um animal desperta.
Um capitão escreve o mar e se afoga dentro do próprio diário.
O tempo muda de corpo. Uma mulher aparece.
Um julgamento acontece. Ninguém é absolvido.
Tudo termina em uma ouverture do seu sorriso.
A partir da obra de Emílio Bonifácio.
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Indubitavelmente divisivo, mas também sincero: de todos os continuadores brakhageanos a que tive acesso, recentemente, este foi o mais coeso, ainda que percorra um percurso próprio, íntimo, e não apenas imitativo. Primeiro, os problemas: o maior deles, o excesso de (longos) intertítulos, que desviam a nossa atenção, que complicam o que poderia ser mera fruição, pois há uma aplicação hermética de racionalidade naqueles escritos, inclusive na descrição final de um processo julgamental, que não se filia reconhecidamente ao que está sendo mostrado (exceto talvez pela derradeira imagem, da jovem sorridente); outro problema, o não pronunciamento interno do título. Ok, é bacana que o realizador exorte o espectador à pesquisa, mas não dá para fazer isso durante a sessão, de modo que sou obrigado a concordar com os detratores da obra de que, sim, há uma falha intenção de comunicação na obra. Afora isso, entretanto, que imagens bonitas e que montagem inventiva. Gostei particularmente do demorado segmento III, praiano, com várias ondas superpostas, diferentes encontros de água, enquanto alguém nada ali no meio, tal como nós próprios fazemos durante a audiência. Gostei dos riscos de abertura e da comunhão de astros celestes, e torcia para reconhecer/identificar pessoas entre os segmentos, pois não sou o maior apreciador do cinema estrutural (erro meu, lidarei com isto!). Se não fossem os supracitados intertítulos, o filme seria bem melhor, pois ele é gostoso de ser conferido imageticamente, há uma progressão internamente justificada no avançar das situações. Talvez eu tenha adentrado a sessão preparado para o que viria, o que facilitou a minha imersão. Gostei do que vi, do que às vezes ouvi e pouco do que li (ainda que, se fosse em papel, talvez a apropriação fosse distinta). Assusta, claro, mas tem o seu público cativo, seus admiradores tangenciais. Estou entre eles! (WPC>)