“Além do tempo” tem uma estrutura de linhas temporais diversas, mas não mistura as diferentes épocas ao mesmo tempo, começou com uma narrativa no começo do século XX e depois vem para o presente, o artifício foi usado porque trata-se de uma obra em que a premissa é a reencarnação, portanto vemos na primeira parte os personagens no passado e depois suas reencarnações em outra vida.
A história de Lívia (Aline Moraes) a jovem humilde criada pela mãe Emilia (Ana Beatriz Nogueira), que desconhecia que era filha do conde Bernardo (Felipe Camargo) e neta da poderosa condessa Vitória (Irene Ravache). Livia conhece o sobrinho da condessa Felipe (Rafael Cardoso) e se apaixona por ele, romance que sua mãe desaprova, pois odiava a condessa que sempre proibiu o romance entre ela e Bernardo. Para ajudar a separar o casal, a inescrupulosa Melissa (Paola Oliveira) noiva de Felipe, que não mede esforços, assim como Pedro (Emilio Dantas) que é apaixonado por Livia.
Entre os ótimos coadjuvantes temos Anita (a linda Leticia Persiles, que sumiu das novelas) que se apaixona pelo mulherengo e cafajeste Roberto (o não menos lindo Romulo Estrela) e a família amalucada de Massimo (Luis Melo), um núcleo cômico realmente divertido, o que é raro.
Depois de uma narrativa tensa e bem conduzida, a cena final desta fase é com Livia e Felipe morrendo juntos, num final infeliz e corta já para a época atual com os dois se conhecendo num rápido encontro no metrô.
Esta fase, é para mim inferior a anterior, vários personagens se entrelaçam visando um resgate, segundo a doutrina espírita. Vitória agora é a mãe de Emilia, a mulher que odiava, Livia é rica e Felipe é pobre, lutando para sobreviver com sua vinícola, também se apaixonam e tem o final feliz que não tiveram na outra vida.
A trama de época, além de mais empolgante, conta com uma bela reconstituição e um enredo mais envolvente. Rafael Cardoso, que infelizmente por escolhas pessoais viu sua carreira destruída, é perfeito como o mocinho romântico e tem muita química com Aline Moraes, assim como as boas atuações de todo o elenco em suas duas fases, contribuem para a qualidade da obra.
Não que a trama na atualidade seja ruim, mas perde muito do seu encanto. Alguns personagens como Roberto e Gema (Louise Cardoso), perderam relevância nessa fase e alguns novos personagens não acrescentaram nada.
É uma boa história, mas se compararmos as duas fases, a segunda é um pouco inferior, o que acaba diminuindo a qualidade da narrativa como um todo.
Mais um filhote de "Seven" mas tudo muito artificial, com atuações exageradas.
A filha adotiva no momento que aparece já nos diz "culpada", o filho depressivo do amargurado detetive (Dennis Quaid) estar relacionado aos crimes, também surpresa zero.
Final anticlimático e nem entendi se o menino morreu ou não.
Fico com o ótimo comentário do meu amigo Vagner que disse que viu o filme no modo "Casas Bahia" à prestações, e foi bem difícil pagar o carnê inteiro.
O filme lembra muito "Olhos de serpente" de Brian de Palma, neste um crime é cometido durante uma luta de boxe em um ginásio lotado, a comparação é até óbvia, um espaço fechado com uma multidão em que se desenvolve uma trama de suspense, mas enquanto de Palma entrega uma trama instigante com ótimos planos sequência, este se perde e consegue ficar bem ruim na sua parte final.
Embora possa ter sido uma homenagem de Shyamalan a Brian de Palma, seu filme acaba dando a impressão que é só um veículo que o diretor usou para alavancar a carreira da filha Saleka Shyamalan que é cantora e no filme vive a popstar Lady Raven. Mais da metade do filme exibe cenas do show da filha do diretor, o grande problema é quando a ação sai do show e Saleka vê seu personagem se tornar protagonista, sua atuação é constrangedora.
Josh Hartnett entrega uma atuação convincente, embora toda as situações que vão ocorrendo dentro do ginásio ou fora dele, sejam bastante inverossímeis, mas Shyamalan parece consciente que abdicou de uma trama verossímil em favor de uma trama divertida.
Como sempre ficamos esperando uma virada na narrativa, aquele plot twist característico dos filmes do diretor
mas nesse não houve nada que surpreendesse, pois desde o começo sabíamos que ele era o homem que o FBI estava perseguindo. A cena final com o serial killer se livrando das algemas é surpreendente? Não, só achei absurda mesmo, policiais deixarem o serial killer, que os fizera de bobos desde o início do filme, ir levantar uma bicicleta! Era pra ter um final aberto, ele iria fugir? Sair do camburão, matar todos os policiais com aquele prego?
M. Night Shyamalan parece buscar um roteiro genial desde o fabuloso "O sexto sentido" e isso parece prejudicá-lo, já fez algumas coisas boas, outras medianas e outras ruins. Esse se encaixa de mediano para ruim e a única coisa que fica é mesmo a impressão de um diretor nepotista, que coloca a filha sem talento como atriz para protagonizar seu filme.
Ao que se propõe, o filme entrega uma trama razoável.
Há momentos tensos, bandidos atrapalhados, inserção de um tema sério como pedofilia e o culto às celebridades.
Sophie Turner como a estrela juvenil Lauren tem uma boa performance.
Só uma ressalva ao final, a pobre Grace (Renata Vaca, sim é esse o sobrenome) após salvar o cachorro de Lauren e a própria, quase perdendo a vida e provavelmente perdendo o emprego, nem é mencionada no final, não houve sequer uma recompensa, talvez a rica Lauren ajudando Grace doando recursos para que ela abrisse um abrigo de animais. Nada, pobre Grace.
Li a obra de Agatha Christie há muitos anos, mas lembro que muitos elementos foram modificados, as principais mudanças foram feitas para dar mais protagonismo às personagens femininas.
A investigação, que no livro fica a cargo do Superintentende Battle (Martin Freeman), nesta adaptação ele perde bastante a revelância para Lady Eileen (Mia Mackenna-Bruce), que passa a centralizar em seu personagem todas as ações da narrativa.
Os livros da rainha do crime em que não aparecem seus personagens mais famosos o detetive Poirot e Miss Marple, geralmente fogem dos crimes puramente domésticos, aqueles assassinatos motivados unicamente por intrigas familiares, e esse não é diferente.
No final os assassinatos, porque acontece mais de um, são motivados por uma conspiração que envolve espionagem, governo, indo muito além de um simples crime cometido em uma propriedade suntuosa na Inglaterra.
Eu particularmente prefiro os chamados crimes "domésticos" com os icônicos detetives da sra. Christie descobrindo quem é o assassino, reunindo todos na sala e esclarecendo o mistério. Apesar dos clichês, é muito mais divertido, mas não deixa de ser uma série bem produzida com boas atuações e deixa um final aberto para uma sequência, creio, já não tendo mais base na obra da escritora.
Como muitos, a série me atraiu por causa do elenco, mas é um amontoado de cenas confusas e personagens irritantes. Mistura indigesta de CSI com drama familiar.
São duas linhas temporais, uma na atualidade e outra no ano de 1998 na qual os personagens são representados por outros atores mais jovens, então não há confusão em relação à linha temporais.
Dra. Kay Scarpetta (Nicole Kidman) é uma médica legista que investiga o assassinato de uma mulher, é casada com Wesley (Simon Baker), agente do FBI, tem uma relação bastante conflituosa com a irmã Dorothy (Jamie Lee Curtis) e com a sobrinha Lucy (Ariana Debose) e também com o seu cunhado Pete (Bobby Canavale), ex-policial.
Os mesmos personagens aparecem no passado, envolvidos na investigação de um assassinato que aparentemente teria relação com o crime do presente, o problema é que a investigação fica em segundo plano para tratar dos problemas familiares da legista em infindáveis e chatíssimas DRs com a irmã, o marido e a sobrinha, que não se conforma com a morte da esposa e passa a série inteira em longas conversas com a falecida através de um programa de IA.
Lucy já entra no ranking das personagens mais chatas de séries de TV, criança ou adulta, culpa a tudo e todos por sua infelicidade.
Nunca fica claro quem é o pai de Lucy, que não é citado, o que aconteceu com a ex-mulher de Wesley que era casado e tinha filhos quando conheceu Kay, de que morreu a falecida do IA. Não que faça muita diferença, mas já que perdem um tempo enorme da série falando dos problemas da família, eram pontos que deveriam ter sido mencionados.
