Relato cru sobre o quanto a tensão racial e mesmo a dificuldade que temos de conviver em sociedade pode provocar tragédias. Particularmente, as imagens serem o tempo todo originárias das cameras corporais dos policiais, visualmente acho muito cansativo, mas é um gosto pessoal, apesar de ao optar pelo uso destas imagens, a imersão na narrativa é mais profunda. São imagens que atestam para o espectador o tempo todo, que ele está diante de uma narrativa verdadeira, sem "maquiagem" , que a quebra do cotidiano por um acontecimento inesperado e cruel, pode vir a qualquer momento e estar ali na casa ao lado.
com a morte da protagonista, é bem coerente. Ela salvou a moça raptada, havia perdido o marido e pelo que entendi, o filho morreu ao nascer. Não tinha mais ninguém, havia cumprido sua missão e iria ficar junto do homem que amava no lago que significava muito para ambos.
Os anos cinquenta produziram algumas filmes de ficção B bastante curiosos e divertidos. Este é um deles. Produção vinda direta da paranoia nuclear que permeava o mundo na época e que inspirou muitos filmes neste período, a ação se desenvolve nos alpes, o que dá a trama uma ambientação diferente. O design das criaturas para os dias de hoje pode parecer tosco, mas creio que para a época são bem satisfatórios e criativos.
Achei uma cópia muito piorada de "Duro de Matar", um dos melhores e mais empolgantes filmes de ação dos anos 80 que iniciou a vitoriosa carreira de Bruce Willis no cinema, até então um astro da TV.
Tudo lembra o clássico oitentista, a festa no prédio, terroristas, reféns assassinados friamente (a cena da morte do responsável pela vigilância do prédio é idêntica), líder terrorista psicopata, uma heroína saindo do nada, amizade com policial, parente (esposa/irmão) em perigo dentro do prédio mas tudo sem o charme e a ironia de Willis.
Deve ter faltado dinheiro para o cachê de Clive Owen que
O filme é a segunda parte de uma quadrilogia, que se iniciou com "As cores do mal: vermelho" em que vemos o mesmo personagem, o promotor Bilsky envolvido na investigação do desaparecimento de um menino e o promotor acaba se envolvendo amorosamente com a mãe dele (num relacionamento forçado e sem química) que o leva ao desaparecimento de outro menino anos atrás, que acaba aparecendo morto.
Achei esta segunda parte confusa e sem a mesma fluência narrativa que a primeira e depois de algumas pistas falsas sobre quem seria o sequestrador descobrimos
que o verdadeiro assassino da primeira criança que sumiu era um empresário influente da cidade e que o sequestrador do segundo era seu filho ilegítimo.
Assisti em virtude do título em português, que nada tem a ver com o original "Crack up" que significa surto psicótico ou colapso mental. Grande parte da narrativa se passa no tal museu, daí o título, mas não tem nada de horror.
Imaginava que fosse um daqueles filmes que se inspiraram no clássico "Museu de Cera", mas na verdade o enredo é sobre um especialista em obras de arte que tem um surto psicótico como no título original.
Depois descobrimos que era só uma trama montada para que ele acreditasse estar enlouquecendo e impedir que identificasse que vários quadros eram falsos.
Talvez a explicação para o título enganoso seja essa, sugerir que seja algo na linha do terror para atrair o público, porque é uma trama bem monótona, confusa e com elenco desconhecido.
O documentário mostra como a investigação de um aparente caso de acidente automobilístico pode evoluir para um homicídio.
O espectador não tem como fugir do que a narrativa propositalmente o leva, ou seja, a condenar Mackenzie Shirilla, a adolescente que estava ao volante de um carro que bateu violentamente contra a parede de um prédio e causou a morte de seu namorado Dominic Russo e de seu amigo Davion Flanagan.
Tudo na narrativa é feito para evidenciar a intenção de Mackenzie, que ela realmente premeditou o assassinato do namorado, não se importando com danos colaterais, a morte do amigo Davion.
Dominic e Davion são apresentados como jovens gentis, preocupados com a família enquanto Mackenzie é mostrada como uma jovem fútil, agressiva e que mantinha uma relação tóxica com o namorado.
Não que isso não seja verdade, tudo leva a crer que a garota realmente quis matar o namorado e poderia ter morrido no acidente, nada desmente que era uma jovem egoísta e mimada pelos pais, que estranhamente concordam em participar de um documentário que apresenta a filha como culpada pela morte de duas pessoas.
Apresenta os depoimentos dos pais de Mackenzie, Dominic e Davion, além da investigadora e do promotor, ou seja todos os principais envolvidos na tragédia. O direcionamento na aparente culpabilidade de Mackenzie, é porque talvez ela seja mesmo culpada!
A obsessão por redes sociais, exposição excessiva da vida particular, consumo de drogas, tudo é abordado em uma narrativa ágil, sem enrolação. Termina com a condenação da garota e nós respiramos aliviados com a certeza de que a justiça foi feita.
"Cálculo mortal" promete muito, mas se perde um pouco no desenvolvimento da narrativa.
A detetive Cassie (Sandra Bullock) entrega uma tragédia pessoal, que não é suficiente para criar empatia, parece odiar o mundo, usa as pessoas, descarta, não tem paciência, é obsessiva em resolver o crime, plot principal da narrativa, mas faz isso de forma atabalhoada, urgente, sem respeitar chefes, colegas e procedimentos e cria em torno de si uma aura de antipatia.
A relação entre os assassinos Richard (Ryan Gosling) e Justin (Michael Pitt) é dúbia, paira entre eles uma tensão sexual que não se concretiza, aqui mais uma referência ao clássico "Festim Diabólico" de Hitchcock, além do assassinato arquitetado e executado apenas para sentir como é realizar o suposto crime perfeito.
