Assisti em virtude do título em português, que nada tem a ver com o original "Crack up" que significa surto psicótico ou colapso mental. Grande parte da narrativa se passa no tal museu, daí o título, mas não tem nada de horror.
Imaginava que fosse um daqueles filmes que se inspiraram no clássico "Museu de Cera", mas na verdade o enredo é sobre um especialista em obras de arte que tem um surto psicótico como no título original.
Depois descobrimos que era só uma trama montada para que ele acreditasse estar enlouquecendo e impedir que identificasse que vários quadros eram falsos.
Talvez a explicação para o título enganoso seja essa, sugerir que seja algo na linha do terror para atrair o público, porque é uma trama bem monótona, confusa e com elenco desconhecido.
Como toda série nórdica, foca mais no drama pessoal de seus personagens, do que propriamente na investigação policial, não que esta seja esquecida, mas a vida particular de Harry Hole (Tobias Santelmann em ótima atuação) ganha bastante tempo de tela.
Depressivo, amargurado e alcóolatra, Harry se sente culpado pela morte de seu parceiro em um acidente em que estava ao volante e tinha bebido. Depois tem que encarar a morte da parceira assassinada pelo policial corrupto Tom Waaler (Joel Kinamann).
O enredo mistura assassinatos cometidos por um serial killer com contrabando de armas, o que acaba sendo um tanto confuso. A revelação do assassino não chega a ser surpreendente mas também não parece ter tanta importância, já que o foco maior e também seu maior atrativo, fica sendo mesmo o embate entre Harry e Tom, que culmina em uma sequência bastante violenta.
Mantém a qualidade de atuação e de narrativa da maioria das séries vindas destes países gelados e curiosamente, suas tramas parecem acompanhar o clima frio, quase sempre são melancólicas, com personagens mergulhados em dramas existenciais e sofrimento mental.
O documentário mostra como a investigação de um aparente caso de acidente automobilístico pode evoluir para um homicídio.
O espectador não tem como fugir do que a narrativa propositalmente o leva, ou seja, a condenar Mackenzie Shirilla, a adolescente que estava ao volante de um carro que bateu violentamente contra a parede de um prédio e causou a morte de seu namorado Dominic Russo e de seu amigo Davion Flanagan.
Tudo na narrativa é feito para evidenciar a intenção de Mackenzie, que ela realmente premeditou o assassinato do namorado, não se importando com danos colaterais, a morte do amigo Davion.
Dominic e Davion são apresentados como jovens gentis, preocupados com a família enquanto Mackenzie é mostrada como uma jovem fútil, agressiva e que mantinha uma relação tóxica com o namorado.
Não que isso não seja verdade, tudo leva a crer que a garota realmente quis matar o namorado e poderia ter morrido no acidente, nada desmente que era uma jovem egoísta e mimada pelos pais, que estranhamente concordam em participar de um documentário que apresenta a filha como culpada pela morte de duas pessoas.
Apresenta os depoimentos dos pais de Mackenzie, Dominic e Davion, além da investigadora e do promotor, ou seja todos os principais envolvidos na tragédia. O direcionamento na aparente culpabilidade de Mackenzie, é porque talvez ela seja mesmo culpada!
A obsessão por redes sociais, exposição excessiva da vida particular, consumo de drogas, tudo é abordado em uma narrativa ágil, sem enrolação. Termina com a condenação da garota e nós respiramos aliviados com a certeza de que a justiça foi feita.
"Cálculo mortal" promete muito, mas se perde um pouco no desenvolvimento da narrativa.
A detetive Cassie (Sandra Bullock) entrega uma tragédia pessoal, que não é suficiente para criar empatia, parece odiar o mundo, usa as pessoas, descarta, não tem paciência, é obsessiva em resolver o crime, plot principal da narrativa, mas faz isso de forma atabalhoada, urgente, sem respeitar chefes, colegas e procedimentos e cria em torno de si uma aura de antipatia.
A relação entre os assassinos Richard (Ryan Gosling) e Justin (Michael Pitt) é dúbia, paira entre eles uma tensão sexual que não se concretiza, aqui mais uma referência ao clássico "Festim Diabólico" de Hitchcock, além do assassinato arquitetado e executado apenas para sentir como é realizar o suposto crime perfeito.
Personagens que não disseram a que vieram como Sam (Ben Chaplin) o parceiro de Cassie, que parece estar ali apenas para ser feito de bobo o filme inteiro e Lisa (Agnes Bruckner), que serve somente para deixar mais claro a rivalidade ou o ciúme que Richard sentia de Justin.
As situações vão se sucedendo naquela lógica sem lógica com conveniências de roteiro e um plot twist final que pelo menos a mim não surpreendeu, mas tem aquela vibe nostálgica dos anos 90 e começo dos anos 2000 e tem a Sandra Bullock que virou um ícone desde que dirigiu aquele ônibus desgovernado, então vale a visita, nem que seja para matar a saudade de uma época que a gente nem sabia o que era streaming.
“Além do tempo” tem uma estrutura de linhas temporais diversas, mas não mistura as diferentes épocas ao mesmo tempo, começou com uma narrativa no começo do século XX e depois vem para o presente, o artifício foi usado porque trata-se de uma obra em que a premissa é a reencarnação, portanto vemos na primeira parte os personagens no passado e depois suas reencarnações em outra vida.
A história de Lívia (Aline Moraes) a jovem humilde criada pela mãe Emilia (Ana Beatriz Nogueira), que desconhecia que era filha do conde Bernardo (Felipe Camargo) e neta da poderosa condessa Vitória (Irene Ravache). Livia conhece o sobrinho da condessa Felipe (Rafael Cardoso) e se apaixona por ele, romance que sua mãe desaprova, pois odiava a condessa que sempre proibiu o romance entre ela e Bernardo. Para ajudar a separar o casal, a inescrupulosa Melissa (Paola Oliveira) noiva de Felipe, que não mede esforços, assim como Pedro (Emilio Dantas) que é apaixonado por Livia.
Entre os ótimos coadjuvantes temos Anita (a linda Leticia Persiles, que sumiu das novelas) que se apaixona pelo mulherengo e cafajeste Roberto (o não menos lindo Romulo Estrela) e a família amalucada de Massimo (Luis Melo), um núcleo cômico realmente divertido, o que é raro.
Depois de uma narrativa tensa e bem conduzida, a cena final desta fase é com Livia e Felipe morrendo juntos, num final infeliz e corta já para a época atual com os dois se conhecendo num rápido encontro no metrô.
Esta fase, é para mim inferior a anterior, vários personagens se entrelaçam visando um resgate, segundo a doutrina espírita. Vitória agora é a mãe de Emilia, a mulher que odiava, Livia é rica e Felipe é pobre, lutando para sobreviver com sua vinícola, também se apaixonam e tem o final feliz que não tiveram na outra vida.
A trama de época, além de mais empolgante, conta com uma bela reconstituição e um enredo mais envolvente. Rafael Cardoso, que infelizmente por escolhas pessoais viu sua carreira destruída, é perfeito como o mocinho romântico e tem muita química com Aline Moraes, assim como as boas atuações de todo o elenco em suas duas fases, contribuem para a qualidade da obra.
Não que a trama na atualidade seja ruim, mas perde muito do seu encanto. Alguns personagens como Roberto e Gema (Louise Cardoso), perderam relevância nessa fase e alguns novos personagens não acrescentaram nada.