A temporada termina sem elucidar totalmente o mistério, além de revelar que o serial Killer é um personagem sem nenhuma importância na trama, supostamente seria essa a revelação ou não, pois encerra com uma cena que deixa a trama em aberto para uma possível segunda temporada, que, sinceramente, não sei se terei coragem ou paciência para assistir.
A série tem uma narrativa que pega o espectador pelo mistério desenvolvido de forma envolvente, porém peca em seu final que apresenta uma solução cheia de falhas e absurda.
Apesar do tema que envolve poderes sobrenaturais, o desenvolvimento da narrativa tinha uma pegada mais verossímil, que se perde em seu desfecho.
Angela (Valentina Gaya) espera a mãe Claudia (Miren Ibarguren) na casa que moravam após segui-la, ajuda no parto, tenta matar a mãe cortando seu pescoço e depois aparentemente a cura do ferimento, foge com a criança, é capturada, depois de descobrimos que havia se tornado a líder da seita que a raptara, é internada em uma instituição para doentes mentais, depois de um tempo o médico diz que pode ir para a casa junto do irmão que raptou e da mãe que tentou matar?? Além disso, o bebê que seria o motivo de todo o plano arquitetado pela menina mostrado durante TODA a série, termina já com uns 3 anos e nada que indicasse algum dom especial.
O elenco todo tem boas atuações com destaque para Rodrigo de La Serna (Casa de Papel) que vive o perturbado e depressivo detetive Salazar, mas as boas atuações não salvam a série que destrói a boa narrativa com um final decepcionante.
Costumo assistir bastante séries "True Crime" e essa certamente é uma das mais chatas, se não for a mais, que já assisti.
Quatro longos episódios que mostram as várias fases da investigação, intermináveis entrevistas com amigos e parentes da vítima, investigadores e a repórter que trabalhou no caso na época. A jornalista praticamente é a figura central da narrativa, aparecendo em todos os episódios falando sempre basicamente a mesma coisa.
O primeiro episódio se resume a falar sobre o desaparecimento, a preocupação das pessoas em cenas repetitivas. Para se ter ideia, uma das amigas dela é entrevistada várias vezes, repetindo o quanto está triste... para que isso? Uma vez não seria suficiente?
O terceiro episódio foca em outros casos de desaparecimentos e assassinatos, sem esclarecer se teriam a ver com o caso de Melissa, aparentemente parece não ter e depois deixam no ar se haveria conexão. Não entendi a inserção destes casos na série, prolongar a narrativa, para mim já excessivamente extensa?
Depois de passarmos por essa longa, repetitiva e tediosa sucessão de fatos que não levam a nenhuma conclusão, descobrimos que o caso está em aberto e sem solução alguma, exatamente como no dia em que o corpo de Melissa foi descoberto trinta anos atrás.
Acho que quem se interesse por este tipo de série, gosta de ver o caso resolvido, quem acompanha este tipo de narrativa, quer vê-la esclarecida, como em quase todos os documentários sobre casos reais.
Se a intenção era mostrar como casos de assassinato podem não ter um desfecho sem que se descubra quem é o assassino ou como o processo de investigação é burocrático e enfadonho, a série cumpriu seu objetivo mas acaba sendo, além de cansativo, frustrante.
O documentário não se aprofunda em análises psicológicas, não discute o "porque" mas exibe em detalhes o "como".
Pelo exposto não há dúvidas que Scott é o culpado pelo assassinato de sua esposa Laci e do filho não nascido Conner, ele é pintado como o vilão por seu comportamento distante, frieza e a descoberta posterior de uma amante para a qual escondeu que era um homem casado. O depoimento dela é crucial para sua condenação.
A mídia reforçou essa imagem de culpado, mas a série não entra na importância da cobertura intensa para a condenação do réu. Mesmo que todo o processo tenha se resumido a provas circunstanciais, não haveria como Scott receber outro veredito que não fosse culpado, enquanto Laci era a vítima, jovem, bonita, grávida, ele era o marido infiel que quis se livrar da esposa.
Scott até hoje jura inocência e já fez inúmeros recursos para ter seu caso revisado, até hoje não obteve sucesso.
É um relato rico em detalhes, mas que se torna genérico dentre tantos documentários "true crime", mostrando uma vítima que aparentemente não tinha defeitos e um assassino que teria todos os defeitos. Mas com a falta de provas contundentes e vinte anos depois ele ainda busca incessantemente por uma revisão do caso, fica a sensação que todos podemos ter sido influenciados por uma narrativa que sempre esteve contra o réu, mesmo que, aparentemente, ele seja mesmo culpado.
Embora melhor que a segunda temporada ainda é bem inferior à primeira.
SPOILERS ABAIXO
O Mr. Mercedes, citado em alguns momentos, já que um dos plots da temporada é o julgamento de Lou (Breeda Wool) que assassinou Brady na chocante cena final da temporada anterior. Apesar de constantemente Lou fale de Brady, o "Mr. Mercedes" não aparece nem nos delírios da personagem.
Na verdade, o título "Mr. Mercedes" meio que perdeu o sentido, já que o plot principal da temporada é o assassinato de John Rothstein (Bruce Dern, talvez um alter ego de Stephen King?) e a narrativa é quase que inteiramente focada nos personagens desse núcleo, com algumas inserções do julgamento.
Para não perder totalmente o protagonismo, Bill (Brendan Gleeson) se envolve na investigação do assassinato do escritor, mas seu personagem também se mostra com menos relevância.
Para compensar a falta do vilão Mr. Mercedes, aparece Alma Lane (Kate Mulgrew) até mais cruel e odiosa que o vilão das temporadas anteriores. Vivendo um relação doentia com Morris (Gabriel Ebert), não mede esforços para se apoderar dos cadernos com textos inéditos do escritor assassinado de quem era ex-amante e por quem era obcecada.
Os outros pesonagens como Holly (Justine Lupe), Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharell Jerome), tem participações diminuídas e transitam à margem dos acontecimentos importantes.
Uma série que começou com uma ótima primeira temporada, com personagens bem delineados e foi se perdendo, terminando de forma protocolar e sem lembrar em nada o seu início, nem o enredo que tomou um rumo completamente diferente.
Se você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
A segunda temporada de “Mr. Mercedes” é inferior à primeira, não sei o quanto é fiel à obra de Stephen King, mas tudo que era tensão na primeira temporada, tornou-se arrastado nessa.
SPOILERS ABAIXO
Começa com Brady (Harry Treadaway) ainda em coma no hospital após a agressão de Holly (Justine Lupe). Entram em cena dois médicos ambiciosos e inescrupulosos Felix (Jack Huston) e Cora (Tessa Ferrer), que iniciam um tratamento no psicopata com um remedido regenerador da atividade cerebral.
A partir deste momento somos colocados dentro do cérebro de Brady, que ganha como cenário o porão onde ele arquitetava seus ataques com o psicopata diante das telas de computador vendo as pessoas à sua volta, as telas metaforicamente como seus olhos. Estas sequências são longas e repetitivas tirando muito do ritmo da narrativa.
Se na primeira temporada a premissa foi calcada na realidade nesta ganha uma narrativa com uma mistura de ficção científica/sobrenatural, pois o psicopata passa a entrar na mente das pessoas e fazer com que obedeçam suas ordens, uma pessoa se mata e outra mata alguém atendendo os comandos de Brady.
Bill (Brendan Gleeson) continua com sua obsessão com Brady e alguns personagens mais participativos da primeira temporada, nesta se tornam mais coadjuvantes como Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharel Jerome).
A temporada reserva uma cena final bastante chocante e inesperada, mas não é o bastante para colocá-la no mesmo nível da primeira.
Ramirez foi um serial killer americano que desafiou os chamados analistas de perfis do FBI, pois não tinha um padrão, matou jovens e idosos, roubou e estuprou mulheres e até crianças.
O documentário faz um relato abrangente e detalhado dos crimes cometidos pelo psicopata, embora não entre no terreno psicológico, não há nenhuma análise aprofundada sobre a mente ou personalidade de Ramirez, apenas descreve os fatos, seus assassinatos, captura, julgamento e condenação.
Documentário genérico, sem trazer nenhuma novidade para o formato, interessa para quem gosta do genêro true crime.
Comecei a ver e só depois descobri que era baseado ema um obra de Stephen King.
