Garota do Momento

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Garota do Momento (2024)
Garota do Momento
Média do filme: 4.1 de 5 — baseado em 77 votos
MÉDIAFILMOW
4.1
77 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Data de lançamento 4 Nov. 2024 Outras datas
País de origem Brasil 🇧🇷
Status Em Breve

Dirigido por

Data de lançamento

4 Nov. 2024
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Sinopse

No final da década de 1950, marcada pelo seu otimismo cultural e político, Beatriz (Duda Santos), uma jovem negra, desafia as normas da sociedade ao se tornar garota-propaganda de uma das maiores marcas de sabonete do país. No entanto, o sorriso estampado nos artigos de perfumaria esconde uma história trágica: órfã de pai, Beatriz também perdeu contato com sua mãe, Clarice (Carol Castro), que desapareceu quando ela tinha apenas quatro anos, e foi criada pela avó paterna, Carmen (Solange Couto), em Petrópolis. Quando crescida, ela muda-se para o Rio de Janeiro atrás do paradeiro da mãe ao ver uma foto da mesma em uma revista, e descobre que não apenas Clarice não se lembra dela, como tem outra filha com o mesmo nome, Bia (Maisa Silva).

No passado, Clarice trabalhava como lavadeira, mas tinha talento para a pintura, e decidiu mudar-se para Rio de Janeiro para conseguir participar de exposições de arte, com a esperança de retornar depois para buscar a filha. Porém, ao chegar à Cidade Maravilhosa, a moça conheceu o empresário Juliano Alencar (Fábio Assunção), que se apaixonou por ela à primeira vista. O mau-caráter estava sendo chantageado por uma vedete, que exigia que assumisse uma filha que teve com ela. Durante uma discussão, Juliano a matou acidentalmente, e o crime foi testemunhado por Clarice, que acabou atropelada ao fugir do vilão. Como consequência, Clarice perdeu parte da memória, lembrando apenas do nome da filha. Aproveitando-se da condição de Clarice, Juliano entregou outra criança a ela, fazendo-a acreditar ser a menina que gerou.

Para complicar ainda mais a situação, Beatriz se apaixona pelo namorado de Bia, Beto (Pedro Novaes), um jovem idealista, boêmio e adepto de festas e rodas de samba, que vive em conflito com o pai, Raimundo (Danton Mello), um publicitário preconceituoso, e a mãe, Lígia (Palomma Duarte), que abdicou das obrigações sociais da época para viver o seu sonho de ser cantora, abandonando Beto e seus irmãos, Ronaldo (João Vitor Silva) e Celeste (Débora Ozório). O amor entre Beatriz e Beto é dificultado pela saúde frágil de Bia, que nasceu com comunicação interatrial e usa disso para manipular Beto e mantê-lo no relacionamento.

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Comentários 0
amigos querem ver
_netocoutinho
Neto Coutinho
1 mês atrás

Novela sensacional que conseguiu prender bem minha atenção do início ao fim. Já virou uma das minhas novelas favoritas do Horário das 6 ❤️

netedomi
Ivonete
7 meses atrás

A novela teve boas atuações e boa reconstituição de época no qual se destacaram a protagonista Duda Santos (Beatriz) e a antagonista Maisa Silva (Bia), que mostrou talento como atriz.

Ponto negativo foram as cenas intermináveis e recorrentes do núcleo cômico formado pela família de Alfredo (Eduardo Sterblitich) e sua histriônica e chatíssima empregada Jacira (Flavia Reis) que não acrescentavam nada à narrativa e não tinham a menor graça.