Personagens que não disseram a que vieram como Sam (Ben Chaplin) o parceiro de Cassie, que parece estar ali apenas para ser feito de bobo o filme inteiro e Lisa (Agnes Bruckner), que serve somente para deixar mais claro a rivalidade ou o ciúme que Richard sentia de Justin.
As situações vão se sucedendo naquela lógica sem lógica com conveniências de roteiro e um plot twist final que pelo menos a mim não surpreendeu, mas tem aquela vibe nostálgica dos anos 90 e começo dos anos 2000 e tem a Sandra Bullock que virou um ícone desde que dirigiu aquele ônibus desgovernado, então vale a visita, nem que seja para matar a saudade de uma época que a gente nem sabia o que era streaming.
Mais um filhote de "Seven" mas tudo muito artificial, com atuações exageradas.
A filha adotiva no momento que aparece já nos diz "culpada", o filho depressivo do amargurado detetive (Dennis Quaid) estar relacionado aos crimes, também surpresa zero.
Final anticlimático e nem entendi se o menino morreu ou não.
Fico com o ótimo comentário do meu amigo Vagner que disse que viu o filme no modo "Casas Bahia" à prestações, e foi bem difícil pagar o carnê inteiro.
O filme lembra muito "Olhos de serpente" de Brian de Palma, neste um crime é cometido durante uma luta de boxe em um ginásio lotado, a comparação é até óbvia, um espaço fechado com uma multidão em que se desenvolve uma trama de suspense, mas enquanto de Palma entrega uma trama instigante com ótimos planos sequência, este se perde e consegue ficar bem ruim na sua parte final.
Embora possa ter sido uma homenagem de Shyamalan a Brian de Palma, seu filme acaba dando a impressão que é só um veículo que o diretor usou para alavancar a carreira da filha Saleka Shyamalan que é cantora e no filme vive a popstar Lady Raven. Mais da metade do filme exibe cenas do show da filha do diretor, o grande problema é quando a ação sai do show e Saleka vê seu personagem se tornar protagonista, sua atuação é constrangedora.
Josh Hartnett entrega uma atuação convincente, embora toda as situações que vão ocorrendo dentro do ginásio ou fora dele, sejam bastante inverossímeis, mas Shyamalan parece consciente que abdicou de uma trama verossímil em favor de uma trama divertida.
Como sempre ficamos esperando uma virada na narrativa, aquele plot twist característico dos filmes do diretor
mas nesse não houve nada que surpreendesse, pois desde o começo sabíamos que ele era o homem que o FBI estava perseguindo. A cena final com o serial killer se livrando das algemas é surpreendente? Não, só achei absurda mesmo, policiais deixarem o serial killer, que os fizera de bobos desde o início do filme, ir levantar uma bicicleta! Era pra ter um final aberto, ele iria fugir? Sair do camburão, matar todos os policiais com aquele prego?
M. Night Shyamalan parece buscar um roteiro genial desde o fabuloso "O sexto sentido" e isso parece prejudicá-lo, já fez algumas coisas boas, outras medianas e outras ruins. Esse se encaixa de mediano para ruim e a única coisa que fica é mesmo a impressão de um diretor nepotista, que coloca a filha sem talento como atriz para protagonizar seu filme.
Ao que se propõe, o filme entrega uma trama razoável.
Há momentos tensos, bandidos atrapalhados, inserção de um tema sério como pedofilia e o culto às celebridades.
Sophie Turner como a estrela juvenil Lauren tem uma boa performance.
Só uma ressalva ao final, a pobre Grace (Renata Vaca, sim é esse o sobrenome) após salvar o cachorro de Lauren e a própria, quase perdendo a vida e provavelmente perdendo o emprego, nem é mencionada no final, não houve sequer uma recompensa, talvez a rica Lauren ajudando Grace doando recursos para que ela abrisse um abrigo de animais. Nada, pobre Grace.
Se você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
Partindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
“Pecadores” seria apenas mais um “filme de vampiro”, não fosse o fato que aqui os vampiros são usados como metáforas. Estes seres sobrenaturais invadem o espaço dos negros e sugam seu sangue, mas enquanto fazem isso literalmente há um subtexto sobre a apropriação cultural da música, comida e costumes da comunidade negra americana.
Antes de entrar propriamente na ação “vampiresca”, há um longo prólogo no qual somos apresentados aos personagens no seu dia-a-dia, seus conflitos e interações para que pudéssemos nos importar com o que vai acontecer com estes personagens e não serem apenas mortes aleatórias, além de estabelecer o local e o contexto histórico, o Mississipi de 1932, da segregação racial e da Ku Klux Klan.
O blues tem papel central na narrativa, ao intuir que a música teria um pacto com o demônio, o personagem Sammie (Miles Caton) deixa clara essa alusão quando se vê dividido entre o blues e a fé cristã. Uma belíssima sequência unindo passado, presente e futuro, alude às raízes desse estilo musical como também ao legado que ele deixou na história e na cultura negra americana e o poder transcendental da música atravessando gerações.
Michael B. Jordan faz um belo trabalho como os gêmeos Stack e Smoke, com diferenças sutis para distinguir os irmãos, se destacando em um elenco primoroso, não há como apontar uma atuação destoante.
“Pecadores” é original na sua representação do sobrenatural para evocar o conflito racial, porém como filme de vampiro é apenas mais um filme de vampiro. E muitos que não captarem essa simbologia da trama, vão apenas achar que é um filme “comum” de vampiros com os habituais clichês sobre essas criaturas, sensibilidade à luz solar, ao alho, cruzes, estacas e que precisam de permissão para entrar em um ambiente.
O filme incorpora o realismo fantástico para se aprofundar nas várias camadas do subtexto racial e nesse sentido consegue um resultado brilhante. Os vampiros deturpam o que não possuem e resta aos negros a resistência para manter sua identidade.