SPOILERS ABAIXO
A série já choca em sua cena inicial, várias pessoas que estavam em uma fila em busca de emprego são assassinadas por um psicopata dirigindo um Mercedes (daí o título) e usando máscara de palhaço que passa por cima delas em uma cena impactante e explícita.
A partir daí somos apresentados ao detetive Bill Hodges (Brendan Gleeson) que é o responsável pela investigação, o tempo passa, ele se aposenta e a não solução do caso se torna uma obsessão para Hodges.
Não há mistério quanto à identidade do assassino, logo sabemos que é Brady Hartsfield (Harry Treadaway) um pacato funcionário de loja de aparelhos eletrônicos, especialista em computadores, que mora com a mãe com quem tem uma relação doentia e incestuosa. Sua mente deturpada, sua personalidade sombria, sua total falta de empatia são reveladas.
Todos os personagens tem sua facetas psicológicas e são bem delineados, demonstrando sua personalidade nas atitudes. Hodges, que em sua obsessão não percebe o quanto sua vida está sendo sugada, numa espiral de amargura e dor.
Além dele transitam em seu entorno, sua vizinha Ida (Holland Taylor), prestativa, independente, resolvida, Janey (Mary Louise Parker) irmã da dona do Mercedes roubado usado no atentado, que se envolve amorosamente com Hodges, mas tem uma relação mal resolvida com a irmã que se suicidou e com a mãe internada em um asilo, Holly (Justine Lupe), tímida, insegura, com traços que poderiam ser até de autismo, Jerome (Jharel Jerome), rapaz negro que consegue entrar em Harvard e está em conflito entre suas raízes humildes e o ambiente da universidade de elite.
Além dele temos Deborah (Kelly Lynch) a mãe do psicopata, bêbada, frustrada, infeliz e Lou (Breeda Wool), colega de trabalho de Brady, lésbica, presa a um emprego e a um chefe ditador que vê no psicopata um amigo.
Não li a obra de King, não sei o quanto é fiel, suponho que seja pois tem o escritor entre seus roteiristas e uma aparição dele como uma das vítimas em uma lanchonete em um dos delírios de Brady, algo que King faz costumeiramente, imitando Hitchcock.
A narrativa é envolvente, tem momentos impactantes, como sua cena inicial, um outro assassinato de uma personagem importante e um desfecho também surpreendente, as atuações são ótimas, mas nem tudo é perfeito, às vezes se perde um pouco em diálogos desnecessários, que acabam quebrando o ritmo.
Partindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
Já havia visto um documentário sobre esse caso, mas não com tantos detalhes.
Acho que quatro episódios foi um exagero, pois temos alguns pontos repetitivos na narrativa, o que fica cansativo, poderia ter sido mais enxuto.
De qualquer forma, há um vasto material jornalístico sobre o caso, o que deixou a narrativa rica em informações e com o longo depoimento da ex-mulher de um dos réus, que participou ativamente do caso.
É um típico caso de mulher manipuladora e gananciosa que envolve o amante, que não é menos culpado do que ela. Como resultado, famílias destruídas, filhos que perdem seus pais, um é morto e os outros vão para a prisão.
O aviso de spoiler cabe, porque mesmo sendo uma história real já divulgada pela mídia, a narrativa se desenvolve como um autêntico suspense ficcional, como hoje são os documentários de "true crime".
Temos aqui a princípio um caso de desaparecimento de uma mulher, algo comum e no qual o marido é o principal suspeito, como na maioria das vezes é também o culpado. Mas neste aqui, depois de um começo clichê, somos apresentados a uma história surreal que mostra a destruição de uma família, mas principalmente, o sofrimento de um homem, que se vê diante da constatação de que sua esposa é um ser cruel, sem escrúpulos, que tem um desvio de caráter beirando a psicopatia.
Não é o desaparecimento de Sherri Pappini que é misterioso, mas também sua personalidade. Porque alguém forja o próprio sequestro, se auto machuca, deixa o marido desesperado, um país inteiro preocupado?
A série foca bastante nos detalhes do desaparecimento e da posterior volta de Sherri, assim como no desespero de Keith, o marido, sem um maior aprofundamento no que a teria levado a cometer um ato tão insano que impactou sua vida e de sua família.
No final a explicação da insatisfação no casamento e a necessidade de atrair a atenção parecem um tanto superficiais, não há nenhuma alusão a uma possível perturbação mental.
Um encerramento um tanto abrupto, que deixa no espectador a sensação de impunidade, porque depois de arquitetar um plano insano, Sherri tem 35 acusações de fraude, entre elas mentir para o FBI e gastar recursos públicos com o seu sequestro forjado, crimes puníveis com até 25 anos de prisão, ela se declara culpada e cumpre apenas 18 meses.
Pensei que "Garota exemplar" teria sido baseado nesta história, quando descobrimos que foi Sherri que se inspirou no filme, o que torna tudo ainda mais bizarro.
Um depoimento final de Keith, revelando todo o ressentimento e a mágoa de ver sua vida e a de seus filhos afetadas de forma tão cruel, deixou um sentimento de querer saber mais sobre como Sherri e Keith resolveram pendências após a saída dela da prisão. Se divorciaram, com quem ficou os filhos, Keith perdoou a esposa?
Isso o documentário não esclarece, mas a quem se interessar Keith pediu o divórcio, tem a guarda dos filhos, não fala mais com a ex-esposa e não, disse que não vai perdoá-la.
Ao contrário dos outros dois documentários da série "Cena do crime", que focam em vários temas além dos crimes propriamente ditos, este se concentra na descrição dos assassinatos, as vítimas e principalmente suas famílias.
A narrativa é centrada no pai de uma das vítimas que busca incessantemente descobrir o responsável pela morte de sua filha, como também ajudar outros familiares de mulheres brutalmente assassinadas em um lugar que ficou conhecido como campo de matança.
Passando por vários crimes cometidos ao longo dos anos, é uma visão mais humana das vítimas e no sofrimento de quem fica tentando descobrir o que aconteceu.
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
A novela teve boas atuações e boa reconstituição de época no qual se destacaram a protagonista Duda Santos (Beatriz) e a antagonista Maisa Silva (Bia), que mostrou talento como atriz.
Ponto negativo foram as cenas intermináveis e recorrentes do núcleo cômico formado pela família de Alfredo (Eduardo Sterblitich) e sua histriônica e chatíssima empregada Jacira (Flavia Reis) que não acrescentavam nada à narrativa e não tinham a menor graça.
De qualquer forma, mostrou os anos 50 de forma utópica, no qual uma moça negra poderia ser modelo de propaganda, fazer a protagonista de uma novela e um garoto homossexual teve sua sexualidade prontamente aceita por família e amigos. Sabemos que isso não era verdade, até o começo dos anos 2000, atores negros eram relegados à papéis de empregados e escravos e personagens homossexuais eram caricatos, mas é uma obra ficcional e como tal cumpriu o papel de entreter, mesmo com uma visão idealizada da época.
“Cena do crime: O assassino da Times Square” ao abordar os assassinatos de mulheres ocorridos em Nova York na década de 70, acaba traçando todo o panorama da exploração sexual que existia na época, especialmente na Times Square, hoje um ambiente turístico e familiar, mas que há mais de 40 anos refletia a crise financeira, decadência urbana e alto índice de criminalidade vigentes na cidade nos anos 70.
SPOILERS ABAIXO
A Times Square era um lugar dominado pelo crime, um antro de pornografia habitado por prostitutas, cafetões, traficantes que circulavam entre cinemas pornôs, casas de swing, shows de strip tease, hotéis baratos de alta rotatividade e é nesse cenário caótico que em um quarto de hotel foram encontrados os corpos de duas mulheres com as mãos e as cabeças decepadas, a partir desse crime, a série vai revelando outros casos de mulheres assassinadas e estupradas, fazendo um paralelo entre a trajetória das investigações que descobrem a similaridade entre os casos decretando a existência de um serial killer com o ambiente hostil e abusivo a que as mulheres que se prostituíam estavam submetidas.
A narrativa bem desenvolvida vai intercalando depoimentos de promotores, investigadores, jornalistas e até a autora de um livro sobre profissionais do sexo, como também a filha biológica de uma das vítimas do serial killer, até chegar a revelação da identidade do assassino, Richard Cottingham, casado, 3 filhos, trabalhava como operador de computador em uma escritório, alguém aparentemente normal que se revelou um psicopata, e com o surgimento dos analistas de perfis descobriu-se que o mal não tem uma face determinada.
