A novela teve boas atuações e boa reconstituição de época no qual se destacaram a protagonista Duda Santos (Beatriz) e a antagonista Maisa Silva (Bia), que mostrou talento como atriz.
Ponto negativo foram as cenas intermináveis e recorrentes do núcleo cômico formado pela família de Alfredo (Eduardo Sterblitich) e sua histriônica e chatíssima empregada Jacira (Flavia Reis) que não acrescentavam nada à narrativa e não tinham a menor graça.
De qualquer forma, mostrou os anos 50 de forma utópica, no qual uma moça negra poderia ser modelo de propaganda, fazer a protagonista de uma novela e um garoto homossexual teve sua sexualidade prontamente aceita por família e amigos. Sabemos que isso não era verdade, até o começo dos anos 2000, atores negros eram relegados à papéis de empregados e escravos e personagens homossexuais eram caricatos, mas é uma obra ficcional e como tal cumpriu o papel de entreter, mesmo com uma visão idealizada da época.
"Beleza fatal" tem mais cara de minissérie, pela sua curta duração daquilo que comumente entendemos como novela, não houve aquela costumeira "barriga", não houve tempo para isso, e seus ágeis 40 capítulos foram uma aula de como criar um produto envolvente.
Baseado em um tema clichê, a vingança de alguém que volta anos depois com identidade falsa, já visto em muitas produções do cinema à TV, que soube mesclar com outras obras que deram muito certo como "Parasita" e resultou numa trama bem contada, ágil e viciante.
A escolha de elenco não poderia ter sido mais acertada, todos entenderam seus personagens com iam do trágico ao divertido, numa simbiose perfeita entre atuação e caracterização física.
É claro que houve destaques e apesar das três protagonistas entregar atuações perfeitas, o destaque absoluto fica com Camila Pitanga, que criou uma Lola ao mesmo tempo hilariante e cruel, uma presença que dominou a novela do começo ao fim com suas falas politicamente incorretas, quem não se lembra delas?
Para o marido Benjamin (Caio Blat) "querido, seu pai é a TV aberta e eu sou o streaming", uma cutucada sobre o futuro das novelas? ou "isso aqui parece Game of thrones e eu sou a Daenerys!" brincando com uma das maiores produções da HBO.
Enquanto isso Camila Queiroz apresentou seu melhor trabalho como atriz, um desempenho difícil, pois sua personagem muda de mocinha, mesmo vingativa, para vilã obcecada, chegando a cometer um assassinato e não terminando feliz ao lado de Gabriel (Enzo Romani). Um desfecho ousado, onde a suposta mocinha muda sua trajetória ao ponto de não ter o costumeiro "happy end".
Giovanna Antonelli construiu uma Elvira humana, mãe e esposa, que sofre por suas crias, apaixonada por seu marido Lino (Augusto Madeira), sujeito bonachão, parceiro de todas as horas e muito longe do típico galã, mas ela não é absolutamente inocente, já que engana, dá golpes, só que esse lado humano meio que faz com que perdoemos suas condutas pouco honestas.
Destaque entre os personagens masculinos, Rog (Marcelo Serrado), criou um cirurgião plástico, que no começo da história já mostra que seu lado divertido também pode ser egoísta e cruel ao abandonar sua paciente num terreno baldio quando esta passou mal numa cirurgia e poderia complicar sua vida. Suas falas em inglês, criadas pelo próprio Marcelo, foi um acerto que contribuiu para criar simpatia pelo personagem, mesmo vendo do que ele era capaz como torturar sua esposa Gisela (Juliaj Stockler, também em ótima atuação).
Além destes destaques individuais, todo o elenco funcionou muito bem, numa trama que se passa no universo do comércio da beleza, com uma crítica ao seu exagero. Há também alusão ao culto às celebridades, ao mundo fake que as pessoas constroem nos seus perfis em redes sociais, tudo desenvolvido pelo talentoso Raphael Montes em um enredo que mistura crime, vingança, tragédias pessoais, com um tom por vezes cômico, na sua duração sem tempo para enrolação, com desfecho ousado, transformando mocinha em vilã e vilã por quem somos capazes de torcer emoldurada pelo glamour do mundo da estética e como ele pode ser atraente mas ao mesmo tempo perigoso se não soubermos entender seus limites.
Acabei de assistir “Força de um desejo”, novela de 1999 que não acompanhei na época de sua exibição na TV e graças a recomendação do meu querido amigo Marcelo, decidi assistir a trama, 26 anos depois do seu lançamento, e posso assegurar que é a melhor novela que já vi e deveria constar numa lista de “novelas para ver antes de morrer”.
SPOILERS ABAIXO
Tendo como cenário o Brasil imperial da época da escravidão, conta a história do romance entre a cortesã Ester Delamare (Malu Mader, belíssima) e Inácio Sobral (Fábio Assunção, também no auge da juventude e da beleza).
No primeiro capítulo já temos uma amostra do que seria o esmero da produção, com uma estupenda sequência gravada no Teatro Municipal de Niterói em que Inácio conhece Ester e se apaixona à primeira vista. Então temos o típico desenvolvimento nos moldes de um folhetim. Mesmo após descobrir que Ester era uma cortesã, dona de um famoso salão no Rio de Janeiro, na época capital do Império, Inácio não se abala e segue adiante com o objetivo de conquistar Ester, que apesar de relutar, já estava irremediavelmente apaixonada pelo belo rapaz. Os dois acabam se entregando à paixão e fazem planos de casamento. Ester estava disposta a abandonar tudo por amor a Inácio, mas os acontecimentos que se seguem impedem que o casal viva livremente seu amor.
Inácio havia rompido com sua aristocrática família, pois seu pai, o barão Henrique Sobral (Reginaldo Faria) maltratava sua mãe Helena (Sonia Braga que retornava às novelas depois de muitos anos). Mas na véspera de sua partida com Ester para São Paulo, onde pretendiam se casar, Inácio recebe a notícia de que a mãe estava à morte e parte para a fazenda onde morava, a avó de Inácio vivida por Nathalia Timberg, fantástica como a perversa Idalina, arma um estratagema que faz Ester pensar que havia sido abandonada e magoada planeja a vingança contra o homem que ama.
Henrique, após a morte da esposa, parte para a Corte, como era chamado o Rio de Janeiro, conhece Ester, se apaixona e casam-se. A cortesã não o amava, mas sentia-se grata por ele ajudá-la a desistir da vingança que só a estava arruinando mental e financeiramente. O choque vem quando ao se mudar para a fazenda do marido, Ester descobre que ele era pai de seu grande amor. A partir daí o casal passa a sofrer muito, pois descobrem que foram vítimas da maldosa Idalina, e embora apaixonados tem de sufocar o sentimento.