A dúvida é quem são os verdadeiros pecadores, os brancos que deturpam e invadem o espaço que não é seu ou os negros que querem se divertir e celebrar, muitas vezes abandonando a fé cristã e se tornando “pecadores” segundo a doutrina religiosa?
Esse terceiro filme da franquia "Knives out", muda um pouco o foco da narrativa, ao invés de ser totalmente voltada para a descoberta do assassino, temos um enredo centrado em questionamentos do comportamento humano, da fé e da religiosidade.
É claro que existe uma trama a ser desvendada, mas mais do que apontar o "quem matou", questiona-se o "porque matou" e a narrativa tem como personagens protagonistas o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig, inspirado em detetives clássicos da literatura especialmente em Hercule Poirot, o personagem icônico de dama do mistério Agatha Christie) e o padre Jud Duplenticy (Josh O´Connor).
O primeiro encontro entre os dois se dá dentro de uma igreja, em que Blanc já deixa claro sua total falta de crença na religião ao passo que o padre Jud mostra-se, dentro de uma dor e uma fragilidade carregando uma culpa por uma morte que ele provocou, é um ser absolutamente seguro de sua fé.
Vi críticas as cenas excessivamente explicativas, mas um romance policial, que inspira a narrativa, é feito destas cenas, em que no final, o detetive é a figura central, explicando todos os detalhes de como o crime foi cometido.
O assassinato a ser investigado é do Monsenhor Jefferson Micks (Josh Brolin), um homem arrogante, egoísta e que quer impor sua presença como quase um Deus diante de seus paroquianos e para isso planeja a própria falsa morte, mas acaba sendo morto mesmo. Sua encenação da morte simulada e posterior ressureição, remete ao milagre bíblico de Lázaro.
Os personagens coadjuvantes são pouco desenvolvidos como o médico Nat Sharp (Jeremy Renner), a paroquiana Vera (Kerry Washington, careteira como sempre) e a funcionária da Paróquia Martha (Glenn Close), personagem pouco explorado pela importância que teria no final, mas que conta com a atuação segura e sempre excelente de uma grande atriz.
Toda a narrativa menos suntuosa, tantos em cenários quanto em diálogos, faz a trama mais reflexiva, não há as cenas exageradas e caricatas, os personagens tem suas falhas e defeitos puramente humanos, até Blanc se mostra mais falho, e na cena final, onde supostamente deveria revelar toda a trama do assassinato, não se furta a dizer que não conseguiu desvendar, embora seja para que o verdadeira assassinato se revelasse.
A explícita relação com a religiosidade, é feita quando Blanc, ao se preparar para revelar toda a trama e ser aclamado, a luz vinda dos vitrais da igreja o iluminam, como se fosse um ser sagrado prestes a realizar um milagre.
As atuações dos protagonistas são perfeitas, Josh O`Connor tem uma interpretação contida mas ao mesmo intensa ao deixar evidente a dor e culpa que o dilaceram, Daniel Craig entende que seu detetive deve parecer mais sério e menos caricato.
A terceira produção da franquia "Knives out" apresenta uma trama mais contemplativa, mais amarga, menos divertida que não deixa de expor a trama investigativa que envolve os espectadores mas entrega uma narrativa que tem outras camadas que vão além do mistério policial.
Neste segundo telefilme, ainda antes da estreia da série, que se tornou um marco nas séries policias para a TV, Columbo volta com seu costumeiro desleixo, olhar distraído e jeito confuso, que esconde uma mente genial
No enredo Columbo investiga a morte do marido de Leslie Williams (Lee Grant) e como sempre, começa um jogo de gato e rato entre assassino e detetive, como no primeiro filme e que depois se tornaria a "receita" da série.
A trama mostra que Leslie é a assassina logo no começo e então vemos todos os detalhes de como a efervescente mente de Columbo funciona exposta em diálogos inteligentes e irônicos.
O "assassino" convidado de cada episódio era sempre um ator bastante conhecido e o duelo de atuações era um dos maiores trunfos dos filmes e posteriormente da série, que se tornou um fenômeno mundial ganhando inúmeros prêmios, assim como Peter Falk que teve o papel de sua vida.
A primeira produção com o personagem Columbo, que viria a ser o papel da vida de Peter Falk.
O icônico detetive se tornou um marco nas séries policiais com seu desleixo, capa de chuva surrada, charuto e o velho Peugeot 1959, que fazia com que todos os investigados subestimassem sua capacidade e até debochassem dele.
Nesta apresentação do personagem, Columbo investiga o assassinato da esposa de um psiquiatra (Gene Barry da série "Bat Masterson) e já mostra sua genialidade ao observar detalhes que levam à revelação do assassino.
O roteiro subverte à clássica trama de investigação, na qual o assassino é revelado ao final. Sabemos quem é o autor do crime desde a primeira cena, vemos como o assassinato é arquitetado e o desenvolvimento da trama será como Columbo vai descobrir o que aconteceu.
O jogo de gato e rato entre o detetive e o assassino, recheado de diálogos espirituosos, é o que envolve o espectador, sempre com uma excessiva educação, se desculpando por tudo, até que mostra que não era o sujeito atrapalhado e desligado que parecia ser.
Quando ao final descobrimos que as visões da protagonista, são acontecimentos que iriam acontecer e não que já aconteceram. Afinal era a casa que gerava as visões? já que quando ela liga para a antiga moradora, a mulher diz para ela que também teve visões.
A reviravolta final, que o título nacional entrega, causa uma certa surpresa, mas muita coisa fica sem explicação.
A história revolta como todo caso que envolve abuso de crianças.
Mostra uma mulher manipuladora e cruel, mas que aparentemente acreditava estar fazendo o bem daqueles que torturava.
A narrativa é um tanto lenta e repetitiva, aborda a forma como Jodie Hildebrant envolvia suas vítimas, como manipulou a mãe das crianças abusadas e torturadas (mas não eximo a mãe de culpa), como uma mente doentia tinha milhares de seguidores que lhe permitia ter uma vida confortável em propriedade de luxo e no final como se deu a prisão e julgamento.