A série não perde muito tempo em analisar o assassino e suas motivações, e apesar de mostrar bastante os detalhes da investigação, se concentra mais no contexto social da época, o que para quem gosta de enredos essencialmente policiais e investigativos, pode ser digressivo demais e focar menos no que aparentemente deveria ser seu principal tema.
Para mim, a série equilibra o lado investigativo com a crítica social, e consegue acertar em ambas as abordagens, sem fugir de apresentar os fatos sobre os crimes e seu autor como também a imersão no ambiente degradante em que eles ocorreram.
“Cena do crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil” é um ótimo documentário pois partindo de um fato, o desaparecimento da estudante canadense Elisa Lam dentro de um hotel em Los Angeles, aborda uma série de temas, a saber: Saúde mental, a vida das pessoas que vivem nas ruas, bullying virtual, exposição midiática, tribunal da internet e a obsessão das pessoas por assuntos que estão muito distantes de sua realidade.
SPOILERS ABAIXO
A narrativa tem um desenvolvimento que abrangendo todos estes temas, consegue despertar o interesse do espectador pois não deixa de lado a investigação policial, afinal quem começa a ver uma série sobre um crime real, está, antes de tudo, interessado na solução do mistério.
Há digressões sobre o passado do hotel, palco de várias mortes, além da de Elisa. Temos uma visão da Los Angeles dos anos 70/80 e da população de rua que transita em torno do hotel enquanto somos informados sobre os detalhes do desaparecimento de Elisa e sua frágil saúde mental, até sermos apresentados ao intrigante vídeo de uma câmera de segurança com a estudante em um dos elevadores do hotel nas suas últimas imagens, seu comportamento bizarro que levanta várias suspeitas por parte da polícia e de uma legião de internautas que passam a investigar o mistério obsessivamente.
Com uma narrativa que explora eficientemente o suspense ao demorar para revelar que a estudante estava morta quando seu corpo é encontrado dentro da caixa d’água, o que desperta mais ainda a obsessão dos detetives virtuais que passam a tecer várias teorias da conspiração, terminando por acusar um cantor que estava no hotel na época da morte da garota fazendo vídeos com sangue, gore, rituais macabros e passa a sofrer um linchamento virtual. Vemos o depoimento do artista que declara que pensou até em suicídio.
Por fim, a investigação conclui que a garota que sofria de sérios distúrbios mentais e havia parado de tomar a medicação, havia ela mesma entrado na caixa d’água e se afogado após um surto psicótico, motivo do comportamento estranho demonstrado no vídeo gravado no elevador.
Apesar do final ser um anticlímax para quem esperava ver um culpado preso e condenado, a série envolve, mostrando Elisa como vítima não de um assassino de carne e osso mas de todo um mundo para o qual não parecia estar preparada para enfrentar, ao passo que também aborda como uma sociedade pode também estar doente quando fica obcecada, acusa e condena sem provas e depois, quando tudo é esclarecido, esquece e vai em busca do próximo assunto sem se preocupar com quem ficou caído pelo caminho, o que é cada vez mais comum em tempos da exposição desenfreada na internet de assuntos que merecem tanta atenção para depois serem rapidamente esquecidos em um mundo onde tudo é cada vez mais instantâneo e descartável.
“Pecadores” seria apenas mais um “filme de vampiro”, não fosse o fato que aqui os vampiros são usados como metáforas. Estes seres sobrenaturais invadem o espaço dos negros e sugam seu sangue, mas enquanto fazem isso literalmente há um subtexto sobre a apropriação cultural da música, comida e costumes da comunidade negra americana.
Antes de entrar propriamente na ação “vampiresca”, há um longo prólogo no qual somos apresentados aos personagens no seu dia-a-dia, seus conflitos e interações para que pudéssemos nos importar com o que vai acontecer com estes personagens e não serem apenas mortes aleatórias, além de estabelecer o local e o contexto histórico, o Mississipi de 1932, da segregação racial e da Ku Klux Klan.
O blues tem papel central na narrativa, ao intuir que a música teria um pacto com o demônio, o personagem Sammie (Miles Caton) deixa clara essa alusão quando se vê dividido entre o blues e a fé cristã. Uma belíssima sequência unindo passado, presente e futuro, alude às raízes desse estilo musical como também ao legado que ele deixou na história e na cultura negra americana e o poder transcendental da música atravessando gerações.
Michael B. Jordan faz um belo trabalho como os gêmeos Stack e Smoke, com diferenças sutis para distinguir os irmãos, se destacando em um elenco primoroso, não há como apontar uma atuação destoante.
“Pecadores” é original na sua representação do sobrenatural para evocar o conflito racial, porém como filme de vampiro é apenas mais um filme de vampiro. E muitos que não captarem essa simbologia da trama, vão apenas achar que é um filme “comum” de vampiros com os habituais clichês sobre essas criaturas, sensibilidade à luz solar, ao alho, cruzes, estacas e que precisam de permissão para entrar em um ambiente.
O filme incorpora o realismo fantástico para se aprofundar nas várias camadas do subtexto racial e nesse sentido consegue um resultado brilhante. Os vampiros deturpam o que não possuem e resta aos negros a resistência para manter sua identidade.
A dúvida é quem são os verdadeiros pecadores, os brancos que deturpam e invadem o espaço que não é seu ou os negros que querem se divertir e celebrar, muitas vezes abandonando a fé cristã e se tornando “pecadores” segundo a doutrina religiosa?
A atuação da protagonista é brilhante, sensível em um personagem que pode soar antipático apesar de todo o sofrimento pessoal e não despertar empatia pois é um personagem difícil, irascível, pesado, é o maior destaque do elenco. Embora seja uma trama essencialmente investigativa, o foco é mais na personalidade e no drama dos personagens do que no "quem é o culpado".
A minissérie tem um ritmo muito lento, típico das produções europeias, especialmente nórdicas, o que não seria problema se a trama não fosse confusa com cenas dispensáveis e duração excessiva.
De resto, além da protagonista, todos tem boas atuações, fotografia com destaque para o cinza e o branco, de acordo com o clima frio do lugar, que também evidencia a tristeza, melancolia e amargura da trama.
Além do Tempo
4.2 116SPOILERS ABAIXO
“Além do tempo” tem uma estrutura de linhas temporais diversas, mas não mistura as diferentes épocas ao mesmo tempo, começou com uma narrativa no começo do século XX e depois vem para o presente, o artifício foi usado porque trata-se de uma obra em que a premissa é a reencarnação, portanto vemos na primeira parte os personagens no passado e depois suas reencarnações em outra vida.
A história de Lívia (Aline Moraes) a jovem humilde criada pela mãe Emilia (Ana Beatriz Nogueira), que desconhecia que era filha do conde Bernardo (Felipe Camargo) e neta da poderosa condessa Vitória (Irene Ravache). Livia conhece o sobrinho da condessa Felipe (Rafael Cardoso) e se apaixona por ele, romance que sua mãe desaprova, pois odiava a condessa que sempre proibiu o romance entre ela e Bernardo. Para ajudar a separar o casal, a inescrupulosa Melissa (Paola Oliveira) noiva de Felipe, que não mede esforços, assim como Pedro (Emilio Dantas) que é apaixonado por Livia.
Entre os ótimos coadjuvantes temos Anita (a linda Leticia Persiles, que sumiu das novelas) que se apaixona pelo mulherengo e cafajeste Roberto (o não menos lindo Romulo Estrela) e a família amalucada de Massimo (Luis Melo), um núcleo cômico realmente divertido, o que é raro.
Depois de uma narrativa tensa e bem conduzida, a cena final desta fase é com Livia e Felipe morrendo juntos, num final infeliz e corta já para a época atual com os dois se conhecendo num rápido encontro no metrô.
Esta fase, é para mim inferior a anterior, vários personagens se entrelaçam visando um resgate, segundo a doutrina espírita. Vitória agora é a mãe de Emilia, a mulher que odiava, Livia é rica e Felipe é pobre, lutando para sobreviver com sua vinícola, também se apaixonam e tem o final feliz que não tiveram na outra vida.
A trama de época, além de mais empolgante, conta com uma bela reconstituição e um enredo mais envolvente. Rafael Cardoso, que infelizmente por escolhas pessoais viu sua carreira destruída, é perfeito como o mocinho romântico e tem muita química com Aline Moraes, assim como as boas atuações de todo o elenco em suas duas fases, contribuem para a qualidade da obra.