É uma boa história, mas se compararmos as duas fases, a segunda é um pouco inferior, o que acaba diminuindo a qualidade da narrativa como um todo.
Mais um filhote de "Seven" mas tudo muito artificial, com atuações exageradas.
A filha adotiva no momento que aparece já nos diz "culpada", o filho depressivo do amargurado detetive (Dennis Quaid) estar relacionado aos crimes, também surpresa zero.
Final anticlimático e nem entendi se o menino morreu ou não.
Fico com o ótimo comentário do meu amigo Vagner que disse que viu o filme no modo "Casas Bahia" à prestações, e foi bem difícil pagar o carnê inteiro.
O filme lembra muito "Olhos de serpente" de Brian de Palma, neste um crime é cometido durante uma luta de boxe em um ginásio lotado, a comparação é até óbvia, um espaço fechado com uma multidão em que se desenvolve uma trama de suspense, mas enquanto de Palma entrega uma trama instigante com ótimos planos sequência, este se perde e consegue ficar bem ruim na sua parte final.
Embora possa ter sido uma homenagem de Shyamalan a Brian de Palma, seu filme acaba dando a impressão que é só um veículo que o diretor usou para alavancar a carreira da filha Saleka Shyamalan que é cantora e no filme vive a popstar Lady Raven. Mais da metade do filme exibe cenas do show da filha do diretor, o grande problema é quando a ação sai do show e Saleka vê seu personagem se tornar protagonista, sua atuação é constrangedora.
Josh Hartnett entrega uma atuação convincente, embora toda as situações que vão ocorrendo dentro do ginásio ou fora dele, sejam bastante inverossímeis, mas Shyamalan parece consciente que abdicou de uma trama verossímil em favor de uma trama divertida.
Como sempre ficamos esperando uma virada na narrativa, aquele plot twist característico dos filmes do diretor
mas nesse não houve nada que surpreendesse, pois desde o começo sabíamos que ele era o homem que o FBI estava perseguindo. A cena final com o serial killer se livrando das algemas é surpreendente? Não, só achei absurda mesmo, policiais deixarem o serial killer, que os fizera de bobos desde o início do filme, ir levantar uma bicicleta! Era pra ter um final aberto, ele iria fugir? Sair do camburão, matar todos os policiais com aquele prego?
M. Night Shyamalan parece buscar um roteiro genial desde o fabuloso "O sexto sentido" e isso parece prejudicá-lo, já fez algumas coisas boas, outras medianas e outras ruins. Esse se encaixa de mediano para ruim e a única coisa que fica é mesmo a impressão de um diretor nepotista, que coloca a filha sem talento como atriz para protagonizar seu filme.
Ao que se propõe, o filme entrega uma trama razoável.
Há momentos tensos, bandidos atrapalhados, inserção de um tema sério como pedofilia e o culto às celebridades.
Sophie Turner como a estrela juvenil Lauren tem uma boa performance.
Só uma ressalva ao final, a pobre Grace (Renata Vaca, sim é esse o sobrenome) após salvar o cachorro de Lauren e a própria, quase perdendo a vida e provavelmente perdendo o emprego, nem é mencionada no final, não houve sequer uma recompensa, talvez a rica Lauren ajudando Grace doando recursos para que ela abrisse um abrigo de animais. Nada, pobre Grace.
Li a obra de Agatha Christie há muitos anos, mas lembro que muitos elementos foram modificados, as principais mudanças foram feitas para dar mais protagonismo às personagens femininas.
A investigação, que no livro fica a cargo do Superintentende Battle (Martin Freeman), nesta adaptação ele perde bastante a revelância para Lady Eileen (Mia Mackenna-Bruce), que passa a centralizar em seu personagem todas as ações da narrativa.
Os livros da rainha do crime em que não aparecem seus personagens mais famosos o detetive Poirot e Miss Marple, geralmente fogem dos crimes puramente domésticos, aqueles assassinatos motivados unicamente por intrigas familiares, e esse não é diferente.
No final os assassinatos, porque acontece mais de um, são motivados por uma conspiração que envolve espionagem, governo, indo muito além de um simples crime cometido em uma propriedade suntuosa na Inglaterra.
Eu particularmente prefiro os chamados crimes "domésticos" com os icônicos detetives da sra. Christie descobrindo quem é o assassino, reunindo todos na sala e esclarecendo o mistério. Apesar dos clichês, é muito mais divertido, mas não deixa de ser uma série bem produzida com boas atuações e deixa um final aberto para uma sequência, creio, já não tendo mais base na obra da escritora.
Como muitos, a série me atraiu por causa do elenco, mas é um amontoado de cenas confusas e personagens irritantes. Mistura indigesta de CSI com drama familiar.
São duas linhas temporais, uma na atualidade e outra no ano de 1998 na qual os personagens são representados por outros atores mais jovens, então não há confusão em relação à linha temporais.
Dra. Kay Scarpetta (Nicole Kidman) é uma médica legista que investiga o assassinato de uma mulher, é casada com Wesley (Simon Baker), agente do FBI, tem uma relação bastante conflituosa com a irmã Dorothy (Jamie Lee Curtis) e com a sobrinha Lucy (Ariana Debose) e também com o seu cunhado Pete (Bobby Canavale), ex-policial.
Os mesmos personagens aparecem no passado, envolvidos na investigação de um assassinato que aparentemente teria relação com o crime do presente, o problema é que a investigação fica em segundo plano para tratar dos problemas familiares da legista em infindáveis e chatíssimas DRs com a irmã, o marido e a sobrinha, que não se conforma com a morte da esposa e passa a série inteira em longas conversas com a falecida através de um programa de IA.
Lucy já entra no ranking das personagens mais chatas de séries de TV, criança ou adulta, culpa a tudo e todos por sua infelicidade.
Nunca fica claro quem é o pai de Lucy, que não é citado, o que aconteceu com a ex-mulher de Wesley que era casado e tinha filhos quando conheceu Kay, de que morreu a falecida do IA. Não que faça muita diferença, mas já que perdem um tempo enorme da série falando dos problemas da família, eram pontos que deveriam ter sido mencionados.
A temporada termina sem elucidar totalmente o mistério, além de revelar que o serial Killer é um personagem sem nenhuma importância na trama, supostamente seria essa a revelação ou não, pois encerra com uma cena que deixa a trama em aberto para uma possível segunda temporada, que, sinceramente, não sei se terei coragem ou paciência para assistir.
A série tem uma narrativa que pega o espectador pelo mistério desenvolvido de forma envolvente, porém peca em seu final que apresenta uma solução cheia de falhas e absurda.
Apesar do tema que envolve poderes sobrenaturais, o desenvolvimento da narrativa tinha uma pegada mais verossímil, que se perde em seu desfecho.
Angela (Valentina Gaya) espera a mãe Claudia (Miren Ibarguren) na casa que moravam após segui-la, ajuda no parto, tenta matar a mãe cortando seu pescoço e depois aparentemente a cura do ferimento, foge com a criança, é capturada, depois de descobrimos que havia se tornado a líder da seita que a raptara, é internada em uma instituição para doentes mentais, depois de um tempo o médico diz que pode ir para a casa junto do irmão que raptou e da mãe que tentou matar?? Além disso, o bebê que seria o motivo de todo o plano arquitetado pela menina mostrado durante TODA a série, termina já com uns 3 anos e nada que indicasse algum dom especial.