“A substância” é um filme chocante, por vezes exagerado e apelativo, mas que constrói uma narrativa envolvente, cheia de camadas, eficaz embora perturbadora.
SPOILERS ABAIXO
Demi Moore é Elizabeth Sparkle, uma atriz que é descartada quando envelhece e desesperada por reaver a juventude perdida, recorre à uma droga que chega até ela de forma misteriosa e ao aplicar a tal “substância” acaba por gerar uma cópia jovem de si mesma, que nasce de sua costela (a semelhança bíblica com Eva nascendo da costela de Adão é proposital).
A cópia, que adota o nome de Sue (Margaret Qualley) não é fisicamente igual, é jovem e possui os padrões de beleza e sexualização que o mundo exige. Logo começa a querer mais e não faz a troca exigida a cada sete dias, se tornando ela também escrava da padronização imposta pela indústria do entretenimento.
Embora seja uma crítica bastante explícita à indústria da beleza, não deixa de ser uma crítica também às próprias mulheres, que se deixam levar pelas exigências dessa indústria e também da sociedade, começando a buscar uma beleza inacessível e a ilusória juventude eterna através de múltiplos procedimentos estéticos hoje disponíveis.
Os cenários e figurinos coloridos, a caricata atuação de Dennis Quaid como o empresário misógino, a exposição do corpo, ora belo e ora grotescamente deformado, formam um quadro propositalmente exagerado, refletindo o quanto esse mundo idealizado da estética é cruel.
Elizabeth não usufrui dos privilégios e vantagens que sua jovem versão passa a viver, enquanto Sue colhe os louros da fama e do sucesso, ela permanece escondida e solitária, observando à distância com tristeza e revolta, apesar de ouvir da misteriosa organização que ambas são uma só, não é isso que transparece, é como se o enredo mostrasse que tanto sacrifício em busca da juventude perdida, acaba não valendo, é só um sofrimento inútil que acaba sendo apenas isso, amargura e decepção.
Quem indaga de onde veio a tal droga e o que era a organização que a produz... são perguntas irrelevantes, já que o filme inteiro é uma alegoria, não existe tal droga que faça você “parir” uma cópia jovem, como não existe a fórmula da juventude. A “substância” é o desejo da perfeição que a sociedade nos impõe e o baque que sofremos quando percebemos que essa perfeição não existe.
A sequência final vai ao extremo do “body horror”, excessivo e impactante, de certa forma condena a sociedade atual que valoriza estes padrões estéticos, a ponto de muitas vezes destruir seu corpo em busca desse padrão inatingível. É uma crítica amarga e ácida, que gera desconforto, por vezes exaustão, não é uma experiência fácil, está longe de ser entretenimento, é sobretudo reflexão de uma sociedade doente, carente de sentimentos e que busca na aparência idealizada a realização plena.
Demi Moore merece todos os elogios, abrindo mão da vaidade tem uma atuação visceral que contribui de forma decisiva para o sustento da narrativa. Ironicamente perdeu o Oscar para uma atriz de 25 anos, o que acaba parecendo uma extensão de tudo que o filme mostrou
Assisti "Fargo" o filme, logo após ter visto a fabulosa primeira temporada da série "Fargo", cujo enredo nele se baseia. Comparar uma obra de uma hora e meia com uma série de 10 episódios, não parece justo, mas é inevitável. Talvez tivesse outra opinião se tivesse apenas o filme.
O filme parece simplista, esquemático, não conseguimos conhecer seus personagens, motivações, relacionamentos, personalidades, nada.
Marge é apenas uma mulher caipira grávida que tem um casamento amoroso com um sujeito bonachão e Jerry Lundegaard (William H. Macy) é pouco estruturado e bem menos maquiavélico, ambicioso e cruel que sua versão na série.
A raiz narrativa está presente, mas tudo de forma muito tênue, sem a força das interpretações e profundidade de sua versão posterior.
"Fargo" recebeu 7 indicações ao Oscar e ganhou duas, melhor roteiro original e melhor atriz para Frances McDormand, embora para mim seja um mistério que ela tenha sido premiada por esta atuação.
O filme se tornou cult, mas diante de seu remake no formato seriado, envelheceu mal. Vale como curiosidade para vermos de onde saiu o embrião da excelente série produzida muitos anos depois.
A informação que se trata de uma história real é uma brincadeira dos irmãos Coen, embora se baseie levemente em um caso verídico, toda a narrativa é ficcional.
A Vizinha Perfeita
3.5 212 Assista AgoraRelato cru sobre o quanto a tensão racial e mesmo a dificuldade que temos de conviver em sociedade pode provocar tragédias.
Particularmente, as imagens serem o tempo todo originárias das cameras corporais dos policiais, visualmente acho muito cansativo, mas é um gosto pessoal, apesar de ao optar pelo uso destas imagens, a imersão na narrativa é mais profunda.
São imagens que atestam para o espectador o tempo todo, que ele está diante de uma narrativa verdadeira, sem "maquiagem" , que a quebra do cotidiano por um acontecimento inesperado e cruel, pode vir a qualquer momento e estar ali na casa ao lado.
O Frio da Morte
2.8 90 Assista AgoraEmbora não seja nenhuma trama inovadora, tem boa dose de suspense e também de ação, belas locações em meio a neve e uma ótima atriz como protagonista.
Apesar da idade, Emma Thompson convence totalmente como a mulher enfrentando perigos em meio a uma paisagem inóspita.
O final dramático
com a morte da protagonista, é bem coerente. Ela salvou a moça raptada, havia perdido o marido e pelo que entendi, o filho morreu ao nascer. Não tinha mais ninguém, havia cumprido sua missão e iria ficar junto do homem que amava no lago que significava muito para ambos.
