Um homem misterioso chamado Slade (Laird Cregar) aluga um apartamento em Londres, e logo uma onda de assassinatos começa nas proximidades. No entanto, Kitty (Merle Oberon), uma atriz ingênua, ignora os avisos sobre os crimes - ou o homem que pode ter cometido, e ela logo se torna objeto de obsessão de Slade.
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Esse filme na verdade é um remake de "O inquilino" de 1927 dirigido por Hitchcock, embora faça grandes mudanças em relação ao anterior. Essa produção conta com um trabalho de direção competente que conduz muito bem o clima de suspense e mistério que a história exige. Embora George Sanders tenha destaque nos créditos o verdadeiro protagonista ao lado de Merle Oberon é Laird Cregar com uma atuação magnífica como o misterioso pensionista que confunde os personagens da história e também nós espectadores do filme.
The Lodger de 1944, no Brasil Ódio Que Mata, lembra como a história do Jack, o Estripador, é muito boa e renderia muitos filmes, e esse aqui foi um deles. O filme começou muito bem, com boa atmosfera, ambientação em Whitechapel, Londres, e que tem um excelente clima sombrio que combina bem com a história. Enfim Laird Cregar tem a chance de ser protagonista em um filme, mas sempre estereotipado, ele que sempre teve papéis de coadjuvante e muitas vezes de personagens sugestivamente afeminados e que também sofria de sobrepeso, sonhava em ser um galã protagonista, tanto que foi isso que o levou para uma morte trágica tão jovem.
Cregar era um ator extremamente talentoso, mas vivia em conflito com sua própria imagem. A pressão de Hollywood para que ele se adequasse ao padrão de galã da época o consumia profundamente. Ele não aceitava o próprio corpo, sofria intensamente com isso, e acabou entrando em uma dieta radical e perigosa — praticamente se matando para emagrecer rápido demais, acreditando que só assim finalmente lhe dariam o papel de protagonista romântico que tanto desejava. Durante The Lodger (1944) e logo depois, em Hangover Square (1945), ele chegou a perder mais de 45 quilos de forma absolutamente insalubre. Essa transformação brusca detonou seu coração. Ele acabou morrendo aos 31 anos, depois de uma cirurgia para reduzir o estômago da época, uma operação que hoje seria considerada completamente irresponsável. Sua morte prematura sempre me passa a sensação de uma luta pessoal nunca resolvida, de um talento enorme esmagado por padrões cruéis da indústria.
Aqui ficção e realidade se misturam. Jack, O Estripador, nunca foi pego e, até hoje, é um dos serial killers que não se sabe quem realmente estava por trás — e eu diria que o mais famoso deles, um dos primeiros a ficarem mundialmente conhecidos. Isso é visto no filme, como os jornais sabiam de tudo e divulgavam de forma massiva. O problema, como disse, é que nunca foi pego e ninguém sabia quem ele era, aqui que entra a ficção do filme. Apesar de eu achar que seria melhor que ele fosse apenas suspeito e no final mostrasse que ele era apenas alguém solitário e confuso. Realmente eu preferia que ele fosse inocente e alguém que tivesse um final melhor e fosse abraçado e confrontasse todos seus problemas, antes de resolvê-los. Seria, inclusive, um desfecho mais coerente com a própria história pessoal do Cregar e com os temas que o filme sugere sem explorar totalmente — solidão, alienação, como a sociedade molda monstros onde talvez só existam pessoas quebradas.
Mas tudo bem. O filme, como disse, é bom, Laird Cregar é ótimo, a ambientação, o clima e a atmosfera são excelentes. A fotografia cria um mundo onde luz e sombra realmente contam uma história, e onde Cregar encontra espaço para entregar uma performance poderosa, quase trágica, quase um pedido de ajuda velado. No fim, Ódio Que Mata acaba sendo um filme que funciona não só como suspense, mas também como um desses retratos indiretos de um artista que, apesar do sucesso, carregava dentro de si um conflito que Hollywood jamais permitiu que ele resolvesse.
Assistido em 07/12/2025
"Ódio que mata" se utiliza de um personagem real para criar uma boa narrativa de suspense
porque sabemos que até hoje não se sabe a identidade do verdadeiro "Jack, o estripador" e portanto, Mr. Slade, apontado no filme como o famoso serial killer vitoriano, é apenas ficção.
Laird Crager tem uma ótima atuação, criando um personagem assustador e, ao mesmo tempo, digno de pena em sua solidão e melancolia.
O enredo remonta ao clima de pânico e paranoia que dominou a cidade no período dos assassinatos do notório "Jack, o estripador", através da criação de uma atmosfera sinistra nas ruas da Londres vitoriana cobertas pela neblina e iluminadas pelos lampiões, em meio a sombras num ambiente arrepiante e assustador coroada pela belíssima fotografia em preto e branco.
Filme bem atmosférico, não tem muito mistério né, a gente já sabe quem é o vilão desde o começo praticamente. E achei bizarra a semelhança do timbre de voz do Laird Cregar com a do Vincent Price.
Eu tô começando a perceber uma certa semelhança entre os filmes de terror das décadas de 30, 40 e 50. Todos eles ficam apenas na atmosfera de suspense, as mortes são off-screen, o vilão sempre morre no final, raramente tem cenas de horror gráfico... e isso se repete aqui em "Ódio Que Mata". Não é um filme memorável ou que tenta ser mais ousado, e olha que a história permetia isso, mas ele não vai muito além. O que se destaca é a presença sombria do Laird Cregar e a beleza da Merle Oberon (que se sobressai, principalmente nas cenas de apresentações musicais). Outra coisa que me fez diminuir a nota foi a motivação do assassino. Acho que teria seria melhor, se tivessem dito que ele matava aleatoriamente.
Porque, tem uma cena em que ele mata uma senhora, e aí essa explicação de que ele mata por conta da beleza das mulheres não faz sentido.
Assisti no dia 13/05/21