O elenco todo tem boas atuações com destaque para Rodrigo de La Serna (Casa de Papel) que vive o perturbado e depressivo detetive Salazar, mas as boas atuações não salvam a série que destrói a boa narrativa com um final decepcionante.
Costumo assistir bastante séries "True Crime" e essa certamente é uma das mais chatas, se não for a mais, que já assisti.
Quatro longos episódios que mostram as várias fases da investigação, intermináveis entrevistas com amigos e parentes da vítima, investigadores e a repórter que trabalhou no caso na época. A jornalista praticamente é a figura central da narrativa, aparecendo em todos os episódios falando sempre basicamente a mesma coisa.
O primeiro episódio se resume a falar sobre o desaparecimento, a preocupação das pessoas em cenas repetitivas. Para se ter ideia, uma das amigas dela é entrevistada várias vezes, repetindo o quanto está triste... para que isso? Uma vez não seria suficiente?
O terceiro episódio foca em outros casos de desaparecimentos e assassinatos, sem esclarecer se teriam a ver com o caso de Melissa, aparentemente parece não ter e depois deixam no ar se haveria conexão. Não entendi a inserção destes casos na série, prolongar a narrativa, para mim já excessivamente extensa?
Depois de passarmos por essa longa, repetitiva e tediosa sucessão de fatos que não levam a nenhuma conclusão, descobrimos que o caso está em aberto e sem solução alguma, exatamente como no dia em que o corpo de Melissa foi descoberto trinta anos atrás.
Acho que quem se interesse por este tipo de série, gosta de ver o caso resolvido, quem acompanha este tipo de narrativa, quer vê-la esclarecida, como em quase todos os documentários sobre casos reais.
Se a intenção era mostrar como casos de assassinato podem não ter um desfecho sem que se descubra quem é o assassino ou como o processo de investigação é burocrático e enfadonho, a série cumpriu seu objetivo mas acaba sendo, além de cansativo, frustrante.
O documentário não se aprofunda em análises psicológicas, não discute o "porque" mas exibe em detalhes o "como".
Pelo exposto não há dúvidas que Scott é o culpado pelo assassinato de sua esposa Laci e do filho não nascido Conner, ele é pintado como o vilão por seu comportamento distante, frieza e a descoberta posterior de uma amante para a qual escondeu que era um homem casado. O depoimento dela é crucial para sua condenação.
A mídia reforçou essa imagem de culpado, mas a série não entra na importância da cobertura intensa para a condenação do réu. Mesmo que todo o processo tenha se resumido a provas circunstanciais, não haveria como Scott receber outro veredito que não fosse culpado, enquanto Laci era a vítima, jovem, bonita, grávida, ele era o marido infiel que quis se livrar da esposa.
Scott até hoje jura inocência e já fez inúmeros recursos para ter seu caso revisado, até hoje não obteve sucesso.
É um relato rico em detalhes, mas que se torna genérico dentre tantos documentários "true crime", mostrando uma vítima que aparentemente não tinha defeitos e um assassino que teria todos os defeitos. Mas com a falta de provas contundentes e vinte anos depois ele ainda busca incessantemente por uma revisão do caso, fica a sensação que todos podemos ter sido influenciados por uma narrativa que sempre esteve contra o réu, mesmo que, aparentemente, ele seja mesmo culpado.
Embora melhor que a segunda temporada ainda é bem inferior à primeira.
SPOILERS ABAIXO
O Mr. Mercedes, citado em alguns momentos, já que um dos plots da temporada é o julgamento de Lou (Breeda Wool) que assassinou Brady na chocante cena final da temporada anterior. Apesar de constantemente Lou fale de Brady, o "Mr. Mercedes" não aparece nem nos delírios da personagem.
Na verdade, o título "Mr. Mercedes" meio que perdeu o sentido, já que o plot principal da temporada é o assassinato de John Rothstein (Bruce Dern, talvez um alter ego de Stephen King?) e a narrativa é quase que inteiramente focada nos personagens desse núcleo, com algumas inserções do julgamento.
Para não perder totalmente o protagonismo, Bill (Brendan Gleeson) se envolve na investigação do assassinato do escritor, mas seu personagem também se mostra com menos relevância.
Para compensar a falta do vilão Mr. Mercedes, aparece Alma Lane (Kate Mulgrew) até mais cruel e odiosa que o vilão das temporadas anteriores. Vivendo um relação doentia com Morris (Gabriel Ebert), não mede esforços para se apoderar dos cadernos com textos inéditos do escritor assassinado de quem era ex-amante e por quem era obcecada.
Os outros pesonagens como Holly (Justine Lupe), Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharell Jerome), tem participações diminuídas e transitam à margem dos acontecimentos importantes.
Uma série que começou com uma ótima primeira temporada, com personagens bem delineados e foi se perdendo, terminando de forma protocolar e sem lembrar em nada o seu início, nem o enredo que tomou um rumo completamente diferente.
Se você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
A segunda temporada de “Mr. Mercedes” é inferior à primeira, não sei o quanto é fiel à obra de Stephen King, mas tudo que era tensão na primeira temporada, tornou-se arrastado nessa.
SPOILERS ABAIXO
Começa com Brady (Harry Treadaway) ainda em coma no hospital após a agressão de Holly (Justine Lupe). Entram em cena dois médicos ambiciosos e inescrupulosos Felix (Jack Huston) e Cora (Tessa Ferrer), que iniciam um tratamento no psicopata com um remedido regenerador da atividade cerebral.
A partir deste momento somos colocados dentro do cérebro de Brady, que ganha como cenário o porão onde ele arquitetava seus ataques com o psicopata diante das telas de computador vendo as pessoas à sua volta, as telas metaforicamente como seus olhos. Estas sequências são longas e repetitivas tirando muito do ritmo da narrativa.
Se na primeira temporada a premissa foi calcada na realidade nesta ganha uma narrativa com uma mistura de ficção científica/sobrenatural, pois o psicopata passa a entrar na mente das pessoas e fazer com que obedeçam suas ordens, uma pessoa se mata e outra mata alguém atendendo os comandos de Brady.
Bill (Brendan Gleeson) continua com sua obsessão com Brady e alguns personagens mais participativos da primeira temporada, nesta se tornam mais coadjuvantes como Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharel Jerome).
A temporada reserva uma cena final bastante chocante e inesperada, mas não é o bastante para colocá-la no mesmo nível da primeira.
Ramirez foi um serial killer americano que desafiou os chamados analistas de perfis do FBI, pois não tinha um padrão, matou jovens e idosos, roubou e estuprou mulheres e até crianças.
O documentário faz um relato abrangente e detalhado dos crimes cometidos pelo psicopata, embora não entre no terreno psicológico, não há nenhuma análise aprofundada sobre a mente ou personalidade de Ramirez, apenas descreve os fatos, seus assassinatos, captura, julgamento e condenação.
Documentário genérico, sem trazer nenhuma novidade para o formato, interessa para quem gosta do genêro true crime.
Comecei a ver e só depois descobri que era baseado ema um obra de Stephen King.
SPOILERS ABAIXO
A série já choca em sua cena inicial, várias pessoas que estavam em uma fila em busca de emprego são assassinadas por um psicopata dirigindo um Mercedes (daí o título) e usando máscara de palhaço que passa por cima delas em uma cena impactante e explícita.
A partir daí somos apresentados ao detetive Bill Hodges (Brendan Gleeson) que é o responsável pela investigação, o tempo passa, ele se aposenta e a não solução do caso se torna uma obsessão para Hodges.