Terror em Trollenberg
3.3 15 Assista AgoraOs anos cinquenta produziram algumas filmes de ficção B bastante curiosos e divertidos.
Este é um deles. Produção vinda direta da paranoia nuclear que permeava o mundo na época e que inspirou muitos filmes neste período, a ação se desenvolve nos alpes, o que dá a trama uma ambientação diferente.
O design das criaturas para os dias de hoje pode parecer tosco, mas creio que para a época são bem satisfatórios e criativos.
Resgate em Grande Altitude
2.4 25 Assista AgoraAchei uma cópia muito piorada de "Duro de Matar", um dos melhores e mais empolgantes filmes de ação dos anos 80 que iniciou a vitoriosa carreira de Bruce Willis no cinema, até então um astro da TV.
Tudo lembra o clássico oitentista, a festa no prédio, terroristas, reféns assassinados friamente (a cena da morte do responsável pela vigilância do prédio é idêntica), líder terrorista psicopata, uma heroína saindo do nada, amizade com policial, parente (esposa/irmão) em perigo dentro do prédio mas tudo sem o charme e a ironia de Willis.
Deve ter faltado dinheiro para o cachê de Clive Owen que
morre antes da metade do filme
O lado bom do filme é que dá vontade de rever "Duro de matar" e perceber o abismo que existe entre um e outro.
As Cores do Mal: Preto
3.1 18 Assista AgoraO filme é a segunda parte de uma quadrilogia, que se iniciou com "As cores do mal: vermelho" em que vemos o mesmo personagem, o promotor Bilsky envolvido na investigação do desaparecimento de um menino e o promotor acaba se envolvendo amorosamente com a mãe dele (num relacionamento forçado e sem química) que o leva ao desaparecimento de outro menino anos atrás, que acaba aparecendo morto.
Achei esta segunda parte confusa e sem a mesma fluência narrativa que a primeira e depois de algumas pistas falsas sobre quem seria o sequestrador descobrimos
que o verdadeiro assassino da primeira criança que sumiu era um empresário influente da cidade e que o sequestrador do segundo era seu filho ilegítimo.
The Black Torment
3.0 4Narrativa insuportavelmente lenta, diálogos intermináveis e sem importância com elenco desconhecido.
O visual lembra os filmes da Hammer, mas nada além disso. Acho que nem o pior filme da Hammer é tão chato.
Para piorar vi no Youtube com uma péssima dublagem em português feita por IA.
Museus de Horrores
3.2 2Assisti em virtude do título em português, que nada tem a ver com o original "Crack up" que significa surto psicótico ou colapso mental. Grande parte da narrativa se passa no tal museu, daí o título, mas não tem nada de horror.
Imaginava que fosse um daqueles filmes que se inspiraram no clássico "Museu de Cera", mas na verdade o enredo é sobre um especialista em obras de arte que tem um surto psicótico como no título original.
Depois descobrimos que era só uma trama montada para que ele acreditasse estar enlouquecendo e impedir que identificasse que vários quadros eram falsos.
Talvez a explicação para o título enganoso seja essa, sugerir que seja algo na linha do terror para atrair o público, porque é uma trama bem monótona, confusa e com elenco desconhecido.
Colisão: Acidente ou Homicídio?
3.2 33 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
O documentário mostra como a investigação de um aparente caso de acidente automobilístico pode evoluir para um homicídio.
O espectador não tem como fugir do que a narrativa propositalmente o leva, ou seja, a condenar Mackenzie Shirilla, a adolescente que estava ao volante de um carro que bateu violentamente contra a parede de um prédio e causou a morte de seu namorado Dominic Russo e de seu amigo Davion Flanagan.
Tudo na narrativa é feito para evidenciar a intenção de Mackenzie, que ela realmente premeditou o assassinato do namorado, não se importando com danos colaterais, a morte do amigo Davion.
Dominic e Davion são apresentados como jovens gentis, preocupados com a família enquanto Mackenzie é mostrada como uma jovem fútil, agressiva e que mantinha uma relação tóxica com o namorado.
Não que isso não seja verdade, tudo leva a crer que a garota realmente quis matar o namorado e poderia ter morrido no acidente, nada desmente que era uma jovem egoísta e mimada pelos pais, que estranhamente concordam em participar de um documentário que apresenta a filha como culpada pela morte de duas pessoas.
Apresenta os depoimentos dos pais de Mackenzie, Dominic e Davion, além da investigadora e do promotor, ou seja todos os principais envolvidos na tragédia. O direcionamento na aparente culpabilidade de Mackenzie, é porque talvez ela seja mesmo culpada!
A obsessão por redes sociais, exposição excessiva da vida particular, consumo de drogas, tudo é abordado em uma narrativa ágil, sem enrolação. Termina com a condenação da garota e nós respiramos aliviados com a certeza de que a justiça foi feita.
Cálculo Mortal
3.3 318 Assista Agora"Cálculo mortal" promete muito, mas se perde um pouco no desenvolvimento da narrativa.
A detetive Cassie (Sandra Bullock) entrega uma tragédia pessoal, que não é suficiente para criar empatia, parece odiar o mundo, usa as pessoas, descarta, não tem paciência, é obsessiva em resolver o crime, plot principal da narrativa, mas faz isso de forma atabalhoada, urgente, sem respeitar chefes, colegas e procedimentos e cria em torno de si uma aura de antipatia.
A relação entre os assassinos Richard (Ryan Gosling) e Justin (Michael Pitt) é dúbia, paira entre eles uma tensão sexual que não se concretiza, aqui mais uma referência ao clássico "Festim Diabólico" de Hitchcock, além do assassinato arquitetado e executado apenas para sentir como é realizar o suposto crime perfeito.