De qualquer forma, mostrou os anos 50 de forma utópica, no qual uma moça negra poderia ser modelo de propaganda, fazer a protagonista de uma novela e um garoto homossexual teve sua sexualidade prontamente aceita por família e amigos. Sabemos que isso não era verdade, até o começo dos anos 2000, atores negros eram relegados à papéis de empregados e escravos e personagens homossexuais eram caricatos, mas é uma obra ficcional e como tal cumpriu o papel de entreter, mesmo com uma visão idealizada da época.

editado
gabmuller
Gabriel Müller
11 meses atrás

Gostei muito. Desde o começo sabia que ia ser um novelão daqueles, e foi.
Apesar da extensa barriga e da demora pra Clarice recuperar a memória ( aqui, um verdadeiro teste de paciência), a direção e a carpintaria da autora seguraram as pontas, mostrando uma boa sintonia ente Natália e Alessandra.
Personagens carismáticos, em atuações seguras. Maísa acertou a sua vilã em cheio (odiamos ela e depois torcemos pela sua redenção). Todos os vilões estavam impecáveis (inclusive o Cauê Campos com a Lília Cabral, excelente dobradinha).
Os protagonistas esbanjaram química. Enquanto a trama central não corria, as histórias coadjuvantes seguraram bem a história (inclusive as vizinhas que viviam penduradas no telefone).
Uma ótima novela das 6 dessa década.

moloko_mesto
Douglas Sepultura
1 ano atrás

gostei

jordisonfrancisco
Jordison
1 ano atrás

"Garota do Momento" teve altos e baixos, mas foi uma deliciosa novela das seis!

A novela das seis da TV aberta, escrita por Alessandra Poggi e dirigida por Natalia Grimberg, chegou ao fim nesta sexta-feira, após 203 capítulos. "Garota do Momento" conquistou o público por várias razões e a trama sai de cena com um saldo muito positivo, que inclui um enredo envolvente, um elenco que brilhou em sua totalidade, casais apaixonantes, personagens bem escritos e uma trilha deliciosa. No entanto, a produção também apresentou problemas visíveis em seu desenvolvimento, o que provocou muitas críticas justas dos telespectadores nas redes sociais.

A sinopse da novela é muito bem amarrada. Beatriz (Duda Santos) acreditava desde os quatro anos ter sido abandonada pela mãe, Clarice (Carol Castro). Só que ela não sabia que, na verdade, Clarice tinha perdido a memória em um grave acidente. Dezesseis anos depois, quando finalmente descobriu o paradeiro da mãe, Beatriz se deparou com uma outra Bia (Maisa) em seu lugar, precisou lidar com essa nova realidade e iniciou uma saga que conquistou o público. Nessa busca por identidade, surgiu o entendimento de sua potência, desafiando os padrões impostos na década de 1950, quando se tornou garota-propaganda de uma das maiores empresas de sabonetes do país e depois virou atriz e protagonista de um folhetim.
A novela se mostrou impecável até por volta do capítulo 100. Era um capítulo melhor que o outro, onde o dinamismo dominava a narrativa e sempre presenteava o telespectador com vários acontecimentos, ao mesmo tempo que aprofundava os dramas de todos os núcleos de uma forma rica. Até porque os personagens sempre foram muito bem interpretados e os conflitos despertaram a atenção.

Não por acaso, eram constantes os elogios, tanto na crítica especializada quanto nas redes sociais. A trama sempre teve uma grande repercussão, ao contrário do folhetim anterior, "No Rancho Fundo", que tinha até uma audiência maior, mas os comentários eram em bem menor quantidade em virtude da ausência de acontecimentos relevantes ao longo dos meses.

No entanto, tudo começou a desandar quando Flora (Bella Piero) deixou a história.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