Não há mistério quanto à identidade do assassino, logo sabemos que é Brady Hartsfield (Harry Treadaway) um pacato funcionário de loja de aparelhos eletrônicos, especialista em computadores, que mora com a mãe com quem tem uma relação doentia e incestuosa. Sua mente deturpada, sua personalidade sombria, sua total falta de empatia são reveladas.
Todos os personagens tem sua facetas psicológicas e são bem delineados, demonstrando sua personalidade nas atitudes. Hodges, que em sua obsessão não percebe o quanto sua vida está sendo sugada, numa espiral de amargura e dor.
Além dele transitam em seu entorno, sua vizinha Ida (Holland Taylor), prestativa, independente, resolvida, Janey (Mary Louise Parker) irmã da dona do Mercedes roubado usado no atentado, que se envolve amorosamente com Hodges, mas tem uma relação mal resolvida com a irmã que se suicidou e com a mãe internada em um asilo, Holly (Justine Lupe), tímida, insegura, com traços que poderiam ser até de autismo, Jerome (Jharel Jerome), rapaz negro que consegue entrar em Harvard e está em conflito entre suas raízes humildes e o ambiente da universidade de elite.
Além dele temos Deborah (Kelly Lynch) a mãe do psicopata, bêbada, frustrada, infeliz e Lou (Breeda Wool), colega de trabalho de Brady, lésbica, presa a um emprego e a um chefe ditador que vê no psicopata um amigo.
Não li a obra de King, não sei o quanto é fiel, suponho que seja pois tem o escritor entre seus roteiristas e uma aparição dele como uma das vítimas em uma lanchonete em um dos delírios de Brady, algo que King faz costumeiramente, imitando Hitchcock.
A narrativa é envolvente, tem momentos impactantes, como sua cena inicial, um outro assassinato de uma personagem importante e um desfecho também surpreendente, as atuações são ótimas, mas nem tudo é perfeito, às vezes se perde um pouco em diálogos desnecessários, que acabam quebrando o ritmo.
Partindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
Já havia visto um documentário sobre esse caso, mas não com tantos detalhes.
Acho que quatro episódios foi um exagero, pois temos alguns pontos repetitivos na narrativa, o que fica cansativo, poderia ter sido mais enxuto.
De qualquer forma, há um vasto material jornalístico sobre o caso, o que deixou a narrativa rica em informações e com o longo depoimento da ex-mulher de um dos réus, que participou ativamente do caso.
É um típico caso de mulher manipuladora e gananciosa que envolve o amante, que não é menos culpado do que ela. Como resultado, famílias destruídas, filhos que perdem seus pais, um é morto e os outros vão para a prisão.
O aviso de spoiler cabe, porque mesmo sendo uma história real já divulgada pela mídia, a narrativa se desenvolve como um autêntico suspense ficcional, como hoje são os documentários de "true crime".
Temos aqui a princípio um caso de desaparecimento de uma mulher, algo comum e no qual o marido é o principal suspeito, como na maioria das vezes é também o culpado. Mas neste aqui, depois de um começo clichê, somos apresentados a uma história surreal que mostra a destruição de uma família, mas principalmente, o sofrimento de um homem, que se vê diante da constatação de que sua esposa é um ser cruel, sem escrúpulos, que tem um desvio de caráter beirando a psicopatia.
Não é o desaparecimento de Sherri Pappini que é misterioso, mas também sua personalidade. Porque alguém forja o próprio sequestro, se auto machuca, deixa o marido desesperado, um país inteiro preocupado?
A série foca bastante nos detalhes do desaparecimento e da posterior volta de Sherri, assim como no desespero de Keith, o marido, sem um maior aprofundamento no que a teria levado a cometer um ato tão insano que impactou sua vida e de sua família.
No final a explicação da insatisfação no casamento e a necessidade de atrair a atenção parecem um tanto superficiais, não há nenhuma alusão a uma possível perturbação mental.
Um encerramento um tanto abrupto, que deixa no espectador a sensação de impunidade, porque depois de arquitetar um plano insano, Sherri tem 35 acusações de fraude, entre elas mentir para o FBI e gastar recursos públicos com o seu sequestro forjado, crimes puníveis com até 25 anos de prisão, ela se declara culpada e cumpre apenas 18 meses.
Pensei que "Garota exemplar" teria sido baseado nesta história, quando descobrimos que foi Sherri que se inspirou no filme, o que torna tudo ainda mais bizarro.
Um depoimento final de Keith, revelando todo o ressentimento e a mágoa de ver sua vida e a de seus filhos afetadas de forma tão cruel, deixou um sentimento de querer saber mais sobre como Sherri e Keith resolveram pendências após a saída dela da prisão. Se divorciaram, com quem ficou os filhos, Keith perdoou a esposa?
Isso o documentário não esclarece, mas a quem se interessar Keith pediu o divórcio, tem a guarda dos filhos, não fala mais com a ex-esposa e não, disse que não vai perdoá-la.
Ao contrário dos outros dois documentários da série "Cena do crime", que focam em vários temas além dos crimes propriamente ditos, este se concentra na descrição dos assassinatos, as vítimas e principalmente suas famílias.
A narrativa é centrada no pai de uma das vítimas que busca incessantemente descobrir o responsável pela morte de sua filha, como também ajudar outros familiares de mulheres brutalmente assassinadas em um lugar que ficou conhecido como campo de matança.
Passando por vários crimes cometidos ao longo dos anos, é uma visão mais humana das vítimas e no sofrimento de quem fica tentando descobrir o que aconteceu.
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
A novela teve boas atuações e boa reconstituição de época no qual se destacaram a protagonista Duda Santos (Beatriz) e a antagonista Maisa Silva (Bia), que mostrou talento como atriz.
Ponto negativo foram as cenas intermináveis e recorrentes do núcleo cômico formado pela família de Alfredo (Eduardo Sterblitich) e sua histriônica e chatíssima empregada Jacira (Flavia Reis) que não acrescentavam nada à narrativa e não tinham a menor graça.
De qualquer forma, mostrou os anos 50 de forma utópica, no qual uma moça negra poderia ser modelo de propaganda, fazer a protagonista de uma novela e um garoto homossexual teve sua sexualidade prontamente aceita por família e amigos. Sabemos que isso não era verdade, até o começo dos anos 2000, atores negros eram relegados à papéis de empregados e escravos e personagens homossexuais eram caricatos, mas é uma obra ficcional e como tal cumpriu o papel de entreter, mesmo com uma visão idealizada da época.
Museus de Horrores
2.8 2Assisti em virtude do título em português, que nada tem a ver com o original "Crack up" que significa surto psicótico ou colapso mental. Grande parte da narrativa se passa no tal museu, daí o título, mas não tem nada de horror.
Imaginava que fosse um daqueles filmes que se inspiraram no clássico "Museu de Cera", mas na verdade o enredo é sobre um especialista em obras de arte que tem um surto psicótico como no título original.
Depois descobrimos que era só uma trama montada para que ele acreditasse estar enlouquecendo e impedir que identificasse que vários quadros eram falsos.
Talvez a explicação para o título enganoso seja essa, sugerir que seja algo na linha do terror para atrair o público, porque é uma trama bem monótona, confusa e com elenco desconhecido.
Os Casos de Harry Hole
3.6 15 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
Como toda série nórdica, foca mais no drama pessoal de seus personagens, do que propriamente na investigação policial, não que esta seja esquecida, mas a vida particular de Harry Hole (Tobias Santelmann em ótima atuação) ganha bastante tempo de tela.