Personagens que não disseram a que vieram como Sam (Ben Chaplin) o parceiro de Cassie, que parece estar ali apenas para ser feito de bobo o filme inteiro e Lisa (Agnes Bruckner), que serve somente para deixar mais claro a rivalidade ou o ciúme que Richard sentia de Justin.
As situações vão se sucedendo naquela lógica sem lógica com conveniências de roteiro e um plot twist final que pelo menos a mim não surpreendeu, mas tem aquela vibe nostálgica dos anos 90 e começo dos anos 2000 e tem a Sandra Bullock que virou um ícone desde que dirigiu aquele ônibus desgovernado, então vale a visita, nem que seja para matar a saudade de uma época que a gente nem sabia o que era streaming.
Os Cavaleiros do Apocalipse
3.0 343CONTÉM SPOILERS
Mais um filhote de "Seven" mas tudo muito artificial, com atuações exageradas.
A filha adotiva no momento que aparece já nos diz "culpada", o filho depressivo do amargurado detetive (Dennis Quaid) estar relacionado aos crimes, também surpresa zero.
Final anticlimático e nem entendi se o menino morreu ou não.
Fico com o ótimo comentário do meu amigo Vagner que disse que viu o filme no modo "Casas Bahia" à prestações, e foi bem difícil pagar o carnê inteiro.
Armadilha
2.7 880 Assista AgoraO filme lembra muito "Olhos de serpente" de Brian de Palma, neste um crime é cometido durante uma luta de boxe em um ginásio lotado, a comparação é até óbvia, um espaço fechado com uma multidão em que se desenvolve uma trama de suspense, mas enquanto de Palma entrega uma trama instigante com ótimos planos sequência, este se perde e consegue ficar bem ruim na sua parte final.
Embora possa ter sido uma homenagem de Shyamalan a Brian de Palma, seu filme acaba dando a impressão que é só um veículo que o diretor usou para alavancar a carreira da filha Saleka Shyamalan que é cantora e no filme vive a popstar Lady Raven. Mais da metade do filme exibe cenas do show da filha do diretor, o grande problema é quando a ação sai do show e Saleka vê seu personagem se tornar protagonista, sua atuação é constrangedora.
Josh Hartnett entrega uma atuação convincente, embora toda as situações que vão ocorrendo dentro do ginásio ou fora dele, sejam bastante inverossímeis, mas Shyamalan parece consciente que abdicou de uma trama verossímil em favor de uma trama divertida.
Como sempre ficamos esperando uma virada na narrativa, aquele plot twist característico dos filmes do diretor
mas nesse não houve nada que surpreendesse, pois desde o começo sabíamos que ele era o homem que o FBI estava perseguindo.
A cena final com o serial killer se livrando das algemas é surpreendente? Não, só achei absurda mesmo, policiais deixarem o serial killer, que os fizera de bobos desde o início do filme, ir levantar uma bicicleta!
Era pra ter um final aberto, ele iria fugir? Sair do camburão, matar todos os policiais com aquele prego?
M. Night Shyamalan parece buscar um roteiro genial desde o fabuloso "O sexto sentido" e isso parece prejudicá-lo, já fez algumas coisas boas, outras medianas e outras ruins. Esse se encaixa de mediano para ruim e a única coisa que fica é mesmo a impressão de um diretor nepotista, que coloca a filha sem talento como atriz para protagonizar seu filme.
Confiança
1.7 52Ao que se propõe, o filme entrega uma trama razoável.
Há momentos tensos, bandidos atrapalhados, inserção de um tema sério como pedofilia e o culto às celebridades.
Sophie Turner como a estrela juvenil Lauren tem uma boa performance.
Só uma ressalva ao final, a pobre Grace (Renata Vaca, sim é esse o sobrenome) após salvar o cachorro de Lauren e a própria, quase perdendo a vida e provavelmente perdendo o emprego, nem é mencionada no final, não houve sequer uma recompensa, talvez a rica Lauren ajudando Grace doando recursos para que ela abrisse um abrigo de animais. Nada, pobre Grace.
Anaconda
2.5 272 Assista AgoraSe você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
Corta-fogo
3.1 42 Assista AgoraPartindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
No final
apesar dos ferimentos físicos, todos sobrevivem
mas saem mais feridos psicologicamente.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
Não Se Preocupe, Querida
3.3 643 Assista AgoraFlorence Pugh é ótima atriz, carrega o filme nas costas, Harry Styles deve ser melhor cantando (nunca ouvi nada dele).
O plot twist final não me surpreendeu
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
Pecadores
4.0 1,3K Assista Agora“Pecadores” seria apenas mais um “filme de vampiro”, não fosse o fato que aqui os vampiros são usados como metáforas. Estes seres sobrenaturais invadem o espaço dos negros e sugam seu sangue, mas enquanto fazem isso literalmente há um subtexto sobre a apropriação cultural da música, comida e costumes da comunidade negra americana.
Antes de entrar propriamente na ação “vampiresca”, há um longo prólogo no qual somos apresentados aos personagens no seu dia-a-dia, seus conflitos e interações para que pudéssemos nos importar com o que vai acontecer com estes personagens e não serem apenas mortes aleatórias, além de estabelecer o local e o contexto histórico, o Mississipi de 1932, da segregação racial e da Ku Klux Klan.
O blues tem papel central na narrativa, ao intuir que a música teria um pacto com o demônio, o personagem Sammie (Miles Caton) deixa clara essa alusão quando se vê dividido entre o blues e a fé cristã. Uma belíssima sequência unindo passado, presente e futuro, alude às raízes desse estilo musical como também ao legado que ele deixou na história e na cultura negra americana e o poder transcendental da música atravessando gerações.
Michael B. Jordan faz um belo trabalho como os gêmeos Stack e Smoke, com diferenças sutis para distinguir os irmãos, se destacando em um elenco primoroso, não há como apontar uma atuação destoante.