Em volta do casal principal gravitam personagens com interessantes enredos paralelos, o vilão Higino (Paulo Betti) apaixonado por Helena, descobre ser pai de seu filho mais novo Abelardo (Selton Melo), e tinha por objetivo destruir o barão e para isso arma diversos planos contra ele, casado com a hilária Barbara (Denise Del Vecchio) e pai da fútil e mimada Alice (Lavinia Vlasak) que era apaixonada por Inácio e se une a Idalina para juntas armarem várias conspirações visando separar Ester e Inácio.
Alice passa a trama se aproveitando do amor de Abelardo, manipulando-o, a ponto de se entregar a ele para engravidar e dizer que o filho era de Inácio. Abelardo, por sua vez, acreditando que ela é sua irmã, sente-se culpado, mas o que ele não sabia é que não era irmão da moça, ela não era filha de Higino e tinha conhecimento do fato mas não hesita em fazer o rapaz sofrer durante muito tempo, acreditando ter praticado incesto.
Uma trama paralela de importância, é a narrativa envolvendo Olivia (Claudia Abreu) escrava branca que desperta a obsessiva paixão de Higino, trama inspirada no clássico “A Escrava Isaura”. Apaixonada por Mariano (Marcelo Serrado), Olivia é obrigada a conviver com as constantes tentativas de ser subjugada por Higino, que vai desde aprisioná-la até torturá-la fisicamente.
Outros personagens de importância são Bartolomeu (Daniel Dantas) jornalista abolicionista, Guiomar (Louise Cardoso) amiga de Ester, Trajano (André Barros) amigo fiel de todos, José Lewgoy (Conselheiro Felicio) dono do banco, Vitório (Antonio Grassi), capanga de Higino, Clemente (Chico Diaz), o cruel feitor da fazenda Ouro Verde, cobiçada por Higino, Juliana (Julia Feldens) a tímida e doce moça apaixonada por Abelardo, Leopoldo (Claudio Correia e Castro) o afável avô de Inácio, tão diferente de sua cruel esposa, os escravos Jesus (Sergio Menezes) , Zulmira (Ana Carbatti), Cristovão (Alexandre Moreno) e Rosália (a excelente Chica Xavier) que participam ativamente das tramas envolvendo seus donos além de dramatizarem um período nefasto da história do Brasil, a escravidão com toda sua absurda crueldade. Na fazenda de Higino, Diva (Delma Silva) a mucama de Barbara ficou marcada por suas participações quase sempre acompanhadas do grito “Divaaaaa” de sua tresloucada senhora.
Algumas cenas engraçadas com Barbara, Guiomar, Bartolomeu, Luzia e Olivia, eram inseridas de forma natural, fazendo parte da narrativa, sem aquela obrigação de um núcleo cômico, que quase sempre resulta em sequências cansativas, sem graça e muitas vezes sem importância alguma no enredo da novela.
A certa altura a trama romântica ganha ares de suspense investigativo, pois vários personagens começam a morrer assassinados, Dr. Xavier (Nelson Dantas), padre Olinto (Abrahão Farc) e o maior mistério da trama, o assassinato do Barão Sobral. Conduzida com muita eficácia, a trama dos assassinatos cuja solução só é revelada no capítulo final, quando descobrimos que a assassina não só do barão, mas até do médico e do padre é a insuspeita e “maluquete” Barbara, que matou todos para encobrir que ela havia arquitetado o assassinato de Helena, sim a baronesa também havia sido vítima de Barbara, pelo ciúme que sentia de Higino e contou com a ajuda de Luzia (Isabel Fillardis), escrava que a princípio era apenas invejosa, ganhou ares divertidos, quase infantis durante o decorrer da novela mas ao final, fora ela que colocou o veneno no copo da baronesa. Barbara confessa também ter matado outras mulheres que se envolveram com Higino, uma verdadeira serial killer da época do império.
Um problema da narrativa, foi seu final apressado, no qual vários acontecimentos se atropelaram, a revelação do assassino, o julgamento e soltura de Ester, que estava presa por mais uma armação de Idalina e Alice, a morte de Higino, a prisão dos culpados e os finais felizes de todos os personagens do bem. É típico das novelas deixar todos os desfechos para o fim, mas neste caso, havia tanta coisa para ser esclarecida que tudo ficou corrido demais. Faltou algo que o público certamente ansiava, ver como os vilões encarariam a prisão, com exceção de Barbara, que vimos foi internada em um manicômio e Higino que morreu, Idalina que aprontou tantas vilanias durante a trama que foi muito pouco vê-la por apenas dois segundos sendo presa.
Apesar desse final corrido, a novela inteira foi uma sucessão de ótimas escolhas, elenco brilhante, com todos os atores perfeitamente adaptados em seus personagens, figurino primoroso, trilha sonora maravilhosa, roteiro redondinhho, que fluiu sem a costumeira “barriga”, sempre havia alguma coisa importante acontecendo e fez com que seus 226 capítulos passassem sem cansar o espectador.
Algumas sequências que merecem ser lembradas por sua importância na trama ou beleza visual, o beijo de Inácio e Ester na chuva e todos os encontros do casal na Corte, a tensão e o desenrolar do assassinato do barão durante a festa realizada na fazenda, o seqüestro de Olivia, o duelo entre Higino e Abelardo, o julgamento de Ester, a fuga de Inácio da prisão e sua posterior captura, a tentativa frustrada de fazer Inácio acreditar que Ester havia passado a noite com o Conde Pedro Afonso (Marco Ricca), Juliana desmascarando Alice frente à Abelardo, a divertida primeira aparição de Olivia, quando dá um golpe em vários frequentadores do salão de Ester e finalmente a cena de encerramento com os protagonistas abraçados ao pôr do sol, a câmera se afasta, vira uma pintura emoldurada em um quadro ao som do belo tema de abertura.
A química do casal central também foi extraordinária, além da atuação esplêndida, fomos brindados com dois artistas no auge de sua beleza. Inácio e Ester, assim como seus intérpretes, se completavam de forma tão única, que certamente foi um dos casais mais perfeitos da dramaturgia televisiva.
Gilberto Braga e Alcides Nogueira desenvolveram uma trama magnífica que apesar de tipicamente folhetinesca, soube dosar com maestria romance, mistério e aventura coroados por um elenco inspirado e um visual deslumbrante que juntos construíram uma das melhores produções da TV brasileira, que infelizmente não teve a repercussão, o sucesso e o reconhecimento merecidos.
Não assisti a novela na época de sua exibição na TV e aproveitando que a produção estreou na Globoplay por ocasião do seu aniversário de 25 anos, pude assisti-la.
O enredo mistura romance e espiritualidade, com toques góticos que me lembrou muito a história de “Jane Eyre” da obra de Charlotte Brontë em que uma garota chega para trabalhar na casa de um viúvo amargurado que guardava segredos obscuros e um grande trauma.
