A série tem uma narrativa que pega o espectador pelo mistério desenvolvido de forma envolvente, porém peca em seu final que apresenta uma solução cheia de falhas e absurda.
Apesar do tema que envolve poderes sobrenaturais, o desenvolvimento da narrativa tinha uma pegada mais verossímil, que se perde em seu desfecho.
Angela (Valentina Gaya) espera a mãe Claudia (Miren Ibarguren) na casa que moravam após segui-la, ajuda no parto, tenta matar a mãe cortando seu pescoço e depois aparentemente a cura do ferimento, foge com a criança, é capturada, depois de descobrimos que havia se tornado a líder da seita que a raptara, é internada em uma instituição para doentes mentais, depois de um tempo o médico diz que pode ir para a casa junto do irmão que raptou e da mãe que tentou matar?? Além disso, o bebê que seria o motivo de todo o plano arquitetado pela menina mostrado durante TODA a série, termina já com uns 3 anos e nada que indicasse algum dom especial.
O elenco todo tem boas atuações com destaque para Rodrigo de La Serna (Casa de Papel) que vive o perturbado e depressivo detetive Salazar, mas as boas atuações não salvam a série que destrói a boa narrativa com um final decepcionante.
Costumo assistir bastante séries "True Crime" e essa certamente é uma das mais chatas, se não for a mais, que já assisti.
Quatro longos episódios que mostram as várias fases da investigação, intermináveis entrevistas com amigos e parentes da vítima, investigadores e a repórter que trabalhou no caso na época. A jornalista praticamente é a figura central da narrativa, aparecendo em todos os episódios falando sempre basicamente a mesma coisa.
O primeiro episódio se resume a falar sobre o desaparecimento, a preocupação das pessoas em cenas repetitivas. Para se ter ideia, uma das amigas dela é entrevistada várias vezes, repetindo o quanto está triste... para que isso? Uma vez não seria suficiente?
O terceiro episódio foca em outros casos de desaparecimentos e assassinatos, sem esclarecer se teriam a ver com o caso de Melissa, aparentemente parece não ter e depois deixam no ar se haveria conexão. Não entendi a inserção destes casos na série, prolongar a narrativa, para mim já excessivamente extensa?
Depois de passarmos por essa longa, repetitiva e tediosa sucessão de fatos que não levam a nenhuma conclusão, descobrimos que o caso está em aberto e sem solução alguma, exatamente como no dia em que o corpo de Melissa foi descoberto trinta anos atrás.
Acho que quem se interesse por este tipo de série, gosta de ver o caso resolvido, quem acompanha este tipo de narrativa, quer vê-la esclarecida, como em quase todos os documentários sobre casos reais.
Se a intenção era mostrar como casos de assassinato podem não ter um desfecho sem que se descubra quem é o assassino ou como o processo de investigação é burocrático e enfadonho, a série cumpriu seu objetivo mas acaba sendo, além de cansativo, frustrante.
O documentário não se aprofunda em análises psicológicas, não discute o "porque" mas exibe em detalhes o "como".
Pelo exposto não há dúvidas que Scott é o culpado pelo assassinato de sua esposa Laci e do filho não nascido Conner, ele é pintado como o vilão por seu comportamento distante, frieza e a descoberta posterior de uma amante para a qual escondeu que era um homem casado. O depoimento dela é crucial para sua condenação.
A mídia reforçou essa imagem de culpado, mas a série não entra na importância da cobertura intensa para a condenação do réu. Mesmo que todo o processo tenha se resumido a provas circunstanciais, não haveria como Scott receber outro veredito que não fosse culpado, enquanto Laci era a vítima, jovem, bonita, grávida, ele era o marido infiel que quis se livrar da esposa.
Scott até hoje jura inocência e já fez inúmeros recursos para ter seu caso revisado, até hoje não obteve sucesso.
É um relato rico em detalhes, mas que se torna genérico dentre tantos documentários "true crime", mostrando uma vítima que aparentemente não tinha defeitos e um assassino que teria todos os defeitos. Mas com a falta de provas contundentes e vinte anos depois ele ainda busca incessantemente por uma revisão do caso, fica a sensação que todos podemos ter sido influenciados por uma narrativa que sempre esteve contra o réu, mesmo que, aparentemente, ele seja mesmo culpado.
Embora melhor que a segunda temporada ainda é bem inferior à primeira.
SPOILERS ABAIXO
O Mr. Mercedes, citado em alguns momentos, já que um dos plots da temporada é o julgamento de Lou (Breeda Wool) que assassinou Brady na chocante cena final da temporada anterior. Apesar de constantemente Lou fale de Brady, o "Mr. Mercedes" não aparece nem nos delírios da personagem.
Na verdade, o título "Mr. Mercedes" meio que perdeu o sentido, já que o plot principal da temporada é o assassinato de John Rothstein (Bruce Dern, talvez um alter ego de Stephen King?) e a narrativa é quase que inteiramente focada nos personagens desse núcleo, com algumas inserções do julgamento.
Para não perder totalmente o protagonismo, Bill (Brendan Gleeson) se envolve na investigação do assassinato do escritor, mas seu personagem também se mostra com menos relevância.
Para compensar a falta do vilão Mr. Mercedes, aparece Alma Lane (Kate Mulgrew) até mais cruel e odiosa que o vilão das temporadas anteriores. Vivendo um relação doentia com Morris (Gabriel Ebert), não mede esforços para se apoderar dos cadernos com textos inéditos do escritor assassinado de quem era ex-amante e por quem era obcecada.
Os outros pesonagens como Holly (Justine Lupe), Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharell Jerome), tem participações diminuídas e transitam à margem dos acontecimentos importantes.
Uma série que começou com uma ótima primeira temporada, com personagens bem delineados e foi se perdendo, terminando de forma protocolar e sem lembrar em nada o seu início, nem o enredo que tomou um rumo completamente diferente.
Se você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
A segunda temporada de “Mr. Mercedes” é inferior à primeira, não sei o quanto é fiel à obra de Stephen King, mas tudo que era tensão na primeira temporada, tornou-se arrastado nessa.
SPOILERS ABAIXO
Começa com Brady (Harry Treadaway) ainda em coma no hospital após a agressão de Holly (Justine Lupe). Entram em cena dois médicos ambiciosos e inescrupulosos Felix (Jack Huston) e Cora (Tessa Ferrer), que iniciam um tratamento no psicopata com um remedido regenerador da atividade cerebral.
A partir deste momento somos colocados dentro do cérebro de Brady, que ganha como cenário o porão onde ele arquitetava seus ataques com o psicopata diante das telas de computador vendo as pessoas à sua volta, as telas metaforicamente como seus olhos. Estas sequências são longas e repetitivas tirando muito do ritmo da narrativa.
Se na primeira temporada a premissa foi calcada na realidade nesta ganha uma narrativa com uma mistura de ficção científica/sobrenatural, pois o psicopata passa a entrar na mente das pessoas e fazer com que obedeçam suas ordens, uma pessoa se mata e outra mata alguém atendendo os comandos de Brady.
Bill (Brendan Gleeson) continua com sua obsessão com Brady e alguns personagens mais participativos da primeira temporada, nesta se tornam mais coadjuvantes como Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharel Jerome).
A temporada reserva uma cena final bastante chocante e inesperada, mas não é o bastante para colocá-la no mesmo nível da primeira.
Ramirez foi um serial killer americano que desafiou os chamados analistas de perfis do FBI, pois não tinha um padrão, matou jovens e idosos, roubou e estuprou mulheres e até crianças.
O documentário faz um relato abrangente e detalhado dos crimes cometidos pelo psicopata, embora não entre no terreno psicológico, não há nenhuma análise aprofundada sobre a mente ou personalidade de Ramirez, apenas descreve os fatos, seus assassinatos, captura, julgamento e condenação.
Documentário genérico, sem trazer nenhuma novidade para o formato, interessa para quem gosta do genêro true crime.
Comecei a ver e só depois descobri que era baseado ema um obra de Stephen King.
SPOILERS ABAIXO
A série já choca em sua cena inicial, várias pessoas que estavam em uma fila em busca de emprego são assassinadas por um psicopata dirigindo um Mercedes (daí o título) e usando máscara de palhaço que passa por cima delas em uma cena impactante e explícita.