Não que a trama na atualidade seja ruim, mas perde muito do seu encanto. Alguns personagens como Roberto e Gema (Louise Cardoso), perderam relevância nessa fase e alguns novos personagens não acrescentaram nada.
É uma boa história, mas se compararmos as duas fases, a segunda é um pouco inferior, o que acaba diminuindo a qualidade da narrativa como um todo.
Os Cavaleiros do Apocalipse
3.0 336 Assista AgoraCONTÉM SPOILERS
Mais um filhote de "Seven" mas tudo muito artificial, com atuações exageradas.
A filha adotiva no momento que aparece já nos diz "culpada", o filho depressivo do amargurado detetive (Dennis Quaid) estar relacionado aos crimes, também surpresa zero.
Final anticlimático e nem entendi se o menino morreu ou não.
Fico com o ótimo comentário do meu amigo Vagner que disse que viu o filme no modo "Casas Bahia" à prestações, e foi bem difícil pagar o carnê inteiro.
Armadilha
2.7 873 Assista AgoraO filme lembra muito "Olhos de serpente" de Brian de Palma, neste um crime é cometido durante uma luta de boxe em um ginásio lotado, a comparação é até óbvia, um espaço fechado com uma multidão em que se desenvolve uma trama de suspense, mas enquanto de Palma entrega uma trama instigante com ótimos planos sequência, este se perde e consegue ficar bem ruim na sua parte final.
Embora possa ter sido uma homenagem de Shyamalan a Brian de Palma, seu filme acaba dando a impressão que é só um veículo que o diretor usou para alavancar a carreira da filha Saleka Shyamalan que é cantora e no filme vive a popstar Lady Raven. Mais da metade do filme exibe cenas do show da filha do diretor, o grande problema é quando a ação sai do show e Saleka vê seu personagem se tornar protagonista, sua atuação é constrangedora.
Josh Hartnett entrega uma atuação convincente, embora toda as situações que vão ocorrendo dentro do ginásio ou fora dele, sejam bastante inverossímeis, mas Shyamalan parece consciente que abdicou de uma trama verossímil em favor de uma trama divertida.
Como sempre ficamos esperando uma virada na narrativa, aquele plot twist característico dos filmes do diretor
mas nesse não houve nada que surpreendesse, pois desde o começo sabíamos que ele era o homem que o FBI estava perseguindo.
A cena final com o serial killer se livrando das algemas é surpreendente? Não, só achei absurda mesmo, policiais deixarem o serial killer, que os fizera de bobos desde o início do filme, ir levantar uma bicicleta!
Era pra ter um final aberto, ele iria fugir? Sair do camburão, matar todos os policiais com aquele prego?
M. Night Shyamalan parece buscar um roteiro genial desde o fabuloso "O sexto sentido" e isso parece prejudicá-lo, já fez algumas coisas boas, outras medianas e outras ruins. Esse se encaixa de mediano para ruim e a única coisa que fica é mesmo a impressão de um diretor nepotista, que coloca a filha sem talento como atriz para protagonizar seu filme.
Confiança
1.6 44Ao que se propõe, o filme entrega uma trama razoável.
Há momentos tensos, bandidos atrapalhados, inserção de um tema sério como pedofilia e o culto às celebridades.
Sophie Turner como a estrela juvenil Lauren tem uma boa performance.
Só uma ressalva ao final, a pobre Grace (Renata Vaca, sim é esse o sobrenome) após salvar o cachorro de Lauren e a própria, quase perdendo a vida e provavelmente perdendo o emprego, nem é mencionada no final, não houve sequer uma recompensa, talvez a rica Lauren ajudando Grace doando recursos para que ela abrisse um abrigo de animais. Nada, pobre Grace.
Os Sete Relógios de Agatha Christie
2.9 33 Assista AgoraLi a obra de Agatha Christie há muitos anos, mas lembro que muitos elementos foram modificados, as principais mudanças foram feitas para dar mais protagonismo às personagens femininas.
A investigação, que no livro fica a cargo do Superintentende Battle (Martin Freeman), nesta adaptação ele perde bastante a revelância para Lady Eileen (Mia Mackenna-Bruce), que passa a centralizar em seu personagem todas as ações da narrativa.
Os livros da rainha do crime em que não aparecem seus personagens mais famosos o detetive Poirot e Miss Marple, geralmente fogem dos crimes puramente domésticos, aqueles assassinatos motivados unicamente por intrigas familiares, e esse não é diferente.
No final os assassinatos, porque acontece mais de um, são motivados por uma conspiração que envolve espionagem, governo, indo muito além de um simples crime cometido em uma propriedade suntuosa na Inglaterra.
Eu particularmente prefiro os chamados crimes "domésticos" com os icônicos detetives da sra. Christie descobrindo quem é o assassino, reunindo todos na sala e esclarecendo o mistério. Apesar dos clichês, é muito mais divertido, mas não deixa de ser uma série bem produzida com boas atuações e deixa um final aberto para uma sequência, creio, já não tendo mais base na obra da escritora.
Scarpetta: Médica Legista (1ª Temporada)
2.8 36 Assista AgoraComo muitos, a série me atraiu por causa do elenco, mas é um amontoado de cenas confusas e personagens irritantes. Mistura indigesta de CSI com drama familiar.
São duas linhas temporais, uma na atualidade e outra no ano de 1998 na qual os personagens são representados por outros atores mais jovens, então não há confusão em relação à linha temporais.
Dra. Kay Scarpetta (Nicole Kidman) é uma médica legista que investiga o assassinato de uma mulher, é casada com Wesley (Simon Baker), agente do FBI, tem uma relação bastante conflituosa com a irmã Dorothy (Jamie Lee Curtis) e com a sobrinha Lucy (Ariana Debose) e também com o seu cunhado Pete (Bobby Canavale), ex-policial.
Os mesmos personagens aparecem no passado, envolvidos na investigação de um assassinato que aparentemente teria relação com o crime do presente, o problema é que a investigação fica em segundo plano para tratar dos problemas familiares da legista em infindáveis e chatíssimas DRs com a irmã, o marido e a sobrinha, que não se conforma com a morte da esposa e passa a série inteira em longas conversas com a falecida através de um programa de IA.
Lucy já entra no ranking das personagens mais chatas de séries de TV, criança ou adulta, culpa a tudo e todos por sua infelicidade.
Nunca fica claro quem é o pai de Lucy, que não é citado, o que aconteceu com a ex-mulher de Wesley que era casado e tinha filhos quando conheceu Kay, de que morreu a falecida do IA. Não que faça muita diferença, mas já que perdem um tempo enorme da série falando dos problemas da família, eram pontos que deveriam ter sido mencionados.
A temporada termina sem elucidar totalmente o mistério, além de revelar que o serial Killer é um personagem sem nenhuma importância na trama, supostamente seria essa a revelação ou não, pois encerra com uma cena que deixa a trama em aberto para uma possível segunda temporada, que, sinceramente, não sei se terei coragem ou paciência para assistir.
Os Sem Nome (1ª Temporada)
3.4 6 Assista AgoraA série tem uma narrativa que pega o espectador pelo mistério desenvolvido de forma envolvente, porém peca em seu final que apresenta uma solução cheia de falhas e absurda.
Apesar do tema que envolve poderes sobrenaturais, o desenvolvimento da narrativa tinha uma pegada mais verossímil, que se perde em seu desfecho.
Como aceitar que
Angela (Valentina Gaya) espera a mãe Claudia (Miren Ibarguren) na casa que moravam após segui-la, ajuda no parto, tenta matar a mãe cortando seu pescoço e depois aparentemente a cura do ferimento, foge com a criança, é capturada, depois de descobrimos que havia se tornado a líder da seita que a raptara, é internada em uma instituição para doentes mentais, depois de um tempo o médico diz que pode ir para a casa junto do irmão que raptou e da mãe que tentou matar??
Além disso, o bebê que seria o motivo de todo o plano arquitetado pela menina mostrado durante TODA a série, termina já com uns 3 anos e nada que indicasse algum dom especial.
O elenco todo tem boas atuações com destaque para Rodrigo de La Serna (Casa de Papel) que vive o perturbado e depressivo detetive Salazar, mas as boas atuações não salvam a série que destrói a boa narrativa com um final decepcionante.
O Caso Melissa Witt: Em Busca de um Assassino
2.8 2 Assista AgoraCostumo assistir bastante séries "True Crime" e essa certamente é uma das mais chatas, se não for a mais, que já assisti.