A vilã foi uma ótima aquisição para narrativa e tinha potencial para outros desdobramentos, uma vez que fingia ser a verdadeira Isabel e tinha acabado de iniciar um confronto mais direto com Maristela (Lilia Cabral) e Juliano (Fábio Assunção). Mas a sua viagem, após quase ter sido assassinada, marcou o início da barriga da novela. O termo é utilizado para definir a ausência de acontecimentos relevantes no enredo, que passa a apresentar conflitos que giram em torno do próprio eixo para disfarçar a estagnação do roteiro. A eliminação da interesseira fez Bia retroceder e a desculpa foi uma respiração boca a boca que Beto fez para salvá-la de um afogamento. Aquilo destruiu todo o processo evolutivo da personagem, que voltou a ficar obcecada pelo ex-noivo. Todos os planos para separar os mocinhos retornaram. E no meio das armações ocorreram crimes, como a troca de um colar Mystic Necklace para incriminar Beatriz e a simulação de uma transa com Beto, que foi despido por ela durante uma embriaguez. Além de ter botado a mocinha atrás das grades, ainda obrigou o mocinho a se casar com ela. Isso também destruiu sua relação com Ronaldo (João Vitor Silva), que tinha caído nas graças do público por conta do irresistível clichê do jogo de gato e rato, onde um implica com o outro até se descobrirem apaixonados.

Todas as armações da Bia foram condizentes com uma boa vilã e necessárias para a movimentação do roteiro. Maisa esteve ótima em cena. O problema foi a

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conivência de Clarice, o que destruiu o principal arco dramático do roteiro, que era a sua relação com Beatriz. A cena mais esperada pelo público era lembrança do passado da mãe da mocinha. Após longos meses sem memória, a personagem recordou de quase tudo e a sequência fez jus ao tempo de espera. Foi um lindo momento protagonizado por Carol Castro e Duda Santos. Aquela catarse tinha que marcar uma nova fase na história e estabelecer um elo de muita cumplicidade entre mãe e filha. Só que o resultado frustrou a expectativa do público. Clarice sempre acreditou em todas as mentiras ditas por Bia e fazia sentido, uma vez que estava cercada por uma grande farsa. Só que depois a verdade veio da boca de sua herdeira biológica. E ainda assim preferiu priorizar a outra filha, a ponto de não ter acreditado na palavra de Beto e Beatriz e mantido a armação do casamento para que a garota não tivesse um problema cardíaco. Vale lembrar que Beatriz sofre de asma crônica, uma condição de saúde também delicada. Mas isso não importava para Clarice. Tanto que a personagem levou Bia para fazer seu vestido de noiva com Arlete (Bete Mendes) na pensão em que mora Beatriz e nem parou para pensar que provocaria uma mágoa gigante na filha. Só pensou em aproximar Bia da avó biológica. E qual a consequência diante de todas essas conveniências de roteiro? A destruição da aproximação entre Clarice e Beatriz. Tanto que as cenas amorosas das duas não causaram qualquer receptividade dos telespectadores nas redes sociais, já que era visível a sua predileção pela outra filha.

O texto repetiu inúmeras vezes que Clarice amava as duas igualmente, mas suas atitudes demonstraram o contrário.

O pior foi o comportamento submisso

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que Beatriz passou a ter para não desagradar sua mãe, aceitando tudo o que era pedido, incluindo o rompimento com Beto. A mocinha altiva, dona de si e que nunca era feita de idiota tinha ficado para trás. Virou uma passiva, a ponto de sofrer agressões verbais e físicas de Bia, sem reagir. O texto ainda justificava a passividade da protagonista com um argumento racial, reforçando que Beatriz não agredia a rival para não ser vista como uma preta agressiva e não rebaixar seu nível. Todo bom folhetim tem rivalidade entre mocinha e vilã, com direito a tapas e puxões de cabelo, sim. Nem mesmo a desculpa de Bia ser cardíaca pôde ser usada até o final porque a patricinha fez uma cirurgia e ficou ótima. Mas a predileção da autora pela Bia sempre foi visível, a ponto de colocar quase todos os personagens atenuando seus crimes e os colocando como meras armações de péssimo gosto. Tanto que a sua redenção aconteceu apenas na reta final e toda a culpa de seus atos recaiu em cima de Juliano e Maristela. Claro que os vilões a criaram muito mal, mas Clarice também teve muita culpa e a própria Bia se deleitava com os planos do pai e da avó. Em nenhum momento foi coagida ou induzida a nada. Vale até lembrar que Poggi apresentou o mesmo 'vício' em "Além da Ilusão", sua bem-sucedida estreia como escritora solo. Ela gostava tanto do Davi (Rafael Vitti) que nunca colocou os demais personagens questionando seu romance bastante controverso com uma menina que era irmã de sua falecida namorada --- brutalmente assassinada pelo próprio pai --- e ainda tinha o rosto idêntico ao dela.