A partir daí somos apresentados ao detetive Bill Hodges (Brendan Gleeson) que é o responsável pela investigação, o tempo passa, ele se aposenta e a não solução do caso se torna uma obsessão para Hodges.
Não há mistério quanto à identidade do assassino, logo sabemos que é Brady Hartsfield (Harry Treadaway) um pacato funcionário de loja de aparelhos eletrônicos, especialista em computadores, que mora com a mãe com quem tem uma relação doentia e incestuosa. Sua mente deturpada, sua personalidade sombria, sua total falta de empatia são reveladas.
Todos os personagens tem sua facetas psicológicas e são bem delineados, demonstrando sua personalidade nas atitudes. Hodges, que em sua obsessão não percebe o quanto sua vida está sendo sugada, numa espiral de amargura e dor.
Além dele transitam em seu entorno, sua vizinha Ida (Holland Taylor), prestativa, independente, resolvida, Janey (Mary Louise Parker) irmã da dona do Mercedes roubado usado no atentado, que se envolve amorosamente com Hodges, mas tem uma relação mal resolvida com a irmã que se suicidou e com a mãe internada em um asilo, Holly (Justine Lupe), tímida, insegura, com traços que poderiam ser até de autismo, Jerome (Jharel Jerome), rapaz negro que consegue entrar em Harvard e está em conflito entre suas raízes humildes e o ambiente da universidade de elite.
Além dele temos Deborah (Kelly Lynch) a mãe do psicopata, bêbada, frustrada, infeliz e Lou (Breeda Wool), colega de trabalho de Brady, lésbica, presa a um emprego e a um chefe ditador que vê no psicopata um amigo.
Não li a obra de King, não sei o quanto é fiel, suponho que seja pois tem o escritor entre seus roteiristas e uma aparição dele como uma das vítimas em uma lanchonete em um dos delírios de Brady, algo que King faz costumeiramente, imitando Hitchcock.
A narrativa é envolvente, tem momentos impactantes, como sua cena inicial, um outro assassinato de uma personagem importante e um desfecho também surpreendente, as atuações são ótimas, mas nem tudo é perfeito, às vezes se perde um pouco em diálogos desnecessários, que acabam quebrando o ritmo.
Partindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
Já havia visto um documentário sobre esse caso, mas não com tantos detalhes.
Acho que quatro episódios foi um exagero, pois temos alguns pontos repetitivos na narrativa, o que fica cansativo, poderia ter sido mais enxuto.
De qualquer forma, há um vasto material jornalístico sobre o caso, o que deixou a narrativa rica em informações e com o longo depoimento da ex-mulher de um dos réus, que participou ativamente do caso.
É um típico caso de mulher manipuladora e gananciosa que envolve o amante, que não é menos culpado do que ela. Como resultado, famílias destruídas, filhos que perdem seus pais, um é morto e os outros vão para a prisão.
O aviso de spoiler cabe, porque mesmo sendo uma história real já divulgada pela mídia, a narrativa se desenvolve como um autêntico suspense ficcional, como hoje são os documentários de "true crime".
Temos aqui a princípio um caso de desaparecimento de uma mulher, algo comum e no qual o marido é o principal suspeito, como na maioria das vezes é também o culpado. Mas neste aqui, depois de um começo clichê, somos apresentados a uma história surreal que mostra a destruição de uma família, mas principalmente, o sofrimento de um homem, que se vê diante da constatação de que sua esposa é um ser cruel, sem escrúpulos, que tem um desvio de caráter beirando a psicopatia.
Não é o desaparecimento de Sherri Pappini que é misterioso, mas também sua personalidade. Porque alguém forja o próprio sequestro, se auto machuca, deixa o marido desesperado, um país inteiro preocupado?
A série foca bastante nos detalhes do desaparecimento e da posterior volta de Sherri, assim como no desespero de Keith, o marido, sem um maior aprofundamento no que a teria levado a cometer um ato tão insano que impactou sua vida e de sua família.
No final a explicação da insatisfação no casamento e a necessidade de atrair a atenção parecem um tanto superficiais, não há nenhuma alusão a uma possível perturbação mental.
Um encerramento um tanto abrupto, que deixa no espectador a sensação de impunidade, porque depois de arquitetar um plano insano, Sherri tem 35 acusações de fraude, entre elas mentir para o FBI e gastar recursos públicos com o seu sequestro forjado, crimes puníveis com até 25 anos de prisão, ela se declara culpada e cumpre apenas 18 meses.
Pensei que "Garota exemplar" teria sido baseado nesta história, quando descobrimos que foi Sherri que se inspirou no filme, o que torna tudo ainda mais bizarro.
Um depoimento final de Keith, revelando todo o ressentimento e a mágoa de ver sua vida e a de seus filhos afetadas de forma tão cruel, deixou um sentimento de querer saber mais sobre como Sherri e Keith resolveram pendências após a saída dela da prisão. Se divorciaram, com quem ficou os filhos, Keith perdoou a esposa?
Isso o documentário não esclarece, mas a quem se interessar Keith pediu o divórcio, tem a guarda dos filhos, não fala mais com a ex-esposa e não, disse que não vai perdoá-la.
Ao contrário dos outros dois documentários da série "Cena do crime", que focam em vários temas além dos crimes propriamente ditos, este se concentra na descrição dos assassinatos, as vítimas e principalmente suas famílias.
A narrativa é centrada no pai de uma das vítimas que busca incessantemente descobrir o responsável pela morte de sua filha, como também ajudar outros familiares de mulheres brutalmente assassinadas em um lugar que ficou conhecido como campo de matança.
Passando por vários crimes cometidos ao longo dos anos, é uma visão mais humana das vítimas e no sofrimento de quem fica tentando descobrir o que aconteceu.
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
A novela teve boas atuações e boa reconstituição de época no qual se destacaram a protagonista Duda Santos (Beatriz) e a antagonista Maisa Silva (Bia), que mostrou talento como atriz.
Ponto negativo foram as cenas intermináveis e recorrentes do núcleo cômico formado pela família de Alfredo (Eduardo Sterblitich) e sua histriônica e chatíssima empregada Jacira (Flavia Reis) que não acrescentavam nada à narrativa e não tinham a menor graça.
De qualquer forma, mostrou os anos 50 de forma utópica, no qual uma moça negra poderia ser modelo de propaganda, fazer a protagonista de uma novela e um garoto homossexual teve sua sexualidade prontamente aceita por família e amigos. Sabemos que isso não era verdade, até o começo dos anos 2000, atores negros eram relegados à papéis de empregados e escravos e personagens homossexuais eram caricatos, mas é uma obra ficcional e como tal cumpriu o papel de entreter, mesmo com uma visão idealizada da época.
“Cena do crime: O assassino da Times Square” ao abordar os assassinatos de mulheres ocorridos em Nova York na década de 70, acaba traçando todo o panorama da exploração sexual que existia na época, especialmente na Times Square, hoje um ambiente turístico e familiar, mas que há mais de 40 anos refletia a crise financeira, decadência urbana e alto índice de criminalidade vigentes na cidade nos anos 70.
SPOILERS ABAIXO
A Times Square era um lugar dominado pelo crime, um antro de pornografia habitado por prostitutas, cafetões, traficantes que circulavam entre cinemas pornôs, casas de swing, shows de strip tease, hotéis baratos de alta rotatividade e é nesse cenário caótico que em um quarto de hotel foram encontrados os corpos de duas mulheres com as mãos e as cabeças decepadas, a partir desse crime, a série vai revelando outros casos de mulheres assassinadas e estupradas, fazendo um paralelo entre a trajetória das investigações que descobrem a similaridade entre os casos decretando a existência de um serial killer com o ambiente hostil e abusivo a que as mulheres que se prostituíam estavam submetidas.
A narrativa bem desenvolvida vai intercalando depoimentos de promotores, investigadores, jornalistas e até a autora de um livro sobre profissionais do sexo, como também a filha biológica de uma das vítimas do serial killer, até chegar a revelação da identidade do assassino, Richard Cottingham, casado, 3 filhos, trabalhava como operador de computador em uma escritório, alguém aparentemente normal que se revelou um psicopata, e com o surgimento dos analistas de perfis descobriu-se que o mal não tem uma face determinada.