SPOILERS ABAIXO
Flávia Cristina (Leticia Spiller, belíssima) moça honesta e trabalhadora, é irmã de Bruno (Caio Blat) um jovem delinqüente e traiçoeiro, que faz com que ela se envolva na morte de um agiota para o qual seu irmão devia dinheiro. Obrigada a fugir, ela encontra na rodoviária uma moça que coincidentemente também chama Flávia, só que Regina (Christine Fernandes, também lindíssima) que se dispõe a ajudá-la e a leva para a cidade de Esplendor, onde iria começar em um novo emprego como governanta. No caminho, um acidente de ônibus deixa Flávia Regina em coma e acabam levando Flávia Cristina por engano para a casa onde a outra Flávia, a Regina, iria trabalhar, a mansão do viúvo Frederico (Floriano Peixoto, ótimo), cujo figurino e cabelos compridos lembram Heathcliff de “O morro dos ventos uivantes” de Emily Brontë, mais uma referência à romances góticos.
Na casa moravam, além de Frederico, sua irmã, a amável e delicada Adelaide (Cássia Kis) e os seus filhos , Fred Junior (Max Fercondini), Erica (Thais Fersoza) e o problemático Gui (Thiago de Los Reyes) que não fala desde a morte da mãe e que se afeiçoa imediatamente à nova governanta. Um parênteses para a atuação do menino Thiago, que não fala uma única palavra até o último capítulo, mas atua lindamente, com expressivos rosto e olhos que transmitem toda sua angústia e o trauma pelo qual havia passado, que permanece um mistério só revelado no final.
Flávia e Frederico se apaixonam e a novela ganha um forte lado romântico, com inúmeras cenas do casal ao som da bela “Love is a many splendored thing”, que para mim deveria ter sido o tema de abertura da novela, muito mais representativa do que a chatinha canção de Caetano Veloso.
É claro que até o final feliz, o casal enfrenta inúmeros desafios causados em sua maioria por Cristovão (Murilo Benício, vilão charmoso, em atuação perfeita), uma espécie de irmão adotivo de Frederico, mas que o odeia. No quesito vilões temos também a amargurada e vingativa Olga (Joana Fomm, também excelente) esposa do médico Norman (Gracindo Junior), que é apaixonado por Adelaide.
Aliás falando em Adelaide, além da excelente performance de Cássia Kis, tivemos uma das mais emocionantes e poéticas mortes de um personagem em novelas. Seu discurso e posterior diálogo com Norman no jardim da mansão, foi a cena mais bela e comovente da novela inteira, seguida pela cena final em que descobrimos que o sensitivo Gui continuaria a ver a tia, como durante muito tempo viu a mãe falecida.
Contando também com um elenco de apoio perfeito, como os sempre amigos e prestativos Rodolfo (Osmar Prado) e Laura (Claudia Alencar), a atrapalhada Marisa (Adriana Garambone), o tímido Caçula (Guga Coelho), a sofrida Irene (Zezé Mota) e os ícones da dramaturgia brasileira, os já falecidos Ítalo Rossi, como o mal humorado e adorável mordomo Vicente e Tonia Carrero vivendo a maluquete e anjo da guarda da cidade Mimi (Tonia Carrero).
Apesar de algumas cenas exageradas, como o cativeiro a que Cristovão submete Flávia, a novela primou pela narrativa envolvente, elenco com ótimas atuações, figurino deslumbrante, ótimo design de produção com uma caprichada reconstituição de época (as festas de aniversário de Érica, casamento de Norman e Adelaide e o casamento de Frederico e Flávia foram estupendos) e trilha sonora nostálgica e de bom gosto.
Uma novela que talvez hoje em dia, não tenha mais espaço para ser produzida, pois remete às produções clássicas do cinema, com ritmo lento e, acima de tudo, muito romantismo, que merece ser vista por quem não a conhece ou revista, por quem já a assistiu na sua primeira exibição e queira rememorar uma bela narrativa com esplêndido visual.
Não conhecia a série, na mesma linha da famosa e cultuada "Além da Imaginação", com o diferencial que esta tem enredos apenas com temáticas sobrenaturais supostamente baseadas em casos verídicos, enquanto a série de Rod Sterling tinha muitos episódios com temas futuristas e sci-fi.
Temporada completa de 39 episódios, disponível no Youtube com legendas automáticas em inglês e português (com muitos erros).
Como toda série de antologia, a qualidade da temporada é irregular, há episódios bons, medianos e ruins, embora nesta há mais episódios bons que na primeira.
Todos os episódios são dirigidos por John Newland, que também é o "host" que faz a apresentação das narrativas.
SPOILERS:
Nesta temporada destaco os seguintes episódios:
3 - "Linha cerebral" - Oficial tem que realizar uma cirurgia de emergência no capitão do submarino durante a segunda guerra mundial e para isso tem que seguir as orientações de um médico pelo rádio quando perdem o contato mas misteriosamente a conexão continua.
8 - "Mensagem de Clara" - uma professora ganha um camafeu de seu aluno e passa a receber mensagens de uma mulher que ela descobre já ter morrido.
10 - "Reunião" – No ano de 1939, durante a segunda guerra mundial, um grupo de amigos combina de se encontrar no primeiro domingo após o fim da guerra, quando um deles vai voar de planador e o avião misteriosamente desaparece.
12 – “Inscrição na lápide” – um idoso manda chamar seu filho porque diz que morrerá naquele dia já que um homem que trabalha fazendo inscrições em lápides já havia escrito a data em sua lápide. O filho duvida, mas quando o pai morre, culpa o homem que fez a inscrição.
25 – “O fantasma” – um homem deixa que o padrinho de seu casamento morra congelado após sofrer um acidente enquanto praticavam esqui por achar que ele tinha um caso com sua noiva. Mas acontecimentos estranhos começam a ocorrer antes e depois da cerimônia que sugerem uma presença fantasmagórica que faz com que objetos e pessoas sintam frio.
26 – “O explorador” – Um antropólogo vai visitar o pai de um rapaz que ele acredita ter salvado sua vida no deserto guiando-o para o caminho certo, mas se surpreende ao saber que o jovem era paralítico, nunca havia saído de seu quarto e já havia morrido quando ele e sua equipe estavam perdidos.
32 – “Delia” – um homem encontra Delia, uma linda moça em um resort, mas ela desaparece e ele fica tão obcecado que acaba destruindo sua vida e morrendo oito anos depois. Uma moça chamada Delia se hospeda no resort e diz que sonhou haver estado lá 8 anos antes.
33 – “O visitante” – além da boa história, este episódio tem o mérito de reunir dois ícones do cinema, a, na época, já consagrada estrela Joan Fontaine e um muito jovem e belo Warren Beatty. O enredo conta a história de um casal em crise no casamento, cuja esposa enfrenta problemas de alcoolismo e havia atropelado uma pessoa. Quando o marido sofre um acidente e permanece desmaiado, ela é visitada por um duplo do marido, mas muito jovem.