Todos achavam aquilo lindo.

Mas voltando ao folhetim das seis encerrado hoje, é preciso citar outra situação que decepcionou, após um início delicado e promissor: o romance de Guto e Vinicius. Pedro Goifman se mostrou uma grata revelação e teve química com Elvis Vittorio.

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Todo o processo de descobrimento da homossexualidade do filho de Anita (Maria Flor) foi muito bem trabalhado pela autora, que incluiu um término sensível com Eugênia (Klara Castanho) e uma identificação genuína com Vinícius. Só que o namoro foi breve. Os dois deram apenas um selinho de três segundos em uma cena sombreada e pouco tempo depois foi inventada uma viagem para Vinícius porque o pai, que o tinha expulsado de casa por ser gay, estava muito doente. Ele foi embora, Guto chorou muito e fim. Quem foi o responsável pela destruição gratuita do casal? A autora, a atual cúpula da Globo na teledramaturgia, chefiada por Amauri Soares, ou ambos? A dúvida ficará no ar, mas foi um ato de homofobia e conservadorismo explícito. O que não deixa de ser uma ironia, pois a novela, mesmo ambientada em 1958, era repleta de personagens progressistas e quase todo mundo entendeu o romance, o que ficou até forçado para uma trama de época. Teria sido até melhor os personagens namorarem às escondidas na trama, o que ficaria verossímil e dentro dos padrões atuais de retrocesso da maior emissora do país. Não dá para deixar de lado nem a abordagem em torno da Verônica Queen, personagem do talentoso Silvero Pereira. A abordagem do preconceito em cima do conflito com o filho, Carlito (Caio Cabral) e a ex-mulher, Marlene (Ana Flávia Cavalcanti),

rendeu boas cenas, mas o personagem não durou muito e logo saiu da história.

A produção também deixou a desejar no desenvolvimento de alguns núcleos. É bom frisar que todos os personagens da novela eram ótimos e por isso mesmo mereciam mais tempo de tela. Anita, por exemplo, teve um início de destaque