A série não perde muito tempo em analisar o assassino e suas motivações, e apesar de mostrar bastante os detalhes da investigação, se concentra mais no contexto social da época, o que para quem gosta de enredos essencialmente policiais e investigativos, pode ser digressivo demais e focar menos no que aparentemente deveria ser seu principal tema.
Para mim, a série equilibra o lado investigativo com a crítica social, e consegue acertar em ambas as abordagens, sem fugir de apresentar os fatos sobre os crimes e seu autor como também a imersão no ambiente degradante em que eles ocorreram.
“Cena do crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil” é um ótimo documentário pois partindo de um fato, o desaparecimento da estudante canadense Elisa Lam dentro de um hotel em Los Angeles, aborda uma série de temas, a saber: Saúde mental, a vida das pessoas que vivem nas ruas, bullying virtual, exposição midiática, tribunal da internet e a obsessão das pessoas por assuntos que estão muito distantes de sua realidade.
SPOILERS ABAIXO
A narrativa tem um desenvolvimento que abrangendo todos estes temas, consegue despertar o interesse do espectador pois não deixa de lado a investigação policial, afinal quem começa a ver uma série sobre um crime real, está, antes de tudo, interessado na solução do mistério.
Há digressões sobre o passado do hotel, palco de várias mortes, além da de Elisa. Temos uma visão da Los Angeles dos anos 70/80 e da população de rua que transita em torno do hotel enquanto somos informados sobre os detalhes do desaparecimento de Elisa e sua frágil saúde mental, até sermos apresentados ao intrigante vídeo de uma câmera de segurança com a estudante em um dos elevadores do hotel nas suas últimas imagens, seu comportamento bizarro que levanta várias suspeitas por parte da polícia e de uma legião de internautas que passam a investigar o mistério obsessivamente.
Com uma narrativa que explora eficientemente o suspense ao demorar para revelar que a estudante estava morta quando seu corpo é encontrado dentro da caixa d’água, o que desperta mais ainda a obsessão dos detetives virtuais que passam a tecer várias teorias da conspiração, terminando por acusar um cantor que estava no hotel na época da morte da garota fazendo vídeos com sangue, gore, rituais macabros e passa a sofrer um linchamento virtual. Vemos o depoimento do artista que declara que pensou até em suicídio.
Por fim, a investigação conclui que a garota que sofria de sérios distúrbios mentais e havia parado de tomar a medicação, havia ela mesma entrado na caixa d’água e se afogado após um surto psicótico, motivo do comportamento estranho demonstrado no vídeo gravado no elevador.
Apesar do final ser um anticlímax para quem esperava ver um culpado preso e condenado, a série envolve, mostrando Elisa como vítima não de um assassino de carne e osso mas de todo um mundo para o qual não parecia estar preparada para enfrentar, ao passo que também aborda como uma sociedade pode também estar doente quando fica obcecada, acusa e condena sem provas e depois, quando tudo é esclarecido, esquece e vai em busca do próximo assunto sem se preocupar com quem ficou caído pelo caminho, o que é cada vez mais comum em tempos da exposição desenfreada na internet de assuntos que merecem tanta atenção para depois serem rapidamente esquecidos em um mundo onde tudo é cada vez mais instantâneo e descartável.
“Pecadores” seria apenas mais um “filme de vampiro”, não fosse o fato que aqui os vampiros são usados como metáforas. Estes seres sobrenaturais invadem o espaço dos negros e sugam seu sangue, mas enquanto fazem isso literalmente há um subtexto sobre a apropriação cultural da música, comida e costumes da comunidade negra americana.
Antes de entrar propriamente na ação “vampiresca”, há um longo prólogo no qual somos apresentados aos personagens no seu dia-a-dia, seus conflitos e interações para que pudéssemos nos importar com o que vai acontecer com estes personagens e não serem apenas mortes aleatórias, além de estabelecer o local e o contexto histórico, o Mississipi de 1932, da segregação racial e da Ku Klux Klan.
O blues tem papel central na narrativa, ao intuir que a música teria um pacto com o demônio, o personagem Sammie (Miles Caton) deixa clara essa alusão quando se vê dividido entre o blues e a fé cristã. Uma belíssima sequência unindo passado, presente e futuro, alude às raízes desse estilo musical como também ao legado que ele deixou na história e na cultura negra americana e o poder transcendental da música atravessando gerações.
Michael B. Jordan faz um belo trabalho como os gêmeos Stack e Smoke, com diferenças sutis para distinguir os irmãos, se destacando em um elenco primoroso, não há como apontar uma atuação destoante.
“Pecadores” é original na sua representação do sobrenatural para evocar o conflito racial, porém como filme de vampiro é apenas mais um filme de vampiro. E muitos que não captarem essa simbologia da trama, vão apenas achar que é um filme “comum” de vampiros com os habituais clichês sobre essas criaturas, sensibilidade à luz solar, ao alho, cruzes, estacas e que precisam de permissão para entrar em um ambiente.
O filme incorpora o realismo fantástico para se aprofundar nas várias camadas do subtexto racial e nesse sentido consegue um resultado brilhante. Os vampiros deturpam o que não possuem e resta aos negros a resistência para manter sua identidade.
A dúvida é quem são os verdadeiros pecadores, os brancos que deturpam e invadem o espaço que não é seu ou os negros que querem se divertir e celebrar, muitas vezes abandonando a fé cristã e se tornando “pecadores” segundo a doutrina religiosa?
A atuação da protagonista é brilhante, sensível em um personagem que pode soar antipático apesar de todo o sofrimento pessoal e não despertar empatia pois é um personagem difícil, irascível, pesado, é o maior destaque do elenco. Embora seja uma trama essencialmente investigativa, o foco é mais na personalidade e no drama dos personagens do que no "quem é o culpado".
A minissérie tem um ritmo muito lento, típico das produções europeias, especialmente nórdicas, o que não seria problema se a trama não fosse confusa com cenas dispensáveis e duração excessiva.
De resto, além da protagonista, todos tem boas atuações, fotografia com destaque para o cinza e o branco, de acordo com o clima frio do lugar, que também evidencia a tristeza, melancolia e amargura da trama.
Esse terceiro filme da franquia "Knives out", muda um pouco o foco da narrativa, ao invés de ser totalmente voltada para a descoberta do assassino, temos um enredo centrado em questionamentos do comportamento humano, da fé e da religiosidade.
É claro que existe uma trama a ser desvendada, mas mais do que apontar o "quem matou", questiona-se o "porque matou" e a narrativa tem como personagens protagonistas o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig, inspirado em detetives clássicos da literatura especialmente em Hercule Poirot, o personagem icônico de dama do mistério Agatha Christie) e o padre Jud Duplenticy (Josh O´Connor).
O primeiro encontro entre os dois se dá dentro de uma igreja, em que Blanc já deixa claro sua total falta de crença na religião ao passo que o padre Jud mostra-se, dentro de uma dor e uma fragilidade carregando uma culpa por uma morte que ele provocou, é um ser absolutamente seguro de sua fé.
Vi críticas as cenas excessivamente explicativas, mas um romance policial, que inspira a narrativa, é feito destas cenas, em que no final, o detetive é a figura central, explicando todos os detalhes de como o crime foi cometido.
O assassinato a ser investigado é do Monsenhor Jefferson Micks (Josh Brolin), um homem arrogante, egoísta e que quer impor sua presença como quase um Deus diante de seus paroquianos e para isso planeja a própria falsa morte, mas acaba sendo morto mesmo. Sua encenação da morte simulada e posterior ressureição, remete ao milagre bíblico de Lázaro.
Os personagens coadjuvantes são pouco desenvolvidos como o médico Nat Sharp (Jeremy Renner), a paroquiana Vera (Kerry Washington, careteira como sempre) e a funcionária da Paróquia Martha (Glenn Close), personagem pouco explorado pela importância que teria no final, mas que conta com a atuação segura e sempre excelente de uma grande atriz.
Toda a narrativa menos suntuosa, tantos em cenários quanto em diálogos, faz a trama mais reflexiva, não há as cenas exageradas e caricatas, os personagens tem suas falhas e defeitos puramente humanos, até Blanc se mostra mais falho, e na cena final, onde supostamente deveria revelar toda a trama do assassinato, não se furta a dizer que não conseguiu desvendar, embora seja para que o verdadeira assassinato se revelasse.
