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"Cálculo mortal" promete muito, mas se perde um pouco no desenvolvimento da narrativa.
A detetive Cassie (Sandra Bullock) entrega uma tragédia pessoal, que não é suficiente para criar empatia, parece odiar o mundo, usa as pessoas, descarta, não tem paciência, é obsessiva em resolver o crime, plot principal da narrativa, mas faz isso de forma atabalhoada, urgente, sem respeitar chefes, colegas e procedimentos e cria em torno de si uma aura de antipatia.
A relação entre os assassinos Richard (Ryan Gosling) e Justin (Michael Pitt) é dúbia, paira entre eles uma tensão sexual que não se concretiza, aqui mais uma referência ao clássico "Festim Diabólico" de Hitchcock, além do assassinato arquitetado e executado apenas para sentir como é realizar o suposto crime perfeito.
Personagens que não disseram a que vieram como Sam (Ben Chaplin) o parceiro de Cassie, que parece estar ali apenas para ser feito de bobo o filme inteiro e Lisa (Agnes Bruckner), que serve somente para deixar mais claro a rivalidade ou o ciúme que Richard sentia de Justin.
As situações vão se sucedendo naquela lógica sem lógica com conveniências de roteiro e um plot twist final que pelo menos a mim não surpreendeu, mas tem aquela vibe nostálgica dos anos 90 e começo dos anos 2000 e tem a Sandra Bullock que virou um ícone desde que dirigiu aquele ônibus desgovernado, então vale a visita, nem que seja para matar a saudade de uma época que a gente nem sabia o que era streaming.
SPOILERS ABAIXO
“Além do tempo” tem uma estrutura de linhas temporais diversas, mas não mistura as diferentes épocas ao mesmo tempo, começou com uma narrativa no começo do século XX e depois vem para o presente, o artifício foi usado porque trata-se de uma obra em que a premissa é a reencarnação, portanto vemos na primeira parte os personagens no passado e depois suas reencarnações em outra vida.
A história de Lívia (Aline Moraes) a jovem humilde criada pela mãe Emilia (Ana Beatriz Nogueira), que desconhecia que era filha do conde Bernardo (Felipe Camargo) e neta da poderosa condessa Vitória (Irene Ravache). Livia conhece o sobrinho da condessa Felipe (Rafael Cardoso) e se apaixona por ele, romance que sua mãe desaprova, pois odiava a condessa que sempre proibiu o romance entre ela e Bernardo. Para ajudar a separar o casal, a inescrupulosa Melissa (Paola Oliveira) noiva de Felipe, que não mede esforços, assim como Pedro (Emilio Dantas) que é apaixonado por Livia.
Entre os ótimos coadjuvantes temos Anita (a linda Leticia Persiles, que sumiu das novelas) que se apaixona pelo mulherengo e cafajeste Roberto (o não menos lindo Romulo Estrela) e a família amalucada de Massimo (Luis Melo), um núcleo cômico realmente divertido, o que é raro.
Depois de uma narrativa tensa e bem conduzida, a cena final desta fase é com Livia e Felipe morrendo juntos, num final infeliz e corta já para a época atual com os dois se conhecendo num rápido encontro no metrô.
Esta fase, é para mim inferior a anterior, vários personagens se entrelaçam visando um resgate, segundo a doutrina espírita. Vitória agora é a mãe de Emilia, a mulher que odiava, Livia é rica e Felipe é pobre, lutando para sobreviver com sua vinícola, também se apaixonam e tem o final feliz que não tiveram na outra vida.
A trama de época, além de mais empolgante, conta com uma bela reconstituição e um enredo mais envolvente. Rafael Cardoso, que infelizmente por escolhas pessoais viu sua carreira destruída, é perfeito como o mocinho romântico e tem muita química com Aline Moraes, assim como as boas atuações de todo o elenco em suas duas fases, contribuem para a qualidade da obra.
Não que a trama na atualidade seja ruim, mas perde muito do seu encanto. Alguns personagens como Roberto e Gema (Louise Cardoso), perderam relevância nessa fase e alguns novos personagens não acrescentaram nada.
É uma boa história, mas se compararmos as duas fases, a segunda é um pouco inferior, o que acaba diminuindo a qualidade da narrativa como um todo.
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Obrigada, enviei
oi Ivonete pode me convidar q aceito sim rs...
Dica de serie de TV que é Fantástico: HOMELAND (2011-2020). Assista que você vai viciar.
Está em exibição na Netflix
SPOILERS ABAIXO
O documentário mostra como a investigação de um aparente caso de acidente automobilístico pode evoluir para um homicídio.
O espectador não tem como fugir do que a narrativa propositalmente o leva, ou seja, a condenar Mackenzie Shirilla, a adolescente que estava ao volante de um carro que bateu violentamente contra a parede de um prédio e causou a morte de seu namorado Dominic Russo e de seu amigo Davion Flanagan.
Tudo na narrativa é feito para evidenciar a intenção de Mackenzie, que ela realmente premeditou o assassinato do namorado, não se importando com danos colaterais, a morte do amigo Davion.
Dominic e Davion são apresentados como jovens gentis, preocupados com a família enquanto Mackenzie é mostrada como uma jovem fútil, agressiva e que mantinha uma relação tóxica com o namorado.
Não que isso não seja verdade, tudo leva a crer que a garota realmente quis matar o namorado e poderia ter morrido no acidente, nada desmente que era uma jovem egoísta e mimada pelos pais, que estranhamente concordam em participar de um documentário que apresenta a filha como culpada pela morte de duas pessoas.
Apresenta os depoimentos dos pais de Mackenzie, Dominic e Davion, além da investigadora e do promotor, ou seja todos os principais envolvidos na tragédia. O direcionamento na aparente culpabilidade de Mackenzie, é porque talvez ela seja mesmo culpada!
A obsessão por redes sociais, exposição excessiva da vida particular, consumo de drogas, tudo é abordado em uma narrativa ágil, sem enrolação. Termina com a condenação da garota e nós respiramos aliviados com a certeza de que a justiça foi feita.