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diante da rotina de uma mulher que era apaixonada por um apresentador de televisão, amava os dois filhos e sofria em um casamento abusivo. A autora ainda foi corajosa em juntá-la com Alfredo Honório (Eduardo Sterblitch), diante do sucesso que o personagem fazia ao lado da esposa Teresa (Maria Eduarda de Carvalho). Tudo ficou bem construído, incluindo a cena do divórcio, o acerto de contas entre as duas mulheres e a concretização do sonho de Anita em estar ao lado de seu amor e apresentando um quadro de culinária na TV Ondas do Mar. Porém, tudo aconteceu cedo demais e a saída de Nelson (Felipe Abib) apagou Anita do roteiro. Como a personagem perdeu seu único ponto de conflito, ficou sem função e foi perdendo cada vez mais importância. O que foi uma pena, pois Maria Flor brilhou e fazia falta na teledramaturgia. A questão do TOC de Teresa também merecia uma melhor abordagem. A mãe de Eugênia desenvolveu a Transtorno Obsessivo Compulsivo porque esqueceu uma vela acesa em casa e a filha quase morreu queimada quando criança. As queimaduras no braço da menina eram um gatilho para as duas. E tudo foi resolvido porque Teresa iniciou uma terapia. Mas nunca teve qualquer cena da ex de Alfredo se consultando e expondo o seu progresso. Fez falta. Ainda vale mencionar o conflito envolvendo Ana Maria (Rebeca Carvalho), Orlando (Philipp Lavra) e Iolanda (Carla Cristina Cardoso), que tinha tudo para destacar os três, mas se esvaziou pelo caminho, e a perda de destaque de Arlete, que foi interpretada pela grandiosa Bete Mendes. A aguardada cena da avó descobrindo que sua neta era Bia e que sua filha, Valéria (Júlia Stockler), estava morta foi muito aquém do esperado. E não por culpa da atriz, mas pela opção de colocar a personagem em negação e só depois aceitando, o que diluiu o impacto. Ainda é preciso criticar o excessivo destaque para as confusões envolvendo Jacira e sua pata Paty. Flávia Reis é uma ótima atriz e humorista, mas merecia mais instantes de drama com Maria Eduarda de Carvalho e Klara Castanho. Quando havia essa união, as três cresciam em cena. No início, as situações com o fantoche eram divertidas, mas se prolongaram demais e ficaram repetitivas, o que afetou até o núcleo de Alfredo Honório, que sempre foi uma delícia de acompanhar, vide as várias homenagens a programas popularescos que sua atração fazia na TV Ondas do Mar, com direito a ações de merchandising e jingles que todo mundo cantava junto. Foram tantos momentos desnecessários que até uma mexicana assassina e uma fã alucinada entraram na reta final, interpretadas pelas ótimas Stella Miranda e Catarina Abdalla.

As atrizes brilharam, mas as cenas não tiveram graça.

Após o apontamento de tudo o que decepcionou, é a hora de aplaudir os vários acertos da história. Poggi conseguiu triunfar em uma missão impossível para muitos autores: o casal de mocinhos. É uma tarefa cada vez mais difícil conquistar o amor do público através dos protagonistas. A construção quase sempre é apressada demais ou fica refém da pouca química dos atores. Mas não foi o que aconteceu em "Garota do Momento".

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Beatriz e Beto foram apaixonantes e a sintonia entre Duda Santos e Pedro Novaes imediata. E os personagens se apaixonaram à primeira vista no primeiro capítulo, o que costuma ser letal para qualquer par em produções que não são espíritas. Hoje em dia, o telespectador está bem mais criterioso para esse tipo de clichê. Só que funcionou com o casal 'Betriz' e muito por conta do carisma e do talento dos atores. Aliás, Beto foi um mocinho 'torcível'. O rapaz nunca foi feito de besta por nenhum vilão e esteve sempre ao lado da mocinha. Ainda enfrentou um conflito familiar com sua mãe, resolvido apenas na reta final e de forma sensível. Beatriz também foi uma excelente mocinha, mas teve seu arco prejudicado pelas conveniências de roteiro a favor da Bia.

Entre os êxitos da história, não dá para esquecer a Família Sobral. Danton Mello e Palomma Duarte ganharam um bom tempo de tela e souberam aproveitar.

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Raimundo foi o personagem mais condizente com o ano de 1958 graças ao seu machismo e conservadorismo, mas o ator soube inserir um toque cômico e trejeitos irresistíveis em sua composição, que caíram no gosto popular. Lígia largou o marido e os três filhos para ir atrás de seu sonho de cantar e nunca conseguiu uma reaproximação porque o ex jamais permitiu. Era um casal com tramas densas e que foram bem desenvolvidas pela autora, que deu a eles um bonito final feliz para a satisfação do público. Beto, Ronaldo e Celeste também foram perfis que tiveram arcos dramáticos bem trabalhados, ainda que a trajetória de Ronaldo tenha se perdido na reta final por conta de seu amor cego pela Bia. Por falar em amor, é preciso citar o romance açucarado entre Celeste e Edu (Caio Manhente), que representaram bem um par típico das seis da tarde. Os atores tiveram química e protagonizaram um conto de fadas que ganhou toques de realidade diante de uma gravidez na adolescência.