A explícita relação com a religiosidade, é feita quando Blanc, ao se preparar para revelar toda a trama e ser aclamado, a luz vinda dos vitrais da igreja o iluminam, como se fosse um ser sagrado prestes a realizar um milagre.
As atuações dos protagonistas são perfeitas, Josh O`Connor tem uma interpretação contida mas ao mesmo intensa ao deixar evidente a dor e culpa que o dilaceram, Daniel Craig entende que seu detetive deve parecer mais sério e menos caricato.
A terceira produção da franquia "Knives out" apresenta uma trama mais contemplativa, mais amarga, menos divertida que não deixa de expor a trama investigativa que envolve os espectadores mas entrega uma narrativa que tem outras camadas que vão além do mistério policial.
ao final estão conectados com acontecimentos do passado, um clichê recorrente de filmes de suspense.
mas achei difícil me preocupar com os problemas da protagonista, um personagem extremamente antipático, que sim, havia perdido uma filha, mas parecia dar isso como desculpa para todas suas atitudes condenáveis.
Anna (Tessa Thompson) trama para recuperar o posto que havia perdido na TV porque simplesmente desapareceu durante um ano sem dar satisfação, abandonou a mãe idosa, seduziu o marido da rival no trabalho, divulgou informações dadas pelo ex marido prometendo que não o faria
Estão elogiando o plot twist final mas é preciso ligar a suspensão de descrença no nível máximo para acreditar que
uma idosa teria capacidade física para cometer todos aqueles assassinatos.
Além disso, a protagonista ao ler a confissão da mãe, olha para ela e dá um sorriso, como se apoiasse todos os crimes que a mãe havia acabado de detalhar
Esta terceira temporada de “Fargo” tinha um grande desafio, manter o excelente nível das duas anteriores, criando altas expectativas para quem acompanha a produção baseada no filme Cult de 1996.
SPOILERS ABAIXO
Temos a história da rivalidade entre os irmãos Ray e Emmit Stussy (interpretados por Ewan McGregor) , o primeiro um oficial de condicional, que odiava o irmão por conta de um roubo de um selo raro. Com a ajuda de uma das condenadas sob sua supervisão, Nikki (Mary Eizabeth Winstead) com quem ele tinha um caso amoroso, Ray planeja o roubo do selo e também o assassinato do irmão, mas tudo dá errado e o assassino contratado, um atrapalhado viciado que também estava sob sua supervisão, acaba matando o homem errado.
A partir daí, coincidências e reviravoltas se sucedem sempre com muita ironia e humor negro. Quem acredita no aviso que aparece no começo de cada episódio, de que se trata de fatos reais descritos exatamente como ocorreram, vai estar muito enganado, pois é apenas uma brincadeira que os irmãos Coen iniciaram e foi mantida na série. Como acreditar que é verídica uma morte incrível como a do “acidente” com o ar condicionado?
Não falta a policial inteligente e perspicaz, Gloria Burgle (Carrie Coon) personagem similar à Molly da primeira temporada, que duvida da investigação, quer descobrir a verdade, mas é constantemente boicotada por seu chefe.
A única relação com os dois anos anteriores é o assassino de aluguel surdo-mudo que aparece na segunda temporada e volta nessa para ajudar Nikki, fora isso não existe mais nenhuma citação referente às outras temporadas.
Um desfecho que não faz concessões e não poupa seus protagonistas, inclusive com uma reviravolta quase no encerramento do último episódio, que realmente surpreende, mas no todo o enredo demora a envolver, não chega a decepcionar, mas acaba deixando claro que houve uma sensível queda em relação aos dois primeiros anos da série.
Destaque para as atuações de Ewan McGregor, que realmente convence ao fazer dois irmãos gêmeos bem distintos entre si, Mary Elizabeth Winstead que faz de Nikki um personagem que passeia entre a esperteza e a ingenuidade e o asqueroso mafioso Varga vivido, por David Thewlis, cujo final é deixado em aberto, na cena carregada de suspense que encerra a temporada.
o que tira um pouco do brilho, mas nada que chega a estragar, só incomoda um pouco.
O enredo torna-se verossímil a partir do momento em que não temos personagens totalmente bons nem totalmente ruins, todos tem suas fraquezas e falhas, é claro que temos o vilão que ultrapassa as falhas humanas, já indo para a psicopatia
após descobrir que seu filho não é seu, foi raptado, mas mata o marido, que sim, é um assassino mas ela se torna também uma assassina, não há como dizer que aquilo é um final feliz.
que acaba se tornando corrupto para ajudar o filho deficiente. Apesar da "desculpa", não deixa de ser um personagem que cede à tentação, mesmo que isso pese em sua consciência.
Dakota Fanning está bem como Jenny, a amiga da protagonista Marissa (Sahah Snook, em ótima atuação), mas sem ser um personagem que efetivamente importa para o desenvolvimento da ação, ela está sempre à margem dos acontecimentos, mais preocupada com sua insatisfação e crise no casamento.
E não posso deixar de mencionar Duke McCloud (Milo Irvine) cujo rapto desencadeia toda a narrativa, que com apenas 6 anos, muito fofura e carisma, rouba todas as cenas.
Neste segundo telefilme, ainda antes da estreia da série, que se tornou um marco nas séries policias para a TV, Columbo volta com seu costumeiro desleixo, olhar distraído e jeito confuso, que esconde uma mente genial
No enredo Columbo investiga a morte do marido de Leslie Williams (Lee Grant) e como sempre, começa um jogo de gato e rato entre assassino e detetive, como no primeiro filme e que depois se tornaria a "receita" da série.
A trama mostra que Leslie é a assassina logo no começo e então vemos todos os detalhes de como a efervescente mente de Columbo funciona exposta em diálogos inteligentes e irônicos.
O "assassino" convidado de cada episódio era sempre um ator bastante conhecido e o duelo de atuações era um dos maiores trunfos dos filmes e posteriormente da série, que se tornou um fenômeno mundial ganhando inúmeros prêmios, assim como Peter Falk que teve o papel de sua vida.
A primeira produção com o personagem Columbo, que viria a ser o papel da vida de Peter Falk.
O icônico detetive se tornou um marco nas séries policiais com seu desleixo, capa de chuva surrada, charuto e o velho Peugeot 1959, que fazia com que todos os investigados subestimassem sua capacidade e até debochassem dele.
Nesta apresentação do personagem, Columbo investiga o assassinato da esposa de um psiquiatra (Gene Barry da série "Bat Masterson) e já mostra sua genialidade ao observar detalhes que levam à revelação do assassino.
O roteiro subverte à clássica trama de investigação, na qual o assassino é revelado ao final. Sabemos quem é o autor do crime desde a primeira cena, vemos como o assassinato é arquitetado e o desenvolvimento da trama será como Columbo vai descobrir o que aconteceu.
O jogo de gato e rato entre o detetive e o assassino, recheado de diálogos espirituosos, é o que envolve o espectador, sempre com uma excessiva educação, se desculpando por tudo, até que mostra que não era o sujeito atrapalhado e desligado que parecia ser.
Os Sem Nome (1ª Temporada)
3.4 5 Assista AgoraA série tem uma narrativa que pega o espectador pelo mistério desenvolvido de forma envolvente, porém peca em seu final que apresenta uma solução cheia de falhas e absurda.
Apesar do tema que envolve poderes sobrenaturais, o desenvolvimento da narrativa tinha uma pegada mais verossímil, que se perde em seu desfecho.
Como aceitar que
Angela (Valentina Gaya) espera a mãe Claudia (Miren Ibarguren) na casa que moravam após segui-la, ajuda no parto, tenta matar a mãe cortando seu pescoço e depois aparentemente a cura do ferimento, foge com a criança, é capturada, depois de descobrimos que havia se tornado a líder da seita que a raptara, é internada em uma instituição para doentes mentais, depois de um tempo o médico diz que pode ir para a casa junto do irmão que raptou e da mãe que tentou matar??
Além disso, o bebê que seria o motivo de todo o plano arquitetado pela menina mostrado durante TODA a série, termina já com uns 3 anos e nada que indicasse algum dom especial.