34 – “Cigano” – quatro presidiários fogem da prisão e durante a fuga um deles, o cigano, é baleado. Quando os outros dois abandonam o homem ferido, um deles (vivido pelo jovem Robert Blake, depois famoso pelo personagem “Baretta”) fica com ele, e acaba desistindo da fuga quando o companheiro ferido morre, quando volta para a prisão descobre que o cigano não passou pelos muros da prisão, pois havia morrido no momento em que foi baleado.
39 – “A tempestade” – Uma mulher diz que a pintura feita por um pintor mexicano já falecido, não seria feita por ele. Ela vai ao México com o marido para descobrir a verdade e acaba sabendo que um velho cego seria o autor da pintura possuído pelo espírito do pintor morto.
Como vi a novela original de 1990, não há como fugir da comparação e não vou dizer que a versão atual é pior que a anterior, acho que se equivalem.
Se Paulo Gorgulho fez um José Leôncio memorável, a ponto de Benedito Ruy Barbosa inventar um personagem (José Lucas de Nada) para que ele retornasse à trama, Renato Goés, por incrível que pareça, conseguiu superá-lo na atuação e no "sex appeal", como de resto o elenco da nova versão se igualou e em alguns casos, como o de Goés, superaram seus interprétes originais.
Alanis Guillen fez uma Juma perfeita e sua química com Jesuíta Barbosa foi arrasadora, assim como Jesuíta fez um Jove adaptado aos anos 2000 que muitas vezes pareceu um tanto fraco e sem personalidade. Marcos Palmeira, por sua vez, foi um Zé Leôncio maduro com força e equilíbrio. e Murilo Benício construiu um Tenório contemporâneo mas igualmente desprezível.
É claro que este remake se valeu dos recursos tecnológicos que não existiam na década de 90 e nisso não há comparação, mas no que a versão antiga perdeu na qualidade de imagem e som, ganhou na temática inovadora e no desafio de gravar uma novela em um ambiente inóspito numa época em que não havia um simples celular e fazer uma mera cena à beira do rio era sempre um grande esforço.
Ambas as novelas enfrentaram a chamada "barriga", depois de uma fase inicial que arrebatou os telespectadores, ficamos capítulos e mais capítulos sem que acontecesse praticamente nada e tudo se resumia a repetição de diálogos e belas cenas da natureza.
Alguns personagens perderam o protagonismo já na fase final, Juma por exemplo, sequer apareceu no último capítulo e outros, como Maria Bruaca, ganharam um destaque que não tiveram na outra versão, graças a sua intérprete Isabel Teixeira.
Como disse, a nova versão de "Pantanal", embora alguns saudosistas a tenham execrado, reclamando que não foi igual. Só se não foi igual cena a cena e na personalidade de alguns personagens como Jove, porque de resto seguiu estritamente o texto original de Benedito, exceto por algumas inserções no texto que exageraram na militância e ficaram extremamente forçadas.
Foi até fiel demais, como quando Bruno Luperi, neto de Benedito resolveu manter a retirada de cena de Trindade, brilhantemente vivido por Gabriel Sater e que conquistou o público, porque na primeira versão seu intérprete Almir Sater, pai de Gabriel, teve que sair da trama para protagonizar "Ana Raio e Zé Trovão". Retirou Irma dos braços de Trindade e a entregou para José Lucas (Irandhir Santos), um casal sem química em um romance forçado, assim como na versão anterior.
A belíssima cena final do funeral de José Leôncio com o caixão na chalana e os 3 filhos abraçados, foi exatamente igual à 1990 e foi um acerto encerrar a novela com uma de suas cenas mais pungentes e icônicas.
Tudo que era bom na primeira temporada simplesmente desapareceu nesta segunda.
Todos as situações que já não tinham verossimilhança na primeira parte, mas eram aceitáveis dentro de um contexto, extrapolaram totalmente e focaram no caricato e no absurdo.
O drama de Maíra cega, perdeu o impacto quando resolveram que ela voltaria a enxergar, e a cirurgia parece ter tido algum efeito no cérebro de Maíra, pois a personagem virou uma tonta fácil de ser enganada e manipulada. Vanessa, maluquete politicamente incorreta, só não estragou o personagem, graças à atuação brilhante de Leticia Colin, que equilibrava drama e humor em seus surtos. Rafael, que já era um personagem pobre e sem graça, ficou pior ainda com a interpretação fraca de Humberto Carrão e suas cenas bobas. A trama de Diego, que também era boa, exarcebou ao querer transformá-lo em um super herói, aliada a interpretação exagerada de Nicolas Prates que chorava e cuspia em várias cenas, num "overacting" que deveria ter sido contido por algum diretor. Até Mauritânia, um dos bons personagens, ficou apaixonadinha pelo garotão e virou uma marionete nas mãos da filha deslumbrada, contrastando totalmente com sua personalidade forte e bem resolvida mostrada na primeira parte.
O núcleo dos pagodeiros, que não tinha função alguma na primeira parte, continuou com sua irrelevância;
Poderia continuar apontando inúmeros problemas, mas para não alongar o texto, basta dizer que foi uma segunda temporada muito decepcionante.
Pelo menos o final teve coerência mantendo a dubiedade da personagm de Regina Casé, numa ótima atuação como a vilã, às vezes boazinha Zoé. Após tirar Maíra da cadeia, volta a aplicar golpes com a filha degenerada, ou seja, sua reabilitação após anos de cadeia parece não ter funcionado, aliás suas cenas sendo torturada na casa de Angra dos Reis, foram longas e cansativas, apesar da ótima atuação das duas melhores atrizes da trama.
Muitos clichês, vilões exagerados, mocinhas em perigo... mas tudo funciona muito bem e acompanhar estra trama folhetinesca é uma delícia!
Leticia Colin arrasa na pele da histriônica e maluquete Vanessa, que joga para o espaço todas as noções de politicamente correto a cada frase proferida. A irmã cega além de ser alvo de várias maquinações da vilã, é impiedosamente chamada de "ceguinha, cegueta" e perguntas como "porque essa idiota é tão feliz se não enxerga nada?"
O ponto negativo é o núcleo da família de Douglas Silva. Criado para ser um alívio cômico, mas só consegue ser uma grande chatice. Confesso que vi só algumas cenas e pulei as demais, sem prejuízo algum porque é o único núcleo a não ter nada a ver com a trama principal.
foi um pouco forçado, já que Maíra nunca disse que sua deficiência era operável, vamos esperar 4 meses para saber se ela voltará a enxergar.
Mas como disse é novelão, então é melhor engolir estas conveniências de roteiro e curtir o enredo, as reviravoltas e as atuações desse novelão à moda antiga e esperar a conclusão na segunda parte da trama.
Garota do Momento
4.1 13A novela teve boas atuações e boa reconstituição de época no qual se destacaram a protagonista Duda Santos (Beatriz) e a antagonista Maisa Silva (Bia), que mostrou talento como atriz.
