Um milionário morre após sofrer um estranho acidente, deixando toda a sua fortuna para sua enfermeira. Na manhã seguinte, os moradores da mansão decidem investigar o túmulo, descobrindo que o morto está sem uma das mãos.
Eu gostei do clima sombrio da casa, e as cenas externas também são boas. Há uma cena, bem curta, mas muito bonita esteticamente no cemitério, que, inclusive, poderia ter sido melhor aproveitado.
Porém, a partir do momento em que é revelado que a mão era apenas uma alucinação de Hillary, perdeu-se um pouco tudo o que havia sido construído. Atribuir todas as mortes a problemas psicológicos fez a qualidade cair para mim.
E aquele final com o comissário Ovídio fazendo uma gracinha, sendo que em nenhum momento o filme apresenta sequer um tom de comédia, foi, para mim, bem destoante, ainda que esteja longe de ser ruim.
Peter Lorre sempre mantém um nível de excelência em suas atuações. Incrível, não há um filme em que ele participe que não tenha qualidade. Mesmo que o filme não seja tudo aquilo, ele sempre entrega atuações boas e marcantes e agrega qualidade.
Tem toda a inocência do cinema de 1940 mas consegue ser super eficiente na proposta de terror e suspense tendo como cenário basicamente um casarão cheio de sombras. Gostei da trama e adição de personagens diferente do conto de Harvey, mas queria no filme um motivo mais relevante para a mão direita tomar vida própria (confesso que não fiquei satisfeita com a explicação do conto rs). O desenrolar da história é ótimo com uma trilha sonora linda e super condizente. Apesar de ter as principais cenas da perseguição da mão, ainda prefiro o que foi descrito no conto e quanto aos efeitos especiais são até bons para a época mas as mortes são pura inocência mas sem tirar o brilho do filme. O que peca é final que tira todo o clímax e parece querer desmentir tudo o que foi mostrado nos minutos anteriores. Quanto a Peter Lorre, dispensa comentários; sempre arrasa!
Com uma realização que beira a perfeição, essa obscura obra de terror serve como um bom exemplo do gênero em sua época. É notável a força de sua atmosfera, predominantemente escura, cheia de sombras ameaçadoras despontando pelas cenas, completadas pela trilha sonora com uma eficiência absurda. Quanto ao elenco, sua química e inspiração são claras, seu estilo pode parecer "datado", mas remonta a algo particularmente charmoso e poético. O trabalho, porém, não vem sem suas falhas, já que seus momentos de "terror" são rudimentares e dificilmente causam efeito, algo também devido aos precários efeitos especiais da época (embora em umas duas cenas eles se mostrem até convincentes). O outro problema é justamente a cena final, que acaba como um breve mas inegável anticlimax. Ainda assim, essas coisas não chegam a comprometer completamente o conjunto da obra, apenas a separam da já mencionada perfeição.
O final pode decepcionar um pouco, pois a premissa sobrenatural, não se confirma. E também mal explicado, afinal porque Francis (Peter Lorre) instala a engenhoca dentro da armadura para tocar música? Queria assustar quem? Matar a todos?Acabou sucumbindo a sua própria armadilha?
A atmosfera gótica, com mansão assombrada, tendo um mausoléu e cemitério circundando, garante o clima misterioso e envolvente, valorizado pela fotografia em preto e branco.
Horror e mistério policial com roteiro de Curt Siodmak (1902-2000), baseado em um conto escrito por W. F. Harvey (1885-1937) e publicado pela primeira vez em 1919 em "The New Decameron". Também conhecido como "Cinco dedos", houve um remake: A mão (81), de Oliver Stone. Estória de fantasma sobre uma mão decepada de um músico que toca piano e comete assassinatos. A música no filme é uma Chaconne não identificada por J.S. Bach, orquestrada e arranjada pelo compositor de filmes Max Steiner. Nunca foi gravada ou emitida como uma gravação.
Nos primeiros vinte minutos, falta tom consistente e oscila muito livremente entre intrigas e choques sem se destacar muito, parecendo mais um melodrama rotineiro. O diretor francês Robert Florey (1900-1979) evoca uma atmosfera gótica extraordinária com excelente fotografia em preto e branco e design de produção de época de primeira. Desperta uma premissa original cativante e algumas boas atuações com um roteiro rígido e um final copiado. A mão animada, a música de piano assustadora e a performance espetacular de Peter Lorre (1904-1964) são memoráveis.