Quatro longos episódios que mostram as várias fases da investigação, intermináveis entrevistas com amigos e parentes da vítima, investigadores e a repórter que trabalhou no caso na época. A jornalista praticamente é a figura central da narrativa, aparecendo em todos os episódios falando sempre basicamente a mesma coisa.
O primeiro episódio se resume a falar sobre o desaparecimento, a preocupação das pessoas em cenas repetitivas. Para se ter ideia, uma das amigas dela é entrevistada várias vezes, repetindo o quanto está triste... para que isso? Uma vez não seria suficiente?
O terceiro episódio foca em outros casos de desaparecimentos e assassinatos, sem esclarecer se teriam a ver com o caso de Melissa, aparentemente parece não ter e depois deixam no ar se haveria conexão. Não entendi a inserção destes casos na série, prolongar a narrativa, para mim já excessivamente extensa?
Depois de passarmos por essa longa, repetitiva e tediosa sucessão de fatos que não levam a nenhuma conclusão, descobrimos que o caso está em aberto e sem solução alguma, exatamente como no dia em que o corpo de Melissa foi descoberto trinta anos atrás.
Acho que quem se interesse por este tipo de série, gosta de ver o caso resolvido, quem acompanha este tipo de narrativa, quer vê-la esclarecida, como em quase todos os documentários sobre casos reais.
Se a intenção era mostrar como casos de assassinato podem não ter um desfecho sem que se descubra quem é o assassino ou como o processo de investigação é burocrático e enfadonho, a série cumpriu seu objetivo mas acaba sendo, além de cansativo, frustrante.
Homicídio nos EUA: Laci Peterson
3.6 36O documentário não se aprofunda em análises psicológicas, não discute o "porque" mas exibe em detalhes o "como".
Pelo exposto não há dúvidas que Scott é o culpado pelo assassinato de sua esposa Laci e do filho não nascido Conner, ele é pintado como o vilão por seu comportamento distante, frieza e a descoberta posterior de uma amante para a qual escondeu que era um homem casado. O depoimento dela é crucial para sua condenação.
A mídia reforçou essa imagem de culpado, mas a série não entra na importância da cobertura intensa para a condenação do réu. Mesmo que todo o processo tenha se resumido a provas circunstanciais, não haveria como Scott receber outro veredito que não fosse culpado, enquanto Laci era a vítima, jovem, bonita, grávida, ele era o marido infiel que quis se livrar da esposa.
Scott até hoje jura inocência e já fez inúmeros recursos para ter seu caso revisado, até hoje não obteve sucesso.
É um relato rico em detalhes, mas que se torna genérico dentre tantos documentários "true crime", mostrando uma vítima que aparentemente não tinha defeitos e um assassino que teria todos os defeitos. Mas com a falta de provas contundentes e vinte anos depois ele ainda busca incessantemente por uma revisão do caso, fica a sensação que todos podemos ter sido influenciados por uma narrativa que sempre esteve contra o réu, mesmo que, aparentemente, ele seja mesmo culpado.
Mr. Mercedes (3ª Temporada)
3.3 18 Assista AgoraEmbora melhor que a segunda temporada ainda é bem inferior à primeira.
SPOILERS ABAIXO
O Mr. Mercedes, citado em alguns momentos, já que um dos plots da temporada é o julgamento de Lou (Breeda Wool) que assassinou Brady na chocante cena final da temporada anterior. Apesar de constantemente Lou fale de Brady, o "Mr. Mercedes" não aparece nem nos delírios da personagem.
Na verdade, o título "Mr. Mercedes" meio que perdeu o sentido, já que o plot principal da temporada é o assassinato de John Rothstein (Bruce Dern, talvez um alter ego de Stephen King?) e a narrativa é quase que inteiramente focada nos personagens desse núcleo, com algumas inserções do julgamento.
Para não perder totalmente o protagonismo, Bill (Brendan Gleeson) se envolve na investigação do assassinato do escritor, mas seu personagem também se mostra com menos relevância.
Para compensar a falta do vilão Mr. Mercedes, aparece Alma Lane (Kate Mulgrew) até mais cruel e odiosa que o vilão das temporadas anteriores. Vivendo um relação doentia com Morris (Gabriel Ebert), não mede esforços para se apoderar dos cadernos com textos inéditos do escritor assassinado de quem era ex-amante e por quem era obcecada.
Os outros pesonagens como Holly (Justine Lupe), Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharell Jerome), tem participações diminuídas e transitam à margem dos acontecimentos importantes.
Uma série que começou com uma ótima primeira temporada, com personagens bem delineados e foi se perdendo, terminando de forma protocolar e sem lembrar em nada o seu início, nem o enredo que tomou um rumo completamente diferente.
Anaconda
2.5 256Se você assistir este "Anaconda" como uma comédia escrachada carregada de metalinguagem, com inúmeras referências ao filme original, vai se divertir, mas se esperar uma refilmagem que se leva à serio e focada no terror, este filme não é para você.
Filmado na Austrália, que passa pela Amazônia, é uma sátira ao Anaconda de 1997, este embora tenha sido feito com a intenção de um "filme de monstro'" acabou virando um clássico trash e ganhou várias sequências e esta releitura.
Sim, não é uma sequência ou refilmagem, mas um exercício metalinguístico que fala sobre o filme de 97 como o que ele realmente é, uma produção cinematográfica, e nessa subversão acaba dando um ar que revitaliza a franquia.
No enredo 4 amigos resolvem reviver os sonhos de adolescência quando faziam filmes no "quintal de casa", Doug (Jack Black), especializado em filmagens de casamento, Griff (Paul Rudd), um ator fracassado e dois amigos Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandie Newton). Tem também as divertidas e inusitadas participações de Ice Cube e Jennifer Lopez.
Na Amazônia, fazem contato com o dono de uma cobra, Santiago (Selton Mello, muito à vontade no personagem, com inglês afiado e cena pós-créditos) para o início das filmagens. É claro que tudo dá errado e vira uma grande confusão, com direito à cenas dignas de comédia pastelão como a sequência do javali.
Brasileiros podem se incomodar com o fato de ter uma portuguesa, Daniela Melchior, fazendo o papel que caberia a uma atriz brasileira e o "espanhol" nome "Santiago" para o personagem de Selton Mello, mas não acho nada muito problemático, mesmo porque brasileiros não falam inglês fluente como em todas as produções americanas que se passam no Brasil, mesmo que o Brasil seja a Austrália.
Mr. Mercedes (2ª Temporada)
3.4 36 Assista AgoraA segunda temporada de “Mr. Mercedes” é inferior à primeira, não sei o quanto é fiel à obra de Stephen King, mas tudo que era tensão na primeira temporada, tornou-se arrastado nessa.
SPOILERS ABAIXO
Começa com Brady (Harry Treadaway) ainda em coma no hospital após a agressão de Holly (Justine Lupe). Entram em cena dois médicos ambiciosos e inescrupulosos Felix (Jack Huston) e Cora (Tessa Ferrer), que iniciam um tratamento no psicopata com um remedido regenerador da atividade cerebral.
A partir deste momento somos colocados dentro do cérebro de Brady, que ganha como cenário o porão onde ele arquitetava seus ataques com o psicopata diante das telas de computador vendo as pessoas à sua volta, as telas metaforicamente como seus olhos. Estas sequências são longas e repetitivas tirando muito do ritmo da narrativa.
Se na primeira temporada a premissa foi calcada na realidade nesta ganha uma narrativa com uma mistura de ficção científica/sobrenatural, pois o psicopata passa a entrar na mente das pessoas e fazer com que obedeçam suas ordens, uma pessoa se mata e outra mata alguém atendendo os comandos de Brady.
Bill (Brendan Gleeson) continua com sua obsessão com Brady e alguns personagens mais participativos da primeira temporada, nesta se tornam mais coadjuvantes como Ida (Holland Taylor) e Jerome (Jharel Jerome).
A temporada reserva uma cena final bastante chocante e inesperada, mas não é o bastante para colocá-la no mesmo nível da primeira.
Night Stalker: Tortura e Terror
4.0 140 Assista AgoraRamirez foi um serial killer americano que desafiou os chamados analistas de perfis do FBI, pois não tinha um padrão, matou jovens e idosos, roubou e estuprou mulheres e até crianças.
O documentário faz um relato abrangente e detalhado dos crimes cometidos pelo psicopata, embora não entre no terreno psicológico, não há nenhuma análise aprofundada sobre a mente ou personalidade de Ramirez, apenas descreve os fatos, seus assassinatos, captura, julgamento e condenação.