Depressivo, amargurado e alcóolatra, Harry se sente culpado pela morte de seu parceiro em um acidente em que estava ao volante e tinha bebido. Depois tem que encarar a morte da parceira assassinada pelo policial corrupto Tom Waaler (Joel Kinamann).
O enredo mistura assassinatos cometidos por um serial killer com contrabando de armas, o que acaba sendo um tanto confuso. A revelação do assassino não chega a ser surpreendente mas também não parece ter tanta importância, já que o foco maior e também seu maior atrativo, fica sendo mesmo o embate entre Harry e Tom, que culmina em uma sequência bastante violenta.
Mantém a qualidade de atuação e de narrativa da maioria das séries vindas destes países gelados e curiosamente, suas tramas parecem acompanhar o clima frio, quase sempre são melancólicas, com personagens mergulhados em dramas existenciais e sofrimento mental.
Colisão: Acidente ou Homicídio?
3.3 16 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
O documentário mostra como a investigação de um aparente caso de acidente automobilístico pode evoluir para um homicídio.
O espectador não tem como fugir do que a narrativa propositalmente o leva, ou seja, a condenar Mackenzie Shirilla, a adolescente que estava ao volante de um carro que bateu violentamente contra a parede de um prédio e causou a morte de seu namorado Dominic Russo e de seu amigo Davion Flanagan.
Tudo na narrativa é feito para evidenciar a intenção de Mackenzie, que ela realmente premeditou o assassinato do namorado, não se importando com danos colaterais, a morte do amigo Davion.
Dominic e Davion são apresentados como jovens gentis, preocupados com a família enquanto Mackenzie é mostrada como uma jovem fútil, agressiva e que mantinha uma relação tóxica com o namorado.
Não que isso não seja verdade, tudo leva a crer que a garota realmente quis matar o namorado e poderia ter morrido no acidente, nada desmente que era uma jovem egoísta e mimada pelos pais, que estranhamente concordam em participar de um documentário que apresenta a filha como culpada pela morte de duas pessoas.
Apresenta os depoimentos dos pais de Mackenzie, Dominic e Davion, além da investigadora e do promotor, ou seja todos os principais envolvidos na tragédia. O direcionamento na aparente culpabilidade de Mackenzie, é porque talvez ela seja mesmo culpada!
A obsessão por redes sociais, exposição excessiva da vida particular, consumo de drogas, tudo é abordado em uma narrativa ágil, sem enrolação. Termina com a condenação da garota e nós respiramos aliviados com a certeza de que a justiça foi feita.
Cálculo Mortal
3.3 310 Assista Agora"Cálculo mortal" promete muito, mas se perde um pouco no desenvolvimento da narrativa.
A detetive Cassie (Sandra Bullock) entrega uma tragédia pessoal, que não é suficiente para criar empatia, parece odiar o mundo, usa as pessoas, descarta, não tem paciência, é obsessiva em resolver o crime, plot principal da narrativa, mas faz isso de forma atabalhoada, urgente, sem respeitar chefes, colegas e procedimentos e cria em torno de si uma aura de antipatia.
A relação entre os assassinos Richard (Ryan Gosling) e Justin (Michael Pitt) é dúbia, paira entre eles uma tensão sexual que não se concretiza, aqui mais uma referência ao clássico "Festim Diabólico" de Hitchcock, além do assassinato arquitetado e executado apenas para sentir como é realizar o suposto crime perfeito.
Personagens que não disseram a que vieram como Sam (Ben Chaplin) o parceiro de Cassie, que parece estar ali apenas para ser feito de bobo o filme inteiro e Lisa (Agnes Bruckner), que serve somente para deixar mais claro a rivalidade ou o ciúme que Richard sentia de Justin.
As situações vão se sucedendo naquela lógica sem lógica com conveniências de roteiro e um plot twist final que pelo menos a mim não surpreendeu, mas tem aquela vibe nostálgica dos anos 90 e começo dos anos 2000 e tem a Sandra Bullock que virou um ícone desde que dirigiu aquele ônibus desgovernado, então vale a visita, nem que seja para matar a saudade de uma época que a gente nem sabia o que era streaming.
Além do Tempo
4.2 116SPOILERS ABAIXO
“Além do tempo” tem uma estrutura de linhas temporais diversas, mas não mistura as diferentes épocas ao mesmo tempo, começou com uma narrativa no começo do século XX e depois vem para o presente, o artifício foi usado porque trata-se de uma obra em que a premissa é a reencarnação, portanto vemos na primeira parte os personagens no passado e depois suas reencarnações em outra vida.
A história de Lívia (Aline Moraes) a jovem humilde criada pela mãe Emilia (Ana Beatriz Nogueira), que desconhecia que era filha do conde Bernardo (Felipe Camargo) e neta da poderosa condessa Vitória (Irene Ravache). Livia conhece o sobrinho da condessa Felipe (Rafael Cardoso) e se apaixona por ele, romance que sua mãe desaprova, pois odiava a condessa que sempre proibiu o romance entre ela e Bernardo. Para ajudar a separar o casal, a inescrupulosa Melissa (Paola Oliveira) noiva de Felipe, que não mede esforços, assim como Pedro (Emilio Dantas) que é apaixonado por Livia.
Entre os ótimos coadjuvantes temos Anita (a linda Leticia Persiles, que sumiu das novelas) que se apaixona pelo mulherengo e cafajeste Roberto (o não menos lindo Romulo Estrela) e a família amalucada de Massimo (Luis Melo), um núcleo cômico realmente divertido, o que é raro.
Depois de uma narrativa tensa e bem conduzida, a cena final desta fase é com Livia e Felipe morrendo juntos, num final infeliz e corta já para a época atual com os dois se conhecendo num rápido encontro no metrô.
Esta fase, é para mim inferior a anterior, vários personagens se entrelaçam visando um resgate, segundo a doutrina espírita. Vitória agora é a mãe de Emilia, a mulher que odiava, Livia é rica e Felipe é pobre, lutando para sobreviver com sua vinícola, também se apaixonam e tem o final feliz que não tiveram na outra vida.
A trama de época, além de mais empolgante, conta com uma bela reconstituição e um enredo mais envolvente. Rafael Cardoso, que infelizmente por escolhas pessoais viu sua carreira destruída, é perfeito como o mocinho romântico e tem muita química com Aline Moraes, assim como as boas atuações de todo o elenco em suas duas fases, contribuem para a qualidade da obra.
Não que a trama na atualidade seja ruim, mas perde muito do seu encanto. Alguns personagens como Roberto e Gema (Louise Cardoso), perderam relevância nessa fase e alguns novos personagens não acrescentaram nada.
É uma boa história, mas se compararmos as duas fases, a segunda é um pouco inferior, o que acaba diminuindo a qualidade da narrativa como um todo.
Os Cavaleiros do Apocalipse
3.0 337 Assista AgoraCONTÉM SPOILERS
Mais um filhote de "Seven" mas tudo muito artificial, com atuações exageradas.
A filha adotiva no momento que aparece já nos diz "culpada", o filho depressivo do amargurado detetive (Dennis Quaid) estar relacionado aos crimes, também surpresa zero.
Final anticlimático e nem entendi se o menino morreu ou não.
Fico com o ótimo comentário do meu amigo Vagner que disse que viu o filme no modo "Casas Bahia" à prestações, e foi bem difícil pagar o carnê inteiro.