O elenco todo tem boas atuações com destaque para Rodrigo de La Serna (Casa de Papel) que vive o perturbado e depressivo detetive Salazar, mas as boas atuações não salvam a série que destrói a boa narrativa com um final decepcionante.
O Caso Melissa Witt: Em Busca de um Assassino
2.8 2 Assista AgoraCostumo assistir bastante séries "True Crime" e essa certamente é uma das mais chatas, se não for a mais, que já assisti.
Quatro longos episódios que mostram as várias fases da investigação, intermináveis entrevistas com amigos e parentes da vítima, investigadores e a repórter que trabalhou no caso na época. A jornalista praticamente é a figura central da narrativa, aparecendo em todos os episódios falando sempre basicamente a mesma coisa.
O primeiro episódio se resume a falar sobre o desaparecimento, a preocupação das pessoas em cenas repetitivas. Para se ter ideia, uma das amigas dela é entrevistada várias vezes, repetindo o quanto está triste... para que isso? Uma vez não seria suficiente?
O terceiro episódio foca em outros casos de desaparecimentos e assassinatos, sem esclarecer se teriam a ver com o caso de Melissa, aparentemente parece não ter e depois deixam no ar se haveria conexão. Não entendi a inserção destes casos na série, prolongar a narrativa, para mim já excessivamente extensa?
Depois de passarmos por essa longa, repetitiva e tediosa sucessão de fatos que não levam a nenhuma conclusão, descobrimos que o caso está em aberto e sem solução alguma, exatamente como no dia em que o corpo de Melissa foi descoberto trinta anos atrás.
Acho que quem se interesse por este tipo de série, gosta de ver o caso resolvido, quem acompanha este tipo de narrativa, quer vê-la esclarecida, como em quase todos os documentários sobre casos reais.
Se a intenção era mostrar como casos de assassinato podem não ter um desfecho sem que se descubra quem é o assassino ou como o processo de investigação é burocrático e enfadonho, a série cumpriu seu objetivo mas acaba sendo, além de cansativo, frustrante.
Homicídio nos EUA: Laci Peterson
3.6 35O documentário não se aprofunda em análises psicológicas, não discute o "porque" mas exibe em detalhes o "como".
Pelo exposto não há dúvidas que Scott é o culpado pelo assassinato de sua esposa Laci e do filho não nascido Conner, ele é pintado como o vilão por seu comportamento distante, frieza e a descoberta posterior de uma amante para a qual escondeu que era um homem casado. O depoimento dela é crucial para sua condenação.
A mídia reforçou essa imagem de culpado, mas a série não entra na importância da cobertura intensa para a condenação do réu. Mesmo que todo o processo tenha se resumido a provas circunstanciais, não haveria como Scott receber outro veredito que não fosse culpado, enquanto Laci era a vítima, jovem, bonita, grávida, ele era o marido infiel que quis se livrar da esposa.
Scott até hoje jura inocência e já fez inúmeros recursos para ter seu caso revisado, até hoje não obteve sucesso.
É um relato rico em detalhes, mas que se torna genérico dentre tantos documentários "true crime", mostrando uma vítima que aparentemente não tinha defeitos e um assassino que teria todos os defeitos. Mas com a falta de provas contundentes e vinte anos depois ele ainda busca incessantemente por uma revisão do caso, fica a sensação que todos podemos ter sido influenciados por uma narrativa que sempre esteve contra o réu, mesmo que, aparentemente, ele seja mesmo culpado.
Mr. Mercedes (3ª Temporada)
3.4 18Embora melhor que a segunda temporada ainda é bem inferior à primeira.
SPOILERS ABAIXO
O Mr. Mercedes, citado em alguns momentos, já que um dos plots da temporada é o julgamento de Lou (Breeda Wool) que assassinou Brady na chocante cena final da temporada anterior. Apesar de constantemente Lou fale de Brady, o "Mr. Mercedes" não aparece nem nos delírios da personagem.
Na verdade, o título "Mr. Mercedes" meio que perdeu o sentido, já que o plot principal da temporada é o assassinato de John Rothstein (Bruce Dern, talvez um alter ego de Stephen King?) e a narrativa é quase que inteiramente focada nos personagens desse núcleo, com algumas inserções do julgamento.
Para não perder totalmente o protagonismo, Bill (Brendan Gleeson) se envolve na investigação do assassinato do escritor, mas seu personagem também se mostra com menos relevância.
Para compensar a falta do vilão Mr. Mercedes, aparece Alma Lane (Kate Mulgrew) até mais cruel e odiosa que o vilão das temporadas anteriores. Vivendo um relação doentia com Morris (Gabriel Ebert), não mede esforços para se apoderar dos cadernos com textos inéditos do escritor assassinado de quem era ex-amante e por quem era obcecada.
Os outros pesonagens como Holly (Justine Lupe), Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharell Jerome), tem participações diminuídas e transitam à margem dos acontecimentos importantes.
Uma série que começou com uma ótima primeira temporada, com personagens bem delineados e foi se perdendo, terminando de forma protocolar e sem lembrar em nada o seu início, nem o enredo que tomou um rumo completamente diferente.
Anaconda
2.5 240Se você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
Mr. Mercedes (2ª Temporada)
3.4 34 Assista AgoraA segunda temporada de “Mr. Mercedes” é inferior à primeira, não sei o quanto é fiel à obra de Stephen King, mas tudo que era tensão na primeira temporada, tornou-se arrastado nessa.
SPOILERS ABAIXO
Começa com Brady (Harry Treadaway) ainda em coma no hospital após a agressão de Holly (Justine Lupe). Entram em cena dois médicos ambiciosos e inescrupulosos Felix (Jack Huston) e Cora (Tessa Ferrer), que iniciam um tratamento no psicopata com um remedido regenerador da atividade cerebral.
A partir deste momento somos colocados dentro do cérebro de Brady, que ganha como cenário o porão onde ele arquitetava seus ataques com o psicopata diante das telas de computador vendo as pessoas à sua volta, as telas metaforicamente como seus olhos. Estas sequências são longas e repetitivas tirando muito do ritmo da narrativa.
Se na primeira temporada a premissa foi calcada na realidade nesta ganha uma narrativa com uma mistura de ficção científica/sobrenatural, pois o psicopata passa a entrar na mente das pessoas e fazer com que obedeçam suas ordens, uma pessoa se mata e outra mata alguém atendendo os comandos de Brady.
Bill (Brendan Gleeson) continua com sua obsessão com Brady e alguns personagens mais participativos da primeira temporada, nesta se tornam mais coadjuvantes como Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharel Jerome).
A temporada reserva uma cena final bastante chocante e inesperada, mas não é o bastante para colocá-la no mesmo nível da primeira.
Night Stalker: Tortura e Terror
4.0 140 Assista AgoraRamirez foi um serial killer americano que desafiou os chamados analistas de perfis do FBI, pois não tinha um padrão, matou jovens e idosos, roubou e estuprou mulheres e até crianças.
O documentário faz um relato abrangente e detalhado dos crimes cometidos pelo psicopata, embora não entre no terreno psicológico, não há nenhuma análise aprofundada sobre a mente ou personalidade de Ramirez, apenas descreve os fatos, seus assassinatos, captura, julgamento e condenação.
Documentário genérico, sem trazer nenhuma novidade para o formato, interessa para quem gosta do genêro true crime.
Mr. Mercedes (1ª Temporada)
4.1 93Comecei a ver e só depois descobri que era baseado ema um obra de Stephen King.
SPOILERS ABAIXO
A série já choca em sua cena inicial, várias pessoas que estavam em uma fila em busca de emprego são assassinadas por um psicopata dirigindo um Mercedes (daí o título) e usando máscara de palhaço que passa por cima delas em uma cena impactante e explícita.
A partir daí somos apresentados ao detetive Bill Hodges (Brendan Gleeson) que é o responsável pela investigação, o tempo passa, ele se aposenta e a não solução do caso se torna uma obsessão para Hodges.
Não há mistério quanto à identidade do assassino, logo sabemos que é Brady Hartsfield (Harry Treadaway) um pacato funcionário de loja de aparelhos eletrônicos, especialista em computadores, que mora com a mãe com quem tem uma relação doentia e incestuosa. Sua mente deturpada, sua personalidade sombria, sua total falta de empatia são reveladas.