Ponto negativo foram as cenas intermináveis e recorrentes do núcleo cômico formado pela família de Alfredo (Eduardo Sterblitich) e sua histriônica e chatíssima empregada Jacira (Flavia Reis) que não acrescentavam nada à narrativa e não tinham a menor graça.
De qualquer forma, mostrou os anos 50 de forma utópica, no qual uma moça negra poderia ser modelo de propaganda, fazer a protagonista de uma novela e um garoto homossexual teve sua sexualidade prontamente aceita por família e amigos. Sabemos que isso não era verdade, até o começo dos anos 2000, atores negros eram relegados à papéis de empregados e escravos e personagens homossexuais eram caricatos, mas é uma obra ficcional e como tal cumpriu o papel de entreter, mesmo com uma visão idealizada da época.
Beleza Fatal (1ª Temporada)
4.0 138CONTÉM SPOILERS
"Beleza fatal" tem mais cara de minissérie, pela sua curta duração daquilo que comumente entendemos como novela, não houve aquela costumeira "barriga", não houve tempo para isso, e seus ágeis 40 capítulos foram uma aula de como criar um produto envolvente.
Baseado em um tema clichê, a vingança de alguém que volta anos depois com identidade falsa, já visto em muitas produções do cinema à TV, que soube mesclar com outras obras que deram muito certo como "Parasita" e resultou numa trama bem contada, ágil e viciante.
A escolha de elenco não poderia ter sido mais acertada, todos entenderam seus personagens com iam do trágico ao divertido, numa simbiose perfeita entre atuação e caracterização física.
É claro que houve destaques e apesar das três protagonistas entregar atuações perfeitas, o destaque absoluto fica com Camila Pitanga, que criou uma Lola ao mesmo tempo hilariante e cruel, uma presença que dominou a novela do começo ao fim com suas falas politicamente incorretas, quem não se lembra delas?
Para o marido Benjamin (Caio Blat) "querido, seu pai é a TV aberta e eu sou o streaming", uma cutucada sobre o futuro das novelas? ou "isso aqui parece Game of thrones e eu sou a Daenerys!" brincando com uma das maiores produções da HBO.
Enquanto isso Camila Queiroz apresentou seu melhor trabalho como atriz, um desempenho difícil, pois sua personagem muda de mocinha, mesmo vingativa, para vilã obcecada, chegando a cometer um assassinato e não terminando feliz ao lado de Gabriel (Enzo Romani). Um desfecho ousado, onde a suposta mocinha muda sua trajetória ao ponto de não ter o costumeiro "happy end".
Giovanna Antonelli construiu uma Elvira humana, mãe e esposa, que sofre por suas crias, apaixonada por seu marido Lino (Augusto Madeira), sujeito bonachão, parceiro de todas as horas e muito longe do típico galã, mas ela não é absolutamente inocente, já que engana, dá golpes, só que esse lado humano meio que faz com que perdoemos suas condutas pouco honestas.
Destaque entre os personagens masculinos, Rog (Marcelo Serrado), criou um cirurgião plástico, que no começo da história já mostra que seu lado divertido também pode ser egoísta e cruel ao abandonar sua paciente num terreno baldio quando esta passou mal numa cirurgia e poderia complicar sua vida. Suas falas em inglês, criadas pelo próprio Marcelo, foi um acerto que contribuiu para criar simpatia pelo personagem, mesmo vendo do que ele era capaz como torturar sua esposa Gisela (Juliaj Stockler, também em ótima atuação).
Além destes destaques individuais, todo o elenco funcionou muito bem, numa trama que se passa no universo do comércio da beleza, com uma crítica ao seu exagero. Há também alusão ao culto às celebridades, ao mundo fake que as pessoas constroem nos seus perfis em redes sociais, tudo desenvolvido pelo talentoso Raphael Montes em um enredo que mistura crime, vingança, tragédias pessoais, com um tom por vezes cômico, na sua duração sem tempo para enrolação, com desfecho ousado, transformando mocinha em vilã e vilã por quem somos capazes de torcer emoldurada pelo glamour do mundo da estética e como ele pode ser atraente mas ao mesmo tempo perigoso se não soubermos entender seus limites.
Força de um Desejo
3.7 39 Assista AgoraAcabei de assistir “Força de um desejo”, novela de 1999 que não acompanhei na época de sua exibição na TV e graças a recomendação do meu querido amigo Marcelo, decidi assistir a trama, 26 anos depois do seu lançamento, e posso assegurar que é a melhor novela que já vi e deveria constar numa lista de “novelas para ver antes de morrer”.
SPOILERS ABAIXO
Tendo como cenário o Brasil imperial da época da escravidão, conta a história do romance entre a cortesã Ester Delamare (Malu Mader, belíssima) e Inácio Sobral (Fábio Assunção, também no auge da juventude e da beleza).
No primeiro capítulo já temos uma amostra do que seria o esmero da produção, com uma estupenda sequência gravada no Teatro Municipal de Niterói em que Inácio conhece Ester e se apaixona à primeira vista. Então temos o típico desenvolvimento nos moldes de um folhetim. Mesmo após descobrir que Ester era uma cortesã, dona de um famoso salão no Rio de Janeiro, na época capital do Império, Inácio não se abala e segue adiante com o objetivo de conquistar Ester, que apesar de relutar, já estava irremediavelmente apaixonada pelo belo rapaz. Os dois acabam se entregando à paixão e fazem planos de casamento. Ester estava disposta a abandonar tudo por amor a Inácio, mas os acontecimentos que se seguem impedem que o casal viva livremente seu amor.
Inácio havia rompido com sua aristocrática família, pois seu pai, o barão Henrique Sobral (Reginaldo Faria) maltratava sua mãe Helena (Sonia Braga que retornava às novelas depois de muitos anos). Mas na véspera de sua partida com Ester para São Paulo, onde pretendiam se casar, Inácio recebe a notícia de que a mãe estava à morte e parte para a fazenda onde morava, a avó de Inácio vivida por Nathalia Timberg, fantástica como a perversa Idalina, arma um estratagema que faz Ester pensar que havia sido abandonada e magoada planeja a vingança contra o homem que ama.
Henrique, após a morte da esposa, parte para a Corte, como era chamado o Rio de Janeiro, conhece Ester, se apaixona e casam-se. A cortesã não o amava, mas sentia-se grata por ele ajudá-la a desistir da vingança que só a estava arruinando mental e financeiramente. O choque vem quando ao se mudar para a fazenda do marido, Ester descobre que ele era pai de seu grande amor. A partir daí o casal passa a sofrer muito, pois descobrem que foram vítimas da maldosa Idalina, e embora apaixonados tem de sufocar o sentimento.
Em volta do casal principal gravitam personagens com interessantes enredos paralelos, o vilão Higino (Paulo Betti) apaixonado por Helena, descobre ser pai de seu filho mais novo Abelardo (Selton Melo), e tinha por objetivo destruir o barão e para isso arma diversos planos contra ele, casado com a hilária Barbara (Denise Del Vecchio) e pai da fútil e mimada Alice (Lavinia Vlasak) que era apaixonada por Inácio e se une a Idalina para juntas armarem várias conspirações visando separar Ester e Inácio.