Armadilha
2.7 874 Assista AgoraO filme lembra muito "Olhos de serpente" de Brian de Palma, neste um crime é cometido durante uma luta de boxe em um ginásio lotado, a comparação é até óbvia, um espaço fechado com uma multidão em que se desenvolve uma trama de suspense, mas enquanto de Palma entrega uma trama instigante com ótimos planos sequência, este se perde e consegue ficar bem ruim na sua parte final.
Embora possa ter sido uma homenagem de Shyamalan a Brian de Palma, seu filme acaba dando a impressão que é só um veículo que o diretor usou para alavancar a carreira da filha Saleka Shyamalan que é cantora e no filme vive a popstar Lady Raven. Mais da metade do filme exibe cenas do show da filha do diretor, o grande problema é quando a ação sai do show e Saleka vê seu personagem se tornar protagonista, sua atuação é constrangedora.
Josh Hartnett entrega uma atuação convincente, embora toda as situações que vão ocorrendo dentro do ginásio ou fora dele, sejam bastante inverossímeis, mas Shyamalan parece consciente que abdicou de uma trama verossímil em favor de uma trama divertida.
Como sempre ficamos esperando uma virada na narrativa, aquele plot twist característico dos filmes do diretor
mas nesse não houve nada que surpreendesse, pois desde o começo sabíamos que ele era o homem que o FBI estava perseguindo.
A cena final com o serial killer se livrando das algemas é surpreendente? Não, só achei absurda mesmo, policiais deixarem o serial killer, que os fizera de bobos desde o início do filme, ir levantar uma bicicleta!
Era pra ter um final aberto, ele iria fugir? Sair do camburão, matar todos os policiais com aquele prego?
M. Night Shyamalan parece buscar um roteiro genial desde o fabuloso "O sexto sentido" e isso parece prejudicá-lo, já fez algumas coisas boas, outras medianas e outras ruins. Esse se encaixa de mediano para ruim e a única coisa que fica é mesmo a impressão de um diretor nepotista, que coloca a filha sem talento como atriz para protagonizar seu filme.
Confiança
1.7 47Ao que se propõe, o filme entrega uma trama razoável.
Há momentos tensos, bandidos atrapalhados, inserção de um tema sério como pedofilia e o culto às celebridades.
Sophie Turner como a estrela juvenil Lauren tem uma boa performance.
Só uma ressalva ao final, a pobre Grace (Renata Vaca, sim é esse o sobrenome) após salvar o cachorro de Lauren e a própria, quase perdendo a vida e provavelmente perdendo o emprego, nem é mencionada no final, não houve sequer uma recompensa, talvez a rica Lauren ajudando Grace doando recursos para que ela abrisse um abrigo de animais. Nada, pobre Grace.
Os Sete Relógios de Agatha Christie
3.0 33 Assista AgoraLi a obra de Agatha Christie há muitos anos, mas lembro que muitos elementos foram modificados, as principais mudanças foram feitas para dar mais protagonismo às personagens femininas.
A investigação, que no livro fica a cargo do Superintentende Battle (Martin Freeman), nesta adaptação ele perde bastante a revelância para Lady Eileen (Mia Mackenna-Bruce), que passa a centralizar em seu personagem todas as ações da narrativa.
Os livros da rainha do crime em que não aparecem seus personagens mais famosos o detetive Poirot e Miss Marple, geralmente fogem dos crimes puramente domésticos, aqueles assassinatos motivados unicamente por intrigas familiares, e esse não é diferente.
No final os assassinatos, porque acontece mais de um, são motivados por uma conspiração que envolve espionagem, governo, indo muito além de um simples crime cometido em uma propriedade suntuosa na Inglaterra.
Eu particularmente prefiro os chamados crimes "domésticos" com os icônicos detetives da sra. Christie descobrindo quem é o assassino, reunindo todos na sala e esclarecendo o mistério. Apesar dos clichês, é muito mais divertido, mas não deixa de ser uma série bem produzida com boas atuações e deixa um final aberto para uma sequência, creio, já não tendo mais base na obra da escritora.
Scarpetta: Médica Legista (1ª Temporada)
2.8 37 Assista AgoraComo muitos, a série me atraiu por causa do elenco, mas é um amontoado de cenas confusas e personagens irritantes. Mistura indigesta de CSI com drama familiar.
São duas linhas temporais, uma na atualidade e outra no ano de 1998 na qual os personagens são representados por outros atores mais jovens, então não há confusão em relação à linha temporais.
Dra. Kay Scarpetta (Nicole Kidman) é uma médica legista que investiga o assassinato de uma mulher, é casada com Wesley (Simon Baker), agente do FBI, tem uma relação bastante conflituosa com a irmã Dorothy (Jamie Lee Curtis) e com a sobrinha Lucy (Ariana Debose) e também com o seu cunhado Pete (Bobby Canavale), ex-policial.
Os mesmos personagens aparecem no passado, envolvidos na investigação de um assassinato que aparentemente teria relação com o crime do presente, o problema é que a investigação fica em segundo plano para tratar dos problemas familiares da legista em infindáveis e chatíssimas DRs com a irmã, o marido e a sobrinha, que não se conforma com a morte da esposa e passa a série inteira em longas conversas com a falecida através de um programa de IA.
Lucy já entra no ranking das personagens mais chatas de séries de TV, criança ou adulta, culpa a tudo e todos por sua infelicidade.
Nunca fica claro quem é o pai de Lucy, que não é citado, o que aconteceu com a ex-mulher de Wesley que era casado e tinha filhos quando conheceu Kay, de que morreu a falecida do IA. Não que faça muita diferença, mas já que perdem um tempo enorme da série falando dos problemas da família, eram pontos que deveriam ter sido mencionados.
A temporada termina sem elucidar totalmente o mistério, além de revelar que o serial Killer é um personagem sem nenhuma importância na trama, supostamente seria essa a revelação ou não, pois encerra com uma cena que deixa a trama em aberto para uma possível segunda temporada, que, sinceramente, não sei se terei coragem ou paciência para assistir.
Os Sem Nome (1ª Temporada)
3.5 6 Assista AgoraA série tem uma narrativa que pega o espectador pelo mistério desenvolvido de forma envolvente, porém peca em seu final que apresenta uma solução cheia de falhas e absurda.
Apesar do tema que envolve poderes sobrenaturais, o desenvolvimento da narrativa tinha uma pegada mais verossímil, que se perde em seu desfecho.
Como aceitar que
Angela (Valentina Gaya) espera a mãe Claudia (Miren Ibarguren) na casa que moravam após segui-la, ajuda no parto, tenta matar a mãe cortando seu pescoço e depois aparentemente a cura do ferimento, foge com a criança, é capturada, depois de descobrimos que havia se tornado a líder da seita que a raptara, é internada em uma instituição para doentes mentais, depois de um tempo o médico diz que pode ir para a casa junto do irmão que raptou e da mãe que tentou matar??
Além disso, o bebê que seria o motivo de todo o plano arquitetado pela menina mostrado durante TODA a série, termina já com uns 3 anos e nada que indicasse algum dom especial.
O elenco todo tem boas atuações com destaque para Rodrigo de La Serna (Casa de Papel) que vive o perturbado e depressivo detetive Salazar, mas as boas atuações não salvam a série que destrói a boa narrativa com um final decepcionante.