A família fez tanto sucesso que parte da audiência pede um 'spin-off' nas redes sociais.

O Clube Gente Fina foi outro ponto alto.

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Tatiana Tibúrcio e Cridemar Aquino emocionaram com Vera e Sebastião, o casal mais harmonioso e saudável da trama. Os dois mereciam até mais destaque, mas protagonizaram muitas cenas bonitas com apresentações musicais incríveis e que renderam lindas homenagens, todas a personalidades que fizeram ou fazem parte da história do Brasil, como Elza Soares, Pixinguinha, Ruth de Souza, Alaíde Costa, entre outros. Ainda dentro do núcleo, vale mencionar o par formado por Ulisses e Glorinha, interpretados pelos talentosos Ícaro Silva e Mariana Sena. O filho de Vera e Sebastião ainda era o dono do 'Bowling Rock', o boliche que servia de ponto de encontro para os mais jovens, entre eles o Topete, rapaz arrogante, burro e que praticava bullying com todos os colegas. Interpretado por Gabriel Milane, uma grata revelação, o personagem teve um arco de regeneração bem realizado e seu amadurecimento ficou crível, assim como o nascimento de seu amor por Eugênia. E o que dizer das fofoqueiras que viviam no telefone, mesmo morando uma ao lado da outra?

Aparecida e Conceição foram interpretadas pelas ótimas Arlinda Di Baio e Mariah da Penha, que divertiram comentando todos os conflitos da novela. Os bordões "Cala-te boca", "Ô, se calo" e "Deus tá vendo" eram ótimos.

O time de vilões foi outro trunfo do enredo. Ao contrário da novela anterior, os malvados agiam

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sem pudor e com crueldade. Ainda tinham momentos cômicos maravilhosos durante a saga das vilanias. Fábio Assunção e Lilia Cabral formaram uma dupla vitoriosa e Cauê Campos roubou a cena como Basílio, personagem mais carismático da trama e que teve o melhor arco de redenção. Cauê ainda fez uma parceria impagável com Lilia através de um casal improvável e recheado de ironias e ataques mútuos. Já Letícia Colin pintou e bordou como Zélia, uma canalha adorável. Só é preciso um parênteses na trama de Zélia. A personagem demorou 16 anos para se vingar, não se vingou de ninguém, teve um caso com Juliano, ajudou os vilões nas armações e foi assassinada na última semana, logo depois do seu único triunfo na história --- quando fez justiça pelo seu finado marido e conseguiu a presidência da Perfumaria Carioca. Um desfecho que desagradou até a atriz. Nada contra a morte em si, uma vez que a personagem cometeu muitos crimes e era controversa. Morrer em um ato de redenção é sempre um clichê emblemático, mas desde que aconteça de uma forma apoteótica, o que não foi o caso. As situações forçadas para que Bia fosse a única testemunha também se evidenciaram. A saga da vingança e o seu final

decepcionaram igualmente.

O penúltimo capítulo foi encerrado com um gancho de tirar o fôlego, quando

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Juliano tentou matar Beatriz e Clarice se jogou na frente da filha. Um clichê irresistível e tipicamente folhetinesco em uma bem sequência dirigida. A participação luxuosa de Paulo Vieira, na pele de Mirosmar, um fazendeiro rico e inspirado no Sinhozinho Malta, de "Roque Santeiro", foi outro ponto alto, assim como o casamento de Glorinha com Ulisses no antepenúltimo dia de novela no ar. Já o último capítulo teve um início com muitos cortes e correria nos acontecimentos. Juliano foi preso, mas a cena não foi mostrada. O mesmo aconteceu com o julgamento de Bia, que nem contou com a presença de Clarice e Arlete. Ficou claro que a prisão da patricinha foi inserida de última hora por conta da avalanche de críticas do público nas redes sociais sobre a falta de punição. Perderam tanto tempo focando na saga da pata e de outras situações repetitivas e deixaram de lado uma sequência tão importante. A reação da Bia recebendo a sentença do juiz era o mínimo. Até mesmo a sua cena na cadeia foi rápida. Nem vinte segundos. A prisão deveria ter acontecido antes, até para destacar o talento de Maisa nas cenas e colocar Beatriz a visitando, para aí sim concretizar uma reaproximação,

algo que ficou súbito demais.