Eu gostei do clima sombrio da casa, e as cenas externas também são boas. Há uma cena, bem curta, mas muito bonita esteticamente no cemitério, que, inclusive, poderia ter sido melhor aproveitado.
Porém, a partir do momento em que é revelado que a mão era apenas uma alucinação de Hillary, perdeu-se um pouco tudo o que havia sido construído. Atribuir todas as mortes a problemas psicológicos fez a qualidade cair para mim.
E aquele final com o comissário Ovídio fazendo uma gracinha, sendo que em nenhum momento o filme apresenta sequer um tom de comédia, foi, para mim, bem destoante, ainda que esteja longe de ser ruim.
Peter Lorre sempre mantém um nível de excelência em suas atuações. Incrível, não há um filme em que ele participe que não tenha qualidade. Mesmo que o filme não seja tudo aquilo, ele sempre entrega atuações boas e marcantes e agrega qualidade.
Assistido em 07/09/2025
Tem toda a inocência do cinema de 1940 mas consegue ser super eficiente na proposta de terror e suspense tendo como cenário basicamente um casarão cheio de sombras. Gostei da trama e adição de personagens diferente do conto de Harvey, mas queria no filme um motivo mais relevante para a mão direita tomar vida própria (confesso que não fiquei satisfeita com a explicação do conto rs). O desenrolar da história é ótimo com uma trilha sonora linda e super condizente. Apesar de ter as principais cenas da perseguição da mão, ainda prefiro o que foi descrito no conto e quanto aos efeitos especiais são até bons para a época mas as mortes são pura inocência mas sem tirar o brilho do filme. O que peca é final que tira todo o clímax e parece querer desmentir tudo o que foi mostrado nos minutos anteriores. Quanto a Peter Lorre, dispensa comentários; sempre arrasa!
Com uma realização que beira a perfeição, essa obscura obra de terror serve como um bom exemplo do gênero em sua época. É notável a força de sua atmosfera, predominantemente escura, cheia de sombras ameaçadoras despontando pelas cenas, completadas pela trilha sonora com uma eficiência absurda. Quanto ao elenco, sua química e inspiração são claras, seu estilo pode parecer "datado", mas remonta a algo particularmente charmoso e poético. O trabalho, porém, não vem sem suas falhas, já que seus momentos de "terror" são rudimentares e dificilmente causam efeito, algo também devido aos precários efeitos especiais da época (embora em umas duas cenas eles se mostrem até convincentes). O outro problema é justamente a cena final, que acaba como um breve mas inegável anticlimax. Ainda assim, essas coisas não chegam a comprometer completamente o conjunto da obra, apenas a separam da já mencionada perfeição.
Um razoável suspense com ótima atuação de Peter Lorre.
O final pode decepcionar um pouco, pois a premissa sobrenatural, não se confirma.
E também mal explicado, afinal porque Francis (Peter Lorre) instala a engenhoca dentro da armadura para tocar música? Queria assustar quem? Matar a todos?Acabou sucumbindo a sua própria armadilha?
A atmosfera gótica, com mansão assombrada, tendo um mausoléu e cemitério circundando, garante o clima misterioso e envolvente, valorizado pela fotografia em preto e branco.
Horror e mistério policial com roteiro de Curt Siodmak (1902-2000), baseado em um conto escrito por W. F. Harvey (1885-1937) e publicado pela primeira vez em 1919 em "The New Decameron". Também conhecido como "Cinco dedos", houve um remake: A mão (81), de Oliver Stone. Estória de fantasma sobre uma mão decepada de um músico que toca piano e comete assassinatos. A música no filme é uma Chaconne não identificada por J.S. Bach, orquestrada e arranjada pelo compositor de filmes Max Steiner. Nunca foi gravada ou emitida como uma gravação.
Nos primeiros vinte minutos, falta tom consistente e oscila muito livremente entre intrigas e choques sem se destacar muito, parecendo mais um melodrama rotineiro. O diretor francês Robert Florey (1900-1979) evoca uma atmosfera gótica extraordinária com excelente fotografia em preto e branco e design de produção de época de primeira. Desperta uma premissa original cativante e algumas boas atuações com um roteiro rígido e um final copiado. A mão animada, a música de piano assustadora e a performance espetacular de Peter Lorre (1904-1964) são memoráveis.