O Caso Melissa Witt: Em Busca de um Assassino
2.8 2 Assista AgoraCostumo assistir bastante séries "True Crime" e essa certamente é uma das mais chatas, se não for a mais, que já assisti.
Quatro longos episódios que mostram as várias fases da investigação, intermináveis entrevistas com amigos e parentes da vítima, investigadores e a repórter que trabalhou no caso na época. A jornalista praticamente é a figura central da narrativa, aparecendo em todos os episódios falando sempre basicamente a mesma coisa.
O primeiro episódio se resume a falar sobre o desaparecimento, a preocupação das pessoas em cenas repetitivas. Para se ter ideia, uma das amigas dela é entrevistada várias vezes, repetindo o quanto está triste... para que isso? Uma vez não seria suficiente?
O terceiro episódio foca em outros casos de desaparecimentos e assassinatos, sem esclarecer se teriam a ver com o caso de Melissa, aparentemente parece não ter e depois deixam no ar se haveria conexão. Não entendi a inserção destes casos na série, prolongar a narrativa, para mim já excessivamente extensa?
Depois de passarmos por essa longa, repetitiva e tediosa sucessão de fatos que não levam a nenhuma conclusão, descobrimos que o caso está em aberto e sem solução alguma, exatamente como no dia em que o corpo de Melissa foi descoberto trinta anos atrás.
Acho que quem se interesse por este tipo de série, gosta de ver o caso resolvido, quem acompanha este tipo de narrativa, quer vê-la esclarecida, como em quase todos os documentários sobre casos reais.
Se a intenção era mostrar como casos de assassinato podem não ter um desfecho sem que se descubra quem é o assassino ou como o processo de investigação é burocrático e enfadonho, a série cumpriu seu objetivo mas acaba sendo, além de cansativo, frustrante.
Homicídio nos EUA: Laci Peterson
3.6 36O documentário não se aprofunda em análises psicológicas, não discute o "porque" mas exibe em detalhes o "como".
Pelo exposto não há dúvidas que Scott é o culpado pelo assassinato de sua esposa Laci e do filho não nascido Conner, ele é pintado como o vilão por seu comportamento distante, frieza e a descoberta posterior de uma amante para a qual escondeu que era um homem casado. O depoimento dela é crucial para sua condenação.
A mídia reforçou essa imagem de culpado, mas a série não entra na importância da cobertura intensa para a condenação do réu. Mesmo que todo o processo tenha se resumido a provas circunstanciais, não haveria como Scott receber outro veredito que não fosse culpado, enquanto Laci era a vítima, jovem, bonita, grávida, ele era o marido infiel que quis se livrar da esposa.
Scott até hoje jura inocência e já fez inúmeros recursos para ter seu caso revisado, até hoje não obteve sucesso.
É um relato rico em detalhes, mas que se torna genérico dentre tantos documentários "true crime", mostrando uma vítima que aparentemente não tinha defeitos e um assassino que teria todos os defeitos. Mas com a falta de provas contundentes e vinte anos depois ele ainda busca incessantemente por uma revisão do caso, fica a sensação que todos podemos ter sido influenciados por uma narrativa que sempre esteve contra o réu, mesmo que, aparentemente, ele seja mesmo culpado.
Mr. Mercedes (3ª Temporada)
3.3 18 Assista AgoraEmbora melhor que a segunda temporada ainda é bem inferior à primeira.
SPOILERS ABAIXO
O Mr. Mercedes, citado em alguns momentos, já que um dos plots da temporada é o julgamento de Lou (Breeda Wool) que assassinou Brady na chocante cena final da temporada anterior. Apesar de constantemente Lou fale de Brady, o "Mr. Mercedes" não aparece nem nos delírios da personagem.
Na verdade, o título "Mr. Mercedes" meio que perdeu o sentido, já que o plot principal da temporada é o assassinato de John Rothstein (Bruce Dern, talvez um alter ego de Stephen King?) e a narrativa é quase que inteiramente focada nos personagens desse núcleo, com algumas inserções do julgamento.
Para não perder totalmente o protagonismo, Bill (Brendan Gleeson) se envolve na investigação do assassinato do escritor, mas seu personagem também se mostra com menos relevância.
Para compensar a falta do vilão Mr. Mercedes, aparece Alma Lane (Kate Mulgrew) até mais cruel e odiosa que o vilão das temporadas anteriores. Vivendo um relação doentia com Morris (Gabriel Ebert), não mede esforços para se apoderar dos cadernos com textos inéditos do escritor assassinado de quem era ex-amante e por quem era obcecada.
Os outros pesonagens como Holly (Justine Lupe), Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharell Jerome), tem participações diminuídas e transitam à margem dos acontecimentos importantes.
Uma série que começou com uma ótima primeira temporada, com personagens bem delineados e foi se perdendo, terminando de forma protocolar e sem lembrar em nada o seu início, nem o enredo que tomou um rumo completamente diferente.
Anaconda
2.5 263Se você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
Mr. Mercedes (2ª Temporada)
3.4 36 Assista AgoraA segunda temporada de “Mr. Mercedes” é inferior à primeira, não sei o quanto é fiel à obra de Stephen King, mas tudo que era tensão na primeira temporada, tornou-se arrastado nessa.
SPOILERS ABAIXO
Começa com Brady (Harry Treadaway) ainda em coma no hospital após a agressão de Holly (Justine Lupe). Entram em cena dois médicos ambiciosos e inescrupulosos Felix (Jack Huston) e Cora (Tessa Ferrer), que iniciam um tratamento no psicopata com um remedido regenerador da atividade cerebral.
A partir deste momento somos colocados dentro do cérebro de Brady, que ganha como cenário o porão onde ele arquitetava seus ataques com o psicopata diante das telas de computador vendo as pessoas à sua volta, as telas metaforicamente como seus olhos. Estas sequências são longas e repetitivas tirando muito do ritmo da narrativa.
Se na primeira temporada a premissa foi calcada na realidade nesta ganha uma narrativa com uma mistura de ficção científica/sobrenatural, pois o psicopata passa a entrar na mente das pessoas e fazer com que obedeçam suas ordens, uma pessoa se mata e outra mata alguém atendendo os comandos de Brady.
Bill (Brendan Gleeson) continua com sua obsessão com Brady e alguns personagens mais participativos da primeira temporada, nesta se tornam mais coadjuvantes como Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharel Jerome).
A temporada reserva uma cena final bastante chocante e inesperada, mas não é o bastante para colocá-la no mesmo nível da primeira.
Night Stalker: Tortura e Terror
4.0 140 Assista AgoraRamirez foi um serial killer americano que desafiou os chamados analistas de perfis do FBI, pois não tinha um padrão, matou jovens e idosos, roubou e estuprou mulheres e até crianças.
O documentário faz um relato abrangente e detalhado dos crimes cometidos pelo psicopata, embora não entre no terreno psicológico, não há nenhuma análise aprofundada sobre a mente ou personalidade de Ramirez, apenas descreve os fatos, seus assassinatos, captura, julgamento e condenação.
Documentário genérico, sem trazer nenhuma novidade para o formato, interessa para quem gosta do genêro true crime.
Mr. Mercedes (1ª Temporada)
4.1 94 Assista AgoraComecei a ver e só depois descobri que era baseado ema um obra de Stephen King.
SPOILERS ABAIXO
A série já choca em sua cena inicial, várias pessoas que estavam em uma fila em busca de emprego são assassinadas por um psicopata dirigindo um Mercedes (daí o título) e usando máscara de palhaço que passa por cima delas em uma cena impactante e explícita.
