Vencedor da Concha de Ouro no Festival de San Sebastian, o documentário impressionista e intimista de Albert Serra sobre touradas mostra a beleza e a barbárie dessa tradição polêmica, filmando o torero peruano Andrés Roca Rey em 14 touradas (Sight and Sound).
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Pouco mais de duas horas dificílimas de assistir, de passarem. Estetizar a violência é prática corrente desde algumas vanguardas literárias, mas para mim resta uma experiência que está muito vazia de significado, que não oferece quantidade suficiente de condições de reflexão - e nem se propõe a isso, eu sei, a crítica fica toda a critério do espectador - vivemos apenas nessas duas horas a eterna repetição dos costumes, dos rituais e da formação de mitos vazios. Apesar do fetiche da virilidade - e de sua exposição um tanto crua, um tanto artística -, resta pouco como experiência fílmica, exceto uma aflição imensa, difícil de separar (ao menos para mim). Talvez os historiadores e sociólogos do futuro vejam lá certo valor crítico
que a tourada é um desfile sádico e tenebroso, é de conhecimento geral, mas -sem surpresa nenhuma- que homens patéticos pqp
Assisti no Olhar de Cinema em Curitiba, 2025. Achei que teria mais substância e história. Mas é a carnificina literal só.
Nada que não seja mais cruel que a rotina industrial dos animais antes do abate para consumo, só que com todo o glamour das roupas, dos movimentos, como uma dança de afirmação da virilidade do toureiro. ¡tiene cojones! é afirmado o tempo inteiro, não que isso já não seja dito constantemente na cultura espanhola, mas no contexto das touradas, certamente, é associado à valentia, a ''cumbre'' (o tempo todo repetido, também), à ereção, ao fálico. De fato, podem chamar de doentio, mas é totalmente compreensível o erotismo dessas roupas coladas e extravagantes nesses homens, assim como a magia ritual, os cavalos vendados em armadura e os que retiram o animal sacrificado, as expressões faciais de domar o medo e também da loucura viril do desbravamento, do correr riscos que pode levar ao óbito. Uma ritualização da cultura vencendo a morte ou a natureza, que muitos vão chamar de machista, patriarcal, cruel, sem nenhuma bioética, mas não deixa de ter o seu fascínio, especialmente na forma como Serra filmou.