Alice passa a trama se aproveitando do amor de Abelardo, manipulando-o, a ponto de se entregar a ele para engravidar e dizer que o filho era de Inácio. Abelardo, por sua vez, acreditando que ela é sua irmã, sente-se culpado, mas o que ele não sabia é que não era irmão da moça, ela não era filha de Higino e tinha conhecimento do fato mas não hesita em fazer o rapaz sofrer durante muito tempo, acreditando ter praticado incesto.
Uma trama paralela de importância, é a narrativa envolvendo Olivia (Claudia Abreu) escrava branca que desperta a obsessiva paixão de Higino, trama inspirada no clássico “A Escrava Isaura”. Apaixonada por Mariano (Marcelo Serrado), Olivia é obrigada a conviver com as constantes tentativas de ser subjugada por Higino, que vai desde aprisioná-la até torturá-la fisicamente.
Outros personagens de importância são Bartolomeu (Daniel Dantas) jornalista abolicionista, Guiomar (Louise Cardoso) amiga de Ester, Trajano (André Barros) amigo fiel de todos, José Lewgoy (Conselheiro Felicio) dono do banco, Vitório (Antonio Grassi), capanga de Higino, Clemente (Chico Diaz), o cruel feitor da fazenda Ouro Verde, cobiçada por Higino, Juliana (Julia Feldens) a tímida e doce moça apaixonada por Abelardo, Leopoldo (Claudio Correia e Castro) o afável avô de Inácio, tão diferente de sua cruel esposa, os escravos Jesus (Sergio Menezes) , Zulmira (Ana Carbatti), Cristovão (Alexandre Moreno) e Rosália (a excelente Chica Xavier) que participam ativamente das tramas envolvendo seus donos além de dramatizarem um período nefasto da história do Brasil, a escravidão com toda sua absurda crueldade. Na fazenda de Higino, Diva (Delma Silva) a mucama de Barbara ficou marcada por suas participações quase sempre acompanhadas do grito “Divaaaaa” de sua tresloucada senhora.
Algumas cenas engraçadas com Barbara, Guiomar, Bartolomeu, Luzia e Olivia, eram inseridas de forma natural, fazendo parte da narrativa, sem aquela obrigação de um núcleo cômico, que quase sempre resulta em sequências cansativas, sem graça e muitas vezes sem importância alguma no enredo da novela.
A certa altura a trama romântica ganha ares de suspense investigativo, pois vários personagens começam a morrer assassinados, Dr. Xavier (Nelson Dantas), padre Olinto (Abrahão Farc) e o maior mistério da trama, o assassinato do Barão Sobral. Conduzida com muita eficácia, a trama dos assassinatos cuja solução só é revelada no capítulo final, quando descobrimos que a assassina não só do barão, mas até do médico e do padre é a insuspeita e “maluquete” Barbara, que matou todos para encobrir que ela havia arquitetado o assassinato de Helena, sim a baronesa também havia sido vítima de Barbara, pelo ciúme que sentia de Higino e contou com a ajuda de Luzia (Isabel Fillardis), escrava que a princípio era apenas invejosa, ganhou ares divertidos, quase infantis durante o decorrer da novela mas ao final, fora ela que colocou o veneno no copo da baronesa. Barbara confessa também ter matado outras mulheres que se envolveram com Higino, uma verdadeira serial killer da época do império.
Um problema da narrativa, foi seu final apressado, no qual vários acontecimentos se atropelaram, a revelação do assassino, o julgamento e soltura de Ester, que estava presa por mais uma armação de Idalina e Alice, a morte de Higino, a prisão dos culpados e os finais felizes de todos os personagens do bem. É típico das novelas deixar todos os desfechos para o fim, mas neste caso, havia tanta coisa para ser esclarecida que tudo ficou corrido demais. Faltou algo que o público certamente ansiava, ver como os vilões encarariam a prisão, com exceção de Barbara, que vimos foi internada em um manicômio e Higino que morreu, Idalina que aprontou tantas vilanias durante a trama que foi muito pouco vê-la por apenas dois segundos sendo presa.
Apesar desse final corrido, a novela inteira foi uma sucessão de ótimas escolhas, elenco brilhante, com todos os atores perfeitamente adaptados em seus personagens, figurino primoroso, trilha sonora maravilhosa, roteiro redondinhho, que fluiu sem a costumeira “barriga”, sempre havia alguma coisa importante acontecendo e fez com que seus 226 capítulos passassem sem cansar o espectador.
Algumas sequências que merecem ser lembradas por sua importância na trama ou beleza visual, o beijo de Inácio e Ester na chuva e todos os encontros do casal na Corte, a tensão e o desenrolar do assassinato do barão durante a festa realizada na fazenda, o seqüestro de Olivia, o duelo entre Higino e Abelardo, o julgamento de Ester, a fuga de Inácio da prisão e sua posterior captura, a tentativa frustrada de fazer Inácio acreditar que Ester havia passado a noite com o Conde Pedro Afonso (Marco Ricca), Juliana desmascarando Alice frente à Abelardo, a divertida primeira aparição de Olivia, quando dá um golpe em vários frequentadores do salão de Ester e finalmente a cena de encerramento com os protagonistas abraçados ao pôr do sol, a câmera se afasta, vira uma pintura emoldurada em um quadro ao som do belo tema de abertura.
A química do casal central também foi extraordinária, além da atuação esplêndida, fomos brindados com dois artistas no auge de sua beleza. Inácio e Ester, assim como seus intérpretes, se completavam de forma tão única, que certamente foi um dos casais mais perfeitos da dramaturgia televisiva.
Gilberto Braga e Alcides Nogueira desenvolveram uma trama magnífica que apesar de tipicamente folhetinesca, soube dosar com maestria romance, mistério e aventura coroados por um elenco inspirado e um visual deslumbrante que juntos construíram uma das melhores produções da TV brasileira, que infelizmente não teve a repercussão, o sucesso e o reconhecimento merecidos.
Esplendor
3.0 9Não assisti a novela na época de sua exibição na TV e aproveitando que a produção estreou na Globoplay por ocasião do seu aniversário de 25 anos, pude assisti-la.
O enredo mistura romance e espiritualidade, com toques góticos que me lembrou muito a história de “Jane Eyre” da obra de Charlotte Brontë em que uma garota chega para trabalhar na casa de um viúvo amargurado que guardava segredos obscuros e um grande trauma.