No entanto, todos os demais desfechos engrandeceram o capítulo. O melhor final

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foi o de Maristela, que deixou Juliano apodrecendo na cadeia e logo depois acabou atropelada por um bond, perdendo a memória. A cena em que Basílio pergunta se a vilã já tinha morrido, em referência ao mesmo questionamento feito por Maristela quando viu Clarice desmaiada na rua, foi uma sacada genial, assim como a sua esperteza em se aproveitar daquela fragilidade para transformar a 'ex-esposa' em sua empregada. Coralina (Cilene Guedes) virou governanta e passou a mandar em Maristela, que também virou alvo de deboche do casal formado por Basílio e Flora. A avó de Bia quebrando a quarta parede e tentando se lembrar da música de abertura, em referência ao momento da veterana que virou meme nas redes sociais, fechou o ciclo da víbora

com chave de ouro.

O final feliz de

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Raimundo e Lígia também merece uma carinhosa lembrança. Porém, Lígia tendo que escolher entre sua profissão e o casamento do filho mais velho se mostrou desnecessário e com o único intuito de criar um suspense bobo sobre a decisão de Raimundo. Ainda assim, a viagem do casal, em uma avião da extinta Varig, com o apoio dos três filhos, foi um momento lindo e divertido. A beleza esteve presente em outra sequência de encher os olhos: o casamento de Beto e Beatriz. Um clichê que os dois mereciam. A cena de Beatriz protagonizando o filme "A Pedra de Exú" foi outro momento de muita delicadeza e Duda Santos encerrou a novela com um monólogo emocionante sobre ser a "Garota do Momento" e querer ser a "Garota do Futuro", listando tudo o que um mundo mais justo precisa ter, enquanto imagens com manchetes do jornal O Globo eram exibidas, como "Câmara aprova aumento de pena para injúria racial", "Rachel de Queiroz é eleita para a Academia", "Senado aprova lei que regulamenta o divórcio" e "CNJ aprova resolução determinando que cartórios registrem casamentos civis homoafetivos". A última cena foi com a dupla de fofoqueiras finalmente saindo de casa

e indo para a sua em um compilado com todo o elenco e a equipe dançando "Tuti Frutti", tema de abertura cantada por Little Richard. Bonitinho demais.

"Garota do Momento", que teve uma direção competente de Natália Grimberg, apresentou um início irretocável, um desenvolvimento até a metade da história repleto de qualidades e expôs suas maiores falhas de roteiro depois do centésimo capítulo, o que implicou em uma quebra daquele conjunto tão harmonioso até então. Mas entre altos e baixos, os altos prevaleceram diante da soma de atores talentosos, história cativante e personagens bem escritos. Alessandra Poggi mostrou que sabe os ingredientes de uma boa novela das seis e tende a se firmar no posto. Resta torcer para que os erros apontados sejam ao menos absorvidos para um maior aperfeiçoamento em seu terceiro futuro trabalho. Porque, apesar de tudo, a saudade vai ficar.

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Elenco de Garota do Momento

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Duda Santos 0 2

Duda Santos

(Beatriz)
Maísa Silva 6 106

Maísa Silva

(Beatriz Alencar (Bia))
Pedro Novaes 4 10

Pedro Novaes

(Roberto (Beto))
Ana Flavia Cavalcanti 1 5

Ana Flavia Cavalcanti

(Marlene)
Arlinda Di Baio 0 0

Arlinda Di Baio

(Conceição)
Bete Mendes 2 44

Bete Mendes

(Arlete)

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