Documentário genérico, sem trazer nenhuma novidade para o formato, interessa para quem gosta do genêro true crime.
Mr. Mercedes (1ª Temporada)
4.1 93 Assista AgoraComecei a ver e só depois descobri que era baseado ema um obra de Stephen King.
SPOILERS ABAIXO
A série já choca em sua cena inicial, várias pessoas que estavam em uma fila em busca de emprego são assassinadas por um psicopata dirigindo um Mercedes (daí o título) e usando máscara de palhaço que passa por cima delas em uma cena impactante e explícita.
A partir daí somos apresentados ao detetive Bill Hodges (Brendan Gleeson) que é o responsável pela investigação, o tempo passa, ele se aposenta e a não solução do caso se torna uma obsessão para Hodges.
Não há mistério quanto à identidade do assassino, logo sabemos que é Brady Hartsfield (Harry Treadaway) um pacato funcionário de loja de aparelhos eletrônicos, especialista em computadores, que mora com a mãe com quem tem uma relação doentia e incestuosa. Sua mente deturpada, sua personalidade sombria, sua total falta de empatia são reveladas.
Todos os personagens tem sua facetas psicológicas e são bem delineados, demonstrando sua personalidade nas atitudes. Hodges, que em sua obsessão não percebe o quanto sua vida está sendo sugada, numa espiral de amargura e dor.
Além dele transitam em seu entorno, sua vizinha Ida (Holland Taylor), prestativa, independente, resolvida, Janey (Mary Louise Parker) irmã da dona do Mercedes roubado usado no atentado, que se envolve amorosamente com Hodges, mas tem uma relação mal resolvida com a irmã que se suicidou e com a mãe internada em um asilo, Holly (Justine Lupe), tímida, insegura, com traços que poderiam ser até de autismo, Jerome (Jharel Jerome), rapaz negro que consegue entrar em Harvard e está em conflito entre suas raízes humildes e o ambiente da universidade de elite.
Além dele temos Deborah (Kelly Lynch) a mãe do psicopata, bêbada, frustrada, infeliz e Lou (Breeda Wool), colega de trabalho de Brady, lésbica, presa a um emprego e a um chefe ditador que vê no psicopata um amigo.
Não li a obra de King, não sei o quanto é fiel, suponho que seja pois tem o escritor entre seus roteiristas e uma aparição dele como uma das vítimas em uma lanchonete em um dos delírios de Brady, algo que King faz costumeiramente, imitando Hitchcock.
A narrativa é envolvente, tem momentos impactantes, como sua cena inicial, um outro assassinato de uma personagem importante e um desfecho também surpreendente, as atuações são ótimas, mas nem tudo é perfeito, às vezes se perde um pouco em diálogos desnecessários, que acabam quebrando o ritmo.
Corta-fogo
3.1 36 Assista AgoraPartindo do sumiço de uma criança, que é algo rotineiro, e tendo como pano de fundo um incêndio florestal, a narrativa toma um caminho inesperado, mostrando como as pessoas podem ter percepções erradas em situações extremas e agem movidos por um sentimento de urgência, que impede um raciocínio coerente e lógico.
No final
apesar dos ferimentos físicos, todos sobrevivem
mas saem mais feridos psicologicamente.
Ótimas atuações em um desenvolvimento cheio de tensão, apesar da narrativa lenta com uma constante sensação de claustrofobia, entre as paredes de uma cabana ou pelas chamas que se alastram e vão encurralando os personagens. À medida que as chamas se aproximam, as mentes também vão se descontrolando como o fogo.
Sr. e Sra. Assassinato
3.4 3 Assista AgoraJá havia visto um documentário sobre esse caso, mas não com tantos detalhes.
Acho que quatro episódios foi um exagero, pois temos alguns pontos repetitivos na narrativa, o que fica cansativo, poderia ter sido mais enxuto.
De qualquer forma, há um vasto material jornalístico sobre o caso, o que deixou a narrativa rica em informações e com o longo depoimento da ex-mulher de um dos réus, que participou ativamente do caso.
É um típico caso de mulher manipuladora e gananciosa que envolve o amante, que não é menos culpado do que ela. Como resultado, famílias destruídas, filhos que perdem seus pais, um é morto e os outros vão para a prisão.
A Esposa Perfeita: Um Desaparecimento Misterioso
3.6 4 Assista AgoraSPOILERS ABAIXO
O aviso de spoiler cabe, porque mesmo sendo uma história real já divulgada pela mídia, a narrativa se desenvolve como um autêntico suspense ficcional, como hoje são os documentários de "true crime".
Temos aqui a princípio um caso de desaparecimento de uma mulher, algo comum e no qual o marido é o principal suspeito, como na maioria das vezes é também o culpado. Mas neste aqui, depois de um começo clichê, somos apresentados a uma história surreal que mostra a destruição de uma família, mas principalmente, o sofrimento de um homem, que se vê diante da constatação de que sua esposa é um ser cruel, sem escrúpulos, que tem um desvio de caráter beirando a psicopatia.
Não é o desaparecimento de Sherri Pappini que é misterioso, mas também sua personalidade. Porque alguém forja o próprio sequestro, se auto machuca, deixa o marido desesperado, um país inteiro preocupado?
A série foca bastante nos detalhes do desaparecimento e da posterior volta de Sherri, assim como no desespero de Keith, o marido, sem um maior aprofundamento no que a teria levado a cometer um ato tão insano que impactou sua vida e de sua família.
No final a explicação da insatisfação no casamento e a necessidade de atrair a atenção parecem um tanto superficiais, não há nenhuma alusão a uma possível perturbação mental.
Um encerramento um tanto abrupto, que deixa no espectador a sensação de impunidade, porque depois de arquitetar um plano insano, Sherri tem 35 acusações de fraude, entre elas mentir para o FBI e gastar recursos públicos com o seu sequestro forjado, crimes puníveis com até 25 anos de prisão, ela se declara culpada e cumpre apenas 18 meses.
Pensei que "Garota exemplar" teria sido baseado nesta história, quando descobrimos que foi Sherri que se inspirou no filme, o que torna tudo ainda mais bizarro.
Um depoimento final de Keith, revelando todo o ressentimento e a mágoa de ver sua vida e a de seus filhos afetadas de forma tão cruel, deixou um sentimento de querer saber mais sobre como Sherri e Keith resolveram pendências após a saída dela da prisão. Se divorciaram, com quem ficou os filhos, Keith perdoou a esposa?
Isso o documentário não esclarece, mas a quem se interessar Keith pediu o divórcio, tem a guarda dos filhos, não fala mais com a ex-esposa e não, disse que não vai perdoá-la.
Cena do Crime: O Campo da Morte no Texas
3.5 25 Assista AgoraAo contrário dos outros dois documentários da série "Cena do crime", que focam em vários temas além dos crimes propriamente ditos, este se concentra na descrição dos assassinatos, as vítimas e principalmente suas famílias.
A narrativa é centrada no pai de uma das vítimas que busca incessantemente descobrir o responsável pela morte de sua filha, como também ajudar outros familiares de mulheres brutalmente assassinadas em um lugar que ficou conhecido como campo de matança.
Passando por vários crimes cometidos ao longo dos anos, é uma visão mais humana das vítimas e no sofrimento de quem fica tentando descobrir o que aconteceu.
Não Se Preocupe, Querida
3.3 626 Assista AgoraFlorence Pugh é ótima atriz, carrega o filme nas costas, Harry Styles deve ser melhor cantando (nunca ouvi nada dele).
O plot twist final não me surpreendeu
pois tudo naquele mundo perfeitamente plastificado estava meio na cara que não era de verdade
Tirando os protagonistas, não há um aprofundamento dos demais personagens que transitam naquela perfeita bolha dos anos 50 com seus figurinos coloridos e cenários estilizados.
Passado distópico, crítica social, thriller psicológico, tudo junto e misturado. É instigante, mas não me pegou.
Garota do Momento
4.1 13A novela teve boas atuações e boa reconstituição de época no qual se destacaram a protagonista Duda Santos (Beatriz) e a antagonista Maisa Silva (Bia), que mostrou talento como atriz.
Ponto negativo foram as cenas intermináveis e recorrentes do núcleo cômico formado pela família de Alfredo (Eduardo Sterblitich) e sua histriônica e chatíssima empregada Jacira (Flavia Reis) que não acrescentavam nada à narrativa e não tinham a menor graça.