SPOILERS ABAIXO
Flávia Cristina (Leticia Spiller, belíssima) moça honesta e trabalhadora, é irmã de Bruno (Caio Blat) um jovem delinqüente e traiçoeiro, que faz com que ela se envolva na morte de um agiota para o qual seu irmão devia dinheiro. Obrigada a fugir, ela encontra na rodoviária uma moça que coincidentemente também chama Flávia, só que Regina (Christine Fernandes, também lindíssima) que se dispõe a ajudá-la e a leva para a cidade de Esplendor, onde iria começar em um novo emprego como governanta. No caminho, um acidente de ônibus deixa Flávia Regina em coma e acabam levando Flávia Cristina por engano para a casa onde a outra Flávia, a Regina, iria trabalhar, a mansão do viúvo Frederico (Floriano Peixoto, ótimo), cujo figurino e cabelos compridos lembram Heathcliff de “O morro dos ventos uivantes” de Emily Brontë, mais uma referência à romances góticos.
Na casa moravam, além de Frederico, sua irmã, a amável e delicada Adelaide (Cássia Kis) e os seus filhos , Fred Junior (Max Fercondini), Erica (Thais Fersoza) e o problemático Gui (Thiago de Los Reyes) que não fala desde a morte da mãe e que se afeiçoa imediatamente à nova governanta. Um parênteses para a atuação do menino Thiago, que não fala uma única palavra até o último capítulo, mas atua lindamente, com expressivos rosto e olhos que transmitem toda sua angústia e o trauma pelo qual havia passado, que permanece um mistério só revelado no final.
Flávia e Frederico se apaixonam e a novela ganha um forte lado romântico, com inúmeras cenas do casal ao som da bela “Love is a many splendored thing”, que para mim deveria ter sido o tema de abertura da novela, muito mais representativa do que a chatinha canção de Caetano Veloso.
É claro que até o final feliz, o casal enfrenta inúmeros desafios causados em sua maioria por Cristovão (Murilo Benício, vilão charmoso, em atuação perfeita), uma espécie de irmão adotivo de Frederico, mas que o odeia. No quesito vilões temos também a amargurada e vingativa Olga (Joana Fomm, também excelente) esposa do médico Norman (Gracindo Junior), que é apaixonado por Adelaide.
Aliás falando em Adelaide, além da excelente performance de Cássia Kis, tivemos uma das mais emocionantes e poéticas mortes de um personagem em novelas. Seu discurso e posterior diálogo com Norman no jardim da mansão, foi a cena mais bela e comovente da novela inteira, seguida pela cena final em que descobrimos que o sensitivo Gui continuaria a ver a tia, como durante muito tempo viu a mãe falecida.
Contando também com um elenco de apoio perfeito, como os sempre amigos e prestativos Rodolfo (Osmar Prado) e Laura (Claudia Alencar), a atrapalhada Marisa (Adriana Garambone), o tímido Caçula (Guga Coelho), a sofrida Irene (Zezé Mota) e os ícones da dramaturgia brasileira, os já falecidos Ítalo Rossi, como o mal humorado e adorável mordomo Vicente e Tonia Carrero vivendo a maluquete e anjo da guarda da cidade Mimi (Tonia Carrero).
Apesar de algumas cenas exageradas, como o cativeiro a que Cristovão submete Flávia, a novela primou pela narrativa envolvente, elenco com ótimas atuações, figurino deslumbrante, ótimo design de produção com uma caprichada reconstituição de época (as festas de aniversário de Érica, casamento de Norman e Adelaide e o casamento de Frederico e Flávia foram estupendos) e trilha sonora nostálgica e de bom gosto.
Uma novela que talvez hoje em dia, não tenha mais espaço para ser produzida, pois remete às produções clássicas do cinema, com ritmo lento e, acima de tudo, muito romantismo, que merece ser vista por quem não a conhece ou revista, por quem já a assistiu na sua primeira exibição e queira rememorar uma bela narrativa com esplêndido visual.
Um Passo Além (2ª Temporada)
3.5 1Não conhecia a série, na mesma linha da famosa e cultuada "Além da Imaginação", com o diferencial que esta tem enredos apenas com temáticas sobrenaturais supostamente baseadas em casos verídicos, enquanto a série de Rod Sterling tinha muitos episódios com temas futuristas e sci-fi.
Temporada completa de 39 episódios, disponível no Youtube com legendas automáticas em inglês e português (com muitos erros).
Como toda série de antologia, a qualidade da temporada é irregular, há episódios bons, medianos e ruins, embora nesta há mais episódios bons que na primeira.
Todos os episódios são dirigidos por John Newland, que também é o "host" que faz a apresentação das narrativas.
SPOILERS:
Nesta temporada destaco os seguintes episódios:
3 - "Linha cerebral" - Oficial tem que realizar uma cirurgia de emergência no capitão do submarino durante a segunda guerra mundial e para isso tem que seguir as orientações de um médico pelo rádio quando perdem o contato mas misteriosamente a conexão continua.
8 - "Mensagem de Clara" - uma professora ganha um camafeu de seu aluno e passa a receber mensagens de uma mulher que ela descobre já ter morrido.
10 - "Reunião" – No ano de 1939, durante a segunda guerra mundial, um grupo de amigos combina de se encontrar no primeiro domingo após o fim da guerra, quando um deles vai voar de planador e o avião misteriosamente desaparece.
12 – “Inscrição na lápide” – um idoso manda chamar seu filho porque diz que morrerá naquele dia já que um homem que trabalha fazendo inscrições em lápides já havia escrito a data em sua lápide. O filho duvida, mas quando o pai morre, culpa o homem que fez a inscrição.
25 – “O fantasma” – um homem deixa que o padrinho de seu casamento morra congelado após sofrer um acidente enquanto praticavam esqui por achar que ele tinha um caso com sua noiva. Mas acontecimentos estranhos começam a ocorrer antes e depois da cerimônia que sugerem uma presença fantasmagórica que faz com que objetos e pessoas sintam frio.
26 – “O explorador” – Um antropólogo vai visitar o pai de um rapaz que ele acredita ter salvado sua vida no deserto guiando-o para o caminho certo, mas se surpreende ao saber que o jovem era paralítico, nunca havia saído de seu quarto e já havia morrido quando ele e sua equipe estavam perdidos.
32 – “Delia” – um homem encontra Delia, uma linda moça em um resort, mas ela desaparece e ele fica tão obcecado que acaba destruindo sua vida e morrendo oito anos depois. Uma moça chamada Delia se hospeda no resort e diz que sonhou haver estado lá 8 anos antes.
33 – “O visitante” – além da boa história, este episódio tem o mérito de reunir dois ícones do cinema, a, na época, já consagrada estrela Joan Fontaine e um muito jovem e belo Warren Beatty. O enredo conta a história de um casal em crise no casamento, cuja esposa enfrenta problemas de alcoolismo e havia atropelado uma pessoa. Quando o marido sofre um acidente e permanece desmaiado, ela é visitada por um duplo do marido, mas muito jovem.