Todos os personagens tem sua facetas psicológicas e são bem delineados, demonstrando sua personalidade nas atitudes. Hodges, que em sua obsessão não percebe o quanto sua vida está sendo sugada, numa espiral de amargura e dor.
Além dele transitam em seu entorno, sua vizinha Ida (Holland Taylor), prestativa, independente, resolvida, Janey (Mary Louise Parker) irmã da dona do Mercedes roubado usado no atentado, que se envolve amorosamente com Hodges, mas tem uma relação mal resolvida com a irmã que se suicidou e com a mãe internada em um asilo, Holly (Justine Lupe), tímida, insegura, com traços que poderiam ser até de autismo, Jerome (Jharel Jerome), rapaz negro que consegue entrar em Harvard e está em conflito entre suas raízes humildes e o ambiente da universidade de elite.
Além dele temos Deborah (Kelly Lynch) a mãe do psicopata, bêbada, frustrada, infeliz e Lou (Breeda Wool), colega de trabalho de Brady, lésbica, presa a um emprego e a um chefe ditador que vê no psicopata um amigo.
Não li a obra de King, não sei o quanto é fiel, suponho que seja pois tem o escritor entre seus roteiristas e uma aparição dele como uma das vítimas em uma lanchonete em um dos delírios de Brady, algo que King faz costumeiramente, imitando Hitchcock.
A narrativa é envolvente, tem momentos impactantes, como sua cena inicial, um outro assassinato de uma personagem importante e um desfecho também surpreendente, as atuações são ótimas, mas nem tudo é perfeito, às vezes se perde um pouco em diálogos desnecessários, que acabam quebrando o ritmo.
Corta-fogo
3.0 32 Assista AgoraPartindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
No final
apesar dos ferimentos físicos, todos sobrevivem
mas saem mais feridos psicologicamente.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
Sr. e Sra. Assassinato
3.4 3Já havia visto um documentário sobre esse caso, mas não com tantos detalhes.
Acho que quatro episódios foi um exagero, pois temos alguns pontos repetitivos na narrativa, o que fica cansativo, poderia ter sido mais enxuto.
De qualquer forma, há um vasto material jornalístico sobre o caso, o que deixou a narrativa rica em informações e com o longo depoimento da ex-mulher de um dos réus, que participou ativamente do caso.
É um típico caso de mulher manipuladora e gananciosa que envolve o amante, que não é menos culpado do que ela. Como resultado, famílias destruídas, filhos que perdem seus pais, um é morto e os outros vão para a prisão.
A Esposa Perfeita: Um Desaparecimento Misterioso
3.6 4 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
O aviso de spoiler cabe, porque mesmo sendo uma história real já divulgada pela mídia, a narrativa se desenvolve como um autêntico suspense ficcional, como hoje são os documentários de "true crime".
Temos aqui a princípio um caso de desaparecimento de uma mulher, algo comum e no qual o marido é o principal suspeito, como na maioria das vezes é também o culpado. Mas neste aqui, depois de um começo clichê, somos apresentados a uma história surreal que mostra a destruição de uma família, mas principalmente, o sofrimento de um homem, que se vê diante da constatação de que sua esposa é um ser cruel, sem escrúpulos, que tem um desvio de caráter beirando a psicopatia.
Não é o desaparecimento de Sherri Pappini que é misterioso, mas também sua personalidade. Porque alguém forja o próprio sequestro, se auto machuca, deixa o marido desesperado, um país inteiro preocupado?
A série foca bastante nos detalhes do desaparecimento e da posterior volta de Sherri, assim como no desespero de Keith, o marido, sem um maior aprofundamento no que a teria levado a cometer um ato tão insano que impactou sua vida e de sua família.
No final a explicação da insatisfação no casamento e a necessidade de atrair a atenção parecem um tanto superficiais, não há nenhuma alusão a uma possível perturbação mental.
Um encerramento um tanto abrupto, que deixa no espectador a sensação de impunidade, porque depois de arquitetar um plano insano, Sherri tem 35 acusações de fraude, entre elas mentir para o FBI e gastar recursos públicos com o seu sequestro forjado, crimes puníveis com até 25 anos de prisão, ela se declara culpada e cumpre apenas 18 meses.
Pensei que "Garota exemplar" teria sido baseado nesta história, quando descobrimos que foi Sherri que se inspirou no filme, o que torna tudo ainda mais bizarro.
Um depoimento final de Keith, revelando todo o ressentimento e a mágoa de ver sua vida e a de seus filhos afetadas de forma tão cruel, deixou um sentimento de querer saber mais sobre como Sherri e Keith resolveram pendências após a saída dela da prisão. Se divorciaram, com quem ficou os filhos, Keith perdoou a esposa?
Isso o documentário não esclarece, mas a quem se interessar Keith pediu o divórcio, tem a guarda dos filhos, não fala mais com a ex-esposa e não, disse que não vai perdoá-la.
Cena do Crime: O Campo da Morte no Texas
3.5 25 Assista AgoraAo contrário dos outros dois documentários da série "Cena do crime", que focam em vários temas além dos crimes propriamente ditos, este se concentra na descrição dos assassinatos, as vítimas e principalmente suas famílias.
A narrativa é centrada no pai de uma das vítimas que busca incessantemente descobrir o responsável pela morte de sua filha, como também ajudar outros familiares de mulheres brutalmente assassinadas em um lugar que ficou conhecido como campo de matança.
Passando por vários crimes cometidos ao longo dos anos, é uma visão mais humana das vítimas e no sofrimento de quem fica tentando descobrir o que aconteceu.
Não Se Preocupe, Querida
3.3 625 Assista AgoraFlorence Pugh é ótima atriz, carrega o filme nas costas, Harry Styles deve ser melhor cantando (nunca ouvi nada dele).
O plot twist final não me surpreendeu
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
Garota do Momento
4.1 13A novela teve boas atuações e boa reconstituição de época no qual se destacaram a protagonista Duda Santos (Beatriz) e a antagonista Maisa Silva (Bia), que mostrou talento como atriz.
Ponto negativo foram as cenas intermináveis e recorrentes do núcleo cômico formado pela família de Alfredo (Eduardo Sterblitich) e sua histriônica e chatíssima empregada Jacira (Flavia Reis) que não acrescentavam nada à narrativa e não tinham a menor graça.
De qualquer forma, mostrou os anos 50 de forma utópica, no qual uma moça negra poderia ser modelo de propaganda, fazer a protagonista de uma novela e um garoto homossexual teve sua sexualidade prontamente aceita por família e amigos. Sabemos que isso não era verdade, até o começo dos anos 2000, atores negros eram relegados à papéis de empregados e escravos e personagens homossexuais eram caricatos, mas é uma obra ficcional e como tal cumpriu o papel de entreter, mesmo com uma visão idealizada da época.
Cena do Crime: O Assassino da Times Square
3.4 20“Cena do crime: O assassino da Times Square” ao abordar os assassinatos de mulheres ocorridos em Nova York na década de 70, acaba traçando todo o panorama da exploração sexual que existia na época, especialmente na Times Square, hoje um ambiente turístico e familiar, mas que há mais de 40 anos refletia a crise financeira, decadência urbana e alto índice de criminalidade vigentes na cidade nos anos 70.
SPOILERS ABAIXO
A Times Square era um lugar dominado pelo crime, um antro de pornografia habitado por prostitutas, cafetões, traficantes que circulavam entre cinemas pornôs, casas de swing, shows de strip tease, hotéis baratos de alta rotatividade e é nesse cenário caótico que em um quarto de hotel foram encontrados os corpos de duas mulheres com as mãos e as cabeças decepadas, a partir desse crime, a série vai revelando outros casos de mulheres assassinadas e estupradas, fazendo um paralelo entre a trajetória das investigações que descobrem a similaridade entre os casos decretando a existência de um serial killer com o ambiente hostil e abusivo a que as mulheres que se prostituíam estavam submetidas.
A narrativa bem desenvolvida vai intercalando depoimentos de promotores, investigadores, jornalistas e até a autora de um livro sobre profissionais do sexo, como também a filha biológica de uma das vítimas do serial killer, até chegar a revelação da identidade do assassino, Richard Cottingham, casado, 3 filhos, trabalhava como operador de computador em uma escritório, alguém aparentemente normal que se revelou um psicopata, e com o surgimento dos analistas de perfis descobriu-se que o mal não tem uma face determinada.