“Pecadores” é original na sua representação do sobrenatural para evocar o conflito racial, porém como filme de vampiro é apenas mais um filme de vampiro. E muitos que não captarem essa simbologia da trama, vão apenas achar que é um filme “comum” de vampiros com os habituais clichês sobre essas criaturas, sensibilidade à luz solar, ao alho, cruzes, estacas e que precisam de permissão para entrar em um ambiente.
O filme incorpora o realismo fantástico para se aprofundar nas várias camadas do subtexto racial e nesse sentido consegue um resultado brilhante. Os vampiros deturpam o que não possuem e resta aos negros a resistência para manter sua identidade.
A dúvida é quem são os verdadeiros pecadores, os brancos que deturpam e invadem o espaço que não é seu ou os negros que querem se divertir e celebrar, muitas vezes abandonando a fé cristã e se tornando “pecadores” segundo a doutrina religiosa?
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
3.6 259 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
Esse terceiro filme da franquia "Knives out", muda um pouco o foco da narrativa, ao invés de ser totalmente voltada para a descoberta do assassino, temos um enredo centrado em questionamentos do comportamento humano, da fé e da religiosidade.
É claro que existe uma trama a ser desvendada, mas mais do que apontar o "quem matou", questiona-se o "porque matou" e a narrativa tem como personagens protagonistas o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig, inspirado em detetives clássicos da literatura especialmente em Hercule Poirot, o personagem icônico de dama do mistério Agatha Christie) e o padre Jud Duplenticy (Josh O´Connor).
O primeiro encontro entre os dois se dá dentro de uma igreja, em que Blanc já deixa claro sua total falta de crença na religião ao passo que o padre Jud mostra-se, dentro de uma dor e uma fragilidade carregando uma culpa por uma morte que ele provocou, é um ser absolutamente seguro de sua fé.
Vi críticas as cenas excessivamente explicativas, mas um romance policial, que inspira a narrativa, é feito destas cenas, em que no final, o detetive é a figura central, explicando todos os detalhes de como o crime foi cometido.
O assassinato a ser investigado é do Monsenhor Jefferson Micks (Josh Brolin), um homem arrogante, egoísta e que quer impor sua presença como quase um Deus diante de seus paroquianos e para isso planeja a própria falsa morte, mas acaba sendo morto mesmo. Sua encenação da morte simulada e posterior ressureição, remete ao milagre bíblico de Lázaro.
Os personagens coadjuvantes são pouco desenvolvidos como o médico Nat Sharp (Jeremy Renner), a paroquiana Vera (Kerry Washington, careteira como sempre) e a funcionária da Paróquia Martha (Glenn Close), personagem pouco explorado pela importância que teria no final, mas que conta com a atuação segura e sempre excelente de uma grande atriz.
Toda a narrativa menos suntuosa, tantos em cenários quanto em diálogos, faz a trama mais reflexiva, não há as cenas exageradas e caricatas, os personagens tem suas falhas e defeitos puramente humanos, até Blanc se mostra mais falho, e na cena final, onde supostamente deveria revelar toda a trama do assassinato, não se furta a dizer que não conseguiu desvendar, embora seja para que o verdadeira assassinato se revelasse.
A explícita relação com a religiosidade, é feita quando Blanc, ao se preparar para revelar toda a trama e ser aclamado, a luz vinda dos vitrais da igreja o iluminam, como se fosse um ser sagrado prestes a realizar um milagre.
As atuações dos protagonistas são perfeitas, Josh O`Connor tem uma interpretação contida mas ao mesmo intensa ao deixar evidente a dor e culpa que o dilaceram, Daniel Craig entende que seu detetive deve parecer mais sério e menos caricato.
A terceira produção da franquia "Knives out" apresenta uma trama mais contemplativa, mais amarga, menos divertida que não deixa de expor a trama investigativa que envolve os espectadores mas entrega uma narrativa que tem outras camadas que vão além do mistério policial.
Columbo: Resgate por um Homem Morto
3.0 2Neste segundo telefilme, ainda antes da estreia da série, que se tornou um marco nas séries policias para a TV, Columbo volta com seu costumeiro desleixo, olhar distraído e jeito confuso, que esconde uma mente genial
No enredo Columbo investiga a morte do marido de Leslie Williams (Lee Grant) e como sempre, começa um jogo de gato e rato entre assassino e detetive, como no primeiro filme e que depois se tornaria a "receita" da série.
A trama mostra que Leslie é a assassina logo no começo e então vemos todos os detalhes de como a efervescente mente de Columbo funciona exposta em diálogos inteligentes e irônicos.
O "assassino" convidado de cada episódio era sempre um ator bastante conhecido e o duelo de atuações era um dos maiores trunfos dos filmes e posteriormente da série, que se tornou um fenômeno mundial ganhando inúmeros prêmios, assim como Peter Falk que teve o papel de sua vida.
Fórmula Para Matar
4.3 4A primeira produção com o personagem Columbo, que viria a ser o papel da vida de Peter Falk.
O icônico detetive se tornou um marco nas séries policiais com seu desleixo, capa de chuva surrada, charuto e o velho Peugeot 1959, que fazia com que todos os investigados subestimassem sua capacidade e até debochassem dele.
Nesta apresentação do personagem, Columbo investiga o assassinato da esposa de um psiquiatra (Gene Barry da série "Bat Masterson) e já mostra sua genialidade ao observar detalhes que levam à revelação do assassino.
O roteiro subverte à clássica trama de investigação, na qual o assassino é revelado ao final. Sabemos quem é o autor do crime desde a primeira cena, vemos como o assassinato é arquitetado e o desenvolvimento da trama será como Columbo vai descobrir o que aconteceu.
O jogo de gato e rato entre o detetive e o assassino, recheado de diálogos espirituosos, é o que envolve o espectador, sempre com uma excessiva educação, se desculpando por tudo, até que mostra que não era o sujeito atrapalhado e desligado que parecia ser.