34 – “Cigano” – quatro presidiários fogem da prisão e durante a fuga um deles, o cigano, é baleado. Quando os outros dois abandonam o homem ferido, um deles (vivido pelo jovem Robert Blake, depois famoso pelo personagem “Baretta”) fica com ele, e acaba desistindo da fuga quando o companheiro ferido morre, quando volta para a prisão descobre que o cigano não passou pelos muros da prisão, pois havia morrido no momento em que foi baleado.
39 – “A tempestade” – Uma mulher diz que a pintura feita por um pintor mexicano já falecido, não seria feita por ele. Ela vai ao México com o marido para descobrir a verdade e acaba sabendo que um velho cego seria o autor da pintura possuído pelo espírito do pintor morto.
Pantanal
4.2 51 Assista AgoraComo vi a novela original de 1990, não há como fugir da comparação e não vou dizer que a versão atual é pior que a anterior, acho que se equivalem.
Se Paulo Gorgulho fez um José Leôncio memorável, a ponto de Benedito Ruy Barbosa inventar um personagem (José Lucas de Nada) para que ele retornasse à trama, Renato Goés, por incrível que pareça, conseguiu superá-lo na atuação e no "sex appeal", como de resto o elenco da nova versão se igualou e em alguns casos, como o de Goés, superaram seus interprétes originais.
Alanis Guillen fez uma Juma perfeita e sua química com Jesuíta Barbosa foi arrasadora, assim como Jesuíta fez um Jove adaptado aos anos 2000 que muitas vezes pareceu um tanto fraco e sem personalidade. Marcos Palmeira, por sua vez, foi um Zé Leôncio maduro com força e equilíbrio. e Murilo Benício construiu um Tenório contemporâneo mas igualmente desprezível.
É claro que este remake se valeu dos recursos tecnológicos que não existiam na década de 90 e nisso não há comparação, mas no que a versão antiga perdeu na qualidade de imagem e som, ganhou na temática inovadora e no desafio de gravar uma novela em um ambiente inóspito numa época em que não havia um simples celular e fazer uma mera cena à beira do rio era sempre um grande esforço.
Ambas as novelas enfrentaram a chamada "barriga", depois de uma fase inicial que arrebatou os telespectadores, ficamos capítulos e mais capítulos sem que acontecesse praticamente nada e tudo se resumia a repetição de diálogos e belas cenas da natureza.
Alguns personagens perderam o protagonismo já na fase final, Juma por exemplo, sequer apareceu no último capítulo e outros, como Maria Bruaca, ganharam um destaque que não tiveram na outra versão, graças a sua intérprete Isabel Teixeira.
Como disse, a nova versão de "Pantanal", embora alguns saudosistas a tenham execrado, reclamando que não foi igual. Só se não foi igual cena a cena e na personalidade de alguns personagens como Jove, porque de resto seguiu estritamente o texto original de Benedito, exceto por algumas inserções no texto que exageraram na militância e ficaram extremamente forçadas.
Foi até fiel demais, como quando Bruno Luperi, neto de Benedito resolveu manter a retirada de cena de Trindade, brilhantemente vivido por Gabriel Sater e que conquistou o público, porque na primeira versão seu intérprete Almir Sater, pai de Gabriel, teve que sair da trama para protagonizar "Ana Raio e Zé Trovão". Retirou Irma dos braços de Trindade e a entregou para José Lucas (Irandhir Santos), um casal sem química em um romance forçado, assim como na versão anterior.
A belíssima cena final do funeral de José Leôncio com o caixão na chalana e os 3 filhos abraçados, foi exatamente igual à 1990 e foi um acerto encerrar a novela com uma de suas cenas mais pungentes e icônicas.
Todas as Flores
3.4 101 Assista AgoraCONTÉM ALGUNS SPOILERS.
Tudo que era bom na primeira temporada simplesmente desapareceu nesta segunda.
Todos as situações que já não tinham verossimilhança na primeira parte, mas eram aceitáveis dentro de um contexto, extrapolaram totalmente e focaram no caricato e no absurdo.
O drama de Maíra cega, perdeu o impacto quando resolveram que ela voltaria a enxergar, e a cirurgia parece ter tido algum efeito no cérebro de Maíra, pois a personagem virou uma tonta fácil de ser enganada e manipulada. Vanessa, maluquete politicamente incorreta, só não estragou o personagem, graças à atuação brilhante de Leticia Colin, que equilibrava drama e humor em seus surtos. Rafael, que já era um personagem pobre e sem graça, ficou pior ainda com a interpretação fraca de Humberto Carrão e suas cenas bobas.
A trama de Diego, que também era boa, exarcebou ao querer transformá-lo em um super herói, aliada a interpretação exagerada de Nicolas Prates que chorava e cuspia em várias cenas, num "overacting" que deveria ter sido contido por algum diretor.
Até Mauritânia, um dos bons personagens, ficou apaixonadinha pelo garotão e virou uma marionete nas mãos da filha deslumbrada, contrastando totalmente com sua personalidade forte e bem resolvida mostrada na primeira parte.
O núcleo dos pagodeiros, que não tinha função alguma na primeira parte, continuou com sua irrelevância;
Poderia continuar apontando inúmeros problemas, mas para não alongar o texto, basta dizer que foi uma segunda temporada muito decepcionante.
Pelo menos o final teve coerência mantendo a dubiedade da personagm de Regina Casé, numa ótima atuação como a vilã, às vezes boazinha Zoé. Após tirar Maíra da cadeia, volta a aplicar golpes com a filha degenerada, ou seja, sua reabilitação após anos de cadeia parece não ter funcionado, aliás suas cenas sendo torturada na casa de Angra dos Reis, foram longas e cansativas, apesar da ótima atuação das duas melhores atrizes da trama.
Todas as Flores
3.4 101 Assista AgoraMuitos clichês, vilões exagerados, mocinhas em perigo... mas tudo funciona muito bem e acompanhar estra trama folhetinesca é uma delícia!
Leticia Colin arrasa na pele da histriônica e maluquete Vanessa, que joga para o espaço todas as noções de politicamente correto a cada frase proferida. A irmã cega além de ser alvo de várias maquinações da vilã, é impiedosamente chamada de "ceguinha, cegueta" e perguntas como "porque essa idiota é tão feliz se não enxerga nada?"
O ponto negativo é o núcleo da família de Douglas Silva. Criado para ser um alívio cômico, mas só consegue ser uma grande chatice. Confesso que vi só algumas cenas e pulei as demais, sem prejuízo algum porque é o único núcleo a não ter nada a ver com a trama principal.
Terminando com um gancho que
foi um pouco forçado, já que Maíra nunca disse que sua deficiência era operável, vamos esperar 4 meses para saber se ela voltará a enxergar.
Mas como disse é novelão, então é melhor engolir estas conveniências de roteiro e curtir o enredo, as reviravoltas e as atuações desse novelão à moda antiga e esperar a conclusão na segunda parte da trama.
Amante Sob Suspeita
2.4 9 Assista AgoraSituações clichês e absurdas, mas vale como passatempo e o vilão é lindo.