A série não perde muito tempo em analisar o assassino e suas motivações, e apesar de mostrar bastante os detalhes da investigação, se concentra mais no contexto social da época, o que para quem gosta de enredos essencialmente policiais e investigativos, pode ser digressivo demais e focar menos no que aparentemente deveria ser seu principal tema.
Para mim, a série equilibra o lado investigativo com a crítica social, e consegue acertar em ambas as abordagens, sem fugir de apresentar os fatos sobre os crimes e seu autor como também a imersão no ambiente degradante em que eles ocorreram.
Cena do Crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil
3.4 266 Assista Agora“Cena do crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil” é um ótimo documentário pois partindo de um fato, o desaparecimento da estudante canadense Elisa Lam dentro de um hotel em Los Angeles, aborda uma série de temas, a saber: Saúde mental, a vida das pessoas que vivem nas ruas, bullying virtual, exposição midiática, tribunal da internet e a obsessão das pessoas por assuntos que estão muito distantes de sua realidade.
SPOILERS ABAIXO
A narrativa tem um desenvolvimento que abrangendo todos estes temas, consegue despertar o interesse do espectador pois não deixa de lado a investigação policial, afinal quem começa a ver uma série sobre um crime real, está, antes de tudo, interessado na solução do mistério.
Há digressões sobre o passado do hotel, palco de várias mortes, além da de Elisa. Temos uma visão da Los Angeles dos anos 70/80 e da população de rua que transita em torno do hotel enquanto somos informados sobre os detalhes do desaparecimento de Elisa e sua frágil saúde mental, até sermos apresentados ao intrigante vídeo de uma câmera de segurança com a estudante em um dos elevadores do hotel nas suas últimas imagens, seu comportamento bizarro que levanta várias suspeitas por parte da polícia e de uma legião de internautas que passam a investigar o mistério obsessivamente.
Com uma narrativa que explora eficientemente o suspense ao demorar para revelar que a estudante estava morta quando seu corpo é encontrado dentro da caixa d’água, o que desperta mais ainda a obsessão dos detetives virtuais que passam a tecer várias teorias da conspiração, terminando por acusar um cantor que estava no hotel na época da morte da garota fazendo vídeos com sangue, gore, rituais macabros e passa a sofrer um linchamento virtual. Vemos o depoimento do artista que declara que pensou até em suicídio.
Por fim, a investigação conclui que a garota que sofria de sérios distúrbios mentais e havia parado de tomar a medicação, havia ela mesma entrado na caixa d’água e se afogado após um surto psicótico, motivo do comportamento estranho demonstrado no vídeo gravado no elevador.
Apesar do final ser um anticlímax para quem esperava ver um culpado preso e condenado, a série envolve, mostrando Elisa como vítima não de um assassino de carne e osso mas de todo um mundo para o qual não parecia estar preparada para enfrentar, ao passo que também aborda como uma sociedade pode também estar doente quando fica obcecada, acusa e condena sem provas e depois, quando tudo é esclarecido, esquece e vai em busca do próximo assunto sem se preocupar com quem ficou caído pelo caminho, o que é cada vez mais comum em tempos da exposição desenfreada na internet de assuntos que merecem tanta atenção para depois serem rapidamente esquecidos em um mundo onde tudo é cada vez mais instantâneo e descartável.
Pecadores
4.0 1,2K Assista Agora“Pecadores” seria apenas mais um “filme de vampiro”, não fosse o fato que aqui os vampiros são usados como metáforas. Estes seres sobrenaturais invadem o espaço dos negros e sugam seu sangue, mas enquanto fazem isso literalmente há um subtexto sobre a apropriação cultural da música, comida e costumes da comunidade negra americana.
Antes de entrar propriamente na ação “vampiresca”, há um longo prólogo no qual somos apresentados aos personagens no seu dia-a-dia, seus conflitos e interações para que pudéssemos nos importar com o que vai acontecer com estes personagens e não serem apenas mortes aleatórias, além de estabelecer o local e o contexto histórico, o Mississipi de 1932, da segregação racial e da Ku Klux Klan.
O blues tem papel central na narrativa, ao intuir que a música teria um pacto com o demônio, o personagem Sammie (Miles Caton) deixa clara essa alusão quando se vê dividido entre o blues e a fé cristã. Uma belíssima sequência unindo passado, presente e futuro, alude às raízes desse estilo musical como também ao legado que ele deixou na história e na cultura negra americana e o poder transcendental da música atravessando gerações.
Michael B. Jordan faz um belo trabalho como os gêmeos Stack e Smoke, com diferenças sutis para distinguir os irmãos, se destacando em um elenco primoroso, não há como apontar uma atuação destoante.
“Pecadores” é original na sua representação do sobrenatural para evocar o conflito racial, porém como filme de vampiro é apenas mais um filme de vampiro. E muitos que não captarem essa simbologia da trama, vão apenas achar que é um filme “comum” de vampiros com os habituais clichês sobre essas criaturas, sensibilidade à luz solar, ao alho, cruzes, estacas e que precisam de permissão para entrar em um ambiente.
O filme incorpora o realismo fantástico para se aprofundar nas várias camadas do subtexto racial e nesse sentido consegue um resultado brilhante. Os vampiros deturpam o que não possuem e resta aos negros a resistência para manter sua identidade.
A dúvida é quem são os verdadeiros pecadores, os brancos que deturpam e invadem o espaço que não é seu ou os negros que querem se divertir e celebrar, muitas vezes abandonando a fé cristã e se tornando “pecadores” segundo a doutrina religiosa?
Terra de Pecados
2.6 5 Assista AgoraA atuação da protagonista é brilhante, sensível em um personagem que pode soar antipático apesar de todo o sofrimento pessoal e não despertar empatia pois é um personagem difícil, irascível, pesado, é o maior destaque do elenco. Embora seja uma trama essencialmente investigativa, o foco é mais na personalidade e no drama dos personagens do que no "quem é o culpado".
A minissérie tem um ritmo muito lento, típico das produções europeias, especialmente nórdicas, o que não seria problema se a trama não fosse confusa com cenas dispensáveis e duração excessiva.
De resto, além da protagonista, todos tem boas atuações, fotografia com destaque para o cinza e o branco, de acordo com o clima frio do lugar, que também evidencia a tristeza, melancolia e amargura da trama.
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out
3.6 240 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
Esse terceiro filme da franquia "Knives out", muda um pouco o foco da narrativa, ao invés de ser totalmente voltada para a descoberta do assassino, temos um enredo centrado em questionamentos do comportamento humano, da fé e da religiosidade.
É claro que existe uma trama a ser desvendada, mas mais do que apontar o "quem matou", questiona-se o "porque matou" e a narrativa tem como personagens protagonistas o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig, inspirado em detetives clássicos da literatura especialmente em Hercule Poirot, o personagem icônico de dama do mistério Agatha Christie) e o padre Jud Duplenticy (Josh O´Connor).
O primeiro encontro entre os dois se dá dentro de uma igreja, em que Blanc já deixa claro sua total falta de crença na religião ao passo que o padre Jud mostra-se, dentro de uma dor e uma fragilidade carregando uma culpa por uma morte que ele provocou, é um ser absolutamente seguro de sua fé.
Vi críticas as cenas excessivamente explicativas, mas um romance policial, que inspira a narrativa, é feito destas cenas, em que no final, o detetive é a figura central, explicando todos os detalhes de como o crime foi cometido.
O assassinato a ser investigado é do Monsenhor Jefferson Micks (Josh Brolin), um homem arrogante, egoísta e que quer impor sua presença como quase um Deus diante de seus paroquianos e para isso planeja a própria falsa morte, mas acaba sendo morto mesmo. Sua encenação da morte simulada e posterior ressureição, remete ao milagre bíblico de Lázaro.
Os personagens coadjuvantes são pouco desenvolvidos como o médico Nat Sharp (Jeremy Renner), a paroquiana Vera (Kerry Washington, careteira como sempre) e a funcionária da Paróquia Martha (Glenn Close), personagem pouco explorado pela importância que teria no final, mas que conta com a atuação segura e sempre excelente de uma grande atriz.