Here After
1.9 12Produção italo-americana filmado em Roma.
Suspense de possessão genérico, atuações de medianas para ruins, com narrativa arrastada e final sem surpresas.
A Última Premonição
2.6 174 Assista AgoraSuspense genérico que serve apenas como passatempo.
Quando ao final descobrimos que as visões da protagonista, são acontecimentos que iriam acontecer e não que já aconteceram.
Afinal era a casa que gerava as visões? já que quando ela liga para a antiga moradora, a mulher diz para ela que também teve visões.
A reviravolta final, que o título nacional entrega, causa uma certa surpresa, mas muita coisa fica sem explicação.
Influencer do Mal: A História de Jodi Hildebrandt
3.0 31 Assista AgoraA história revolta como todo caso que envolve abuso de crianças.
Mostra uma mulher manipuladora e cruel, mas que aparentemente acreditava estar fazendo o bem daqueles que torturava.
A narrativa é um tanto lenta e repetitiva, aborda a forma como Jodie Hildebrant envolvia suas vítimas, como manipulou a mãe das crianças abusadas e torturadas (mas não eximo a mãe de culpa), como uma mente doentia tinha milhares de seguidores que lhe permitia ter uma vida confortável em propriedade de luxo e no final como se deu a prisão e julgamento.
A Substância
3.9 1,9K Assista Agora“A substância” é um filme chocante, por vezes exagerado e apelativo, mas que constrói uma narrativa envolvente, cheia de camadas, eficaz embora perturbadora.
SPOILERS ABAIXO
Demi Moore é Elizabeth Sparkle, uma atriz que é descartada quando envelhece e desesperada por reaver a juventude perdida, recorre à uma droga que chega até ela de forma misteriosa e ao aplicar a tal “substância” acaba por gerar uma cópia jovem de si mesma, que nasce de sua costela (a semelhança bíblica com Eva nascendo da costela de Adão é proposital).
A cópia, que adota o nome de Sue (Margaret Qualley) não é fisicamente igual, é jovem e possui os padrões de beleza e sexualização que o mundo exige. Logo começa a querer mais e não faz a troca exigida a cada sete dias, se tornando ela também escrava da padronização imposta pela indústria do entretenimento.
Embora seja uma crítica bastante explícita à indústria da beleza, não deixa de ser uma crítica também às próprias mulheres, que se deixam levar pelas exigências dessa indústria e também da sociedade, começando a buscar uma beleza inacessível e a ilusória juventude eterna através de múltiplos procedimentos estéticos hoje disponíveis.
Os cenários e figurinos coloridos, a caricata atuação de Dennis Quaid como o empresário misógino, a exposição do corpo, ora belo e ora grotescamente deformado, formam um quadro propositalmente exagerado, refletindo o quanto esse mundo idealizado da estética é cruel.
Elizabeth não usufrui dos privilégios e vantagens que sua jovem versão passa a viver, enquanto Sue colhe os louros da fama e do sucesso, ela permanece escondida e solitária, observando à distância com tristeza e revolta, apesar de ouvir da misteriosa organização que ambas são uma só, não é isso que transparece, é como se o enredo mostrasse que tanto sacrifício em busca da juventude perdida, acaba não valendo, é só um sofrimento inútil que acaba sendo apenas isso, amargura e decepção.
Quem indaga de onde veio a tal droga e o que era a organização que a produz... são perguntas irrelevantes, já que o filme inteiro é uma alegoria, não existe tal droga que faça você “parir” uma cópia jovem, como não existe a fórmula da juventude. A “substância” é o desejo da perfeição que a sociedade nos impõe e o baque que sofremos quando percebemos que essa perfeição não existe.
A sequência final vai ao extremo do “body horror”, excessivo e impactante, de certa forma condena a sociedade atual que valoriza estes padrões estéticos, a ponto de muitas vezes destruir seu corpo em busca desse padrão inatingível. É uma crítica amarga e ácida, que gera desconforto, por vezes exaustão, não é uma experiência fácil, está longe de ser entretenimento, é sobretudo reflexão de uma sociedade doente, carente de sentimentos e que busca na aparência idealizada a realização plena.
Demi Moore merece todos os elogios, abrindo mão da vaidade tem uma atuação visceral que contribui de forma decisiva para o sustento da narrativa. Ironicamente perdeu o Oscar para uma atriz de 25 anos, o que acaba parecendo uma extensão de tudo que o filme mostrou
Fargo: Uma Comédia de Erros
3.9 988 Assista AgoraAssisti "Fargo" o filme, logo após ter visto a fabulosa primeira temporada da série "Fargo", cujo enredo nele se baseia. Comparar uma obra de uma hora e meia com uma série de 10 episódios, não parece justo, mas é inevitável. Talvez tivesse outra opinião se tivesse apenas o filme.
O filme parece simplista, esquemático, não conseguimos conhecer seus personagens, motivações, relacionamentos, personalidades, nada.
Marge é apenas uma mulher caipira grávida que tem um casamento amoroso com um sujeito bonachão e Jerry Lundegaard (William H. Macy) é pouco estruturado e bem menos maquiavélico, ambicioso e cruel que sua versão na série.
A raiz narrativa está presente, mas tudo de forma muito tênue, sem a força das interpretações e profundidade de sua versão posterior.
"Fargo" recebeu 7 indicações ao Oscar e ganhou duas, melhor roteiro original e melhor atriz para Frances McDormand, embora para mim seja um mistério que ela tenha sido premiada por esta atuação.
O filme se tornou cult, mas diante de seu remake no formato seriado, envelheceu mal. Vale como curiosidade para vermos de onde saiu o embrião da excelente série produzida muitos anos depois.
A informação que se trata de uma história real é uma brincadeira dos irmãos Coen, embora se baseie levemente em um caso verídico, toda a narrativa é ficcional.