De qualquer forma, mostrou os anos 50 de forma utópica, no qual uma moça negra poderia ser modelo de propaganda, fazer a protagonista de uma novela e um garoto homossexual teve sua sexualidade prontamente aceita por família e amigos. Sabemos que isso não era verdade, até o começo dos anos 2000, atores negros eram relegados à papéis de empregados e escravos e personagens homossexuais eram caricatos, mas é uma obra ficcional e como tal cumpriu o papel de entreter, mesmo com uma visão idealizada da época.
Cena do Crime: O Assassino da Times Square
3.4 20 Assista Agora“Cena do crime: O assassino da Times Square” ao abordar os assassinatos de mulheres ocorridos em Nova York na década de 70, acaba traçando todo o panorama da exploração sexual que existia na época, especialmente na Times Square, hoje um ambiente turístico e familiar, mas que há mais de 40 anos refletia a crise financeira, decadência urbana e alto índice de criminalidade vigentes na cidade nos anos 70.
SPOILERS ABAIXO
A Times Square era um lugar dominado pelo crime, um antro de pornografia habitado por prostitutas, cafetões, traficantes que circulavam entre cinemas pornôs, casas de swing, shows de strip tease, hotéis baratos de alta rotatividade e é nesse cenário caótico que em um quarto de hotel foram encontrados os corpos de duas mulheres com as mãos e as cabeças decepadas, a partir desse crime, a série vai revelando outros casos de mulheres assassinadas e estupradas, fazendo um paralelo entre a trajetória das investigações que descobrem a similaridade entre os casos decretando a existência de um serial killer com o ambiente hostil e abusivo a que as mulheres que se prostituíam estavam submetidas.
A narrativa bem desenvolvida vai intercalando depoimentos de promotores, investigadores, jornalistas e até a autora de um livro sobre profissionais do sexo, como também a filha biológica de uma das vítimas do serial killer, até chegar a revelação da identidade do assassino, Richard Cottingham, casado, 3 filhos, trabalhava como operador de computador em uma escritório, alguém aparentemente normal que se revelou um psicopata, e com o surgimento dos analistas de perfis descobriu-se que o mal não tem uma face determinada.
A série não perde muito tempo em analisar o assassino e suas motivações, e apesar de mostrar bastante os detalhes da investigação, se concentra mais no contexto social da época, o que para quem gosta de enredos essencialmente policiais e investigativos, pode ser digressivo demais e focar menos no que aparentemente deveria ser seu principal tema.
Para mim, a série equilibra o lado investigativo com a crítica social, e consegue acertar em ambas as abordagens, sem fugir de apresentar os fatos sobre os crimes e seu autor como também a imersão no ambiente degradante em que eles ocorreram.
Cena do Crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil
3.4 266 Assista Agora“Cena do crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil” é um ótimo documentário pois partindo de um fato, o desaparecimento da estudante canadense Elisa Lam dentro de um hotel em Los Angeles, aborda uma série de temas, a saber: Saúde mental, a vida das pessoas que vivem nas ruas, bullying virtual, exposição midiática, tribunal da internet e a obsessão das pessoas por assuntos que estão muito distantes de sua realidade.
SPOILERS ABAIXO
A narrativa tem um desenvolvimento que abrangendo todos estes temas, consegue despertar o interesse do espectador pois não deixa de lado a investigação policial, afinal quem começa a ver uma série sobre um crime real, está, antes de tudo, interessado na solução do mistério.
Há digressões sobre o passado do hotel, palco de várias mortes, além da de Elisa. Temos uma visão da Los Angeles dos anos 70/80 e da população de rua que transita em torno do hotel enquanto somos informados sobre os detalhes do desaparecimento de Elisa e sua frágil saúde mental, até sermos apresentados ao intrigante vídeo de uma câmera de segurança com a estudante em um dos elevadores do hotel nas suas últimas imagens, seu comportamento bizarro que levanta várias suspeitas por parte da polícia e de uma legião de internautas que passam a investigar o mistério obsessivamente.
Com uma narrativa que explora eficientemente o suspense ao demorar para revelar que a estudante estava morta quando seu corpo é encontrado dentro da caixa d’água, o que desperta mais ainda a obsessão dos detetives virtuais que passam a tecer várias teorias da conspiração, terminando por acusar um cantor que estava no hotel na época da morte da garota fazendo vídeos com sangue, gore, rituais macabros e passa a sofrer um linchamento virtual. Vemos o depoimento do artista que declara que pensou até em suicídio.
Por fim, a investigação conclui que a garota que sofria de sérios distúrbios mentais e havia parado de tomar a medicação, havia ela mesma entrado na caixa d’água e se afogado após um surto psicótico, motivo do comportamento estranho demonstrado no vídeo gravado no elevador.
Apesar do final ser um anticlímax para quem esperava ver um culpado preso e condenado, a série envolve, mostrando Elisa como vítima não de um assassino de carne e osso mas de todo um mundo para o qual não parecia estar preparada para enfrentar, ao passo que também aborda como uma sociedade pode também estar doente quando fica obcecada, acusa e condena sem provas e depois, quando tudo é esclarecido, esquece e vai em busca do próximo assunto sem se preocupar com quem ficou caído pelo caminho, o que é cada vez mais comum em tempos da exposição desenfreada na internet de assuntos que merecem tanta atenção para depois serem rapidamente esquecidos em um mundo onde tudo é cada vez mais instantâneo e descartável.
Pecadores
4.0 1,2K Assista Agora“Pecadores” seria apenas mais um “filme de vampiro”, não fosse o fato que aqui os vampiros são usados como metáforas. Estes seres sobrenaturais invadem o espaço dos negros e sugam seu sangue, mas enquanto fazem isso literalmente há um subtexto sobre a apropriação cultural da música, comida e costumes da comunidade negra americana.
Antes de entrar propriamente na ação “vampiresca”, há um longo prólogo no qual somos apresentados aos personagens no seu dia-a-dia, seus conflitos e interações para que pudéssemos nos importar com o que vai acontecer com estes personagens e não serem apenas mortes aleatórias, além de estabelecer o local e o contexto histórico, o Mississipi de 1932, da segregação racial e da Ku Klux Klan.
O blues tem papel central na narrativa, ao intuir que a música teria um pacto com o demônio, o personagem Sammie (Miles Caton) deixa clara essa alusão quando se vê dividido entre o blues e a fé cristã. Uma belíssima sequência unindo passado, presente e futuro, alude às raízes desse estilo musical como também ao legado que ele deixou na história e na cultura negra americana e o poder transcendental da música atravessando gerações.
Michael B. Jordan faz um belo trabalho como os gêmeos Stack e Smoke, com diferenças sutis para distinguir os irmãos, se destacando em um elenco primoroso, não há como apontar uma atuação destoante.
“Pecadores” é original na sua representação do sobrenatural para evocar o conflito racial, porém como filme de vampiro é apenas mais um filme de vampiro. E muitos que não captarem essa simbologia da trama, vão apenas achar que é um filme “comum” de vampiros com os habituais clichês sobre essas criaturas, sensibilidade à luz solar, ao alho, cruzes, estacas e que precisam de permissão para entrar em um ambiente.
O filme incorpora o realismo fantástico para se aprofundar nas várias camadas do subtexto racial e nesse sentido consegue um resultado brilhante. Os vampiros deturpam o que não possuem e resta aos negros a resistência para manter sua identidade.
A dúvida é quem são os verdadeiros pecadores, os brancos que deturpam e invadem o espaço que não é seu ou os negros que querem se divertir e celebrar, muitas vezes abandonando a fé cristã e se tornando “pecadores” segundo a doutrina religiosa?
Terra de Pecados
2.6 5 Assista AgoraA atuação da protagonista é brilhante, sensível em um personagem que pode soar antipático apesar de todo o sofrimento pessoal e não despertar empatia pois é um personagem difícil, irascível, pesado, é o maior destaque do elenco. Embora seja uma trama essencialmente investigativa, o foco é mais na personalidade e no drama dos personagens do que no "quem é o culpado".
A minissérie tem um ritmo muito lento, típico das produções europeias, especialmente nórdicas, o que não seria problema se a trama não fosse confusa com cenas dispensáveis e duração excessiva.
De resto, além da protagonista, todos tem boas atuações, fotografia com destaque para o cinza e o branco, de acordo com o clima frio do lugar, que também evidencia a tristeza, melancolia e amargura da trama.