Toda a narrativa menos suntuosa, tantos em cenários quanto em diálogos, faz a trama mais reflexiva, não há as cenas exageradas e caricatas, os personagens tem suas falhas e defeitos puramente humanos, até Blanc se mostra mais falho, e na cena final, onde supostamente deveria revelar toda a trama do assassinato, não se furta a dizer que não conseguiu desvendar, embora seja para que o verdadeira assassinato se revelasse.
A explícita relação com a religiosidade, é feita quando Blanc, ao se preparar para revelar toda a trama e ser aclamado, a luz vinda dos vitrais da igreja o iluminam, como se fosse um ser sagrado prestes a realizar um milagre.
As atuações dos protagonistas são perfeitas, Josh O`Connor tem uma interpretação contida mas ao mesmo intensa ao deixar evidente a dor e culpa que o dilaceram, Daniel Craig entende que seu detetive deve parecer mais sério e menos caricato.
A terceira produção da franquia "Knives out" apresenta uma trama mais contemplativa, mais amarga, menos divertida que não deixa de expor a trama investigativa que envolve os espectadores mas entrega uma narrativa que tem outras camadas que vão além do mistério policial.
Dele & Dela
3.5 134 Assista AgoraA série tem um plot investigativo que envolve, vários assassinatos que
ao final estão conectados com acontecimentos do passado, um clichê recorrente de filmes de suspense.
mas achei difícil me preocupar com os problemas da protagonista, um personagem extremamente antipático, que sim, havia perdido uma filha, mas parecia dar isso como desculpa para todas suas atitudes condenáveis.
Anna (Tessa Thompson) trama para recuperar o posto que havia perdido na TV porque simplesmente desapareceu durante um ano sem dar satisfação, abandonou a mãe idosa, seduziu o marido da rival no trabalho, divulgou informações dadas pelo ex marido prometendo que não o faria
Estão elogiando o plot twist final mas é preciso ligar a suspensão de descrença no nível máximo para acreditar que
uma idosa teria capacidade física para cometer todos aqueles assassinatos.
Além disso, a protagonista ao ler a confissão da mãe, olha para ela e dá um sorriso, como se apoiasse todos os crimes que a mãe havia acabado de detalhar
Fargo (3ª Temporada)
4.1 224 Assista AgoraEsta terceira temporada de “Fargo” tinha um grande desafio, manter o excelente nível das duas anteriores, criando altas expectativas para quem acompanha a produção baseada no filme Cult de 1996.
SPOILERS ABAIXO
Temos a história da rivalidade entre os irmãos Ray e Emmit Stussy (interpretados por Ewan McGregor) , o primeiro um oficial de condicional, que odiava o irmão por conta de um roubo de um selo raro. Com a ajuda de uma das condenadas sob sua supervisão, Nikki (Mary Eizabeth Winstead) com quem ele tinha um caso amoroso, Ray planeja o roubo do selo e também o assassinato do irmão, mas tudo dá errado e o assassino contratado, um atrapalhado viciado que também estava sob sua supervisão, acaba matando o homem errado.
A partir daí, coincidências e reviravoltas se sucedem sempre com muita ironia e humor negro. Quem acredita no aviso que aparece no começo de cada episódio, de que se trata de fatos reais descritos exatamente como ocorreram, vai estar muito enganado, pois é apenas uma brincadeira que os irmãos Coen iniciaram e foi mantida na série. Como acreditar que é verídica uma morte incrível como a do “acidente” com o ar condicionado?
Não falta a policial inteligente e perspicaz, Gloria Burgle (Carrie Coon) personagem similar à Molly da primeira temporada, que duvida da investigação, quer descobrir a verdade, mas é constantemente boicotada por seu chefe.
A única relação com os dois anos anteriores é o assassino de aluguel surdo-mudo que aparece na segunda temporada e volta nessa para ajudar Nikki, fora isso não existe mais nenhuma citação referente às outras temporadas.
Um desfecho que não faz concessões e não poupa seus protagonistas, inclusive com uma reviravolta quase no encerramento do último episódio, que realmente surpreende, mas no todo o enredo demora a envolver, não chega a decepcionar, mas acaba deixando claro que houve uma sensível queda em relação aos dois primeiros anos da série.
Destaque para as atuações de Ewan McGregor, que realmente convence ao fazer dois irmãos gêmeos bem distintos entre si, Mary Elizabeth Winstead que faz de Nikki um personagem que passeia entre a esperteza e a ingenuidade e o asqueroso mafioso Varga vivido, por David Thewlis, cujo final é deixado em aberto, na cena carregada de suspense que encerra a temporada.
Tudo Culpa Dela
4.1 301 Assista AgoraUma série que vai te envolvendo, cheia de reviravoltas, boas atuações que decai um pouco no final para uma trama que abraça totalmente o novelesco com
troca de bebês, digna de novela do Manoel Carlos.
o que tira um pouco do brilho, mas nada que chega a estragar, só incomoda um pouco.
O enredo torna-se verossímil a partir do momento em que não temos personagens totalmente bons nem totalmente ruins, todos tem suas fraquezas e falhas, é claro que temos o vilão que ultrapassa as falhas humanas, já indo para a psicopatia
em Peter Irvine (Jack Lacy), um manipulador e assassino, que quer todos à sua volta dependentes dele e obedientes às suas vontades.
Mas se no final temos uma esposa que
após descobrir que seu filho não é seu, foi raptado, mas mata o marido, que sim, é um assassino mas ela se torna também uma assassina, não há como dizer que aquilo é um final feliz.
Outro personagem à princípio honesto mas
que acaba se tornando corrupto para ajudar o filho deficiente. Apesar da "desculpa", não deixa de ser um personagem que cede à tentação, mesmo que isso pese em sua consciência.
Dakota Fanning está bem como Jenny, a amiga da protagonista Marissa (Sahah Snook, em ótima atuação), mas sem ser um personagem que efetivamente importa para o desenvolvimento da ação, ela está sempre à margem dos acontecimentos, mais preocupada com sua insatisfação e crise no casamento.
E não posso deixar de mencionar Duke McCloud (Milo Irvine) cujo rapto desencadeia toda a narrativa, que com apenas 6 anos, muito fofura e carisma, rouba todas as cenas.
Columbo: Resgate por um Homem Morto
3.0 2Neste segundo telefilme, ainda antes da estreia da série, que se tornou um marco nas séries policias para a TV, Columbo volta com seu costumeiro desleixo, olhar distraído e jeito confuso, que esconde uma mente genial
No enredo Columbo investiga a morte do marido de Leslie Williams (Lee Grant) e como sempre, começa um jogo de gato e rato entre assassino e detetive, como no primeiro filme e que depois se tornaria a "receita" da série.
A trama mostra que Leslie é a assassina logo no começo e então vemos todos os detalhes de como a efervescente mente de Columbo funciona exposta em diálogos inteligentes e irônicos.
O "assassino" convidado de cada episódio era sempre um ator bastante conhecido e o duelo de atuações era um dos maiores trunfos dos filmes e posteriormente da série, que se tornou um fenômeno mundial ganhando inúmeros prêmios, assim como Peter Falk que teve o papel de sua vida.
Fórmula Para Matar
4.3 4A primeira produção com o personagem Columbo, que viria a ser o papel da vida de Peter Falk.
O icônico detetive se tornou um marco nas séries policiais com seu desleixo, capa de chuva surrada, charuto e o velho Peugeot 1959, que fazia com que todos os investigados subestimassem sua capacidade e até debochassem dele.
Nesta apresentação do personagem, Columbo investiga o assassinato da esposa de um psiquiatra (Gene Barry da série "Bat Masterson) e já mostra sua genialidade ao observar detalhes que levam à revelação do assassino.
O roteiro subverte à clássica trama de investigação, na qual o assassino é revelado ao final. Sabemos quem é o autor do crime desde a primeira cena, vemos como o assassinato é arquitetado e o desenvolvimento da trama será como Columbo vai descobrir o que aconteceu.
O jogo de gato e rato entre o detetive e o assassino, recheado de diálogos espirituosos, é o que envolve o espectador, sempre com uma excessiva educação, se desculpando por tudo, até que mostra que não era o sujeito atrapalhado e desligado que parecia ser.