A partir daí somos apresentados ao detetive Bill Hodges (Brendan Gleeson) que é o responsável pela investigação, o tempo passa, ele se aposenta e a não solução do caso se torna uma obsessão para Hodges.
Não há mistério quanto à identidade do assassino, logo sabemos que é Brady Hartsfield (Harry Treadaway) um pacato funcionário de loja de aparelhos eletrônicos, especialista em computadores, que mora com a mãe com quem tem uma relação doentia e incestuosa. Sua mente deturpada, sua personalidade sombria, sua total falta de empatia são reveladas.
Todos os personagens tem sua facetas psicológicas e são bem delineados, demonstrando sua personalidade nas atitudes. Hodges, que em sua obsessão não percebe o quanto sua vida está sendo sugada, numa espiral de amargura e dor.
Além dele transitam em seu entorno, sua vizinha Ida (Holland Taylor), prestativa, independente, resolvida, Janey (Mary Louise Parker) irmã da dona do Mercedes roubado usado no atentado, que se envolve amorosamente com Hodges, mas tem uma relação mal resolvida com a irmã que se suicidou e com a mãe internada em um asilo, Holly (Justine Lupe), tímida, insegura, com traços que poderiam ser até de autismo, Jerome (Jharel Jerome), rapaz negro que consegue entrar em Harvard e está em conflito entre suas raízes humildes e o ambiente da universidade de elite.
Além dele temos Deborah (Kelly Lynch) a mãe do psicopata, bêbada, frustrada, infeliz e Lou (Breeda Wool), colega de trabalho de Brady, lésbica, presa a um emprego e a um chefe ditador que vê no psicopata um amigo.
Não li a obra de King, não sei o quanto é fiel, suponho que seja pois tem o escritor entre seus roteiristas e uma aparição dele como uma das vítimas em uma lanchonete em um dos delírios de Brady, algo que King faz costumeiramente, imitando Hitchcock.
A narrativa é envolvente, tem momentos impactantes, como sua cena inicial, um outro assassinato de uma personagem importante e um desfecho também surpreendente, as atuações são ótimas, mas nem tudo é perfeito, às vezes se perde um pouco em diálogos desnecessários, que acabam quebrando o ritmo.
Corta-fogo
3.1 36 Assista AgoraPartindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
No final
apesar dos ferimentos físicos, todos sobrevivem
mas saem mais feridos psicologicamente.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
Sr. e Sra. Assassinato
3.3 3 Assista AgoraJá havia visto um documentário sobre esse caso, mas não com tantos detalhes.
Acho que quatro episódios foi um exagero, pois temos alguns pontos repetitivos na narrativa, o que fica cansativo, poderia ter sido mais enxuto.
De qualquer forma, há um vasto material jornalístico sobre o caso, o que deixou a narrativa rica em informações e com o longo depoimento da ex-mulher de um dos réus, que participou ativamente do caso.
É um típico caso de mulher manipuladora e gananciosa que envolve o amante, que não é menos culpado do que ela. Como resultado, famílias destruídas, filhos que perdem seus pais, um é morto e os outros vão para a prisão.
A Esposa Perfeita: Um Desaparecimento Misterioso
3.6 4 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
O aviso de spoiler cabe, porque mesmo sendo uma história real já divulgada pela mídia, a narrativa se desenvolve como um autêntico suspense ficcional, como hoje são os documentários de "true crime".
Temos aqui a princípio um caso de desaparecimento de uma mulher, algo comum e no qual o marido é o principal suspeito, como na maioria das vezes é também o culpado. Mas neste aqui, depois de um começo clichê, somos apresentados a uma história surreal que mostra a destruição de uma família, mas principalmente, o sofrimento de um homem, que se vê diante da constatação de que sua esposa é um ser cruel, sem escrúpulos, que tem um desvio de caráter beirando a psicopatia.
Não é o desaparecimento de Sherri Pappini que é misterioso, mas também sua personalidade. Porque alguém forja o próprio sequestro, se auto machuca, deixa o marido desesperado, um país inteiro preocupado?
A série foca bastante nos detalhes do desaparecimento e da posterior volta de Sherri, assim como no desespero de Keith, o marido, sem um maior aprofundamento no que a teria levado a cometer um ato tão insano que impactou sua vida e de sua família.
No final a explicação da insatisfação no casamento e a necessidade de atrair a atenção parecem um tanto superficiais, não há nenhuma alusão a uma possível perturbação mental.
Um encerramento um tanto abrupto, que deixa no espectador a sensação de impunidade, porque depois de arquitetar um plano insano, Sherri tem 35 acusações de fraude, entre elas mentir para o FBI e gastar recursos públicos com o seu sequestro forjado, crimes puníveis com até 25 anos de prisão, ela se declara culpada e cumpre apenas 18 meses.
Pensei que "Garota exemplar" teria sido baseado nesta história, quando descobrimos que foi Sherri que se inspirou no filme, o que torna tudo ainda mais bizarro.
Um depoimento final de Keith, revelando todo o ressentimento e a mágoa de ver sua vida e a de seus filhos afetadas de forma tão cruel, deixou um sentimento de querer saber mais sobre como Sherri e Keith resolveram pendências após a saída dela da prisão. Se divorciaram, com quem ficou os filhos, Keith perdoou a esposa?
Isso o documentário não esclarece, mas a quem se interessar Keith pediu o divórcio, tem a guarda dos filhos, não fala mais com a ex-esposa e não, disse que não vai perdoá-la.
Cena do Crime: O Campo da Morte no Texas
3.5 25 Assista AgoraAo contrário dos outros dois documentários da série "Cena do crime", que focam em vários temas além dos crimes propriamente ditos, este se concentra na descrição dos assassinatos, as vítimas e principalmente suas famílias.
A narrativa é centrada no pai de uma das vítimas que busca incessantemente descobrir o responsável pela morte de sua filha, como também ajudar outros familiares de mulheres brutalmente assassinadas em um lugar que ficou conhecido como campo de matança.
Passando por vários crimes cometidos ao longo dos anos, é uma visão mais humana das vítimas e no sofrimento de quem fica tentando descobrir o que aconteceu.
Não Se Preocupe, Querida
3.3 627 Assista AgoraFlorence Pugh é ótima atriz, carrega o filme nas costas, Harry Styles deve ser melhor cantando (nunca ouvi nada dele).
O plot twist final não me surpreendeu
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
Garota do Momento
4.1 13A novela teve boas atuações e boa reconstituição de época no qual se destacaram a protagonista Duda Santos (Beatriz) e a antagonista Maisa Silva (Bia), que mostrou talento como atriz.
Ponto negativo foram as cenas intermináveis e recorrentes do núcleo cômico formado pela família de Alfredo (Eduardo Sterblitich) e sua histriônica e chatíssima empregada Jacira (Flavia Reis) que não acrescentavam nada à narrativa e não tinham a menor graça.
De qualquer forma, mostrou os anos 50 de forma utópica, no qual uma moça negra poderia ser modelo de propaganda, fazer a protagonista de uma novela e um garoto homossexual teve sua sexualidade prontamente aceita por família e amigos. Sabemos que isso não era verdade, até o começo dos anos 2000, atores negros eram relegados à papéis de empregados e escravos e personagens homossexuais eram caricatos, mas é uma obra ficcional e como tal cumpriu o papel de entreter, mesmo com uma visão idealizada da época.